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SUMÁRIO

4 RELEVÂNCIA, ORIGINALIDADE E CONTRIBUIÇÃO CIENTÍFICA

5.3 ETAPA QUANTITATIVA

5.3.9 Processamento e análise dos dados

O banco de dados gerado nas coletas foi transferido para planilhas do software Microsoft Excel® versão 2007. A análise dos dados foi realizada considerando todos os alimentos que foram incluídos no censo e também segundo os oitos grupos, considerando a RDC nº 359/2003 (BRASIL, 2003b).

As variáveis relacionadas à descrição dos alimentos industrializados (nome comercial, marca, fabricante, país de origem e peso total da embalagem), aos tipos de métodos promocionais direcionados a crianças utilizados, e à presença e tipos de INC presentes nos rótulos foram empregadas para análise descritiva da amostra. Os dados foram expressos em frequências absolutas e relativas (percentuais) com seus intervalos de confiança de 95%.

Na estatística descritiva, calculou-se a frequência absoluta dos alimentos industrializados direcionados a crianças por grupos e subgrupos e a frequência absoluta de alimentos direcionados a crianças que continham INC nos rótulos.

Os valores correspondentes à informação nutricional (valor energético total, quantidades de carboidratos, proteínas, gorduras totais, saturadas, fibras e sódio) coletados nas porções foram convertidos para 100 g de cada alimento industrializado.

5.3.9.1 Comparação da composição nutricional de alimentos industrializados direcionados a crianças com e sem INC nos rótulos

Para comparar a composição nutricional entre alimentos industrializados direcionados a crianças, com e sem INC nos rótulos, foi utilizada estatística analítica. A normalidade da distribuição dos dados foi verificada por meio do coeficiente de variabilidade e do teste de Shapiro-Wilk As variáveis correspondentes à informação nutricional foram apresentadas em mediana e intervalo interquartil. Para comparação da composição nutricional foi considerado o valor-p<0.05 como indicativo de significância estatística. Considerando a distribuição não normal dos dados, foi utilizado o teste U de Mann-Whitney para comparação dos resultados de composição nutricional. Para as análises foi utilizado o programa estatístico Stata versão 11.0® (Statacorp, College Station, TX, USA).

5.3.9.2 Avaliação da composição nutricional de alimentos direcionados a crianças de acordo com dois modelos

Para avaliar a qualidade nutricional dos alimentos industrializados direcionados a crianças, com e sem INC, foram utilizadas duas abordagens diferentes. Os alimentos foram classificados como “mais saudáveis” e “menos saudáveis” de acordo com o modelo de perfil nutricional (UK/Ofcom) e a classificação NOVA (baseada no nível de processamento dos alimentos). O teste Qui-quadrado de Pearson foi utilizado para comparar as proporções entre os modelos. A concordância foi verificada utilizando teste Kappa de Cohen (p<0,05). a) Por perfil nutricional

O modelo de avaliação do perfil nutricional de alimentos adotado pelo órgão que regula as comunicações no Reino Unido (UK Ofcom) pontua os alimentos e bebidas separadamente, mas usando o mesmo algoritmo como base para definir que são "mais saudáveis" e "menos saudáveis". A pontuação é baseada no conteúdo de nutrientes e ingredientes por 100 g de um alimento ou bebida (RAYNER; SCARBOROUGH; LOBSTEIN, 2009).

Dados de composição nutricional de alimentos (energia, proteínas, carboidratos, gorduras totais, gorduras saturadas, fibra, sódio e açúcares totais) foram obtidos a partir do banco de dados. Fotos da lista de ingredientes foram utilizadas para calcular o conteúdo de frutas, vegetais e castanhas dos alimentos, bem como para estimar o teor de açúcares totais, quando a informação não estava disponível nas tabelas de informação nutricional (esse item não é obrigatório de acordo com a RDC 360/2003). Os dados faltantes sobre o conteúdo de açúcares nas embalagens de alimentos foi estimado de acordo com uma metodologia sistemática envolvendo 10 etapas. A proporção do conteúdo de frutas, legumes e castanhas para cada alimento foi estimado conforme a metodologia descrita no guia do modelo UK Ofcom (RAYNER; SCARBOROUGH; LOBSTEIN, 2009).

Para o cálculo dos escores, um máximo de 10 pontos foi atribuído para cada um dos seguintes itens, de acordo com suas quantidades: energia (kJ), açúcar total (g), gorduras saturadas (g) e sódio (mg). O total de “pontos A” é a soma desses pontos para cada componente.

Figura 6 – Pontos atribuídos de acordo com a quantidade de energia, gordura saturada, açúcar total e sódio

Fonte: Rayner; Scarborough; Lobstein, 2009.

Um máximo de 5 pontos foi atribuído para cada um dos seguintes itens, de acordo com suas quantidades: frutas, legumes e castanhas (%), fibras (g) e proteína (g). O total de “pontos C” é a soma desses pontos para cada componente.

