4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.2 PROCESSO DE AUDITORIA DE FORNECEDORES DE SERVIÇOS
Com o intuito de aperfeiçoar a versão proposta da ferramenta, a mesma foi enviada para três auditores líderes (pessoas selecionadas por serem pessoas-chave e com grande conhecimento em processos de gestão integrados: qualidade ISO 9001, meio ambiente ISO 14001 e saúde e segurança ocupacional OHSAS 18001).
Após a análise, os auditores indicaram algumas alterações e complementações que poderiam melhorar o modelo inicial. As principais mudanças contemplaram a estruturação, pois algumas questões específicas estavam incluídas em requisitos não adequados. Como exemplo: requisitos de documentação estavam sendo cobrados nos itens de aspectos ambientais. Também a separação dos requisitos do meio ambiente em blocos específicos, como resíduos e efluentes foi sugerida. As formas de representação gráfica também foram alteradas em função das contribuições dos auditores. Com o intuito de simplificar, apenas a versão final é apresentada.
Nenhuma modificação nos questionários foi necessária para realizar as auditorias do teste piloto, sendo então o processo considerado validado e aplicado nos demais fornecedores avaliados neste trabalho. A única modificação implementada foi na forma de representar graficamente os resultados. Os resultados obtidos nas auditorias do teste piloto estão também relatados no estudo de caso. Simplificando a metodologia, será detalhada apenas a estrutura da versão final, aperfeiçoada e validada.
Nakazawa (2004), argumenta que para um bom diagnóstico ambiental, o entendimento do empreendimento é primordial. Conhecer sua localização, processos de transformação, operação, recursos ambientais consumidos, mão-de-obra (pessoas), entre outros aspectos.
Como teste-piloto, logo após o envio e análise do questionário de
autoavaliação, foram realizadas visitas em três fornecedores de diferentes segmentos de prestação de serviços. No primeiro momento, foram obtidas informações gerais das empresas com base nas informações da autoavaliação. Durante a visita às suas instalações, foi verificado atentamente o local, os processos, os procedimentos e os funcionários que exercem as funções de reciclagem. Em umsegundo momento, aplicou-se o questionário de avaliação para a coleta de evidências. Após estes resultados, os dados foram tabulados, para se fazer a análise de quais pontos deveriam ser corrigidos.
Como nenhuma modificação nos questionários utilizados nos processos de autoavaliação e avaliação foi necessária, a ferramenta foi considerada validada. As modificações implementadas após o teste piloto contemplaram apenas o tratamento dos dados, especificamente com relação à representação gráfica. Como isto não invalidou os resultados obtidos, estes são apresentados juntamente com os demais
fornecedores avaliados.
Os resultados serão descritos em três ítens gerais: o sistema de avaliação desenvolvido, os resultados obtidos através da sua aplicação em fornecedores de serviços, denominado estudo de caso, e o processo PDCA aplicado para dois fornecedores de serviços.
4.2.1 Sistema de Avaliação de fornecedores
Para facilitar o processo de auditoria de fornecedores, foi necessário desenvolver uma ferramenta de avaliação, baseada em questionários e interpretação dos resultados obtidos. Todo o processo de auditoria envolve, além da avaliação e interpretação, os critérios de atendimento e seleção dos fornecedores, o procedimento de avaliação propriamente dito, a interpretação e desdobramentos possíveis dos resultados, para obter a melhoria contínua dos fornecedores.
A tabela 4 mostra os critérios de pontuação utilizados, em função do grau do atendimento observado.
Tabela 4 - Notas atribuídas para cada critério específico avaliado, em função do grau de atendimento da empresa.
CRITÉRIOS DE ATENDIMENTO
NOTA DESCRIÇÃO
2 (SIM) Atende totalmente o requisito. Os resultados foram comprovados através de evidências objetivas.
1 Atende parcialmente / Não atende, mas possui planos de ação. A prática está implementada, mas não está documentada.
0 (NÃO) Não atende ao requisito NA (0) Não aplicável
Os questionários e o sistema de interpretação dos resultados serão apresentados na sua versão final, já aperfeiçoada e validada.
4.2.1.1 Questionários para autoavaliação dos fornecedores
Para realizar a autoavaliação foi criado um questionário com 67 questões, estruturado conforme detalhado na tabela 3.
Lindhqvist (2006), descreve que a responsabilidade alargada do fabricante é implementada através de instrumentos de política informativa, administrativos e
econômicos, sendo estes visualizados como uma tentativa estratégica para alcançar soluções sustentáveis.
