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Processamento da folha de pagamento

1 INTRODUÇÃO

2.4 AUDITORIA DE RECURSOS HUMANOS

2.4.2 Processamento da folha de pagamento

Como prevista na CLT a folha de pagamento possui caráter obrigatório ao empregador, é de suma importância o acompanhamento do departamento de pessoal da entidade, pois o empregador é o responsável pela execução dos procedimentos assim como prestar as informações necessárias para sua confecção, sendo o meio de ligação com seu empregado, pois é por meio deste que receberá seu salário.

Segundo Oliveira (2012, p. 47) “O apontamento é feito em geral pelo sistema, tendo como base o espelho de ponto; somam-se as horas trabalhadas, inclusive as horas extras, e observam-se as faltas e atrasos para o não pagamento”.

Na folha de pagamento constará os respectivos proventos que são os direitos do colaborador e em contrapartida os descontos que também deverão ser efetuados.

2.4.2.1 Proventos

Os proventos são considerados os valores que são recebidos pelo empregado, dentre os vários eventos que compõe os proventos destacam-se os principais, tais como: salário, férias, horas extras, adicional de insalubridade, adicional de periculosidade, adicional noturno, salário família e decimo terceiro salário de acordo com a CLT.

2.4.2.1.1 Salário

O salário é considerado o valor fixo a ser recebido pelo empregado em função das suas atividades realizadas na empresa, conforme acordo firmado em contrato de trabalho.

Em relação ao salário, Rocha (2012, p. 27) entende que:

É remuneração devida pelo empregador ao empregado pela prestação de serviço do último, em decorrência de um contrato de trabalho, sendo inadmissível sua redutibilidade. É permitido que o salario seja pago em parte pro utilidades, num percentual máximo de 70% (setenta por cento), sendo o mínimo aceitável de 30% (trinta por cento) em numerário.

Sendo que o valor determinado a ser pago para o colaborador deve estar em conformidade com as leis trabalhistas Brasileiras ou sindicato que o empregado pertence. Além do salário o empregado também faz jus a outros proventos, tais como as férias.

2.4.2.1.2 Férias

Com relação às férias, se entende aquele período em que o trabalhador tem de descanso, porém remunerado. Importante salientar que, as férias somente são devidas após o empregado completar um ano de trabalho na empresa.

Quanto ao pagamento, verifica-se que o mesmo deve ser efetuado dois dias antes do gozo de férias e é acrescido um terço a mais do salário que recebe mensalmente.

Sobre o direito a férias Rocha (2012, p. 36) menciona que:

Todo empregado adquire o direito a férias após, doze meses de vigência do contrato de trabalho (período aquisitivo), sem prejuízo da remuneração: • 30 (trinta) dias corridos, quando não houver faltado ao serviço mais de 5 (cinco) dias;

• 24 (Vinte e quatro) dias corridos, quando houver tido de 6 (seis) a 14 (quatorze) faltas;

• 18 (dezoito) dias corridos, quando houver tido 15 (quinze) a 23 (vinte e três) faltas;

• 12 (doze) dias corridos, quando houve tido de 24 (vinte e quatro) a 32 (trinta e duas) faltas (art.130, inciso I e IV, da CLT).

Sobre a quantidade de dias em que o empregado tem direito a gozar em relação as férias, observa-se que é de trinta dias no caso do empregado ter até cinco faltas dentro do ano em que trabalhou. As faltas do empregado durante o período aquisitivo são extremamente importantes, pois é através delas que se pode saber o número de dias que o trabalhador poderá gozar nas suas férias. É importante frisar que no cálculo das férias serão computadas a média das horas extras que foram realizadas durante o período aquisitivo (ROCHA, 2012).

2.4.2.1.3 Horas extras

Hora Extra consiste no valor que o empregador paga ao seu empregado, em razão deste ter trabalhado a mais que em relação a sua jornada normal de trabalho habitual. Sabe- se que o valor do acréscimo é de no mínimo 50% do valor da hora normal, conforme estabelecido no artigo 7º, inciso XVI, da Constituição Federal de 1988 (CF/88).

Em conformidade com o artigo 59 da CLT é importante destacar algumas questões que envolvem o evento das horas extras:

Art. 59 - A duração normal do trabalho poderá ser acrescida de horas suplementares, em número não excedente de 2 (duas), mediante acordo escrito entre empregador e empregado, ou mediante contrato coletivo de trabalho.

