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Aspectos quˆ anticos dos buracos negros

5.1 Radia¸ c˜ ao de Hawking

5.1.1 Processo de Emiss˜ ao de Radia¸ c˜ ao

Associado ao colapso gravitacional de um buraco negro, o espa¸co-tempo n˜ao pode estar sempre estacion´ario, raz˜ao pela qual espera-se a cria¸c˜ao de part´ıculas. Se o v´acuo absoluto realmente existisse, ele contrariaria o Princ´ıpio da Incerteza, de Werner Heisen-berg. Isso porque os campos eletromagn´eticos e gravitacionais seriam zero, o que equivale a dizer que a posi¸c˜ao e a velocidade de uma part´ıcula seriam iguais a zero, ou seja, ambas estariam determinadas, contrariando o postulado do Princ´ıpio da Incerteza. O v´acuo ´e cheio de part´ıculas potenciais, pares de mat´eria e antimat´eria virtuais, que est˜ao sendo constantemente criadas e destru´ıdas. Elas n˜ao existem como entidades observ´aveis, mas exercem press˜ao sobre outras part´ıculas, Efeito Casimir [24].

A cria¸c˜ao de pares virtuais de part´ıculas n˜ao viola a lei da conserva¸c˜ao da massa/energia porque elas existem em intervalos de tempo muito pequenos, muito menores do que o tempo de Planck (10−43s), de forma que n˜ao causam impacto nas leis macrosc´opicas. O v´acuo quˆantico ´e o estado mais baixo de energia, conhecido no universo (ao inv´es do que seria o Zero Absoluto). Posto que, o espa¸co-tempo exterior est´a est´atico, pode-se esperar ent˜ao que a cria¸c˜ao de part´ıculas seja um fenˆomeno transit´orio determinado pelos detalhes do colapso [53].

Um poss´ıvel fluxo de part´ıculas, em um dado momento, a frente no tempo ´e devido

`

a existˆencia de um horizonte e da independˆencia dos detalhes do colapso. H´a um tal fluxo de part´ıculas, e isso acaba por ser t´ermico - eis a Radia¸c˜ao Hawking.

Considerando-se apenas um campo escalar sem massa em um buraco negro do espa¸co-tempo de Schwarzschild denominado Φ. A frequˆencia positiva dos modos de sa´ıda de Φ tem o seguinte comportamento

Φω eiωu. (5.8)

Pr´oximo `aI+, considere-se uma proxima¸c˜ao ´optica geom´etrica em que uma linha universo da part´ıcula ´e um raio nulo γ, de fase constante u e tra¸car-se-a este raio para tr´as no tempo de I+. Quanto mais a demora em intersectar I+, mais pr´oximo deve aproximar-se H+ no exterior do espa¸co-tempo antes de adentrar a estrela.

O parˆametro afim nesta geod´esica nula ´eU, ent˜ao, U =−. De forma equivalente, u = 1

k log (sobre γ e pr´oximo `a H+), (5.9)

assim,

Φω exp

k log

(pr´oximo aH+). (5.10) Estas oscila¸c˜oes aumentam cada vez mais r´apido `a medida que 0, ent˜ao a aproxima¸c˜ao ´optica geom´etrica ´e justificada por sim. ´E necess´ario unir Φω em uma solu¸c˜ao da equa¸c˜ao deKlein Gordonpr´oxima deI. Na aproxima¸c˜ao da ´optica geom´etrica, acaba-se por transportar paralelamente n e l de volta para I ao longo da continua¸c˜ao de γH.

Seja o encontro desta continua¸c˜ao sobre I em v = 0, a continua¸c˜ao do raio γ volta para I e vai agora encontar I em uma distˆancia afim ao longo de uma geod´esica nula de sa´ıda em I.

O parˆametro afim das geod´esicas nulas de sa´ıda emI ´ev (desdeds2 = du dv + r2 2 sobre I), ent˜ao v = em γ assim,

Φω exp

k log(−v)

, (5.11)

isto ´e, parav <0. Para v <0. um raio de sa´ıda nulo de I passa porH+ e n˜ao alcan¸ca I+, ent˜ao Φω = Φω(v) em I, em que

Φω(v) =

⎧⎪

⎪⎪

⎪⎪

⎪⎩

0 v > 0 exp

k log(−v)

v < 0 .

(5.12)

Considerando aTransformada de Fourier, Φ˜ω =

−∞

eiwvΦω(v)dv

= 0

−∞

exp

iwv + iw

k log(−v)

dv 5.1 Lema:

Φ˜ω(−ω) =exp

−πω k

Φ˜ω(−ω) para ω >0 (5.13)

5.2 Prova:

Observando a figura 5.2, escolhe-se uma linha de corte 2 em v plano complexo para estar ao longo do eixo real.

2Uma linha de corte ´e uma curva (com fins possivelmente: aberto, fechado ou semi-aberto) no plano complexo em que uma fun¸c˜ao anal´ıtica com multiplas vari´aveis ´e descont´ınua. Por conveniˆencia, linhas de corte s˜ao muitas vezes tomadas como retas ou segmentos de reta [65].

Figura 5.2: Ilustra¸c˜ao representando a Linha de Corte no Plano-v Complexo.