O questionário utiliza questões fechadas colocando como opções derespostas as alternativas “SIM” e “NÃO” e a opção do gestor assinalar não aplicável – “N.A.”. Quando a resposta é N.A., na realização da auditoria (questionário de avaliação) verifica-se a necessidade de adequação desta resposta.
A empresa avaliada deverá preencher dados básicos, reproduzidos no quadro 1. Estas informações são relevantes para consultas internas e externas sobre a situação da empresa analisada. É importante atentar para algumas evidências que servirão de informação para a auditoria. O Código Nacional de Atividade Econômica (CNAE), é utilizado para identificação da atividade de uma empresa perante o órgão público, ou seja, serve para determinar a atividade principal ou secundária de uma organização. O grau de risco é obtido na Norma Regulamentadora NR-4 e consta no cartão do Código Nacional dePessoa Jurídica (CNPJ) da empresa. Tal informação é necessária para que o avaliador possa identificar os aspectos legais determinantes como, por exemplo, as interações com a Norma Regulamentadora nº 07 - Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional (PCMSO) e Programa de Prevenção de Riscos Ambientais (PPRA), além de outras (ARAÚJO, 2004).
Para Kotler (1999), organizações devem monitorar as forças externas como, por exemplo, econômicas, tecnológicas, socioculturais, legais, entre outras, visto que estas podem interagir com o microambiente (fornecedores, clientes, entre outros), proporcionando tanto oportunidades como também ameaças.
Para Lindhqvist (2000), responsabilidade econômica significa que o produtor irá abranger a totalidade ou parte das despesas, por exemplo, a logística, reciclagem e disposição final dos produtos que ele está fabricando. Essas despesas podem ser pagas diretamente pelo fabricante.
Quadro 1 - Cadastro - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
AUTOAVALIAÇÃO DADOS GERAIS DA EMPRESA
Razão Social:
CNPJ: Inscrição Estadual:
Endereço:
Município/ Est.: CEP:
Contato :
E-mail: Fone:() Fax:()
Número Total de Funcionários: Número total de Terceiros:
Grau de Risco: Código
CNAE:
Ano do início das operações:
A análise do item descrito no quadro 2 é primordial para a condução da avaliação, pois a amplitude do conceito de um sistema de gestão envolve diretamente questões estratégicas das organizações, porém o avaliador necessita identificar neste ponto possíveis sistemas de gestão (ISO 9001, ISO 14000, OHSAS 18001, entre outros) ou não, que darão subsídios para análise e interpretação mais detalhada na ocasião da avaliação.
Quadro 2 – Sistema de Gestão - Questionário de autoAvaliação de fornecedores.
SISTEMA DE GESTÃO: AUTO-AVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A.
A empresa implantou e certificou ou encontra-se em fase de implantação e/ou certificação de um sistema de gestão?
Os itens referenciados no quadro 3 são necessários para que o avaliador ressalte a importância que será dada às empresas fornecedoras que não possuam uma certificação ou que tenham o item não aplicável, pois para os itens da alternativa “N.A.” uma oportunidade de melhoria pode ser explorada em forma de cooperação e interação. A norma NBR ISO 14001:2004 afirma que a adoção e a implementação, de forma sistemática, de um conjunto de técnicas de gestão ambiental podem contribuir para a obtenção de ótimos resultados para todas as partes interessadas (ABNT, 2004).
Para Zutshi (2004), as partes interessadas estão presentes tanto internos quanto externos às fronteiras das organizações, estando inter-relacionadas e sendo interdependentes.
Durante o processo de autoavaliação a empresa poderá identificar as questões legais através de evidências, não sendo necessário nesta etapa, porém necessário na avaliação. Christiansen (2005), afirma que a licença ambiental estabelece um diálogo entre as empresas e o órgão ambiental. Como resultado desse diálogo, a empresa estará ciente dos regulamentos.
Quadro 3 - Licenças e Documentos - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
LICENÇAS E DOCUMENTOS: AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
A empresa possui cadastro de atividades potencialmente poluidoras no IBAMA?
A empresa possui licença(s) de funcionamento ou licença(s) de operação concedida(s) pelo Órgão Ambiental?
A empresa possui licença(s) da Polícia Militar, Civil ou Federal para produtos controlados?
A empresa possui licença(s) do Ministério de Defesa para produtos controlados?
Existe um projeto de Prevenção e Combate a Incêndio aprovado pelo Corpo de Bombeiros? A vistoria anual está em conformidade?
Há a realização anual do PCSMO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) ?
Há a realização anual do PPRA (Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) ?
