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3.4 ESCOLHA DOS MÉTODOS

3.4.3 Teoria fundamentada

3.4.3.1 Processo da teoria fundamentada

O processo da TF construtivista (CHARMAZ, 2009), começa com a coleta de dados e finaliza com a redação das análises e reflexão sobre o processo de pesquisa. Entretanto, o processo da pesquisa, na prática, não é tão linear. O ato de refletir e redigir sobre ideias e questões através da redação de anotações extensivas, os chamados memorandos, por exemplo, constam como um o estágio nesse processo, mas é um ato que acompanha todo o desenvolver da pesquisa. Charmaz (2009) compara o os métodos da TF como um ofício exercido pelos pesquisadores. Ofício no qual, os pesquisadores envolvidos variam a ênfase que dão a determinados aspectos, mas que, considerados conjuntamente, possuem atributos comuns. Por isso, o processo da TF dá mais importância aos seus princípios e estratégias do que ao rigor da sequência das suas etapas, essa flexibilidade foi defendida tanto por Glaser e Strauss (1967), como Charmaz (2009). _______________

44 Collier, David, Henry E. Brady, and Jason Seawright. 2010. “Outdated Views of Qualitative Methods: Time to Move On.” Political Analysis18 (4) : 506–13.

O método da TF aceita diferentes formas de coleta de dados buscando maior rigor na qualidade deles: dados relevantes, detalhados e completos para a compreensão de fatos e suas circunstâncias, das ações e dos seus significados. De posse dos dados, o pesquisador realiza a codificação. Existem dois tipos principais de codificação na TF: o primeiro deles é codificação inicial, na qual o pesquisador estuda os seus dados rigorosamente linha por linha, para começar a conceituar suas ideias e o segundo, é a codificação focalizada, na qual, o pesquisador separa, classifica e sintetiza os dados.

A etapa de amostragem teórica, saturação e classificação tem como objetivo refinar as categorias selecionadas. Nesta etapa, pode ser feita nova coleta de dados para obtenção de dados mais seletivos a fim de refinar e completar as categorias em análise. Na amostragem teórica, utilizamos a amostra para desenvolver as propriedades das suas categorias selecionadas até que não surjam mais propriedades novas e dessa forma, saturamos as categorias com dados.

Finalmente, a fase de redação do manuscrito envolve a redação e a elaboração de uma análise. Nesse momento acontece a revisão da bibliográfica, o retorno às questões iniciais da pesquisa e a construção de uma teoria com base nos dados coletados para a elaboração de um esquema teórico. O processo da TF pode ser visualizado na figura 8:

FIGURA 8 – O PROCESSO DA TEORIA FUNDAMENTADA

FONTE: Charmaz (2009).

O processo da TF aplicado ao percurso metodológico deste estudo pode ser ilustrado na figura 9:

FIGURA 9 – O PLEAD E O PROCESSO DA TEORIA FUNDAMENTADA

FONTE: Adaptado de Charmaz (2009)

As questões iniciais do presente estudo surgiram após a edição piloto do curso PLEaD em 2015. Considerei os dados gerados na dissertação (SHIBAYAMA, 2016) para uma codificação inicial e definição de categorias provisórias.

A coleta de dados focalizada aconteceu, predominantemente, nas edições 2016 e 2017 do curso. Momento no qual, envolvendo métodos da PA e da TF,

ofertamos o curso e realizei testagens orientadas por perguntas e hipóteses. Os dados gerados foram separados, classificados e sintetizados. Os dados gerados nas duas edições do curso e testagens adicionais foram utilizados para aprimorar as categorias conceituais e assim definir a amostragem teórica deste estudo.

A busca de dados mais específicos para o refinamento da etapa da amostragem teórica foi realizada através de entrevista em profundidade, com base nas categorias analíticas, com as professoras da equipe PLEaD. Segundo Charmaz (2009):

A entrevista é uma conversa direcionada (Lofland e Lofland, 1984, 1995). A entrevista intensiva permite um exame minucioso de um tópico em particular, com uma pessoa que tenha tido experiências relevantes (CHARMAZ, 2009, p. 46).

Por possibilitar um exame minucioso a respeito de uma temática em particular, os dados coletados com as entrevistas foram analisados com o objetivo de elaborar uma sequência didática de PLEaD. Após a aplicação da SD, acontece a coleta de dados através de questionários com os estudantes participantes. Os dados advindos dos questionários fornecem então, os recursos para a redação e a elaboração de uma análise à luz da revisão bibliográfica para a organização de um construto, a teoria fundamentada com os dados coletados no PLEaD.

4 PERCURSO METODOLÓGICO

Por articular reflexão teórica e prática colaborativa de cada edição realizada do PLEaD utilizando métodos da PA e da TF, o percurso metodológico deste trabalho segue o processo da TF contendo ciclos de pesquisa-ação. A FIGURA 10 ilustra o processo de pesquisa percorrido neste estudo. Os números de 1 a 5 representam os ciclos de pesquisa-ação. Cada um dos ciclos envolveu a realização de uma etapa da pesquisa, reflexão teórica, considerações acerca dos dados, formulação de perguntas e hipóteses para novas ações. Foram também realizados testes e estudos específicos a fim de confirmar hipóteses e levantar outras indagações.

FIGURA 10 – PERCURSO METODOLÓGICO NAS EDIÇÕES DO PLEAD

Os diferentes ciclos de pesquisa formam um conjunto que, no método da TF, pretende responder à questão norteadora: como implementar a interação oral em língua estrangeira em contextos de ensino e aprendizagem a distância?

O ciclo 1 é o ponto de partida e utiliza os dados coletados na dissertação para uma coleta de dados inicial e definição de categorias provisórias. Nos ciclos 2 e 3 acontecem as edições 2016 e 2017 curso PLEaD bem como testagens adicionais. Neste momento, houve a coleta de dados focalizada na qual os dados gerados foram separados, classificados e sintetizados. Os dados revelaram categorias conceituais, a amostragem teórica, que serviu de guia para orientar a elaboração de um roteiro de entrevista com as professoras da equipe pedagógica do PLEaD. No ciclo 4 acontece a busca mais profunda de dados da amostragem teórica e neste momento, acontece a entrevista em profundidade. No ciclo 5, os dados das entrevistas foram analisados a fim de nortear a criação de uma sequência didática

de PLEaD e proposta de template para a interface gráfica do AVA.

Este percurso metodológico é organizado neste capítulo em quatro partes: a primeira parte contém a apresentação do PLEaD, a segunda parte, a coleta de dados focalizada, a terceira parte, os dados gerados e a quarta parte, a proposta.

A primeira parte é extensa e, para localizar o leitor, se organiza conforme a FIGURA 11:

FIGURA 11 – PERCURSO METODOLÓGICO – DESCRIÇÃO DO PLEAD

FONTE: A autora (2020).

Inicialmente, são mostrados aspectos gerais do curso, os aplicativos utilizados e depois são detalhadas as edições 2015 a 2018. Cada uma das edições aborda quatro aspectos: perfil dos estudantes, equipe pedagógica, conteúdo do curso e oralidade. Após a descrição são discutidos temas transversais presentes em diferentes edições como a evasão do curso, o design do AVA e o diário de bordo das professoras.