§ 1º - Do acordo ou do contrato coletivo de trabalho deverá constar, obrigatoriamente, a importância da remuneração da hora suplementar, que será, pelo menos, 20% (vinte por cento) superior à da hora normal. (Vide CF, art. 7º inciso XVI)

§ 2o Poderá ser dispensado o acréscimo de salário se, por força de acordo ou convenção coletiva de trabalho, o excesso de horas em um dia for compensado pela correspondente diminuição em outro dia, de maneira que não exceda, no período máximo de um ano, à soma das jornadas semanais de trabalho previstas, nem seja ultrapassado o limite máximo de dez horas diárias. (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001)

§ 3º Na hipótese de rescisão do contrato de trabalho sem que tenha havido a compensação integral da jornada extraordinária, na forma do parágrafo anterior, fará o trabalhador jus ao pagamento das horas extras não compensadas, calculadas sobre o valor da remuneração na data da rescisão. (Incluído pela Lei nº 9.601, de 21.1.1998)

§ 4o Os empregados sob o regime de tempo parcial não poderão prestar horas extras. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.164-41, de 2001)

É evidente que o empregado é contratado para exercer sua atividade laborativa em determinado horário, sendo que deve cumprir no máximo 44 horas na semana. Desta maneira, quando o trabalhador exercer as suas atividades além do seu horário normal, deve haver o pagamento das horas extras, como uma maneira de indenizar o empregado. Cabe salientar que caso o empregado esteja exposto a algum agente nocivo em relação a sua saúde esse valor deverá ser integrado ao cálculo das horas extras. O empregado ao ser exposto a algum tipo de agente nocivo terá o direito a receber o adicional de insalubridade.

2.4.2.1.4 Adicional de insalubridade

O adicional de insalubridade é o valor pago ao empregado que exerce uma atividade de forma insalubre, ou seja, nociva à sua saúde. É importante salientar que existem três graus de insalubridade, quais sejam, o grau máximo (40% de adicional sobre o salário mínimo); grau médio (20% de adicional sobre o salário mínimo) e grau mínimo (10% de adicional sobre o salário mínimo) (CLT, 1943).

Nesse sentido a CLT em seu artigo 192, alerta que:

Art. 192 - O exercício de trabalho em condições insalubres, acima dos limites de

tolerância estabelecidos pelo Ministério do Trabalho, assegura a percepção de adicional respectivamente de 40%, 20% e 10% do salário mínimo, segundo se classifiquem nos graus máximo, médio e mínimo.

Para atestar o grau de risco em que o empregado está exposto, é necessário que exista um Laudo Técnico, realizado por um profissional habilitado para esse fim. Também poderá

o empregado estar exposto em suas atividades a alguns tipos de perigo e nesse sentido ele deverá receber o adicional por periculosidade.

2.4.2.1.5 Adicional de periculosidade

Entende-se por adicional de periculosidade o valor que o empregado percebe por exercer atividades que são perigosas em relação ao serviço com inflamáveis, explosivos ou eletricidade. Quanto ao valor correspondente, observa-se que se trata de 30 % do salário que o empregado percebe mensalmente, o que difere da insalubridade (CLT, 1943).

Na CLT, o adicional de periculosidade está disposto no artigo 193 e comenta que: Art. 193. São consideradas atividades ou operações perigosas, na forma da regulamentação aprovada pelo Ministério do Trabalho e Emprego, aquelas que, por sua natureza ou métodos de trabalho, impliquem risco acentuado em virtude de exposição permanente do trabalhador a: (Redação dada pela Lei nº 12.740, de 2012)

I - inflamáveis, explosivos ou energia elétrica; (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)

II - roubos ou outras espécies de violência física nas atividades profissionais de segurança pessoal ou patrimonial. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)

§ 1º - O trabalho em condições de periculosidade assegura ao empregado um adicional de 30% (trinta por cento) sobre o salário sem os acréscimos resultantes de gratificações, prêmios ou participações nos lucros da empresa. (Incluído pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 2º - O empregado poderá optar pelo adicional de insalubridade que porventura lhe seja devido. (Incluído pela Lei nº 6.514, de 22.12.1977)

§ 3º Serão descontados ou compensados do adicional outros da mesma natureza eventualmente já concedidos ao vigilante por meio de acordo coletivo. (Incluído pela Lei nº 12.740, de 2012)

§ 4o São também consideradas perigosas as atividades de trabalhador em motocicleta. (Incluído pela Lei nº 12.997, de 2014)

Em se tratando de adicionais que o empregado tenha direito, destaca-se também o adicional noturno, que será recebido em função das atividades serem desempenhadas pelo empregado durante a noite em horário especifico.

