2.4 BALANCED SCORECARD
2.4.2 Descrição da metodologia do Balanced Scorecard
2.4.2.2 Processo de elaboração do Balanced Scorecard
De acordo com Kaplan e Norton (2000), um projeto de BSC possui cinco
princípios:
• Traduzir a estratégia em termos operacionais: inicia-se com a criação de
um referencial para a descrição e implementação das estratégias: o mapa
estratégico. Este trata da própria descrição da estratégia, fornecendo os
fundamentos que guiam o projeto de um BSC;
• Alinhar a organização à estratégia: as unidades de negócio se ligam à
estratégia corporativa;
• Transformar a estratégia em tarefa de todos: a transformação ocorre por
meio da comunicação de cima para baixo da estratégia, a qual é traduzida
para que todos na organização a entendam e direcionem sua atuação
para ela. Essa transformação acontece também por meio de treinamentos,
que buscam transmitir aos funcionários os conceitos estratégicos e, por
fim, a remuneração por incentivos, com o reconhecimento da equipe, e
não individual, incentivando o trabalho em conjunto na execução da
estratégia;
• Converter a estratégia em processo contínuo: as empresas na adoção do
BSC implementam o processo de gerenciamento da estratégia, chamado
de processo de loop duplo, que pode ser visualizado em três passos: a
conexão da estratégia ao processo orçamentário, visando resguardar as
iniciativas de longo prazo das pressões voltadas para a apresentação de
desempenho a curto prazo; a implementação de reuniões gerenciais para
avaliação da estratégia; e o processo de aprendizado e adaptação da
estratégia;
• Mobilizar a mudança por meio da liderança executiva: a estratégia
demanda trabalho em equipe e sua implementação necessita de trabalho
contínuo. Caso as pessoas do topo da organização não se envolvam, ou
não atuem com dedicação, a estratégia não será implementada. Esse
princípio se divide em fases - mobilização, na qual é esclarecida a
importância da mudança na organização; e estabelecimento de um
processo de governança para direcionar a mudança, exige-se nesta fase o
rompimento da estrutura tradicional de poder.
Quanto às pessoas que participam da formação do BSC, durante sua fase de
construção são identificados três papéis críticos: a do arquiteto; a do agente de
mudanças e a do comunicador. (KAPLAN; NORTON, 1997).
O arquiteto geralmente é um alto executivo de áreas de apoio da organização
que é o responsável pela construção do BSC inicial e da sua inclusão ao sistema
gerencial, ele deve ser capaz de educar a equipe executiva e orientar na tradução
da estratégia em indicadores; o agente de mudanças é o representante do executivo
principal, responsável por moldar as ações rotineiras do novo sistema gerencial; e,
finalmente, o comunicador, que é o responsável por conquistar o apoio,
compreensão e adesão dos membros da organização quanto ao novo sistema
gerencial (idem).
Como citado anteriormente, o BSC busca descrever uma estratégia por meio
da conexão de ativos intangíveis e tangíveis voltados às atividades criadoras de
valor. Medir os ativos intangíveis é tarefa que exige esforço, e o BSC visa medi-los
não em unidades monetárias, mas, sim, valendo-se de mapas de conexões de
causa e efeito. Dessa forma, os ativos intangíveis podem descrever como estes são
mobilizados e combinados com outros ativos para a criação de valor para os clientes
e resultados financeiros esperados (KAPLAN; NORTON, 2000, 1996b).
O desenvolvimento do BSC parte da premissa da estratégia como hipótese,
sendo, então, incerta a situação futura. Por meio das relações de causa e efeito, as
conexões entre as hipóteses estratégicas são visualizadas, podendo ser testadas.
Dessa forma, os mapas estratégicos colaboram na visualização da estratégica de
maneira coesa e integrada criando a base para a rápida e eficaz implementação da
estratégia, tendo em vista que a implementação da estratégia está na compreensão
desta por todos, no seu alinhamento com os recursos da organização e,
posteriormente, nos testes contínuos das hipóteses e adaptação, quando necessário
(KAPLAN; NORTON, 2000).
As relações de causa e efeito do BSC ocorrem do geral para o particular
[top-down], o processo se inicia com os resultados almejados referentes aos clientes e
de natureza financeira, passando para os processos de negócio e para a
infraestrutura, que são os vetores de mudanças. Essa relação entre os vetores e os
resultados desejados formam as hipóteses que definem a estratégia (KAPLAN;
NORTON, 2000, p. 90).
O alinhamento da estratégia das unidades de negócios à estratégia
corporativa, isto é, o alinhamento estratégico, também é alcançado com iniciativas
de cima para baixo, sendo assim, a alta administração necessita compreender sua
visão e estratégia para poder transmiti-las para todos os outros integrantes da
empresa, inclusive os externos. Comunicando a estratégia e vinculando-a às metas
pessoais, obtém-se um comprometimento compartilhado para obtenção das metas
organizacionais. Cada indivíduo passa a entender como sua atuação específica
contribui para a criação de valor para os clientes e, desse modo, para a obtenção
dos objetivos da organização (KAPLAN; NORTON, 1997).
Nesse contexto, três mecanismos são citados no BSC para que ocorra de
forma satisfatória o alinhamento:
a) Programas de comunicação e educação, tornando comum a todos a
estratégia e o comportamento necessário para que os objetivos
organizacionais sejam alcançados;
b) Programa de estabelecimento de metas, no qual os objetivos gerais são
transformados em objetivos pessoais e do grupo;
c) Vinculação dos sistemas de compensação, no qual o alinhamento deve ser
motivado por meio de sistemas de recompensas e compensação
(KAPLAN; NORTON, idem).
Além do reconhecimento das expectativas financeiras, das necessidades dos
clientes e do alinhamento das estratégias das unidades de negócio com a
organizacional, para um sistema completo de gestão estratégica é necessário um
processo de feedback, de aprendizado e de crescimento. O processo de feedback
busca coletar dados do desempenho da estratégia, bem como permite que as
hipóteses entre os objetivos e as iniciativas estratégicas sejam testadas.
Posteriormente, essas informações a respeito da estratégia são repassadas para os
participantes da organização, buscando-se coletivamente soluções para os
problemas encontrados e adaptando-se, se necessário, a estratégia às condições
que venham a surgir (KAPLAN; NORTON, 1997).
No documento
BALANCED SCORECARD
(páginas 59-62)