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3 METODOLOGIA

3.2 Processo da triagem dos participantes da pesquisa

A triagem dos participantes ocorreu, em sua primeira fase, por meio das reuniões semestrais dos pais, no período de fevereiro a março de 2011. É importante ressaltar que a pesquisadora não teve uma reunião exclusiva para apresentar a pesquisa às famílias. As reuniões semestrais, direcionadas aos pais da Escola nas quais esta pesquisa foi inserida, foram agendadas de acordo com o cronograma escolar. A primeira reunião de pais ocorreu no dia 28 de fevereiro de 2011, e nos dias 01 de março de 2011, 02 de março 2011. Cada reunião era direcionada a um ano específico, 7º, 8º e 9º do terceiro ciclo do Ensino Fundamental. Foram

disponibilizados em cada uma, 20 minutos, para que a pesquisadora explicasse o projeto aos pais, convidando-os a participar do projeto. Notou-se o índice baixo de participação dos pais nessas primeiras reuniões semestrais da Escola. Devido à participação incipiente das famílias, foi necessário repetir todo o processo de triagem novamente na segunda reunião semestral, nos dias 14/15/16 de setembro de 2011, ou seja, seis meses depois da primeira triagem das famílias.

Após a análise dos questionários (APÊNDICE C e D) respondidos pelos pais, nas duas reuniões, iniciou-se uma nova fase de seleção. Por meio de contato telefônico, a pesquisadora, convocou as famílias a participarem dos grupos focais. Foi comunicado, aos pais que aceitaram participar, a data dos agendamentos dos grupos focais. Esses grupos de discussão com as famílias seriam realizados na Escola.

É importante mencionar que essa triagem foi seletiva para categorizar as famílias de acordo com o envolvimento do filho adolescente no fenômeno bullying. Por meio das respostas das famílias, elas eram incluídas nas três categorias: famílias das vítimas, famílias dos observadores e famílias dos agressores.

Em seguida houve a formação de três grupos focais, cada qual ocorreu em uma data distinta. Esses grupos se constituíram da seguinte maneira: dois grupos de vítimas e um grupo de pais de observadores.

As datas e os horários relativos à realização dos grupos focais eram agendados de acordo com a disponibilidade dos participantes. O local de ocorrência dos grupos era na própria Escola pesquisada. Nos três grupos, o horário combinado foi após as 18 horas. Foi oferecido um lanche de acolhimento às famílias, conforme a literatura recomenda (GATTI, 2005).

Dos três grupos focais realizados, dois foram com a mediação da Profª. Dra. Janete Ricas, (famílias das vítimas) e o terceiro com a mediação da pesquisadora Soraia Pinto Sena (famílias das testemunhas) e da psicóloga clínica Suzana Cabral. Durante os três encontros realizados, houve a participação de duas auxiliares de pesquisa, Cristina (FAE/UFMG) e Simone Golino de Freitas (profª. de Inglês), ambas

participaram ajudando na organização do material e nas anotações no diário de campo. Essas duas relatoras não interferiram nos grupos. A conclusão dos grupos focais ocorreu no final de novembro de 2011. O encontro dos três grupos foi gravado e transcrito posteriormente.

Esta pesquisa também enfrentou alguns problemas no processo de triagem. Um deles foi que os pais dos adolescentes agressores não compareceram em sua grande maioria, nas duas reuniões semestrais. Os pais dos agressores foram convocados de maneira diferente dos pais das vítimas e das testemunhas.

O primeiro contato foi por meio do contato telefônico com os pais ou responsáveis pelo adolescente. Muitas vezes, eles não se encontravam na residência ou no local de trabalho, ou o número do telefone deles havia mudado ou não atendia. Tínhamos de insistir e ligar várias vezes, em vários horários, até encontrá-los. Muitas vezes, as ligações ocorriam em diversos horários até que se obtivesse a confirmação ou não da participação deles.

O processo de triagem dos pais dos agressores dos alunos envolvidos no fenômeno

bullying foi realizado com outro instrumento de pesquisa: a entrevista

semiestruturada. É importante esclarecer que o procedimento inicial era a formação de grupos focais com as famílias dos agressores. No entanto, após os dois processos de triagem que ocorreram na primeira e na segunda reunião semestral da Escola com as famílias dos adolescentes, constatou-se o não comparecimento das famílias dos agressores. Devido a isso, o processo de triagem das famílias dos agressores ocorreu de maneira diferente: através de uma lista de alunos fornecida pela própria Escola. Primeiramente, houve a disponibilidade da diretoria da Escola em nos fornecer uma listagem de alunos que estavam sempre se envolvendo em situações de violência entre os colegas. Recebemos uma lista com 14 nomes de alunos com histórico de agressores, intimidações entre iguais e decidimos convidar cada família por meio do contato telefônico feito pela própria pesquisadora. Das 14 famílias de alunos agressores, houve a adesão de 11 famílias. A participação das famílias dos adolescentes agressores foi um desafio que aprofundou e enriqueceu muito o nosso estudo. Após a confirmação verbal por telefone do desejo de um dos pais ou responsáveis em participar dessa pesquisa, era feito o agendamento da

entrevista semiestruturada. A princípio, a entrevista semiestruturada seria realizada na própria Escola, pelos pais ou responsáveis pelo adolescente agressor. Após a primeira das 11 entrevistas realizadas, percebemos que teríamos algumas dificuldades com relação ao espaço físico da Escola (sala arejada, silenciosa, com iluminação adequada) para a realização das entrevistas restantes. A Escola pesquisada possui grande número alunos do 1º e do 2º ciclo do Ensino Fundamental que participavam do turno integral, devido ao Programa da Escola Integrada, e por essa razão havia muitas atividades nos pátios externos e a consequência dessa movimentação dos alunos era o imenso barulho nas suas salas internas, e isso comprometeria a pesquisa. Pensou-se na hipótese de se utilizar a Faculdade de Medicina, mas a sua localização era muito distante para essas famílias. Por fim, a solução encontrada foi a sublocação de uma sala nas condições adequadas (silenciosa, com privacidade, iluminação adequada entre outros quesitos) nas proximidades da Escola para que a qualidade da pesquisa fosse assegurada. As 10 entrevistas restantes foram realizadas nessa sala. Ao todo, a pesquisadora realizou 11 entrevistas com pais ou responsáveis de alunos agressores envolvidos no fenômeno bullying.

O período de realização das 11 entrevistas semiestruturadas foi de novembro de 2011 a fevereiro de 2012. Após a constatação de que o “critério de saturação” havia sido atingido, o processo foi encerrado (FONTANELLA et al., 2008).

Os três grupos focais realizados com pais de vítimas e testemunhas e as 11 entrevistas semiestruturas realizadas com os pais dos agressores foram gravadas com o consentimento dos participantes e, posteriormente, transcritas, organizadas e categorizadas para posterior análise dos resultados.