Total “pontos C” = [frutas, legumes e castanhas] + [fibras] + [proteínas] Figura 7 - Pontos atribuídos de acordo com a quantidade de energia, gordura saturada, açúcar total e sódio

Se o produto pontuou menos que 11 “pontos A”, ou se pontuou 11 ou mais “pontos A”, porém pontuou 5 pontos para frutas, legumes e castanhas, o escore foi dado por: pontos A – pontos C.

Se o alimento pontuou 11 ou mais “pontos A”, porém também pontuou menos que 5 pontos para frutas, legumes e castanhas, o cálculo do escore não considerou os pontos atribuídos a proteínas. Dessa forma, o escore se deu por: pontos A – [pontos para frutas, legumes e castanhas + pontos para fibras].

Os pontos de corte utilizados foram os mesmos estabelecidos pelo UK Ofcom para regulamentar o marketing para crianças na TV: produtos foram classificados como 'menos saudáveis' (≥4 pontos para alimentos, e ≥1 ponto para bebidas) e “mais saudáveis "(≤3 pontos para alimentos, e ≤0 pontos para bebidas) (RAYNER; SCARBOROUGH; LOBSTEIN, 2009).

b) Por nível de processamento

Os alimentos direcionados a crianças também foram classificadas de acordo com um dos quatro grupos estabelecidos pela classificação NOVA, com base na extensão e propósito do processamento industrial: alimentos in natura ou minimamente processados, ingredientes culinários, alimentos processados e alimentos ultraprocessados (MONTEIRO et al., 2012; BRASIL, 2014; MONTEIRO et al., 2016).

De acordo com o modelo NOVA, o primeiro grupo contém alimentos “in natura”, ou seja, obtidos diretamente de plantas ou de animais (como folhas e frutos ou ovos e leite) e adquiridos para consumo sem que tenham sofrido qualquer alteração após deixarem a natureza e “alimentos minimamente processados”, que são alimentos in natura que, antes de sua aquisição, foram submetidos a alterações mínimas. Este grupo inclui alimentos como legumes, frutas frescas, secas ou em sucos sem adição de açúcares ou aditivos, nozes, carnes frescas, refrigeradas ou congeladas, leite pasteurizado e UHT, iogurte, ovos, chá, café e água (MONTEIRO et al., 2016).

O terceiro grupo é constituído essencialmente de produtos manufaturados aos quais são adicionados sal, açúcar, óleo ou vinagre para torna-los mais duráveis e palatáveis. O grupo inclui vegetais enlatados, frutas em calda, queijos e pães feitos com farinha, água, sal e fermento (MONTEIRO et al., 2016).

O quarto grupo é constituído por produtos ultraprocessados, que são totalmente ou principalmente produzidos a partir de substâncias extraídas de alimentos (óleos, gorduras, açúcares, proteínas), aqueles que são derivados de componentes de alimentos (gorduras hidrogenadas, amido modificado) ou a partir de substâncias sintetizadas em laboratório baseados em materiais orgânicos (em que corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e outros aditivos são usados para dar aos produtos propriedades sensoriais agradáveis). Alimentos ultraprocessados incluem biscoitos doces e salgados, batatas fritas, barras de cereais, doces em geral, fast food, macarrão instantâneo, vários tipos de pratos prontos ou semiprontos e refrigerantes (MONTEIRO et al., 2016).

A edição de 2014 do Guia Alimentar para a População Brasileira recomenda que as pessoas limitem seu consumo de produtos processados para pequenas porções, e que evitem o consumo de produtos ultraprocessados, porque eles são na sua maioria nutricionalmente inadequados. (BRASIL, 2014). Portanto, após a classificação de acordo com o modelo NOVA, produtos alimentares direcionados a crianças processados e ultraprocessados foram considerados “menos saudáveis”, enquanto o grupo dos alimentos in natura ou minimamente processados' foi considerado “mais saudável”. c) Análises

As análises foram realizadas em todo o conjunto de dados e também estratificadas por presença de INC (alimentos com INC e alimentos sem INC). Os critérios para classificar os alimentos como “mais saudáveis” e “'menos saudáveis” de acordo com ambos os modelos foram aplicados ao conjunto de dados usando arquivos de sintaxe Stata desenvolvidos especificamente para a presente tese pela pesquisadora.

Para ambos os modelos, foi estimada a proporção de alimentos “mais saudáveis” e “'menos saudáveis”. Os erros padrão e intervalos de confiança de 95% foram estimados assumindo uma distribuição binomial da proporção de alimentos na população. Proporções e intervalos de confiança de 95% foram calculados para todo o conjunto de dados e, em seguida, estratificados pela presença de INC. O teste de qui-quadrado de Pearson foi utilizado para comparar as proporções entre os modelos.

A concordância entre os modelos foi avaliada utilizando teste Kappa de Cohen e classificada pelo sistema de avaliação desenvolvido por de Landis e Koch. Os valores do teste Kappa e intervalos de confiança de 95% associados foram estimados para cada combinação de

pares dos modelos. Isto também foi realizado para todo o conjunto de dados e estratificado pela presença de INC. O pacote estatístico Stata versão 11.0 (Stata Corp, College Station, TX, EUA) foi utilizado para as análises.