Diante da estruturação apresentada no quadro 3, a ferramenta procura
estruturar estratégias com as normas regulamentadoras, sendo estas
Quadro 4 – Saúde Ocupacional e Segurança do Trabalho - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
SAÚDE OCUPACIONAL E SEGURANÇA DO TRABALHO AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A.
PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) - Os exames ocupacionais estão sendo realizados ?
A empresa possui o Plano de Gerenciamento de Emergência (PGE) estruturado, bem como o mesmo é adequado (ISO 14.001 E OHSAS 18.001)
CIPA (Comissão Interna de Prevenção de Acidentes) - Está
dimensionada de acordo com grau de risco e CNAE (Código Nacional de Atividade Econômica) da empresa? Caso a empresa não necessite de CIPA, esta possui um funcionário designado, responsável pelo cumprimento do objetivo da NR 05?
EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) - Existe um programa de gerenciamento dos EPIs utilizados nas atividades, incluindo: ficha individual de controle; treinamento formal periódico; certificado de aprovação (CA) (NR 06) ?
O empregador atende as condições de higiene e conforto das
instalações sanitárias, dos refeitórios e das cozinhas, segundo Norma sobre Condições Sanitárias e de Conforto nos Locais de Trabalho (NR 24)?
Os acidentes do trabalho que envolvam funcionários, bem como prestadores de serviços e os acidentes ambientais devem ser analisados, investigados, divulgados e as ações corretivas / preventivas implementadas (NR-04, NR-05, NR-09).
PCMSO (Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional) - Os exames ocupacionais estão sendo realizados periodicamente, conforme especificado no documento ?
PPRA(Programa de Prevenção de Riscos Ambientais) - Está
atualizado, identificando e monitorando todos os riscos associados às atividades ? O cronograma anual vem sendo seguido?
SESMT(Serviço Especializado em Segurança e Medicina do Trabalho) - A empresa possui funcionários habilitados, (Técnico de Segurança, Engenheiro, Médico, Enfermeiro), quando necessário (NR 04) ?
A gestão de resíduos, quadro 5, é uma parte da visão sistêmica utilizada no fornecedor, sendo de interesse para a empresa, pois começa nestes itens a identificação dos tipos de resíduos gerados pela atividade do fornecedor e como são destinados, ou seja uma prática sistêmica utilizada para análise de classificação, manuseio, armazenamento temporário e destinação final.
Corroborando com a estruturação acima, Lago (2000), afirma: “Para quem produziu o resíduo, o mesmo passa a ser parte de seu passivo ambiental, ou seja, é de sua propriedade e responsabilidade, mesmo depois de ser enviado para tratamento ou disposição em terceiros”.
Quadro 5 - Gestão de Resíduos - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
GESTÃO DE RESÍDUOS AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
Existe geração de resíduos na empresa?
Quais são os resíduos gerados na empresa e que destinação final estão sofrendo esses resíduos?
RESÍDUO DESTINAÇÃO FINAL
SIM NÃO N.A
Existe autorização / permissão do órgão ambiental para o transporte e a destinação final desses resíduos?
Existe um local especifico de armazenamento de resíduos? Existe piso impermeável no local de armazenamento de resíduos? Existe cobertura no local de armazenamento de resíduos?
Existe dique de contenção no local de armazenamento de resíduos?
A água é um recurso natural essencial. Por princípio, todos os corpos de água passaram a ser de domínio público e sua poluição tem sido um problema para a sociedade. Sendo assim, foi assumido que a gestão dos recursos hídricos, quadro 6, deve ser controlada, visto que a preservação e uso racional dos recursos naturais devem estar presentes nas atitudes de todos os “atores” envolvidos com a empresa, pois há um forte vínculo, em produção, gestão dos recursos hídricos e efluentes.
Quadro 6 - Gestão de Recursos Hídricos / Efluentes Líquidos Industriais - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
GESTÃO DOS RECURSOS HÍDRICOS AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
A empresa capta água de poços de água subterrânea?
A empresa possui outorga para captação de água subterrânea?
GESTÃO DOS EFLUENTES LÍQUIDOS INDUSTRIAIS: AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
Existe geração de efluentes líquidos industriais no(s) processo(s)? Qual é a destinação dos efluentes?
Existem análises / caracterização dos efluentes líquidos industriais gerados?
A empresa possui estação de tratamento de efluentes para líquidos industriais?
Está licenciada?
A empresa efetua auto monitoramento periódico da estação de tratamento de efluentes líquidos industriais e protocola o mesmo no órgão ambiental?
