Após o reconhecimento da fazenda através da análise de sua documentação e o levantamento topográfico realizado através dos métodos de posicionamento mais eficazes em relação aos equipamentos utilizados, devem-se analisar os dados rastreados e suas precisões, a fim de garantir a qualidade do trabalho. Para isto, é preciso ter sempre em mãos os parâmetros definidos pelo INCRA, ao quais constam na 3ª Edição da Norma de Georreferenciamento de Imóveis Rurais e seus anexos.
Dentre os dados a serem analisados, temos o ajustamento da base de apoio, a qual foi levantada pelo método relativo estático, os pontos de limites levantados pelo método RTK e os pontos de limites levantados através do método relativo estático rápido, os quais, a norma determina:
Os valores de precisão posicional a serem observados para vértices definidores de limites de imóveis são: a) Para vértices situados em limites artificiais: melhor ou igual a 0,50m; b) Para vértices situados em limites natrurais: melhor ou igual a 3,00 m; e c) Para vértices situados em limites inacessíveis: melhor ou igual a 7,50 m (NTGIR 3a edição, 2013).
Dentro destes valores, podemos observar nos relatórios de ajustamento gerados pelos softwares utilizados que, as precisões determinadas foram alcançadas, sem ter-se constatado nenhum erro grosseiro.
Para isto, foi preciso realizar o levantamento de forma responsável, atentando sempre para o bom funcionamento, instalação e utilização dos equipamentos, as condições do terreno, os elementos físicos que poderiam afetar a observação e coleta dos dados e ate mesmo as condições climáticas, a fim de garantir sempre a maior quantidade e qualidade dos satélites disponíveis durante os dias de levantamento.
Os dados levantados a campo pelo método estático, no caso do vértice de apoio, foram processados no software Topcon Tools, neste software foi possível analisar o tempo de rastreio e fazer o ajustamento do vértice baseado na RBMC, a fim de atender a Norma Técnica para Georreferenciamento disponibilizada pelo INCRA e alcançar as precisões exigidas, este processamento e seus resultados podem ser observados no relatório de ajustamento do vértice de apoio no Anexo C.
30 Os dados levantados através do método relativo estático rápido, que são aqueles rastreados por um período que varia de 5 a 30 minutos, e onde o método RTK não tem alcançabilidade, também foram processados no software Topcon Tools. Para este processamento, o ajustamento se dá através do vértice de apoio implantado e ajustado e a norma de georreferenciamento exige que os resultados apresentem razoável nível de precisão, onde o valor das ambiguidades envolvido em cada linha de base deve ser solucionado, ou seja, fixado como inteiro. Estes resultados podem ser observados nos relatórios de ajustamento dos pontos pós processados (PP) no Anexo D.
Já os dados levantados pela metodologia RTK foram processados e ajustados novamente através do software Trimble Business Center – TBC, eles também são corrigidos em função dos dados transmitidos por telemetria a partir do receptor estacionado sobre a estação base, cujas coordenadas devem ser conhecidas e ajustadas. O processamento destes dados e seus resultados podem ser observados na lista de vetores e na lista de pontos disponibilizados no Anexo E.
31 4.8 PRECISÃO E ACURÁCIA
O desvio padrão (σ) mostra o quanto de variação existe em relação ao valor desejado. Menor for o desvio mais próximo do valor esperado, quanto maior significa que os valores estão dispersos. Precisão é o grau de repetição das medições com sua média e é vinculada apenas a erros aleatórios, enquanto acurácia é o grau de proximidade da série de dados ao valor verdadeiro, envolve tanto erros sistemáticos como aleatórios. O correto é ter acurácia e precisão no mesmo vértice.
Figura 02: Acurácia e Precisão
Fonte: (http://www.arthur.bio.br)
Estes dados também podem ser observados nos relatórios mencionados e em anexo referentes aos vértices levantados pelos métodos de posicionamento utilizados e já explicados anteriormente durante a execução do trabalho, garantindo ambas características ao levantamento.
32 automaticamente e pode ser observado no anexo F.
O Memorial Descritivo de uma área é indispensável para seu registro em cartório. Esse documento apresenta à descrição geométrica da ocupação do território rural, de acordo com os dados técnicos determinados em campo. O número de Memorial Descritivo varia conforme o número de parcelas de uma mesma área.
Os itens que devem conter no cabeçalho são: Imóvel; Detentor; Município; União Federativa; Comarca; Matrícula(s); Código do Imóvel no INCRA; Área (ha);
Perímetro (m), ART e o projeto desenvolvido por um técnico credenciado do INCRA.
Memorial Descritivo: Documento pelo qual se obtém informações sobre o imóvel de forma a se conhecer sua descrição geométrica, seus confrontantes, dados de seu registro imobiliário, do proprietário e do responsável técnico. (Revista A Mira, 2009, Ed. 150, p.
