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Processo de coordenação e detalhamento de projeto

CLASSIFICAÇÃO DOS PROJETOS SEGUNDO USO

PROJETO EXECUTIVO

F. Processo de coordenação e detalhamento de projeto

Neste projeto, além dos projetos complementares mais comuns (estrutural, instalações etc), percebeu-se a inclusão de outros, a exemplo dos projetos de paisagismo e ambientação e dos projetos para produção, a exemplo do Projeto de Vedação Vertical e Projeto de Revestimento de Fachadas.

Verificou-se que a empresa tem um setor responsável pela coordenação entre o projeto arquitetônico e os complementares. Segundo a ERA, desde o início da concepção e

planejamento de um novo empreendimento são feitas reuniões com os projetistas para que seja definido o produto. Quando os projetos começam a ser desenvolvidos, são sempre enviados para a diretoria técnica e para o setor de projetos da empresa, que se encarregam da coordenação.

De acordo com o arquiteto, a análise dos projetos feita pela empresa é criteriosa. Quando é detectada alguma especificação fora do previsto, seja por incompatibilidade no

49 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com EE

A, em João Pessoa, em outubro de 2011. 50 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com EE

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

orçamento ou por questões técnicas, o projeto voltaàpa aàoàp ofissio alà espo s el.à Eles

fazem um checklist com todos os erros que encontram no desenho e enviam para os

responsáveis, para que sejam feitas as correções à i fo aç oà e al51). Mesmo assim, tanto

os engenheiros locados na obra, quanto os projetistas confirmam que ainda existem falhas na comunicação e nem sempre todos os profissionais têm acesso aos projetos desenvolvidos e ainda existem dificuldades no processo de coordenação.

Sobre este processo, o EIAB confirma que a empresa utiliza inclusive um software com

platafo aà iaà e ,àpa aàfa ilita àaà oo de aç oàeàoà i te io àdeàp ojetos.àNoàe ta to,à segundo ele, o período de transição de diretoria sofrido pela empresa contribuiu para que, especificamente no caso deste projeto, a coordenação não tenha sido 100% eficiente.

No que diz respeito à interação do projeto arquitetônico com o projeto estrutural, o EEA afirma que a compatibilização ocorreu de maneira informal, através de contato direto

com o arquiteto. Segundo ele, a construtora interferiu pouco no início do processo de coordenação. Já depois de iniciada a construção, ele acredita que a maioria dos problemas foi resolvida pela equipe de profissionais da obra, porque, neste sentido, foi pouco requisitado.

A ERA confirma que só entram em contato com os projetistas (arquitetos e

engenheiros) quando as questões não podem ser resolvidas pelos profissionais da obra.

Muitas vezes as coisas são definidas na obra por falta de detalhamento no projeto. É muito difícil receber um projeto 100% pronto, sempre tem um detalhe ou outro que não foi colocado no papel à i fo aç oà e al52). Percebe-se que a decisão de se antecipar à

solução dos pequenos problemas na própria obra ocorre como forma de agilizar as atividades no canteiro, já que nem sempre os profissionais podem atender às solicitações no prazo esperado. Além disso, segundo a ERA, no que diz respeito às mudanças ou correções

doàp ojetoà oàde o e àdaào a,à há certa resistência dos projetistas, por conta do volume de

trabalho nos seus escritórios à i fo aç oà e al53).

Tanto a ERA quanto a EAA afirmam que pequenas incompatibilidades, que ocasionam

modificações do projeto, são comuns de serem detectadas durante a obra. Na opinião dos profissionais responsáveis pela execução, a maioria das mudanças ocorre por falha nos

51 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com ARQ, em João Pessoa, em março de 2011. 52 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com ER

A, em João Pessoa, em maio de 2011. 53 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com ER

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

projetos e não por solicitação da construtora. Um exemplo que foi detectado neste projeto foi a localização de alguns pontos elétricos em pilares, modificados já na construção.

Outros detalhes já exigem a produção de novos desenhos pelo escritório de arquitetura. As datas indicadas nas pranchas de detalhamento confirmam que algumas foram produzidas já com a obra em andamento (Quadro 11, em vermelho). Um exemplo são as pranchas de detalhamento de portões de acesso e área de lazer (Quadro 11). No entanto, percebeu-se que, quase sempre, as incompatibilidades são corrigidas e os novos desenhos produzidos antes de haver retrabalho e geração de resíduo.