2.4.2.1.6 Adicional noturno

Em algumas empresas, existem empregados que exercem suas atividades entre às 22 horas e às 05 horas da manhã, sendo que essa característica pode ser associada ao adicional noturno que é devido ao empregado que trabalhar nas condições acima citadas.

É válido dizer que neste intervalo de tempo, as horas são reduzidas de 60 minutos para 52 minutos e 30 segundos que devem corresponder a no mínimo 20% do valor da hora normal (CLT, 1943).

Assim, é o que determina o artigo 73, da CLT:

Art. 73. Salvo nos casos de revezamento semanal ou quinzenal, o trabalho noturno

terá remuneração superior a do diurno e, para esse efeito, sua remuneração terá um acréscimo de 20 % (vinte por cento), pelo menos, sobre a hora diurna. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

§ 1º A hora do trabalho noturno será computada como de 52 minutos e 30

segundos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

§ 2º Considera-se noturno, para os efeitos deste artigo, o trabalho executado entre

as 22 horas de um dia e as 5 horas do dia seguinte. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

§ 3º O acréscimo, a que se refere o presente artigo, em se tratando de empresas que

não mantêm, pela natureza de suas atividades, trabalho noturno habitual, será feito, tendo em vista os quantitativos pagos por trabalhos diurnos de natureza semelhante. Em relação às empresas cujo trabalho noturno decorra da natureza de suas atividades, o aumento será calculado sobre o salário mínimo geral vigente na região, não sendo devido quando exceder desse limite, já acrescido da percentagem. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

§ 4º Nos horários mistos, assim entendidos os que abrangem períodos diurnos e

noturnos, aplica-se às horas de trabalho noturno o disposto neste artigo e seus parágrafos. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

§ 5º Às prorrogações do trabalho noturno aplica-se o disposto neste capítulo.

(Incluído pelo Decreto-lei nº 9.666, de 1946)

Desta forma, verifica-se que o trabalhador que exercer suas atividades neste período terá direito ao recebimento do adicional noturno, sendo o valor pago na folha de pagamento normal. Outro evento que será gerado na folha de pagamento é o salário família.

2.4.2.1.7 Salário família

Consiste no valor que é pago pela Previdência Social ao empregado e ao trabalhador avulso, levando em consideração o número de filhos que o empregado possua, sendo que eles deverão ter idade não superior a 14 de anos. Tem direito ao benefício também os inválidos (ROCHA, 2012).

De acordo com o que dispõe a Lei nº 4266/1963, a qual trata sobre o salário família:

Art. 1º. O salário-família, instituído por esta lei, será devido, pelas empresas vinculadas à Previdência Social, a todo empregado, como tal definido na Consolidação das Leis do Trabalho, qualquer que seja o valor e a forma de sua remuneração, e na proporção do respectivo número de filhos.

Art. 2º. O salário-família será pago sob a forma de uma quota percentual, calculada sobre o valor do salário-mínimo local, arredondado esta para o múltiplo de mil seguinte, por filho menor de qualquer condição, até 14 anos de idade.

Art. 3º. O custeio do salário-família será feito mediante o sistema de compensação, cabendo a cada empresa, qualquer que seja o número e o estado civil de seus empregados, recolher, para esse fim, ao Instituto ou Institutos de Aposentadoria e

Pensões a que estiver vinculada, a contribuição que for fixada em correspondência com o valor da quota percentual referida no art. 2º.

§ 1º. A contribuição de que trata este artigo corresponderá a uma percentagem incidente sobre o salário-mínimo local multiplicado pelo número total de empregados da empresa, observados os mesmos prazos de recolhimento, sanções administrativas e penais e demais condições estabelecidas com relação às contribuições destinada ao custeio da Previdência Social.

§ 2º. As contribuições recolhidas pelas empresas, nos termos deste artigo, constituirão, em cada Instituto, um "Fundo de Compensação do Salário-Família", em regime de repartição anual, cuja destinação será exclusivamente a de custeio do pagamento das quotas, não podendo a parcela relativa às respectivas despesas de administração exceder de 0,5% (meio por cento) do total do mesmo Fundo. (Vide Lei nº 5.890, de 1973)

Art. 4º. O pagamento das quotas do salário-família será feito pelas próprias empresas, mensalmente, aos seus empregados, juntamente com o do respectivo salário, nos termos do artigo 2º.

§ 1º. Quando os pagamentos forem semanais ou por outros períodos, as quotas serão pagas juntamente com o último relativo ao mês.

