3 TESSELA: CONSTRUÇÃO COLABORATIVA REFLEXÕES TEÓRICO-EPISTEMOLÓGICAS
3.3 MOSAICO EPISTEMO-TEÓRICO: CARTOGRAFIA DOS REFERENCIAIS DO ESTUDO
3.3.1 Processo de Construção Colaborativa do Conhecimento
Atendendo o que foi planejado, a fundamentação teórica foi construída de maneira dialógica, a partir do mapa conceitual apresentado no Quadro 2 abaixo. Este quadro traz os conceitos principais e secundários que compõem o Processo de Construção Colaborativa do Conhecimento, numa perspectiva multirreferencial/complexa. Portanto, um processo de construção do conhecimento num Ambiente Complexo Multirreferencial. Esta é a cartografia que embasará teoricamente e orientará a construção dos referenciais de análise deste estudo.
Quadro 2 – Mapa Conceitual
Fonte: Mapa construído para a apresentação do referencial teórico desta tese.
O conceito foco desta cartografia é a construção colaborativa do conhecimento. Este conceito traz em seu bojo outros conceitos que se entrelaçam e se articulam, como: Conhecimento, Cognição, Aprendizagem Colaborativa e a própria Construção Colaborativa, já que este último faz parte da pretensão de ampliação do conceito construído no estudo do CFGC. A fundamentação desta construção está alicerçada nos conceitos e autores apresentados no início deste capítulo.
Além disto, como a perspectiva epistemológica na qual estão baseados estes conceitos foco é a multirreferencial/complexa, os conceitos de multirreferencialidade e complexidade também compõem a cartografia dos principais conceitos que se articulam numa construção colaborativa do conhecimento.
Os conceitos secundários deste mapa estão implicados/imbricados com estes conceitos principais que compõem o lastro teórico do processo de construção do conhecimento, através
da Mediação que acontece de maneira aleatória, embora coordenada, numa encruzilhada de epistemologias.
Pensar em encruzilhada me remeteu a uma das cartas do tarô mitológico grego. Então, me aproprio do significado da carta do Mago (um dos arcanos maiores), para expor as possibilidades de escolha que uma encruzilhada pode apresentar. Os arcanos maiores no tarô descrevem a viagem arquetípica, da vida e significa no tarô que: “[...] não obstante os detalhes específicos que uma vida possa ter, longa ou curta, banal ou dramática, boa ou má, certos estágios do desenvolvimento psicológico serão atravessados por todos nós indistintamente.” (SHERMAN-BURKE, 1988, p. 15)
O tarô aqui é utilizado como uma metáfora para fundamentar esta encruzilhada de epistemologias, com as quais os autores-pesquisadores da REDPECT e RICS se deparam num ambiente complexo/multirreferencial. A confusão que este ambiente plural provoca e os diversos caminhos, bases teóricas, que têm a escolher para seguir com suas pesquisas, individuais e/ou coletivas. Principalmente quando coletivas, porque une a complexidade humana, a pluralidade cultural, a diversidade de contextos, multireferências, diversas visões de mundo etc. “A nível psicológico”, o Mago
[...] representa o guia. Significa que em algum ponto dentro de nós, não obstante o quanto estejamos perdidos ou confusos, sempre vai existir um vislumbre das profundezas do inconsciente para indicar-nos que direção deveremos tomar e que escolhas poderemos fazer. (SHERMAN-BURKE, 1988, p. 25)
Assim sendo, trabalhar no coletivo pode facilitar as escolhas dos autores- pesquisadores numa construção colaborativa.
Retomando a Mediação, como um dos caminhos da encruzilhada epistemológica que, em redes de pesquisa, se articula a partir dos conceitos de Cooperação e Colaboração, com os conceitos secundários que, por sua vez, também se articulam com sub-conceitos que emergem neste processo cooperativo/colaborativo, perfazendo uma dinâmica complexa, qual seja: o a Compreensão e a Interpretação, que em via de mão dupla potencializam a
aprendizagem e a criatividade;
a Compreensão potencializa os temas pesquisados, através de: leituras dialógicas individuais/coletivas dos clássicos; a construção de mapas de citações dos autores destes clássicos, teorias e conceitos; e a construção de estudos cooperativos/individuais que são apresentados e discutidos no coletivo;
a construção colaborativa que, partindo dos construtos cooperativos, os quais facilitam a Interpretação do objeto que se investiga, potencializando também a aprendizagem e a criatividade;
o a Auto-organização de Saberes, Práticas, construtos em redes de pesquisa colaborativa – os mosaicos – que em três tempos-espaços, possibilitam a Pluralidade Cultural, potencializam a Inteligência Coletiva dos grupos de pesquisa e predispõem a Aprendizagem;
o todo esse processo que se propõe cíclico, fluido, possibilitado pela Mediação, se concretiza no Compartilhamento, na disseminação/difusão do conhecimento, que se busca tornar um bem público.
Somam-se a estes conceitos secundários outros tantos emergentes, os quais também se fazem presentes num trabalho em processo de construção coletiva/colaborativa, como: a Afetividade, a Autonomia, a Dinâmica de Grupo, o Poder e a Política. Estes conceitos, embora circulares, externos ao processo, podem determinar resultados, consequências, ruídos e distorções no construto, no mosaico. Mosaico este que será apresentado/instituído após discussões, análises críticas, reflexões teóricas.
Estes conceitos emergentes serão fundamentados fluidamente na análise das informações levantadas no campo empírico, desde que se façam presentes também nesta investigação, ou seja, que de maneira recorrente, ou não, emirjam nos recortes analisados, como ocorreu no estudo antecedente mencionado. Entretanto, caso não se façam presentes nas análises, serão fundamentados a medida da necessidade de ampliação do conceito de construção colaborativa do conhecimento em (trans)formação/ampliação.
Todos estes temas, principais e secundários, embora possam aparentar um processo simples na representação gráfica escolhida, formam uma teia/rede, de referenciais teóricos, mosaicos epistemológicos-teóricos-metodológicos e também políticos, de: conceitos, saberes, práticas, compartilhados, mediados, interpretados, auto-organizados, compreendidos e difundidos, ou não. E, a partir deste ser ou não ser, podemos dizer que esta é uma rede implicada/imbricada, que constitui o processo de construção do conhecimento de maneira cooperativa/colaborativa. Processo este, que me proponho apresentar como complexo/multirreferencial, partindo do seu epistemológico.