Quadro 11: Quadro de desenhos produzidos para representação gráfica do Projeto nº 207(09/2007).

DESENHOS DATA TOTAL PRANCHAS

Planta de Locação e Coberta (versão03) 05/2011

37

Planta Baixa – Térreo (versão03) 05/2011

Planta Baixa – Sobrepiso (versão03) 05/2011

Planta de Layout – Pav. Tipo _todos os blocos 02/2009

Plantas Baixa – Pav. Tipo/Coberta_A e G 03/2008

Plantas Baixa – Térreo/Sobrepiso_A e G 03/2008

Cortes AA/ BB_A e G 03/2008

Fachada Sul/Leste_A e G 03/2008

Fachada Norte/Oeste_A e G 03/2008

Plantas Baixa – Pav. Tipo/Coberta_B e F 03/2008

Plantas Baixa – Térreo/Sobrepiso_B e F 03/2008

Cortes AA/ BB_B e F 03/2008

Fachada Sul/Leste_B e F 03/2008

Fachada Norte/Oeste_ B e F 03/2008

Plantas Baixa – Pav. Tipo/Coberta_D 05/2011

Plantas Baixa – Térreo/Sobrepiso_ D 05/2011

Cortes AA/ BB_ D 05/2011

Fachada Sul/Leste_ D 05/2011

Fachada Norte/Oeste_ D 05/2011

Plantas Baixa – Pav. Tipo/Coberta_C e E 05/2011

Plantas Baixa – Térreo/Sobrepiso_ C e E 05/2011

Cortes AA/ BB_ C e E 05/2011

Fachada Sul/Leste_ C e E 05/2011

Fachada Norte/Oeste_ C e E 05/2011

Detalhamento Guarita Auto _ coberta/fachadas 12/2007

Detalhamento Guarita Auto _ cortes/planta baixa 12/2007

Detalhamento Guarita Social 03/2008

Detalhamento Espaço Gourmet _ coberta/fachadas 03/2008

Detalhamento Espaço Gourmet _ cortes/planta baixa 03/2008

Detalhamento Kids Club _ coberta/fachadas 03/2008

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

Fonte: Elaboração própria (2011).

Sobre a metodologia de representação adotada pelo escritório do arquiteto, percebeu-se que os profissionais da obra, apesar de reconhecerem que nem todos os arquitetos já contratados pela empresa atingem o mesmo nível de detalhamento, não conseguem perceber diretamente os benefícios de alguns documentos como a Planta de Estrutura Bruta. Já EEA reconhece que a metodologia facilita muito o seu trabalho. Para ele o

projeto de estrutura é feito para viabilizar o projeto de arquitetura, portanto todas as indicações devem mesmo partir da arquitetura.

A planta de estrutura bruta é feita antes e enquanto ela está sendo desenvolvida, o arquiteto nos consulta a respeito de uma altura de viga, seção de pilar. Nós fazemos o projeto estrutural de acordo com ela. Seguindo as indicações da estrutura bruta, se minimizam os erros de compatibilidade (informação verbal54).

Como foi dito anteriormente, o projeto arquitetônico apresentou divergências tanto em relação às fôrmas definitivas da estrutura, quando em relação ao sistema de vedação vertical. As dimensões obtidas após o cálculo estrutural e a definição da alvenaria de vedação não foram atualizadas nas pranchas produzidas no escritório de arquitetura, demonstrando possíveis dificuldades no processo de coordenação.

Além disso, o EEA desconhecia o novo sistema de vedação adotado pela construtora e

tanto ele quanto o arquiteto não tiveram acesso ao projeto de vedações verticais. O ERA,

responsável técnico(a) pela obra, embora reconheça que esta não é a situação ideal, confirmou o fato de a opção pela alvenaria racionalizada e a contratação de um projeto de alvenaria só terem ocorrido após o desenvolvimento dos projetos arquitetônicos e complementares (estrutural e instalações). De acordo com a ERA, a mudança na escolha da

alvenaria de vedação ocorreu após alterações no quadro funcional da empresa, cuja diretoria e alguns funcionários foram trocados já com o projeto em andamento.