Para ω > 0 gira-se o contorno ao eixo imagin´ario positivo e defina v = ix para obter

Φ˜ω(−ω) = −i

0

exp

−ωx+

k log(xeiπ/2)

dx

=exp πω

2k

0

exp

−ωx+

k log(x)

dx (5.14)

Sendoω >0, a integral converge. Quando ω <0 contorna-se o eixo imagin´ario negativo e define-se v =−ix para obter

Φ˜ω(−ω) = i

0

exp

ωx+

k log(xeiπ/2)

d

= exp

−πω 2k

0

exp

ωx+

k log(x)

dx (5.15)

conclui-se ent˜ao que, 5.3 Corol´ario

Um modo da frequˆenciaω positiva sobreI+, finalmente ficam entre modos mistos positivos e negativos sobre I. Pode-se identificar (para ω positivo)

Aωω = ˜Φω) (5.16)

Aωω = ˜Φω (−ω) =−eπω/kΦ˜ω) (5.17)

como os coeficientes Bogoliubov 3, observa-se que,

Bij =−eπωi/kAij. (5.18)

Mas, as equa¸c˜oes 5.16 e 5.17 devem satisfazer as rela¸c˜oes Bogoliubov, por exemplo,

δij = (AA−BB)ij

=

k

AikAjk BikBjk

=

eπ(ωi+ωj)/k1

k

BikBjk . (5.19)

Considerando-sei=j para se obter

(BB)ii = 1

e2πωi/k1, (5.20)

´

e necess´ario o inverso dos coeficientes de Bogoliubov correspondente a um modo positivo sobre a frequˆenciaI em correspondˆencia positiva, mista e modos de frequˆencia negativos sobre I+. Como visto anteriormente em B, o inverso do coeficiente ´e

B =−b. (5.21)

O final de part´ıculas atrav´es de I+ dado um v´acuo, ´e

Ni I+ = ((B) (B))ii = (B B)ii= (B B)ii. (5.22) Mas, (B B)ii´e tamb´em real, assim,

Ni I+ = 1

e2πωi/k1. (5.23)

Esta ´e a distribui¸c˜ao de Planck para radia¸c˜ao de corpo negro na temperatura de Hawking TH = k

. (5.24)

Conclui-se que, o buraco negro dissipa sua energia a esta temperatura. Da Lei de Stephan-Boltzmann4

dE

dt −σATH4 (5.25)

3Coeficientes de Bogoliubov: (Transforma¸c˜oes de Bogoliubov) Conectam as informa¸c˜oes do raio que vem da regi˜ao plana do infinito passado e que passa por uma regi˜ao curva e segue para a regi˜ao plana do infinito futuro.

4A Lei de Stephan-Boltzmann afirma que a energia total irradiada por unidade de ´area de superf´ıcie de um corpo negro por unidade de tempoj ´e diretamente proporcional `a quarta potˆencia da temperatura termodinˆamica do corpo negroT :j=σT4.

σ = π2k2B

603c2 (5.26)

em que A ´e a ´area do buraco negro, sendo

E = M c2 (5.27)

A =

M G c2

2

(5.28) kB TH c3

GM (5.29)

ter-se que,

dM

dt c4

G2M2 (5.30)

que resulta em um tempo de vida τ

G2 c4

M3. (5.31)

Basicamente, o processo de emiss˜ao de radia¸c˜ao pode ser entendido imaginando-se que a radia¸c˜ao do par part´ıcula-antipart´ıcula ´e emitida na superf´ıcie do horizonte de eventos, assim, n˜ao prov´em essa radia¸c˜ao diretamente do buraco negro, mas, ´e o resultado de part´ıculas virtuais sob o efeito da a¸c˜ao gravitacional do buraco negro [38, 59].

Flutua¸c˜oes quˆanticas causam um par de part´ıcula-antipart´ıcula que aparecem pr´ o-ximas ao horizonte de eventos de um buraco negro, enquanto uma das part´ıculas do par cai no buraco negro, a outra escapa, evitando assim sua aniquila¸c˜ao. Objetivando a preserva¸c˜ao do total de energia, a part´ıcula que caiu no buraco negro assume uma energia negativa relativamente a um observador externo do buraco negro. Por interm´edio desse processo, o buraco negro perde massa, bem como, parecer´a a um observador externo que o buraco negro acaba de emitir uma part´ıcula [66, 67].

Constitui isso na explica¸c˜ao heur´ıstica que melhor corresponde ao c´alculo usual.

Um observador externo (no futuro) e distante do buraco negro n˜ao pode ver o que h´a dentro dele, ent˜ao possui informa¸c˜oes incompletas sobre o estado e observa-se ent˜ao um estado com entropia, um estado t´ermico, supondo-se assim que o buraco negro n˜ao ´e eterno. Aparentemente a computa¸c˜ao original de Stephen Hawking ao lidar com este caso foi posteriormente dilu´ıda `a sua explica¸c˜ao, assumindo que o buraco negro estaria l´a eternamente, a fim de simplificar os c´alculos.

Assim, fazendo-se uma transforma¸c˜ao de Bogoliubov para o v´acuo que come¸ca num estado em que existem pares de part´ıculas e antipart´ıculas, ent˜ao este ´e possivelmente o elo entre a matem´atica e a explica¸c˜ao heur´ıstica.