§ 2º. Para efeito do pagamento das quotas, exigirão as empresas, dos empregados, as certidões de nascimento dos filhos, que a isto os habilitam.

§ 3º. As certidões expedidas para os fins do § 2º deste artigo são isentas de selo, taxas ou emolumentos de qualquer espécie, assim como o reconhecimento de firmas a elas referente, quando necessário.

§ 4º. Dos pagamentos de quotas feitos, guardarão as empresas os respectivos comprovantes, bem como as certidões, para o efeito da fiscalização dos Institutos, no tocante ao reembolso a que se refere o art. 5º.

Art. 5º. As empresas serão reembolsadas, mensalmente, dos pagamentos das quotas feitos aos seus empregados, na forma desta lei, mediante desconto do valor respectivo no tal das contribuições recolhidas ao Instituto ou Institutos de Aposentadoria e Pensões a que forem vinculadas.

Art. 6º. A fixação do salário-mínimo, de que trata o Capítulo II do Título II da Consolidação das Leis do Trabalho, terá por base unicamente as necessidades normais do trabalhador sem filhos, considerando-se atendido, com o pagamento do salário-família instituído por esta lei, o preceituado no art. 157, nº. I, da Constituição Federal.

Art. 7º. Ficam fixados, pelo período de 3 (três) anos, os seguintes valores relativos à presente lei:

I - de 5% (cinco por cento) para cada quota percentual a que trata o art. 3º.

§ 1º. Se, findo o período previsto neste artigo, não forem revistos os valores nele fixados, continuarão a vigorar até que isto se venha a efetuar.

§ 2º. A qualquer alteração no valor de uma das percentagens deverá corresponder proporcionalmente o da outra, de modo a que seja assegurado o perfeito equilíbrio do custeio do sistema, no regime de repartição anual.

Art. 8º. Os empregados abrangidos pela presente lei ficam excluídos do campo de aplicação do Decreto-lei nº. 3.200, de 19 de abril de 1941, no nº. 3.200, de 19 de abril de 1941, no tocante ao abono às famílias numerosas.

Art. 9º. As quotas do salário-família não se incorporarão, para nenhum efeito, ao salário ou remuneração devidos aos empregados.

Art. 10. Esta lei entrará em vigor a partir do primeiro dia do mês que se seguir ao decurso de 30 (trinta) dias, contados da data de sua publicação.

Parágrafo único. Dentro do prazo referido neste artigo, o Poder Executivo expedirá o Regulamento desta lei.

Art. 11. Revogam-se as disposições em contrário.

O Ministério do Trabalho e da Previdência Social (2016) exige que alguns documentos e formulários sejam disponibilizados pelo empregado ao empregador para requerer o salário-família:

Para requerer o salário-família, o cidadão deve apresentar os seguintes documentos:

-Documento de identificação com foto e o número do CPF; -termo de responsabilidade;

-certidão de nascimento de cada dependente;

-caderneta de vacinação ou equivalente, dos dependentes de até 6 anos de idade; -comprovação de frequência escolar dos dependentes de 7 a 14 anos de idade; -requerimento de salário-família (apenas para processos de aposentadoria ou quando não solicitado no requerimento de benefício por incapacidade)

Para renovar o direito ao benefício é necessário apresentar anualmente a carteira de vacinação dos dependentes de até 6 anos de idade, sempre no mês de novembro. Já a frequência escolar deve ser comprovada a cada seis meses, em maio e novembro.

Conforme a Portaria Interministerial MPS/MF 1/2016 com vigência a partir de 01 de janeiro de 2016 definiu que o “valor do salário-família para trabalhadores que possuam a remuneração de até R$ 806,80 seja equivalente a R$ 41,37, já aqueles que recebem entre R$ 806,81 a 1.212,64 o valor do salário-família será de R$ 29,16 por filho até 14 anos de idade ou considerado inválido”.

É indispensável o acompanhamento do departamento de pessoal da entidade nos valores estabelecidos em relação ao salário-família, pois o mesmo sofre alterações anualmente, assim evitando que o empregado seja prejudicado. O empregado também faz jus anualmente ao recebimento do decimo terceiro salário.

2.4.2.1.8 Decimo terceiro salário

Entende-se por décimo terceiro salário, aquele valor que se paga ao empregado em referência a uma gratificação natalina. Tal gratificação poderá ser paga em duas parcelas, sendo que o empregador pode escolher até os meses de novembro e dezembro de cada ano.

