1. INTRODUÇÃO
2.1 KANSEI ENGINEERING – FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1.3 Processo de desenvolvimento de novos produtos
15
FIGURA 7 – FASES INDICADAS PARA APLICAR KE NOS PROJETOS Fonte: A autora, 2013.
Um processo é uma série de etapas ou atividades que transformam um conjunto de entradas em um conjunto de saídas. (WILLE, 2004, p. 78) Um processo de desenvolvimento de produto (PDP) é uma sequência de atividades que uma empresa empreende com a finalidade de conceber, desenvolver e comercializar um novo produto. (COOPER, 2001 apud WILLE, 2004, p. 78)
O PDP tem sido muito pesquisado devido à grande importância que as empresas têm dado ao mesmo, por ser uma das formas de tornar-se competitiva no mercado atual, onde a concorrência é cada vez maior.
Existem diversas metodologias para o desenvolvimento de produtos, propostas na literatura, compostas de diversas etapas ou fases. De acordo com Rozenfeld et al. (2006), o PDP é tipicamente dividido em várias fases ou etapas, visando facilitar a compreensão e o controle do processo, onde uma fase é marcada pela conclusão de um conjunto de resultados importantes do projeto. A figura 8 apresenta a proposta de Rozelfeld et al. (2006) para o desenvolvimento de novos produtos a qual contempla três grandes fases:
Pré-desenvolvimento, desenvolvimento e pós-desenvolvimento.
16
FIGURA 8 – ETAPAS DO PROCESSO DE DESENVOLVIMENTO DE PRODUTOS.
Fonte: Rozenfeld et. al., 2006
2.1.3.1 Pré-desenvolvimento
O pré-desenvolvimento é a fase inicial do projeto, e essa fase é dividida em outras duas subfases.
a) Planejamento: estratégico de produtos: fase voltada para verificar a viabilidade e o alinhamento do produto ao planejamento estratégico de negócios e ao portfólio da empresa. (ROZENFELD et. al., 2006, p. 115):
b) Planejamento do projeto: Esta subfase do pré-desenvolvimento é responsável pela elaboração do projeto de desenvolvimento do produto como um todo, sendo etapas dessa fase a definição de escopo do produto, escopo do projeto, modelos de referência, etc. (ROZENFELD et. al., 2006, p. 149):
2.1.3.2 Desenvolvimento
A fase do desenvolvimento do produto é onde o mesmo será de fato produzido. É subdivida em cinco subfases: (Quadro 2)
QUADRO 2 – FASES DO DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO a) Projeto Informacional:
Para ROZENFELD, et. al. (2006, p. 211) o produto final do projeto informacional são
17
as seguintes especificações-meta: a) requisitos do produto com valores-meta referentes a parâmetros quantitativos e mensuráveis; b) informações adicionais qualitativas obtidas junto ao cliente que dizem respeito as diretrizes não mensuráveis, porém, importantes para o desenvolvimento do produto. Ressalta-se também a importância de se pesquisar informações de produtos similares já patenteados com tecnologias e os possíveis métodos de fabricação disponíveis.
b) Projeto Conceitual
Dentro da fase de Projeto Conceitual, as atividades estão relacionadas com a busca, criação, representação e seleção de soluções para o problema de projeto (ROZENFELD et al, 2006, p.235). A principal preocupação desta fase é gerar soluções que vão ao encontro das necessidades do cliente, sendo que elas devem evoluir para chegar mais próximo possível do que o cliente que. (PUGH, 1990, p. 89).
Nesta fase, o produto é modelado funcionalmente e descrito de maneira abstrata, sem a preocupação com aspectos físicos, a partir da definição do produto em termo de suas funções.
