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1 INTRODUÇÃO

2.3 MANUTENÇÃO CENTRADA EM CONFIABILIDADE

2.3.5 PROCESSO DA MCC – Segundo Smith

Anthony M. Smith, um dos precursores da aplicação da MCC em usinas nuclelétricas norte-americanas na década de 1980 (VIZZONI, 1998), propunha que “o objetivo principal da MCC é estabelecer um processo racional e sistemático de análise que permita a definição de tarefas de manutenção de qualquer item físico, visando a garantia da confiabilidade e da segurança operacional ao menor custo possível” (SMITH, 1993). Ou seja, em essência: preservar as funções do sistema, identificar os modos de falha, determinar a importância das falhas e selecionar as atividades de MP mais eficazes e aplicáveis.

Para o estabelecimento de tais objetivos, o autor propõe a aplicação de sete passos, conforme ilustrado na Figura 2.17 a seguir.

7 – Seleção de tarefas preventivas

6 – Aplicação da Árvore de Análise Lógica - LTA 5 – Análise dos modos de falhas e seus efeitos – FMEA 4 – Determinação das funções e das falhas funcionais

3 – Descrição do sistema e diagrama de blocos funcionais 2 – Definição das fronteiras do sistema

1 – Seleção do sistema e coleta de informações

Figura 2.17: Os sete passos básicos para a aplicação da MCC segundo Smith.

Fleming (2000) divide a aplicação das etapas da MCC, segundo a análise da relação entre cada tarefa e as características de confiabilidade dos modos de falha do equipamento, em duas classes: essencial – do ponto de vista de segurança e ambiental, e desejável – do ponto de vista de custo-benefício (perda da capacidade operacional e indisponibilidade são consideradas custos). O autor sintetiza os sete passos da aplicação da MCC propostos por Smith, conforme a Figura 2.18.

Figura 2.18: Visão geral do processo de aplicação da MCC segundo Fleming (2000).

Os objetivos da MCC defendidos por Smith, bem como o seu processo de aplicação, são, de modo geral, similares aos propostos por Moubray, vistos anteriormente, salvo algumas diferenças quanto à percepção das políticas de manutenção, à priorização das falhas e em relação ao algoritmo de determinação das tarefas de manutenção. Tais aspectos serão sinteticamente tratados a seguir.

2.3.5.1 Tarefas de Manutenção

Smith, contrapondo-se à abordagem proposta por Moubray, denomina e classifica como tarefas de manutenção preventivas três formas básicas de atuação: manutenção Baseada no Tempo (BT), manutenção Baseada na Condição (BC) e tarefa de Descoberta de Falhas (DF) (SMITH, 1993):

Baseada no tempo – ocorre em intervalos de tempo fixos, contados cronologicamente (tempo de calendário) por marcadores de tempo ou número de ciclos; visa à prevenção das falhas;

Baseada na condição – realizada por meio do monitoramento de parâmetros, os quais, com base na avaliação dos dados coletados, determinam o melhor momento para se intervir;

Descoberta de falhas – tarefas destinadas a verificar a ocorrência de falhas não reveladas (geralmente, equipamentos de proteção e de reserva), focadas na descoberta de falhas não reveladas antes de uma demanda operacional.

2.3.5.2 Classificação das Conseqüências dos Modos de Falhas

O diagrama de classificação das conseqüências dos modos de falhas ou de priorização das falhas, também conhecido como Árvore de Análise Lógica/Decisão (logic (decision) tree analysis – LTA), é uma ferramenta típica da MCC, resultado da evolução de uma técnica simples de diagrama de decisão lógico para a elaboração e revisão de programas de manutenção preventiva, desenvolvido por Nowlan e Heap na década de 1960 (VIZZONI, 1998).

O propósito do diagrama de classificação das conseqüências dos modos de falha é a priorização dos esforços e dos recursos materiais dispensados para cada modo de falha. Além de permitir uma análise rápida e precisa dos modos de falha, classifica-os por meio de respostas lógicas tipo “sim” ou “não”, em uma das quatro categorias de conseqüências: Categoria A – relativas à segurança ou ao ambiente; Categoria B – relacionadas à operação; Categoria C – relacionadas aos custos de reparos; e Categoria D – falhas não reveladas. A Figura 2.19 mostra o diagrama lógico empregado por Smith (1993).

Serão considerados prioritários os modos de falha que envolverem aspectos de segurança ou que tenham impacto sobre a disponibilidade dos sistemas. Assim, a prioridade de manutenção deve ser dada às falhas classificadas como: 1o A ou D/A, 2o – B ou D/B e 3o C ou D/C (VIZZONI, 1998).

Vizzoni ressalta ainda que as falhas classificadas como C (ou D/C) não serão incluídas no programa de manutenção preventiva, sendo objeto de manutenção corretiva, quando necessário. Essa recomendação, sobretudo, é que leva às maiores resistências contra a MCC (VIZZONI, 1998).

Figura 2.19: Estrutura da árvore lógica de análise segundo Smith.

2.3.5.3 Seleção das Tarefas Preventivas

Uma vez identificados os modos de falha e classificados com base nas suas conseqüências, a metodologia MCC estabelece que sejam identificadas as tarefas de manutenção mais adequadas à prevenção de tais conseqüências de falhas. No contexto da MCC, tomando-se por base seus preceitos, entende-se por tarefas de manutenção mais adequadas as tarefas que sejam: aplicáveis – significa que, se a tarefa for executada, ela resulte na prevenção ou mitigação da falha, ou na descoberta do início do processo da falha; e eficazes – significa compensar o investimento dos recursos necessários para executá-la (VIZZONI, 1998; SMITH, 1993).

A ferramenta utilizada pela MCC para a seleção das tarefas mais aplicáveis e eficazes, levando em conta as características de confiabilidade dos modos de falha, é o Diagrama Lógico de Seleção (equivalente ao Diagrama de

Decisão proposto por Moubray). Podem-se estabelecer as características desse processo pela análise dos elementos componentes de sua denominação: diagrama – estrutura e documenta o processo de seleção, constituindo uma das qualidades da MCC, a documentação de cada etapa do processo (VIZZONI,1998); lógico – utiliza-se de respostas lógicas do tipo sim/não para a condução do fluxograma e determinação das tarefa; seleção – determina a tarefa mais adequada a partir das conseqüências de falha.

Essa sistemática de seleção de tarefas de manutenção (como já visto, baseadas no tempo - BT, baseadas na condição - BC, descoberta de falhas - DF e manutenção corretiva - MC) é uma característica ímpar da MCC e é proposta por Smith (1993), conforme a Figura 2.20.

Figura 2.20: Diagrama lógico para seleção de tarefas de manutenção segundo Smith (1993).