CAPÍTULO 4 DESCOMISSIONAMENTO DAS PLATAFORMAS MARÍTIMAS
4.2 Processo de Descomissionamento de Plataformas
Segundo a United Kingdom Offshore Operators Association (UKOOA, 1995), o processo de descomissionamento de sistemas de produção offshore ocorre em quatro etapas distintas:
• Desenvolvimento, avaliação e seleção de opções, elaboração de um processo detalhado, incluindo considerações de engenharia e segurança;
• Encerramento da produção de óleo ou gás, tamponamento e abandono de poços;
• Remoção, na maioria dos casos, de toda ou partes da estrutura offshore; • Disposição ou reciclagem dos equipamentos removidos.
De acordo com as Leis e Normas que regem o setor de E&P de petróleo e gás, cabe à operadora definir a melhor opção para remover a plataforma levando em consideração os seguintes elementos fundamentais: tipo de plataformas e configuração, a extensão da estrutura, o peso, as condições climáticas, tipo de solo marinho, complexidade operacional, dentre outros. A opção escolhida tem que ser aprovada pelo órgão regulador competente da área em produção antes da aplicação.
O processo de descomissionamento pode se aplicar a seguintes classes de instalações (RUIVO, 2001):
• Navio de Produção, Armazenagem e Desembarque (Floating Production,
Storage & Offloading - FPSOs), e Plataformas Semissubmersíveis (SS);
• Torres Complacentes (Compliant Piled Tower - CPT), Plataformas de Pernas Atirantadas (Tension Leg Platforms - TLPs) e Spars;
• Subestruturas de Concreto e de Aço;
• Topsides;
• Sistemas Submarinos; • Oleodutos e Linhas; • Poços.
Tendo em vista que o foco deste trabalho é a plataforma marítima, será analisado apenas, o processo e as técnicas de descomissionamento das Plataformas Fixas de Gravidade e de Aço, das Torres Complacentes, das TLPs, das Spars, das Plataformas Semissubmersíveis, FPSOs.
Figura 5: Tipos de plataformas
Fonte: Buoy (MMS, 2001)
4.2.1 Plataforma Gravitacional de Concreto (Fixa)
A plataforma gravitacional de concreto é uma plataforma fixa usada principalmente em áreas com fortes condições geológicas no fundo do mar quer com afloramento de rocha quer ou formação arenosa. Esse tipo de plataforma está em operação em alguns campos de produção de petróleo do Mar do Norte e da Costa Australiana.
Figura 6: Plataforma fixa de concreto Troll A, localizada na Noruega - Mar do Norte
A plataforma gravitacional de concreto, cujo nome deriva da estabilidade horizontal da estrutura contra as forças ambientais por meio do seu peso são mantidas no lugar pelo peso do lastro colocado internamente e, são mais pesadas do que as plataformas de revestimento de aço (Jaquetas). A subestrutura de uma plataforma gravitacional de concreto é, basicamente, constituída de uma pilha de concreto, montada em uma disposição circular com colunas de haste que se projeta para a água a fim de suportar o convés e as demais instalações na parte superior. As plataformas gravitacionais de concreto operam em lâmina de água de até 350 m [12].
Essas podem acomodar uma sonda de perfuração em certos casos, bem como equipamentos de processamento e transporte, heliportos, acomodações e instalações ou tanques de armazenamento.
As plataformas de concreto são utilizadas amplamente no setor norueguês do Mar do Norte por muitos anos para suportar grandes instalações de produção. As plataformas de concreto refletem resistência à fadiga, deterioração química e mecânica. Elas são atraentes como soluções de pouco custo para áreas onde instalações e/ou armazenamento de petróleo de grande porte são necessários, áreas onde grandes guindastes não estão disponíveis para operações de elevação pesada; e há desenvolvimento em de águas rasas e médias.
Assim, as plataformas gravitacionais de concreto podem oferecer o mesmo potencial de desenvolvimento do que as grandes plataformas de aço, mas a vantagem adicional de armazenamento no local, tanto para o petróleo como para os cascalhos de perfuração ou lamas residuais.
4.2.2 Plataforma Jaqueta (Fixa)
A plataforma fixa do tipo Jaqueta consiste em uma seção vertical alta feita de elementos de aço tubulares suportados por pernas fixadas no solo marinho. Com um deck (plataforma) colocado no topo, proporcionando espaço para quartéis da tripulação, instalação de perfuração e instalações de produção. [12]
4.2.3 Torre Complacente – Plataforma fixa
Uma Torre Complacente (CT) conforme ilustrada na figura 5, consiste em uma torre estreita e flexível e uma base amontada que pode suportar convés convencional (topside) para operações de perfuração e produção. Ao contrário da plataforma fixa, a torre compatível suporta grandes forças laterais ao sustentar deflexões laterais significativas e geralmente é usada em profundidades de água entre 300 e 600 m. [12]
4.2.4 Plataforma de Pernas Atirantadas
Uma Plataforma de Pernas Atirantadas (TLP - Tension Leg Platform) consiste em uma estrutura flutuante, amarrada e fixada verticalmente no fundo do mar. Ela é utilizada para operações de perfuração, completação e a produção offshore de petróleo ou gás, e é adequada para profundidades de água de cerca de 1.000 a 1.200 m [13].
Como pode ser visto na Figura 5, a plataforma é ancorada por estruturas tubulares, com tendões verticais agrupados em cada um dos cantos da estrutura para de minimizar o excesso de flutuação. Vale anotar que a TLP é bastante parecida à plataforma semissubmersível do ponto de vista estrutura. A operação de desmontagem da TLP se torna um pouco difícil no que diz respeito à desconexão das amarras tencionadas e dos pontos de ancoragem no solo submarino.
4.2.5 Plataforma do tipo SPAR
Uma plataforma do tipo Spar (Figura 5) consiste em um cilindro vertical único de grande diâmetro que suporta um convés. Possui uma parte fixa típica (plataforma de superfície com equipamento de perfuração e produção), três tipos de risers rígidos (produção, perfuração e exportação) e um casco amarrado usando um sistema catenária tenso de seis a vinte linhas ancoradas no fundo do mar. As Spars são atualmente utilizadas em profundidades de água até 1.000 m, embora a tecnologia existente possa expandir seu uso para profundidades de água muito profundas quanto 2.500 m [13].
4.2.6 Plataforma Semissubmersível
A Plataforma Semissubmersível (Figura 6) é uma unidade composta de um ou mais conveses, fixada em flutuadores submersos (colunas), que dispõe dos equipamentos de perfuração e produção. A plataforma é ancorada no solo marinho com cabo e corrente, ou pode ser posicionado dinamicamente usando propulsores rotativos no casco acionados por computador que fazem com que seja mantido o equilíbrio na estrutura. A produção de poços submarinos é transportada para a plataforma na superfície através de risers de produção projetados para acomodar o movimento da plataforma. A Semissubmersível pode ser usada em profundidades de lâmina d’água variada de 600 a 2.500 m [13].
4.2.7 Navio de Produção, Armazenagem e Desembarque (FPSOs)
Um FPSO (Figura 6) consiste em embarcação de grande porte do tipo tanque amarrado ao fundo do mar. É projetado para processar e armazenar a produção de poços submarinos próximos e para descarregar periodicamente o óleo armazenado para um petroleiro de transporte menor. O petroleiro transporta então o óleo para uma instalação terrestre para processamento posterior. Um FPSO pode ser adequado para campos petrolíferos de baixa produção em águas profundas ou em ambientes severos no mar onde não se pode usar a infraestrutura de dutos [13].