• Nenhum resultado encontrado

Processamento de informação

No documento Comunicação intermediada por protótipos (páginas 34-39)

DESIGN TESTE

2.2.2. Processamento de informação

Alguns estudos realizados apresentam através de seus resultados uma justificativa para a necessidade de representação externa como forma de ampliação de nossas capacidades mentais e habilidades cognitivas. Dessa forma, a elaboração de esboços, diagramas, mapas, notas, modelos etc. tem por finalidade básica permitir “externalizar” dados que dificilmente poderiam ser analisados através de processos mentais, além de outras finalidades como: guardar informações que não desejamos que sejam esquecidas e comunicação de idéias com as demais pessoas.

Para Norman (1993), a combinação das representações externas e ferramentas físicas, possuem uma grande importância para extensão e apoio da habilidade das pessoas para realizar atividades cognitivas.

Ullman et al (1990) destaca alguns pontos importantes do uso de representações no processo de design:

(1) designers preferem o desenho como forma de representação dos objetos de design, ao invés de outras formas como texto e propostas. Talvez isso explique por que designers procuram sempre utilizar diagramas para representar estruturas de pesquisas ou caminhos para solução de problemas ao invés de apenas texto.

(2) Sketches3 possuem propriedades que os drafting4 formais não possuem. Segundo a teoria (Herbert’s Theory), apresentada por Ullman, sketches funcionam como extensão da memória para imagens visuais presentes ou formadas no cérebro do designer. Dessa forma, desenhos informais podem ser feitos mais rapidamente que desenhos formais o que permite uma melhor manipulação de idéias.

(3) Desenho é uma extensão necessária para o imaginário visual no

processo de design. Sem os dados da representação externa os designers podem não compreender o problema substantivamente. Dessa forma, o desenho é uma extensão para a limitada habilidade humana em visualizar objetos em seu cérebro.

(4) O desenho é uma transformação da imagem do produto existente no

cérebro para outro meio externo, através de técnicas de representação. Dessa forma, existe uma relação de correspondência entre dois vocabulários (interno e externo), assim o meio utilizado para representar uma idéia (desenho, modelo 3D, desenho CAD,...) influência essa correspondência e requer uma implementação para a realização da transformação.

(5) Desenhos utilizam e determinam uma unidade cognitiva usada na

formulação da imagem mental. Dessa forma, existe uma relação direta

3

Termo em inglês usado para os desenhos informais

4

de dependência entre a estrutura e conteúdo do desenho em relação à imagem metal e como ela é formada no cérebro (Ullman chama isso de “Cognitive Chunks”).

Para Rogers, Sharp and Preece (2002) o principal objetivo é explicar os benefícios cognitivos em usar diferentes representações para diferentes atividades cognitivas e processos envolvidos. As principais delas segundo as autoras são:

(1) Externalisamos para reduzir o peso na memória. Inúmeras estratégias têm sido desenvolvidas para reduzir o uso da memória. Podemos citar: o uso de agendas, diários, listas de compras, post-it 5... que permite-nos saber o que precisamos fazer a cada momento.

(2) Para evitar uma sobrecarga computacional. Esse processo ocorre quando utilizamos ferramentas ou equipamentos em conjunto com representações externas. Podemos citar como exemplo: a realização de cálculos simples como: 2x4, podem ser resolvidos mentalmente, ao passo que cálculos complexos como: 237x315, necessitam o uso de calculadoras ou lápis e papel para serem completadas, evitando a carga de esforço mental.

(3) Para reconstituição cognitiva e adição de comentários. Outra necessidade de externalizar através de representações é para que possamos ter a possibilidade de refletir sobre elas e acrescentar outros elementos como: notas, marcas, e outros detalhes que adicionem valor a representação e ao pensamento. Podemos citar como exemplo: a reorganização de listas e estruturas realizadas, o sublinhar de pontos mais importantes em um texto,...

Ullman (1997) explica: os métodos de design que tem utilizado e os conhecimentos que tem adquirido durante o trabalho, tem sido refinado através de suas experiências pessoais. Grande parte dessas experiências tem sido adquirida através de experimentos, durante a construção de protótipos. Isso faz com agente possa compreender o seguinte: se os produtos podem passar por várias gerações de refinamento até atingir o ponto de maturidade e se esses experimentos ajudam a construir novas experiências pessoas, eles nos fazem designers mais experientes.

O Autor explica que durante o processo de design ao depararmos com um problema novo, no qual não encontramos solução na memória de longa duração (LTM), usamos 3 estratégias: (1) decompomos os problemas em subproblemas, (2) tentamos encontrar soluções para esses subproblemas e depois (3) recombinamos as soluções para formar uma solução. Essas operações criativas são conhecidas como: decomposição e recombinação de pedaços cognitivos. Depois, essas soluções precisaram ser comparadas com

5

É um pequeno papel adesivo de fácil remoção, usado para deixar lembretes. Foi inicialmente criado pelo norte-americano Art Fry em 1977.

outros modelos para que possamos tomar decisões. Nesse momento as representações externas novamente facilitam a realização dessa atividade.

