3. METODOLOGIA
3.2 Procedimentos utilizados
3.2.2 Procedimentos utilizados no TEMPO 2
O momento 2 surge principalmente a partir da necessidade de dar continuidade as atividades e ao trabalho iniciado com os jovens, fortalecendo o trabalho de grupo. Logo após a saída dos pesquisadores anteriores de campo, os jovens se sentem desestimulados para continuar se encontrando e materializar o sonho que haviam planejado.
É justamente neste momento, que esta pesquisa se inicia. Aceitei o desafio e apresentei como meu trabalho de dissertação de mestrado analisar e fazer o acompanhamento do grupo JUMAFI.
Até aquele momento, os integrantes do grupo tinham feito um plano de ações que compreendiam atividades diferenciadas apresentadas nas planilhas em anexo.
Neste momento exatamente, percebi que várias dúvidas que me acompanharam durante a realização do momento 1 da pesquisa, começaram a aflorar. Um conjunto de dúvidas em relação aos procedimentos utilizados até então para a formação do JUMAFI e até mesmo as idéias de dar continuidade ao trabalho do
grupo, me faziam refletir sobre a decisão assumida perante os jovens e junto a academia. Apresento a seguir os procedimentos utilizados.
3.2.2.1 Grupo focal
De acordo com (Fontas, 2001) A técnica de grupo focal é bastante utilizada em pesquisa social qualitativa, também chamada de pesquisa exploratória, é principalmente utilizada e entendida como um processo de produção de significados que fornece possibilidade de compreender fenômenos ocultos a observação de sentido comum. Além disso, caracteriza-se por utilizar instrumentos de análise que não estão preocupados em explicitar a quantidade dos fenômenos observados, e sim interpretá-los em profundidade fornecendo detalhes a cerca dos comportamentos sociais e práticas cotidianas.
As entrevistas com grupos focais podem ser utilizadas em todas as fases de um trabalho de investigação. São apropriadas para estudos que buscam entender atitudes, preferências, necessidades e sentimentos. São utilizadas, por exemplo, quando investiga-se questões complexas no desenvolvimento e implementação de programas, como aspectos relacionados a dificuldades, necessidades ou conflitos não claros ou pouco explicitados.
De acordo com (Fuentes, 2001), a escolha de entrevistas com grupos focais como fonte de informação deve ocorrer após a elucidação do propósito da pesquisa e a identificação de quem utilizará as informações. Ë fundamental que haja clareza quanto às informações necessárias, entender as razões de ser de cada uma delas e a sua adequação quanto à utilização da técnica Grupo Focal como forma de coleta de dados.
Segundo os autores (op. cit.) sugere-se que se trabalhe com um número médio de até 10 participantes, de preferência reunidos em um formato de círculo, onde cada participante pode ter visão do conjunto, ouvindo a fala dos demais companheiros. Sugerem ainda que, a reunião não deve ser muito longa, aproximadamente duas horas. A reunião é dirigida por um moderador ou facilitador, que utiliza uma guia de discussão para manter o enfoque da reunião, é promover a participação de todos, evitar a dispersão dos objetivos da discussão e a monopolização de alguns
participantes sobre outros.Esta guia de orientações deve conter os objetivos do estudo e inclui perguntas de discussão aberta.
“Para determinar cuántos grupos se necesitan, primero es necesario recopilar la información pertinente, generar hipótesis del tema en estudio y continuar la organización de grupos hasta que la información obtenida este completa”. (op. cit., p. 2).
Além do moderador, é necessário que a reunião tenha um relator e alguns observadores, que fazem anotações e, posteriormente, podem complementar as informações coletadas.
Escolhi esta técnica por permitir realizar uma conversa exploratória grupal, que garantisse maior segurança às opiniões dos participantes do grupo e também por possibilitar a reflexão coletiva sobre a continuação da existência do JUMAFI,
reorientando o grupo e transformando-os em co-responsáveis pelas decisões futuras a serem tomadas. O roteiro utilizado será apresentado logo adiante.
3.2.2.2 Reuniões em grupos menores
Estas reuniões foram o principal técnica utilizada após a realização do grupo focal. Consistia na visita a cada um dos pequenos grupos para verificar o desenvolvimento, realizar algum tipo de assessoria técnica ambiental nas alternativas de geração de renda escolhida pelo grupo. Esta etapa precedia a fase de acompanhamento dos pequenos grupos. Realizamos também atividades de planejamento, utilizando a técnica ‘oficina do futuro’ (Instituto Ecoar para a Cidadania, 1997).
3.2.2.3 Mapa social da comunidade
A fim de compreender melhor as relações que se estabelecem dentro do assentamento, e também aquelas especialmente envolvidas com os jovens, realizei um mapeamento social da comunidade. A idéia foi construir um mapa, em que pudessem ser visualizada as relações existentes entre cada um dos grupos presentes
no contexto na vida cotidiana dos jovens, buscando estabelecer a intensidade da suas relações.
3.2.2.4 Acompanhamento dos quatro grupos menores derivados do JUMAFI
O acompanhamento do grupo se deu através de visitas às casas dos moradores e também em visita de campo, quando da atuação dos grupos, em momentos como comercialização dos produtos, visita às roças, vendas em feiras livres, etc.
3.2.2.5 Análise de conteúdos
Através destas técnicas reunimos o conjunto de informações, buscando captar os dados em campo, sem necessariamente fragmentá-los, ou seja, buscando trazer a verdade dentro e por trás dos fatos da maneira que eles ocorriam em campo. De acordo com Colon (1998, p.156) "as práticas sociais são profundamente indexicais e
não podem ser reduzidas a sua decomposição em elementos, feito pelo pesquisador para apreender melhor seu sentido".
Minayo (1998, p.75) cita a análise de conteúdos como uma das formas de se apreender as diferentes vozes do grupo com o qual se trabalha, para a autora análise de discurso está compreendida como um conjunto de técnicas que tem duas funções principais: a verificação de hipóteses e/ou questões "através da análise de conteúdos
podemos encontrar respostas para as questões formuladas e também podemos confirmar ou não as afirmações estabelecidas antes do trabalho de investigação (hipóteses) e a outra está relacionada a descoberta que está por trás dos conteúdos
manifestos “...indo além das aparências do que está sendo comunicado".
Ardoino (1966) citado por Colon (1998, p.155) chama este tipo de análise de dados de análise complexa, e complementa "seria a combinação de conjuntos
profunda e irredutivelmente heterogêneos, que permitirão a elaboração de novas significações. O trabalho de análise consiste então em procurar localizar estas significações e articulá-las".
3.2.2.6 Triangulação de dados
Esta técnica consiste na combinação de diferentes perspectivas metodológicas quanto forem necessárias para a realização de uma pesquisa de campo, no estudo do mesmo fenômeno.
No processo de pesquisa proposto, o levantamento das categorias de análise será realizado a partir da coleta dos dados, análises e dos grupos de jovens, através do processo denominado de "triangulação dos dados"( Triviñus, 1987, p. 139-40). De acordo com o mesmo autor, existem diferentes tipos de triangulação: de dados, de investigador e de metodologia.
Neste caso, os dados coletados através dos procedimentos anteriormente descritos, serão triangulados com o objetivos obter maior amplitude na descrição e compreensão do foco em estudo. Para isto, as bases conceituais e teóricos, bem como, técnicos são essenciais.