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PROCESSO DE ELABORAÇÃO DOS PLANOS DE QUALIDADE

Visando resolver uma das limitações apresentadas na dissertação de Bertuol (BERTUOL, 2014), que está no fato da escolha dos elementos que compõem o plano de avaliação dos artefatos ser fortemente dependente da intervenção humana, uma das propostas deste trabalho é uma abordagem semi-automatizada desse processo. Além disso, o uso de modelos de avaliação de processos de software é bem difundido nesta área e esses modelos pressupõem que a avaliação seja executada desde o início do processo de desenvolvimento por meio da avaliação de artefatos intermediários. Como já informado anteriormente, optou-se

neste trabalho por utilizar o CMMI (SEI, 2010) como modelo de avaliação de processos, os elementos do RUP para associar com as práticas e as características de avaliação são descritas a partir da norma ISO/IEC 9126 (ISO/IEC 9126, 2003).

O processo de avaliação foi construído com base na norma ISO/IEC 14598 (ISO/IEC 14598, 1999). A escolha dessa norma deu-se tanto pela sua compatibilidade com os conceitos estabelecidos pelos modelos de qualidade quanto por descrever um processo de avaliação das características de qualidade descritas pela ISO/IEC 9126 (ISO/IEC 9126, 2003), sendo ambas incorporadas à ISO/IEC 25000 (SQuaRE) (ISO/IEC 25000, 2005), o que a torna um modelo consistente e amplamente referenciado na comunidade acadêmica.

A sistemática para elaboração do plano de qualidade iniciou a partir da interpretação e análise das áreas de processo Gerenciamento de Requisitos e Gerenciamento de Configuração, propostas no CMMI nível 2. As práticas descritas pelo CMMI foram relacionadas com atividades e artefatos descritos no RUP que visam satisfazer a prática.

As atividades que satisfazem determinadas práticas selecionadas serão recuperadas e priorizadas, então se forem escolhidas, irão compor o processo adaptado. Após a criação da LPrS, um plano será gerado contendo os elementos de qualidade que servirão para avaliar os artefatos das atividades do processo. No entanto, o engenheiro de processos poderá realizar alterações no mesmo.

Como primeiro passo para determinar o plano de qualidade, foi necessário povoar o repositório. Os dados foram provenientes da literatura especializada, incluindo os modelos e trabalhos específicos. Posteriormente, este repositório poderá ser expandido pela experiência de especialistas em projetos desenvolvidos anteriormente. Em seguida, foi necessário definir os elementos de qualidade – apresentados no metamodelo – composto pelos seguintes itens: Artefato, Objetivo, Meta de Qualidade, Submeta de Qualidade, Tipo de Qualidade, Método de Avaliação, Métrica e Limite. Para cada item existem instâncias já cadastradas e a possibilidade de manutenção de cada uma delas ou inserção de novas.

Alguns subprocessos da ISO/IEC 14598 foram ajustados de forma que pudessem refletir aspectos específicos da avaliação de artefatos de software. Todavia, a sequência da avaliação ficou semelhante: i – estabelecer requisitos de avaliação (a definição do que se quer avaliar); ii – especificar a avaliação (a seleção de metas (ou características) de qualidade relacionadas ao objeto em avaliação); iii – projetar a avaliação (produzir o plano de avaliação). A última etapa da ISO/IEC 14598 é executar a avaliação, que consiste na inspeção, medição e teste dos produtos e seus componentes de acordo com o plano de

avaliação. Esta etapa está fora do escopo deste trabalho e fica a cargo de pesquisas futuras ou de possíveis usuários da abordagem.

Outro ajuste da ISO/IEC 14598 foi incluir um passo na etapa 2 responsável pela especificação da avaliação, que é a de relacionar as metas de qualidade da ISO/IEC 9126 com os respectivos métodos de avaliação, as métricas, os valores limites e as práticas do CMMI para cada artefato correspondente. Vale lembrar que, a definição de valores limites para as métricas não é obrigatório, além disso, os limites definidos nos cadastros das métricas são usados como referência aqui, na especificação da avaliação, mas o avaliador pode alterar esses valores para cada especificação de avaliação.

