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3.2 Design Ergonômico Materiais e Métodos

3.2.2 Geração e análise de alternativas

3.2.2.1 Processo conceitualista (geração de conceitos)

O processo conceitualista foi caracterizado pela aplicação do

brainstorming, técnica clássica de criatividade desenvolvida por OSBORN (1975) e do brainwriting, que BAXTER (1998) considera uma evolução do brainstorming.

Segundo CSILLAG (1988), o brainstorming é uma técnica “... baseada em dois princípios e quatro regras básicas...” (p. 149), sendo os princípios relacionados à suspensão de julgamento e à correlação entre quantidade e qualidade das idéias e as regras básicas, destacadas pela ausência de críticas, desinibição, elevado volume de idéias e associação – combinação de idéias.

Para BAXTER (1998), o brainstorming pode ser desenvolvido a partir de sete etapas: orientação, preparação, análise, ideação, incubação, síntese e avaliação, as quais “não precisam ser seguidas rigidamente”, o que permitiu adaptar essa ferramenta às condições deste trabalho. Esse autor destaca, ainda, três aspectos importantes dessa ferramenta:

• a qualidade da idéia depende de uma boa preparação;

• a quantidade de idéias é maior quando a geração se processa livre de julgamentos; e

• a importância de conceder um certo tempo ao grupo para o afastamento deliberado do problema.

Esses três aspectos foram considerados na aplicação do processo

conceitualista aqui descrito:

• os integrantes do processo conceitualista eram estudantes de graduação e pós-graduação em Desenho Industrial e participaram como sujeitos na primeira experimentação, no qual simularam a atividade ocupacional do ultra-sonografista e, conseqüentemente, se familiarizaram com o problema apresentado;

• a coordenação das sessões conduziu o grupo a constante discussão do problema e dos requisitos projetuais, intervindo apenas nas situações em que surgiram censura de idéias ou bloqueios percebidos entre os participantes. O julgamento das idéias foi permitido apenas ao final de cada sessão; e

• duas sessões ocorreram com um intervalo de aproximadamente quinze dias, possibilitando o “relaxamento e desligamento” dos integrantes.

O brainwriting se caracteriza por uma adaptação do brainstorming, por meio do qual, segundo BAXTER (1998), as idéias geradas são registradas graficamente, através de escrita ou desenho, pelos participantes durante a sessão.

De acordo com VANGUNDY (1999), o brainwriting apresenta um maior número de geração de idéias, se comparado ao brainstorming clássico, pois o registro de cada uma dessas idéias é realizado pelo próprio participante da reunião, otimizando o processo como um todo. A aplicação desta técnica foi necessária pelas próprias circunstâncias da geração de conceitos aqui proposta e pelos próprios objetivos do design ergonômico. Assim, em todas as sessões, foram disponibilizados materiais para o registro gráfico (lápis, caneta e papel), facilitando a compreensão e discussão de tais idéias ao final das sessões. As sessões foram realizadas no Laboratório Didático de Ergonomia da Faculdade de Arquitetura, Artes e Comunicação da UNESP – Campus Bauru, a partir de agendamento prévio com os participantes.

Participaram da primeira sessão quatro sujeitos, todos reunidos numa ampla mesa, na qual ficou disponibilizado o material para registro gráfico das idéias. Essa sessão foi registrada via VHS. Por iniciativa do coordenador, a reunião iniciou-se com a revisão dos principais procedimentos realizados durante a atividade simulada de ultra-sonografia da mama, junto ao busto/manequim, modelo S230.4, fornecido pela Gaumard Scientific (Miami, USA) e aos dois transdutores comerciais (Hitachi e Toshiba) utilizados na primeira experimentação. Nessa revisão, os sujeitos foram informados sobre os principais problemas verificados na primeira experimentação, junto com os requisitos para o redesenho do transdutor.

Após a livre discussão da problemática apresentada, procedeu-se à geração de alternativas, propriamente dita, com os sujeitos tendo que manifestar suas propostas (FIGURA 3.10) em 4 períodos de 10 minutos. A cada intervalo, o coordenador revisava alguns aspectos do problema e dos requisitos e solicitava que as idéias fossem apresentadas e as folhas de papel A3 fossem trocadas entre os sujeitos. Isso possibilitou uma maior interação entre os participantes, além de facilitar o fluxo e seqüência de idéias. Ao final da primeira sessão, todas as idéias foram reunidas e discutidas, não havendo qualquer proposta definitiva, mas, sim, alguns conceitos e o consenso de que aquela sessão se caracterizaria como uma “reunião de aquecimento”.

FIGURA 3.10 – Conjunto de conceitos gerados na primeira reunião de

brainstorming.

Na segunda sessão, participaram também quatro sujeitos, dos quais três eram participantes da primeira sessão, então reunidos numa sala com material para registro gráfico e grandes folhas de papel fixadas nas paredes, nas quais foram desenvolvidas as propostas (FIGURA 3.11), permitindo a visualização completa de todas as manifestações de criação.

Novamente, a sessão iniciou-se com a revisão dos principais procedimentos da atividade simulada em questão e de alguns conceitos criados na primeira sessão. A geração de alternativas começou com os sujeitos manifestando suas idéias de forma livre e espontânea, cabendo ao coordenador a responsabilidade de conduzir o fluxo e a seqüência de idéias. A reunião foi conduzida por aproximadamente 40 minutos.

FIGURA 3.11 – Conjunto de conceitos gerados na segunda reunião de

brainstorming.

Após a análise e discussão geral de todas as propostas, chegou-se a um consenso de que uma alternativa de desenho de transdutor aceitável deveria considerar que, durante as operações transversais e longitudinais, o alinhamento da pega fosse diferente do alinhamento do transdutor (sensor), visto que, ao se apresentarem alinhados, tal como observado com o transdutor Toshiba, o punho se mantém em elevada flexão nas operações longitudinais e elevada extensão nas operações transversais. Esse princípio de não-alinhamento (FIGURA 3.12), que objetiva a transferência dos ângulos de flexão e extensão do punho para a flexão dos dedos, é corroborado pela denominada “posição de função da mão”, a qual se caracteriza por

uma flexão natural dos dedos e que “... corresponde a um estado de equilíbrio muscular e articular que favorece a eficácia muscular...” (KAPANDJI, 1980, p. 204).

Já considerando as operações no sentido rotacional, uma alternativa de transdutor aceitável seria um desenho de pega cilíndrica ou formato similar, o qual facilitaria a rotação do transdutor durante a operação.

Demais recomendações (requisitos de usabilidade) deveriam ser aplicadas nas fases de aperfeiçoamento do produto, ou seja, no momento do desenho ou de sua modelagem.

FIGURA 3.12 – Conceito geral do sistema de pega do transdutor.