Segundo Hrebiniak e Joyce (1985, p. 336-349), o grau de determinismo ambiental, ou seja, a capacidade do ambiente externo influenciar nas ações internas das organizações e a autonomia que a organização tem para tomar suas decisões para fazer frente às mudanças no ambiente externo, ou seja, sua capacidade de escolha estratégica (CHILD, 1972), são variáveis independentes. Essas variáveis são utilizadas para desenvolver uma tipologia de adaptação organizacional. As interações dessas variáveis resultam em quatro principais tipos:
Seleção natural, com pouca capacidade de escolha estratégica e adaptação, com seleção externa;
Diferenciação, com muita capacidade de escolha estratégica e alto grau de determinismo ambiental, com adaptação dentro de restrições;
Escolha estratégica, com muita capacidade de escolha estratégica e alta capacidade de adaptação;
Escolha diferenciada, com escolha incremental e adaptação pela oportunidade.
Esses tipos influenciam o número e formas de opções estratégicas das organizações, ênfase decisória nos meios ou nas finalidades, o comportamento político e conflitos, e a definição das atividades da organização em seu ambiente.
A nova visão dessas variáveis, escolha e determinismo, é compartilhada por diversos autores que desenvolveram pesquisas relacionadas a esse tema. Podem-se destacar os estudos de Astley e Van de Ven (apud HREBINIAK e JOYCE 1985, p. 336-349) que sugerem uma faixa contínua ligando determinismo e voluntarismo, sendo que o posicionamento em uma categoria ou outra seria útil somente como uma classificação dentro de uma escola de análise organizacional; Weick (apud HREBINIAK e JOYCE 1985, p. 336-349), que investigou o processo de interação dessas duas variáveis, concluindo sobre a relação entre elas, e como suas interações e tensões resultantes culminam com mudanças ao longo do tempo. O ponto de debate: como a escolha é uma causa e uma conseqüência da influência do ambiente, e como causa e conseqüências interagem e conflitam, resultando em uma notável adaptação organizacional; Dahl, Jacobs, Pfeffer, Salancik, (apud HREBINIAK e JOYCE 1985, p. 336-349), nos seus estudos sobre poder, identificaram que as dependências básicas ou relativas vulnerabilidades da organização e ambiente interagem para criar tensões e produzir mudanças organizacionais e ambientais. Esse modelo estabelece que a influência, o poder de equilíbrio e o poder relativo da organização e do ambiente são definidos pelos stakeholders externos, que são chaves para explicar a preponderância da escolha ou do determinismo no processo de adaptação.
Como variáveis independentes a escolha organizacional e o determinismo ambiental devem interagir no processo de adaptação organizacional. Segundo Child e Weick, (apud HREBINIAK e JOYCE 1985, p. 336-349), os indivíduos e suas instituições podem construir, eliminar, ou redefinir o objetivo característico de um ambiente e assim, de forma proposital, criar suas próprias medidas da realidade, delimitando suas decisões.
Segundo Miller e Von Bertalanffy, (apud HREBINIAK e JOYCE 1985, p. 336-349) essa abordagem segue a lógica da teoria dos sistemas abertos de organizações. Um sistema aberto tende para um estado de equilíbrio dinâmico com seu ambiente através da troca contínua de materiais, dados, e energia. Mesmo onde o ambiente de um sistema aberto é altamente determinístico, a escolha organizacional ainda é possível, através do controle e seleção dos meios para atingir os resultados.
Hrebiniak e Joyce (1985 p. 336-349) propõem examinar a interação dessas duas variáveis. Com esse objetivo, eles representam em uma figura a relação da escolha estratégica e determinismo ambiental na adaptação organizacional. Cada eixo indica variação em níveis de possibilidade e potencial para influenciar os outros. Os quadrantes ajudam a definir o domínio e o alcance do poder no relacionamento entre organização e ambiente e a vulnerabilidade relativa de cada um em um cenário interativo.
A Figura 6 mostra a representação dessas variáveis em dois eixos, cuja interação determina os 4 tipos principais de comportamento organizacional.
ESCOLHA INDIFERENTE III ALTA SELEÇÃO NATURAL IV BAIXO ALTO BAIX A DIFERENCIAÇÃO II ESCOLHA ESTRATÉGICA I CAPACIDADE DE ESCOLHA ESTRATÉGICA
Fonte: Hrebiniak e Joyce (1985)
GRAU DE DETERMINISMO AMBIENTAL
No quadrante I, alta escolha organizacional e baixo determinismo ambiental. A adaptação é determinada pela escolha estratégica. A autonomia e controle são regra, em vez da exceção.
No Quadrante II, escolha estratégica e determinismo ambiental são altos, definindo um contexto turbulento para a adaptação.
No Quadrante III, baixa escolha estratégica e baixo determinismo ambiental, definindo uma situação relativamente calma.
No quadrante IV, escolha estratégica baixa e alto determinismo ambiental. O ambiente seleciona as organizações.
Segundo Hrebiniak e Joyce (1985, p. 336-349), o processo de adaptação é dinâmico; através do tempo, a posição de uma organização pode deslocar como resultado de escolhas estratégicas ou mudanças no ambiente externo.
As implicações da pesquisa da tipologia referem-se aos assuntos ou problemas associados com a adaptação organizacional como controle sobre recursos escassos e bases de poder que flutuam entre domínio organizacional e ambiental.
Tipos de escolha organizacional variam pelo número e tipo de opções estratégicas, com: estratégias genéricas, comportamento político e conflitos, processos de procura.
Assim, no quadrante I, a dependência de recursos da organização são os mais baixos e o número de opções estratégicas os mais altos; no Quadrante II., a escolha é alta mas seletiva ou "diferenciada" por causa do alto equilíbrio do poder e recursos do ambiente; no quadrante III, escolhas organizacionais são incrementais, devido a uma falta de recursos necessários para possibilitar tirar todas as vantagens de um ambiente favorável; sob condições do Quadrante IV, escolhas são possíveis mas limitadas pela falta de recursos e poder da organização e do ambiente.
Hrebiniak e Joyce (1985, p. 336-349) concluem que:
A interdependência e as interações entre escolha estratégica e determinismo ambiental definem a adaptação; cada uma é insuficiente e ambas são necessárias para uma explicação satisfatória da adaptação organizacional.
A adaptação é um processo dinâmico que é o resultado do poder relativo e tipo de poder ou dependência entre organização e ambiente. As forças não são estáticas; ações desenvolvidas por organizações e elementos ambientais que estão sob os contextos estratégicos diferentes são potencialmente importantes para a criação ou alteração de dependências ou vulnerabilidades relativas que afetarão ações futuras e decisões. As mudanças são o resultado da interação entre escolha e determinismo, a interação de várias forças políticas e econômicas, e a interação entre meios e fins com o passar do tempo. Escolha estratégica e determinismo ambiental levam à mudança; cada uma é causa e conseqüência da outra no processo de adaptação. Para entender esse fenômeno de mudança dinâmica, é necessário "pensar em círculos", investigar a reciprocidade de relações entre organização e ambiente, e estudar a causa mútua que obtém.
Observando a adaptação, como um processo dinâmico, descobrimos que, para qualquer organização, existem simultaneamente elementos ou variáveis relacionadas à escolha estratégica e determinismo ambiental.
A complexidade e interdependência de importantes variáveis e os processos de decisões são uma função da escolha e determinismo.