A mudança do clima e a poluição atmosférica são consideradas relevantes para os itens descritos no quadro 7. Neste item, a resolução SEMA 054 faz as tratativas ao Estado do Paraná, através de critérios para o “Controle da Qualidade do Ar” como um dos instrumentos básicos da gestão ambiental para proteção da saúde e bem estar da população e melhoria da qualidade de vida, com o objetivo de permitir o desenvolvimento econômico e social do Estado de forma ambientalmente segura.
Segundo Ho et al. (2009), dos vários tipos de poluição, a do ar é o que precisa de atenção imediata, tendo em vista que a presença dos gases de efeito estufa na nossa atmosfera é o problema mais grave que a humanidade está enfrentando no momento.
Quadro 7 - Gestão das Emissões Atmosféricas - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
GESTÃO DAS EMISSÕES ATMOSFÉRICAS AUTOAVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
Existe geração de emissões atmosféricas? A empresa cumpre a legislação SEMA 054 ?
Efetuaautomonitoramento periódico de emissões atmosféricas e protocola o mesmo no ÓRGÃO AMBIENTAL?
O ruído torna-se fator de risco da perda auditiva ocupacional se o nível de pressão sonora e o tempo de exposição ultrapassar certos limites (NR-15). Muitas
empresas de reciclagem (fornecedores), utilizam equipamentos para o
beneficiamento dos resíduos. A resolução Conama 01/90 impõe regras para níveis excessivos de ruído, pois estão incluídos entre aqueles sujeitos ao controle da poluição de meio ambiente, visto serem prejudiciais à saúde e ao sossego público. Os itens do quadro 7 verificam o cumprimento.
Quadro 8 - Gestão de ruídos - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
GESTÃO DE RUÍDO: AUTO- AVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
Existe percepção de ruído oriundo do(s) processo(s) industrial(ais) na vizinhança da fábrica?
Existem análises e caracterização de ruído na vizinhança da fábrica (CONAMA 01/90)?
Os contratantes de serviços terceirizados são coresponsáveis pela mão-de-obra terceirizada em suas dependências e deve-se exigir documentação referente aos aspectos trabalhistas, quadro 8. Esta questão é verificada no cadastro, quadro 1, no item “número de terceiros”.
Quadro 9 - Prestadores de Serviços e Contratados - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
PRESTADORES DE SERVIÇOS E CONTRATADOS AUTO - AVALIAÇÃO
Aspectos Legais SIM NÃO N.A
A empresa exige a documentação legal dos seus prestadores de serviços (PPRA, PCMSO)?
O roteiro para plano de ações ambientais, quadro 10, apresenta o conteúdo mínimo a ser contemplado na elaboração de proposta e plano de ação e também para a obtenção de informações adicionais. É um modelo de gestão que contempla estratégias ambientais, ou seja, os itens possibilitam a criação de uma visão sistêmica/cenário do grau de conhecimento atual do fornecedor analisado.
Para Dandekaret al. (2010), em um processo ambiental informações adicionais complementam a visão sistêmica e estratégica das organizações e esta integração propicia inúmeros benefícios que, se combinados, melhoram as decisões gerenciais.
Quadro 10 - Roteiro para Planos de Ações Ambientais - Questionário de autoavaliação de fornecedores.
ROTEIRO PARA PLANOS DE AÇÃO
A empresa possui Política Ambiental?
A empresa possui Política de Qualidade ou de Segurança ou de Responsabilidade Social ou outra política?
Conhece algum tipo de impacto causado por sua/s atividade/s? Conhece algum tipo de impacto causado pelo/s seu/s produto/s? Conhece algum tipo de impacto causado pelo/s seu/s serviço/s? Conhece algum tipo de impacto causado pelo/s seu/s fornecedor/es de matéria/s- prima/s ou de terceiros?
Conhece a destinação final do seu produto - onde é descartado? Conhece e/ou acompanha as práticas de preservação e conservação ambiental?
Reduz consumo de energia? Reduz consumo de água? Reduz consumo de matéria prima? Reduz papel?
Reduz outros tipos de materiais? Conhece a Política dos 3Rs? Aplica a Política dos 3Rs?
Controla e busca reduzir algum tipo de desperdício? Reutiliza algum material?
Recicla algum material?
Seleciona algum tipo de lixo seco, úmido, eletrônico, tóxico, outros? Tem algum tipo de parceriaambientalcom fornecedores?
Tem algum tipo de parceriaambientalcom Cooperativas? Conhece ou aplica alguma legislaçãoambiental? Conhece a Agenda 21?
Atua de maneira preventiva quanto aos impactos ambientais negativos?
Há estímulo para seus funcionários participarem de ONGs - associações com finalidades socioambientais? Há programas de consumo consciente? A empresa participa de programas ambientais junto ao governo ou redes sociais?