Rocha (2012, p.34) contribui em relação ao 13º salário ao relatar que:

O pagamento do 13º salário deverá ser efetuado da seguinte forma: 50% (cinquenta por cento) quando houver solicitação do empregado por escrito, no mês de janeiro, para ser pago quando da concessão de suas férias; ou, quando não solicitado, até o dia 30 de novembro, a título de adiantamento da gratificação natalina. Os outros 50%(cinquenta por cento) deverão ser pagos até o dia 20 (vinte) de dezembro, quando, então, o pagamento sofrerá todos os descontos devidos, levando-se em consideração o total da gratificação.

Desta forma tanto as férias como o 13º salário são direitos do empregado mesmo que ele venha a ser demitido. Diante disso o empregador deverá pagar proporcionalmente aos meses trabalhados. Além dos proventos que compõe a folha de pagamento também figuram nos cálculos os descontos que são realizados conforme prevê a legislação.

2.4.2.2 Descontos

Entende-se por descontos os valores que serão deduzidos na folha de pagamento do trabalhador referente à contribuição sindical, INSS, IRRF e faltas.

Conforme a CLT de acordo com o seu artigo 462 referente aos descontos pode-se observar:

Art. 462 – Ao empregador é vedado efetuar qualquer desconto nos salários do empregado, salvo quando este resultar de adiantamentos, de dispositivos de lei ou de contrato coletivo.

§ 1º – Em caso de dano causado pelo empregado, o desconto será lícito, desde de que esta possibilidade tenha sido acordada ou na ocorrência de dolo do empregado. Os descontos podem ser divididos em descontos obrigatórios por lei e os descontos que possam ser autorizados pelo colaborador desde que obedeça ao que é previsto em lei.

2.4.2.2.1 Contribuição sindical

Consiste no desconto que o empregador é obrigado a deduzir na folha de pagamento, conforme prevê a CLT ou Convenção Coletiva de Trabalho.

Os artigos 578, 579 e 580 da Consolidação das Leis Trabalhistas (CLT) em relação à fixação e ao reconhecimento da Contribuição Sindical mencionam que:

Art. 578 - As contribuições devidas aos Sindicatos pelos que participem das categorias econômicas ou profissionais ou das profissões liberais representadas pelas referidas entidades serão, sob a denominação do "imposto sindical", pagas, recolhidas e aplicadas na forma estabelecida neste Capítulo. Art. 579 - A contribuição sindical é devida por todos aqueles que participarem de uma determinada categoria econômica ou profissional, ou de uma profissão liberal, em favor do sindicato representativo da mesma categoria ou profissão ou, inexistindo este, na conformidade do disposto no art. 591.

Art. 580 - A contribuição sindical será recolhida, de uma só vez, anualmente e constituirá.

I - Na importância correspondente à remuneração de um dia de trabalho, para os empregados, qualquer que seja a forma da referida remuneração; Il - para os agentes ou trabalhadores autônomos e para os profissionais liberais, numa importância correspondente a 30% (trinta por cento) do maior valor-de- referência fixado pelo Poder Executivo, vigente à época em que é devida a contribuição sindical, arredondada para Cr$ 1,00 (um cruzeiro) a fração porventura existente;

III - para os empregadores, numa importância proporcional ao capital social da firma ou empresa, registrado nas respectivas Juntas Comerciais ou órgãos equivalentes, mediante a aplicação de alíquotas, conforme a seguinte Tabela progressiva.

A importância recolhida referente a contribuição sindical corresponde a um dia de trabalho sob qualquer forma de pagamento onde o empregador é obrigado a descontar de seu

empregado relativo ao mês de março de cada ano. Outro desconto que deverá ser observado com muita atenção pelo setor de departamento de pessoal é o INSS.

2.4.2.2.2 Instituto Nacional do Seguro Social (INSS)

Toda a pessoa que presta alguma atividade é obrigada a contribuir com o INSS, para que se tenha direito aos benefícios oferecidos, tanto o empregado quanto aos trabalhadores autônomos, além do empregador. O valor que é retido e repassado pelo empregador varia de acordo com os percentuais definidos por lei, conforme determina o quadro número 01.

Figura 1- Alíquotas para fins de recolhimento do INSS ano-calendário 2016

Salário de Contribuição (RS) Alíquota INSS

até 1.556,94 8%

de 1.556,95 até 2.594,44 9%

de 2.594,93 até 5.189,82 11%

Fonte: Dados elaborado pela autora conforme pesquisa no Ministério da Previdência Social (2016)

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