ETF’S
Outra característica fundamental dos fundos é que novas cotas podem ser criadas por subscrições em espécie, ou seja, um investidor pode trocar a cesta de ações que compõem o fundo por cotas desse fundo. Os resgates também podem ser realizados em espécie, em que há troca de cotas por ações ou ativos que compõem o fundo.
São três os participantes dos processos de criação de um fundo ETF na criação, resgate e negociação das suas cotas:
a) o patrocinador que pode ser um banco, uma companhia gestora de fundos ou um outro agente fiduciário (os principais patrocinadores do mercado norte- americano são o State Street Global Advisor, o Barclays Global Investors, a
Vanguard, o Bank of New York, entre outros);
b) o Participante Autorizado “autorized participant”, que é um investidor
institucional ou um “market-maker” e que tem poderes para criar e resgatar cotas de
um ETF e;
c) uma companhia de “trust” responsável por ser a depositária dos ativos e
emissora dos recibos de depósito, também chamada de custodiante (LOFTON, 2007, pág. 15).
Quadro 1: Originação de ETF, adaptado do “Guide to ETF” da ICI, 2007
1º passo – um patrocinador estabelece um objetivo de investimento, por exemplo quer criar um ETF indexado ao índice Dow Jones Industrials.
2º passo – o patrocinador estabelece contrato com entidades que queiram ser Participantes Autorizados (PA) e que serão os detentores das Unidades de Criação (UC) creation unit holder. Uma UC é a quantidade mínima de cotas de um ETF que
podem ser criadas pelo patrocinador e pelo participante autorizado. Cada ETF tem uma Unidade de Criação mínima; pode variar de 25.000 até 600.000 cotas, normalmente fica em 50.000 cotas. Nesse momento, também é decidida taxa de administração do fundo ETF.
3º passo – os PA’s montam as cestas de ações balanceadas pelo respectivo peso no índice escolhido e entregam essas ações à companhia de trust, ou
custodiante e paga um taxa de criação ao patrocinador.
4º passo – o patrocinador entrega ao participante autorizado (PA) as unidades de criação (UC). Cada cota contida na UC representa uma posição em cada companhia listada no índice de mercado escolhido.
5º passo – o PA pode manter esses papéis ou pode vendê-los em parte ou totalmente.
6º passo – investidores de varejo podem adquirir os papéis por meio de sua corretora de bolsa de valores.
No Quadro 2 abaixo, há uma explicação mais detalhada de como funcionam as subscrições e resgates de cotas pelo participante autorizado. Basicamente elas
se dão pela entrega do bloco de ações que compõe o índice do ETF a um custodiante com concomitante recebimento de um bloco de cotas do fundo (UC’s). O resgate das cotas faz o caminho inverso: o detentor das UC’s as entrega ao custodiante, que por sua vez liquida a operação entregando os blocos de ações correspondentes.
Quadro 2: Processo de Criação e Resgate de Cotas de ETF’s, adaptado de
“Morgan Stanley, ETF Worldwide Guidebook”, dezembro de 2007.
Criação de Cotas pelo Participante Autorizado (PA)
Resgate de Cotas pelo Participante Autorizado (PA)
O PA inicia o processo de criação de um ETF. Se o PA for uma firma de corretagem, ela poderá criar essas cotas por ordem de clientes ou para a própria posição.
O valor do patrimônio líquido do fundo ETF é calculado ao preço de fechamento de cada dia de mercado.
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O PA compra as ações da cesta que compõe o ETF.
As cotas de ETF são entregues ao custodiante em blocos de UC.
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A cesta de ações é entregue ao custodiante. O custodiante liquida a operação entregando a cesta de ações ao PA.
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O custodiante também recebe um depósito em dinheiro para fazer frente à taxa de criação, dividendos acumulados, receitas de aluguel de ações e eventual ganho de capital líquido de ETF’s que não foram reinvestidos desde a última distribuição e eventuais custos de custódia.
O PA recebe a cesta de ações, mais um depósito em caixa referente a dividendos acumulados, juros sobre capital, dividendos, ganhos sobre eventual aluguel de ações e eventual ganho de capital líquido de ETF’s que não foram reinvestidos desde a última distribuição e eventuais custos de custódia.
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O custodiante liquida a operação entregando o bloco de cotas (UC) de ETF ao PA.
O processo de resgate e subscrição de cotas em espécie, talvez seja a característica mais importante de um ETF. O preço dos ETF’s é definido pelos preços de compra e venda dados em bolsa de valores, mas o patrimônio é determinado pelo valor de mercado das ações custodiadas que compõem o ETF. Essa diferença de critérios pode fazer com que as cotas sejam negociadas com desconto ou prêmio em relação ao patrimônio do fundo.
Por isso, durante o pregão, o patrimônio do fundo é calculado a cada quinze segundos. Quando o spread entre os preços está muito grande, é permitido apenas
ao Participante Autorizado realizar ganhos de arbitragem, entregando UC’s em troca de ações quando o preço do ETF estiver com desconto, ou comprando ações para entregá-las em troca de UC’s quando o preço do ETF estiver com prêmio. Esse mecanismo permite que os preços dos ETF’s e das ações que representam estejam sempre próximos.
O processo de negociação de cotas de ETF’s pode ser visualizado no Quadro 3. As ordens de compra e venda são centralizadas no Participante Autorizado que vai buscar cumpri-las. Após o cliente investidor, que nesse caso é um grande investidor, colocar a ordem de compra ou venda o participante autorizado vai iniciar o processo de criação ou resgate de cotas respectivamente. Após o cumprimento da ordem o patrimônio do fundo vai sofrer flutuações.
Quadro 3: Processo de Negociação das Cotas, adaptado de “Morgan Stanley, ETF ‘Worldwide Guidebook’”, dezembro de 2007.