Há preocupação em desenvolver produtos, processos ou serviços sustentáveis?
Auxilia alguma entidade com verba, espaço, material ou mão de obra? A empresa inclui no planejamento ações ambientais?
Há programas ambientais em parceria com fornecedores, clientes e a comunidade?
O questionário de autoavaliação dos fornecedores foi desenvolvido para tornar mais ágil o processo de auditoria, permitindo que a empresa avaliada, através de um processo de autogestão, tenha conhecimento prévio dos itens mais importantes no processo. Ao mesmo tempo, a empresa pode já direcionar esforços no sentido de corrigir os pontos críticos indicados. Em todo o processo, é importante o contato com o gestor ambiental ou o profissional da empresa que irá acompanhar toda a auditoria. Assim, avaliador e avaliado interagem e são parceiros que somam esforços para melhorar o desempenho ambiental, um claro exemplo de sinergia pró-ativa em busca da melhoria contínua.
4.2.1.2 Questionários para a avaliação dos fornecedores
É importante reforçar que o questionário de avaliação é uma ferramenta de análise que auxilia na condução de uma auditoria estruturada e aqui se apresenta no formato de uma lista de verificação. Tem como objetivo fazer uma análise crítica do fornecedor, ou seja, diagnosticar a realidade ambiental da empresa através dos seguintes requisitos: aspectos legais, documentação, meio ambiente, instalações, transportes, avaliação geral (tabela 2).
O quadro 11 do questionário de avaliação no requisito “aspectos legais”, foi estruturado com o propósito de verificar o perfil dos fornecedores de serviços no que se refere a aspectos obrigatórios (com implicações legais). Trata-se de um ponto central nas relações contratado-contratante e cujo gerenciamento pode culminar em cláusulas de contrato mais bem definidas.
Para Kotler (1999), a identificação de cada processo (requisito), é realizada de acordo como as necessidades e oportunidades no segmento de atuação da empresa avaliada. Esta análise requer, primeiramente, um conhecimento prévio dos aspectos do macroambiente, pois determinados segmentos talvez não necessitem atender o item (questão) reproduzido nos quadros 11 e 12.
Para Lindhqvist (2000), a extensão da responsabilidade é determinada pela legislação e pode abranger diferentes partes do ciclo de vida do produto, incluíndo o uso e o descarte final. Para o autor, a responsabilidade refere-se aos danos ambientais comprovados.
Quadro 11 - Requisito “Aspectos Legais” – Documentação - Questionário de avaliação de fornecedores.
REQUISITO AVALIAÇÃO Pontos
Obtidos
Aspectos Legais 0 1 2 NA
A empresa possui alvará (Prefeitura)? 0
A empresa possui Licença Ambiental (LAO, LAI,
LF)? 0
As condicionantes da licença estão atendidas? 0
A empresa possui Licença do Corpo de Bombeiros? 0
A empresa possui cadastro do IBAMA e comprovante de pagamento da Taxa de Controle e Fiscalização Ambiental - TCFA?
0 A empresa possui Certificado de Aprovação para
Destinação de Resíduos Industriais (CADRI), quando necessário?
0
A empresa possui outorga para captação de água? 0
A empresa possui Licença Sanitária do fabricante
e/ou distribuidora (alimentação)? 0
A empresa possui certificado de registro SERFLOR (Sistema Estadual de Reposição Florestal
Obrigatória)?
0 A pontuação será obtida através da fórmula (pontos
obtidos/pontos possíveis) *100 Pontos Possíveis 18 Pontos Obtidos 0 Observação / Evidências
Philippi et al. (2004), descrevem que uma das primeiras evidências coletadas são as licenças ambientais, pois estas podem conter exigências dos órgãos da área. Comenta ainda que os cadastros obrigatórios também são considerados como licenças. Para o autor, é imprescindível verificar todos os detalhes das licenças.
Christiansenet al. (2005), argumentam que em uma democracia moderna é obrigação das empresas conhecerem a legislação pertinente ao negócio, porém, na prática, não funciona bem assim. Para os autores, a quantidade de informações relevantes é enorme e na ausência de um diálogo regular com o órgão responsável, a seleção dependerá da imagem ambiental da empresa. Assim sendo, os autores ainda argumentam que as empresas não precisariam de uma licença ambiental, porém seriam um grupo-alvo importante para a certificação ambiental pois, para os autores, a certificação nesta área proporciona a estas empresas uma oportunidade de identificar possíveis problemas ambientais e formas de fazer melhorias. Isso permite que as empresas as identifiquem e respeitem as regulamentações legais.