Oliveira e Kaminski (2002) sugerem como ferramenta para fase conceitual o QFD (Quality Function Deployment), ferramenta que surgiu no Japão, proposta para o desenvolvimento de produtos de qualidade superior e com o objetivo de atender as necessidades dos consumidores, através da coleta e análise da voz do cliente.
c) Projeto Detalhado
Diferentemente do projeto conceitual, o projeto detalhado envolve um grande número de passos corretivos, nos quais a análise e síntese constantemente alternam-se e complementam-se uma a outra. Em função desta complexidade nem complementam-sempre é possível planejar em detalhes a fase do projeto detalhado. No entanto, é possível traçar um plano em linhas gerais. Problemas que não podem ser previstos demandam desvios e passos intermediários subsidiários.
(ROZENFELD et. al., 2006, p. 293)
d) Preparação da Produção do Produto
A fase de preparação para produção engloba processos de produção (produção de lote piloto, otimização de produção), logística com fornecedores e processos de manutenção. Essa fase tem por objetivo adequar a demanda à capacidade da fábrica. (ROZENFELD et. al., 2006, p. 393)
e) Lançamento do Produto
18
A fase de lançamento do produto contempla vendas e distribuição do produto, suporte ao cliente, realização de campanhas de marketing, e lançamento do produto no mercado.
(ROZENFELD et. al., 2006, p. 415) Fonte: Rozenfeld, 2006.
2.1.3.3 Pós-desenvolvimento:
Nessa fase ocorre inicialmente um planejamento de como o produto será acompanhado e retirado do mercado. Definem-se as equipes e os recursos necessários para as alterações de engenharia, visando correções de potenciais falhas e/ou adição de melhorias requisitadas pelos clientes. Definem-se também metas de quando o produto deverá ser retirado do mercado. Deve-se fazer o acompanhamento do produto, a fim de realizar melhorias contínuas até que sejam atingidas as metas estabelecidas durante o PDP e o produto seja descontinuado. Inicia-se então a retirada do produto do mercado e todas as providências em relação ao descarte do material para o meio ambiente devem ser tomadas. (ROZENFELD et al., 2006)
No diagrama proposto por Rozenfeld (2006, figura 8), as etapas não são diferenciadas pelo tempo e custo de execução. Mas diferentes fontes de gerenciamento de projeto como, por exemplo, PMBOK frisam a importância de delimitar requisitos e prevenir erros logo no início do processo. Em outro diagrama Rozenfeld (2006) apresenta essa relação (Figura 9) de alterações versus custo nas diferentes fases de projeto.
19
FIGURA 9 – CUSTO DAS ALTERAÇÕES NO ESCOPO SOB AS FASES DO PDP.
Fonte: Adaptado de Rozenfeld et al, 2006.
Segundo Baxter (2000), a melhor hora para reconhecer problemas para o andamento do projeto de produtos é na fase conceitual e não durante seu desenvolvimento em si, pois poucos recursos foram comprometidos na fase inicial do projeto.
Na figura 10 é possível constatar que quanto mais o projeto evolui, maior serão os impactos caso ocorram alterações de projeto. Sendo assim, utilizar métodos que forneçam dados precisos e seguros já nas fases iniciais do processo representa economia para as empresas. O Kansei Engineering, método aplicado nas fases informacional e conceitual de produtos (Figura 7), conforme bibliografia sobre o tema surge como uma metodologia de projeto que fornece dados quantitativos e qualitativos, com objetividade e dessa forma auxilia a entender o usuário, suas necessidades e desejos de forma objetiva, que consequentemente auxilia o designer a tomar decisões mais assertivas nas fases conseguintes.
Outro fator relevante está relacionado à taxa de retorno nos estágios iniciais do desenvolvimento (Gráfico 1), que é bem mais favorável que nos estágios posteriores. A chave do sucesso no desenvolvimento de produto consiste, então, em investir mais tempo e talento durante os estágios iniciais, o que apresenta menor custo para as empresas. (BAXTER, 2000, p.22).
20
GRÁFICO 1 – TAXAS DE RETORNO DOS INVESTIMENTOS NOS DIFERENTES ESTÁGIOS DE DESENVOLVIMENTO DE NOVOS PRODUTOS
Fonte: A autora. Adaptado de Baxter, 2000.