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O perímetro da ocupação territorial deve ser descrito em forma de tabela contendo: as distâncias, os azimutes, as coordenadas calculadas no plano de projeção UTM (Universal Transversa de Mercator) vinculadas ao sistema de referência SIRGAS 2000 de cada um dos vértices, e as respectivas confrontações.
O trabalho tem que ser detalhado e minucioso para que o seu desenvolvimento fique perfeitamente caracterizado.
Atualmente, com a ferramenta disponibilizada pelo Sigef, não é mais necessário montar o memorial descritivo conforme exigia a 2ª NTGIR – INCRA, pois o próprio sistema a partir dos dados informados gera o memorial.
33 4.10 PLANTA
A planta da área é outra ferramenta que auxilia bastante na hora de elaborar as peças técnicas para o georreferenciamento da área, e o Sigef também gera automaticamente a planta, é através dela que: podemos observar à localização correta dos confrontantes, o fechamento da área total, a posição dos vértices conforme o levantamento, determinar a faixa de domínio e outros elementos fundamentais que devem ser observados antes do fechamento final da área da fazenda, além de sanar possíveis dúvidas que tenham sido levantadas durante o trabalho de campo até mesmo junto aos proprietários. As plantas geradas para a Fazenda Apolo, através do software Datageosis, podem ser observadas no anexo G.
34 4.11 RELATÓRIO TÉCNICO – SIGEF
A grande mudança que a terceira edição da norma técnica foi o recebimento dos dados, chamado relatório técnico, passou a ser digital basta acessar a plataforma Sistema de Gestão Fundiária (SIGEF) e cadastrar o georreferenciamento.
O SIGEF tem como objetivo efetuar verificação, validação, organização, regularização e disponibilidade das informações georreferenciadas de limites de imóveis rurais, públicos e privados. Com a automatização facilita a análise de dados, maior exatidão e constatar inconsistência ou sobreposição. Se houver sobreposição de um polígono ainda não certificado o profissional poderá requerer análise do mesmo, caso contrário poderá pedir o cancelamento da certificação originária, comprovando o erro na geometria da parcela.
O SIGEF (https://sigef.incra.gov.br) é que uma plataforma digital desenvolvida pelo INCRA e MDA para subsidiar a questão fundiária no Brasil que geral automaticamente a planta e o memorial descritivo. Neste portal o profissional credenciado faz acertificação de todo o processo para o georreferenciamento de um imóvel e em pouco tempo já recebe sua validação, ou não, de acordo com a análise feita pelo próprio programa. Por ele ainda é possível verificar a listagem dos imóveis já certificados e ter acesso a informações sobre os mesmos. Cabe a esse sistema o processamento de requerimentos de desmembramento, remembramento, parcelamento, refitificação e cancelamento de parcelas. Lembrando que não cabe ao INCRA certificar o domínio sobre um imóvel, este é apenas responsável pela
Definição na planilha de vante e ré dos confrontantes;
Dados numéricos utilizar vírgula como separador decimal;
Entrar com UTM (vírgula) ou geográfica (espaço e três casas decimais);
Preencher coordenadas no sentido horário, sempre iniciando do mais ao norte e mais ao oeste;
Na planilha não são permitidos valores nulos;
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Se não houver matricula é necessário pelo menos o Descritivo;
Um vértice não pode se repetir na planilha;
Se o código de vértice já existir na base de dados deve ser apresentado com as mesmas coordenadas já certificadas;
Mesmo vértice, mas com coordenadas diferentes o sistema informa erro;
O numero de matricula e o CNS confrontantes devem ser coincidentes;
A referência de áreas municipais é a malha digital disponibilizada pelo IBGE;
Validar a planilha através do F3;
Quando houver mais de uma parcela para certificar em mais de uma aba, cada parcela receberá um código independente;
Sendo efetivada a certificação, cada uma das parcelas receberá um código independente. As peças técnicas (planta e memorial descritivo) serão geradas com a indicação de que a parcela corresponde a um grupo de uma mesma propriedade imobiliária (matrícula/transcrição). Quando extrapolar o fuso utilizar coordenada geodésica;
Enfim, este sistema facilitou bastante o serviço dos profissionais, porém, deve haver consciência de que os dados informados são de responsabilidade técnica do credenciado, o qual deve ter o máximo cuidado ao transferir os dados levantados para a planilha que posteriormente será enviada por download no site do Sigef, pois é através dela e dos dados mencionados que a área será certificada e só poderá ser cancelada perante avaliação dos técnicos do Incra.
Por este motivo, a elaboração da planta, do memorial e demais peças técnicas que o profissional achar necessário gerar antes de preenchê-la, é importante para avaliar a qualidade do serviço e garantir um resultado de qualidade para a área e seus proprietários.
As planilhas da Fazenda Apolo foram elaboradas manualmente, através de uma tabela de dados cartográficos gerada no software DataGeosis, a qual se refere a todos os vértices utilizados para fechar o polígono de cada gleba criada. As planilhas elaboradas para o envio dos dados da Fazenda Apolo através do Sigef, podem ser observadas no Anexo H.
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