A etapa 3 compreende na documentação dos procedimentos definidos e que serão usados pelo avaliador para definir a qualidade dos artefatos selecionados, ou seja, nesta fase é produzido o plano de qualidade.

Ao finalizar a etapa 3, entende-se que o armazenamento de dados referentes aos planos de qualidade definidos durante o processo de avaliação para um projeto específico possa servir como referência para guiar a avaliação em projetos futuros, visto que os artefatos gerados durante um processo de software são semelhantes se mantidas as mesmas abordagens de desenvolvimento e os mesmos modelos de processo de software.

Para exemplificar a estruturação do plano de qualidade e o funcionamento da abordagem, vamos considerar que o usuário tenha selecionado a prática do CMMI “Obter Comprometimento com os Requisitos”, esta prática pertence a Meta Específica “Gerenciar Requisitos”, que faz parte da Área de Processo “Gerenciamento de Requisitos” descrita no nível 2 de maturidade do CMMI. Esta prática possui como Produto de Trabalho Típico “Acordos documentados sobre os requisitos e suas mudanças”.

Ao selecionar estes requisitos de adaptação, a ferramenta irá realizar a busca entre as atividades do repositório que satisfazem essa prática. Por exemplo as atividades “Gerenciar Pedidos de Mudanças” e “Gerenciar Mudanças de Requisitos” das disciplinas do RUP de Configuração e Gerenciamento de Mudanças e Requisitos, respectivamente, serão recuperadas e priorizadas. Após a priorização das atividades e se esta atividade for selecionada para compor a LPrS adaptada, o objetivo então será realizar a avaliação da qualidade dos artefatos das atividades do processo.

Cada atividade possui um ou mais artefatos de entrada e saída, e este conjunto de artefatos serão vinculados a um plano de qualidade que descreve como avaliá-los, considerando, sobretudo, suas características, propósitos, interessados, métodos de avaliação e métricas; isso tudo com vistas à melhoria da qualidade do produto final.

A Figura 15 mostra a instanciação do metamodelo para a avaliação do artefato “Pedido de Mudança” da atividade “Gerenciar Pedidos de Mudanças” do RUP.

Figura 15 – Instância do QAPro-M

O propósito deste artefato é documentar e acompanhar pedidos de mudanças para o produto. A meta de qualidade principal é a manutenibilidade, baseada na qualidade interna proposta pela ISO/IEC 9126. A partir dela são exploradas as submetas analisabilidade e modificabilidade. Essas metas e submetas podem ser avaliadas por métodos específicos e quantificadas por métricas relacionadas.

A Tabela 3 mostra o plano de qualidade para este mesmo artefato. Os planos elaborados foram organizados e divididos em três partes. Primeiramente são mostrados os dados do CMMI, com a área de processo, o nível de maturidade, a meta específica e a prática específica. A segunda parte está relacionada aos dados do RUP, no qual possui disciplina, atividade, tarefa e papel que estão vinculados. Por fim, encontram-se os elementos de qualidade responsáveis pela avaliação do artefato em questão.

Tabela 3 – Plano de Qualidade: Artefato Pedido de Mudança

Área de Processo: Nível de Maturidade: 2 Meta Específica: Prática Específica: Disciplina: Atividade: Tarefa: Papel: Artefato: Objetivo:

Meta de Qualidade: Tipo de Qualidade: ISO/IEC 9126 SubMeta de Qualidade: Método de Avaliação: Métrica: Limite: SubMeta de Qualidade: Método de Avaliação: Métrica: Limite:

0<=X<=1 (quanto mais próximo de 1,0 é melhor)