O EEA defende que o momento ideal para iniciar a compatibilização entre o projeto

estrutural e o de alvenaria é antes da definição do pé-esquerdo. Assim, é possível que se

54 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com EE

A, em João Pessoa, em Outubro de 2011.

Detalhamento Fitness _ coberta/fachadas 03/2008

Detalhamento Fitness _ cortes/planta baixa 03/2008

Detalhamento Guarita Saída Auto _ coberta/fachadas 03/2008

Detalhamento Guarita Saída Auto _ cortes/planta baixa 10/2001

Plantas Auxiliares de Estrutura Bruta 02/2009 15

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

determine a altura da viga e se obtenha uma altura de fundo de viga múltipla do bloco adotado. Segundo o EEA , aàpa ti àdoà l uloàest utu alàseà ... à solicita uma altura mínima

para viga, por ex. 60 cm. Mas se para casar com o projeto de alvenaria seja preciso uma viga com 70 cm, 65 cm, isso é feito à i fo aç oà e al55). Ele afirma que isto não ocorreu no

caso do Projeto nº 207 (09/2007).

O(a) arquiteto(a) responsável pelo projeto das alvenarias, AAA, tem uma opinião

parecida com a do EEA. Para o AAA a situaç o ideal o p ojeto de al e a ia as e

juntamente com o projeto de arquitetura e estrutura. Os primeiros estudos de modulação

(vertical e horizontal) devem ser feitos nesse momento à e sage àpessoal56). Ele lamenta

que seja comum, dentre os projetos desenvolvidos pela sua empresa, a contratação do p ojetoà deà al e a iaà poste io à à fi alizaç oà dosà p ojetosà a uitet i oà eà est utu al:à Com

isso, perdemos a liberdade e temos que adaptar os blocos às condições de arquitetura e

estrutura existentes à e sage àpessoal57). Além disso, segundo o AA

A, todas as paredes e

vãos do projeto deveriam ser de acordo com a dimensão dos blocos contratados. No entanto, a escolha do fornecedor de bloco dificilmente é feita logo no início do desenvolvimento do projeto, como aconteceu no Projeto nº à 9/ ,à o que dificulta

a definição do tipo (cimento ou concreto) e dimensões dos blocos à e sage à pessoal58).

Percebe-se, a partir do discurso de AAA, que a maioria das construtoras não tem diretrizes de

projeto no que tange à questão da modulação da alvenaria de vedação, por isso surgem diversos pontos de incompatibilidade de vãos.

A ERA confirma a dificuldade inicial de compatibilização do projeto de alvenaria com

os demais. A construtora optou pela execução completa de um primeiro apartamento de cada tipo. Nesta ocasião foram detectadas todas as incompatibilidades, tanto na marcação da alvenaria, quando na sua interação com as instalações e esquadrias. Os erros detectados foram repassados para o projetista de alvenarias para que fossem corrigidos e não repetidos nos demais apartamentos.

Na opinião do AAA, as dificuldades iniciais de compatibilização de deram realmente

pela contratação tardia do projeto de vedações verticais, já que, na opinião dele, o nível de

55 Informação verbal apreendida em entrevista realizada com EE

A, em Outubro de 2011. 56 Mensagem pessoal através de correio eletrônico enviado pelo AA

A, em Outubro de 2011. 57 Mensagem pessoal através de correio eletrônico enviado pelo AA

A, op. cit. 58 Mensagem pessoal através de correio eletrônico enviado pelo AA

RESÍDUOS DA CONSTRUÇÃO CIVIL: um olhar a partir da «prancheta»

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Flora Alexandre Meira . PPGAU . UFPB

detalhamento e especificação do projeto arquitetônico foi suficiente e facilitou a produção do projeto de alvenaria.

Todas as defi ições de espessu a, lo alizaç o da pa ede e apeaço das igas foram feitas pelo arquiteto. Na maioria dos projetos essas informações não existem no projeto de arquitetura e precisam ser definidas no projeto das alvenarias. O que au e ta o osso t a alho (mensagem pessoal59).