Alguns dos aspectos estudados por Norman e Rogers e algumas das hipóteses defendidas por Ullman, sobre processamento de informações, podemos avaliar através de um experimento em sala de aula com alunos durante uma disciplina de representação técnica:

Em uma primeira etapa solicitamos aos alunos que a partir de um

cubo de lado 10 cm, realizassem subtrações no volume a fim de compor um novo modelo 3D. Nesse momento, os alunos recorreram a esboços em papel para compreensão e comunicação aos colegas da forma gerada, a partir das subtrações nesse modelo imaginário. Esse fato se adequa à hipótese de Ullman que define que o desenho é a forma preferida de representação inicial dos objetos e ainda uma extensão necessária para compreensão e comunicação da forma iniciada no imaginário visual.

Em uma segunda etapa, foi solicitado aos alunos que desenvolvessem

um modelo físico tridimensional em papel cartão que deveria representar o modelo proposto através da planificação e montagem da forma. Nesse momento, houve uma constante consulta aos esboços realizados para compreensão da forma original e tradução dela para o formato planificado. Novas consultas foram realizadas constantemente através de montagens preliminares para verificação da composição do volume dessa forma que havia sido planejada. Sendo condizente com a hipótese de Ullman e defendida também através de estudos de outros autores que tratam de modelos mentais, sobre a limitação da capacidade da memória de curta duração, onde seriam estruturadas as imagens visuais.

Figura (1) imagens de volumes desenvolvidos por alunos na disciplina de desenho técnico (2006).

Em uma terceira etapa foi solicitado aos alunos que desenvolvessem

representações técnicas ortogonais e perspectivas destes volumes. Observamos uma constante consulta ao modelo para leitura, compreensão e tomada de decisão em relação ao exercício solicitado. Novamente mostrando a importância das representações como meio de informação e tomada de

decisões, através da análise comparativa entre o modelo mental e o modelo físico.

Após o término desses exercícios, que ocorreram durante 3 aulas, com a duração de 4 horas (cada), passamos um questionário de respostas livres com as seguintes perguntas:

(1) Como a construção e a utilização do modelo tridimensional auxiliou o processo de aprendizado de representação técnica? Explique.

(2) Quantas vezes, em média por desenho, acredita ter utilizado o modelo para realizar consulta em cada uma das representações técnicas realizadas? Explique a forma como realizou a consulta.

8 alunos responderam os questionários e os resultados das respostas à pergunta (1) são as seguintes:

“a caixinha foi fundamental para execução dos exercícios em classe. Sempre que eu ficava em dúvida eu olhava para caixa. Auxiliou muito para visualizar os cortes internos e também para identificar as vistas superior, lateral e frontal. O processo de montagem também foi bastante interessante”

“auxiliou a medida que possibilita a fácil visualização do modelo a ser representado sob qualquer perspectiva”

“no momento que se constrói um modelo as impressões sobre dimensão e proporção ficam mais evidentes, o que facilita muito o aprendizado”

“como no desenho de observação, o modelo é a prova fiel do que vai ser desenhado. A construção cria uma maior intimidade com os detalhes do modelo. A utilização do modelo auxilia tanto na verificação quanto na explicação do professor e ainda na discussão entre alunos”

“o modelo tridimensional auxiliou na compreensão da forma e na localização de suas particularidades (fendas, recortes, abstrações, curvas).”

“é mais fácil visualizar as representações quando você observa o objeto tridimensional e não apenas imagina ou desenha”.

“com as representações tridimensionais, as vistas ficam mais detalhadas e o entendimento se torna mais fácil”.

Alguns aspectos podem ser observados através das respostas dadas pelos alunos: (1) o modelo 3D serve para auxílio à visualização e compreensão da forma (2) atua como facilitador de aprendizado (3) existe uma dificuldade de formação de modelos tridimensionais apenas na mente, justificando a necessidade de uma representação e consulta externa ao modelo tridimensional.

Em relação à pergunta (2), as respostas são as seguintes:

“muitas...é preciso verificar todas as reentrâncias do desenho”

‘Várias vezes, porque haviam cortes no objeto, tínhamos que ficar verificando para saber se as projeções estavam certas. Foram pelo menos 5 vezes por desenho”

“Várias. Como em cada representação teve-se que desenhar cada lado, pelo menos uma vez”

“Utilizei o modelo pelo menos 3 ou 4 vezes por desenho para mediação e conferimento da representação 3D em meio 2D.”

“em média de 10 a 15vezes por desenho. Colocando-o nas posições necessárias e servindo de base para calcular as proporções para os desenhos”

“observei o modelo em média, duas vezes para cada desenho”

“considerando que o modelo tem seis faces, com um corte cada, houve uma média de 18 consultas ao modelo para cada representação...”

Alguns aspectos podem ser observados através das respostas dadas pelos alunos: (1) em média, houveram 7 consultas aos modelos por desenho (2) a quantidade de uso do modelo 3D pode ser justificada para reduzir a carga de informações na mente, liberando para outras operações.

O Modelo cognitivo de Newell e Simon (1972). Apresenta o ambiente do sistema de processamento de informações do design (IPS). (quadro 07)

Estado de

No documento Comunicação intermediada por protótipos (páginas 34-39)

Documentos relacionados