0<X (quanto mais curto é melhor) Tempo médio de modificação

X = sum (t out - t in)/falhas registradas e removidas

PLANO DE QUALIDADE Dados do CMMI Gerenciamento de Requisitos Dados do RUP SG 1. Gerenciar Requisitos Manutenibilidade

SP 1.2 Obter Comprometimento com os Requisitos SP 1.3 Gerenciar Mudanças nos Requisitos

SP 1.5 Identificar Inconsistências entre Produtos de Trabalho, Planos de Projeto e Requisitos

Pedido de Mudança

Documentar e acompanhar pedidos de mudança para o produto.

Analisabilidade

Capacidade de análise de falhas

Modificabilidade

Configuração e Gerenciamento de Mudanças Gerenciar Pedidos de Mudanças

Revisar Pedido de Mudança Gerente de Controle de Mudanças

Avaliação do Artefato

X = 1-(número de falhas das quais causas ainda não são encontradas/número total de falhas registradas)

Enquanto que a Tabela 4 utiliza os mesmos dados do RUP e da avaliação do artefato em questão, porém, o que diferencia são as práticas do CMMI que estão relacionadas à área de processo Gerenciamento de Configuração. Para exemplificar, a prática SP 2.2 denominada “Controlar Itens de Configuração” da meta SG 2 “Acompanhar e Controlar Mudanças” possui a subprática “Registrar as mudanças nos itens de configuração e os motivos das mudanças, conforme apropriado”, ou seja, esta subprática está relacionada ao artefato “Pedido de Mudança”. Portanto, este artefato está relacionado tanto para a área de processo do CMMI Gerenciamento de Requisitos quanto para Gerenciamento de Configuração.

Tabela 4 – Dados do CMMI para as Práticas da Área de Processo Gerenciamento de Configuração

Área de Processo: Nível de Maturidade: 2 Meta Específica:

SG 2. Acompanhar e Controlar Mudanças Prática Específica:

SP 2.1 Acompanhar Solicitações de Mudança SP 2.2 Controlar Itens de Configuração

Dados do CMMI

Gerenciamento de Configuração SG 1. Estabelecer Baselines

SP 1.2 Estabelecer um Sistema de Gestão de Configuração

A ideia principal dos planos de qualidade é organizar os dados, estruturados pelo metamodelo, de forma que os avaliadores tenham uma referência sólida, clara e

compreensível no momento de avaliar os artefatos produzidos durante o projeto com base nas metas de qualidade que julgam serem as mais importantes para o produto final.

Os demais planos de qualidade encontram-se no Apêndice C, no entanto, vale ressaltar que os planos de qualidade elaborados são sugestões deste trabalho com base na literatura.

Resumidamente, para cada um dos componentes da LPrS podem ser selecionadas diferentes atividades que contenham contexto situacional similar e que contemplem as práticas propostas pelo CMMI que se deseja implantar no processo adaptado. Estas atividades possuem artefatos e estes são associados a planos de qualidade. Deve-se salientar que o plano de qualidade gerado servirá como referência para os engenheiros de processo, no entanto, os mesmos poderão alterá-los caso seja necessário.

4.3.1 Definição de Métodos de Avaliação e Métricas

Para avaliar a qualidade de software é necessário que haja uma maneira de medi-la, no entanto, as características de qualidade proposta pela ISO/IEC 9126 – descrita na Seção 2.1 – não deixam claro as métricas necessárias para essa medição. Portanto, neste trabalho foi preciso estabelecer estas métricas e seus respectivos métodos de avaliação, a fim de correlacionar estes às características de qualidade.

Vale ressaltar que para encontrar as métricas que correspondem a determinada prática, foi analisado o CMMI, a fim de procurar possíveis características de qualidade para esta associação. No Apêndice D é apresentado um conjunto de métricas que foram retiradas da literatura e da ISO/IEC 9126, algumas delas foram adaptadas conforme fosse necessário.