3 REVISÃO DE LITERATURA
3.2 PROCESSO DE ENFERMAGEM
O processo de enfermagem é empregado como tecnologia para coordenar o cuidado, oferecendo condições para individualizar e administrar a assistência;
possibilitando maior integração da equipe de enfermagem com o paciente, família, comunidade e entre a própria equipe, acarretando resultados benéficos provenientes do cuidado (BARROS, 2016). Esse processo auxilia na organização dos dados e priorização do problema do paciente, além de ressaltar aspectos importantes da segurança, qualidade de vida e desejos do paciente (ALFARO-LEFEVRE, 2014).
Por vezes, pode ser entendido como sinônimo ou diferente da Sistematização da Assistência de Enfermagem (SAE), a depender da literatura consultada. Alguns autores definem a SAE como uma metodologia científica que o profissional enfermeiro dispõe para aplicar conhecimentos técnico-científicos e humanos na assistência aos pacientes. A SAE encontra-se descrita na Resolução COFEN no 358 de 2009 como exigência para o enfermeiro organizar o trabalho profissional quanto ao método, pessoal e instrumentos e essencial para implementar o processo de enfermagem em todos os ambientes de cuidado (TANNURE;
PINHEIRO, 2011; COFEN, 2009).
Nesta pesquisa, entende-se o processo de enfermagem como ferramenta utilizada para sistematizar a assistência e utilizaremos esse termo, e seu significado como ferramenta intelectual de trabalho do enfermeiro que conduz o processo de
raciocínio clínico e a tomada de decisão diagnóstica, de resultados e de intervenções.
O processo de enfermagem, em sua forma mais conhecida, é composto por cinco fases sequenciais e inter-relacionadas: coleta de dados (ou investigação), diagnóstico, planejamento, implementação e avaliação (FIGURA 2) (COFEN, 2009;
ALFARO-LEFEVRE, 2014). Como apontado anteriormente, as etapas são inter-relacionadas e, consequentemente, dependentes uma das outras. Para fins didáticos são frequentemente apresentadas, e ensinadas, separadamente; porém.
essas etapas se sobrepõem, visto que o processo de enfermagem é contínuo (BARROS et al., 2015).
FIGURA 2 - PROCESSO DE ENFERMAGEM
FONTE: Adaptado de COFEN (2009).
A primeira etapa do processo de enfermagem corresponde à coleta de dados, que pode ser considerada como processo deliberado, sistemático e contínuo, executado por métodos e técnicas variadas, com a finalidade de obter informações sobre a pessoa, família ou coletividade, e sobre suas respostas em dado momento do processo saúde e doença (COFEN, 2009). Essa etapa possui, basicamente, três atividades: coleta de dados objetivos e subjetivos, obtidos por meio de anamnese e exame físico, organização dos dados e registro de forma sistemática das informações pertinentes (BARROS, 2016).
A segunda corresponde à etapa diagnóstica, na qual o enfermeiro analisa os dados, agrupando-os e interpretando-os. A partir disso, o julgamento clínico do profissional sobre os problemas (reais ou em potencial) da pessoa, família ou
comunidade resultará na tomada de decisões e planejamento das ações (COFEN, 2009; TANNURE; PINHEIRO, 2011; BARROS et al., 2015). Essa etapa será abordada mais detalhadamente no subtópico 3.3 desta pesquisa.
O planejamento de enfermagem é a terceira etapa do processo e representa a determinação dos resultados esperados para cada diagnóstico de enfermagem identificado, e estabelecimento de prioridades de condutas. Para cada resultado esperado, o enfermeiro prescreve ações, a ser realizadas por ele ou pela equipe, a fim de reduzir ou eliminar os problemas, preveni-los e/ou monitorar o estado de saúde atual, ou o surgimento de outros (COFEN, 2009; TANNURE; PINHEIRO, 2011; ALFARO-LEFEVRE, 2014).
A implantação ou implementação das ações corresponde à quarta etapa, nela ocorre a execução da prescrição feita na etapa antecedente, com vistas ao alcance dos resultados esperados. Ao realizar as ações, os profissionais também, continuamente, investigam, monitoram e avaliam as respostas da pessoa, família e/ou comunidade aos cuidados prestados (TANNURE; PINHEIRO, 2011; BARROS et al., 2015).
A quinta e última etapa do processo de enfermagem se refere à avaliação, também denominada evolução, das ações executadas. Essa corresponde ao acompanhamento das respostas dos pacientes aos cuidados prestados, por meio da observação direta e relato do individuo, família e comunidade. A avaliação é um processo contínuo de verificação de mudanças para determinar se as intervenções alcançaram o resultado esperado, bem como a necessidade de mudanças, ou adaptações, caso necessário ou se novos dados foram constatados. O registro das ações e respostas também são essenciais, e fazem parte dessa fase por ser possível o acompanhamento da terapia proposta (COFEN, 2009; TANNURE;
PINHEIRO, 2011; BARROS et al., 2015).
O processo de enfermagem é um método utilizado para implantar, na prática profissional, uma teoria de enfermagem (TANNURE; PINHEIRO, 2011), definida como um conjunto de afirmativas relacionadas a algum aspecto da enfermagem e conceitos relacionados entre si, que são comunicadas com a finalidade de descrever os fenômenos, explicar as relações entre elas, prever as consequências e prescrever cuidados de enfermagem (MELEIS, 2011).
Para a Enfermagem, antes subordinada à Medicina, o desenvolvimento de Teorias foi essencial para confrontar a concepção de que apenas são realizadas
tarefas tradicionais, sem ao menos refletir sobre. Ou seja, as teorias propiciam a distinção da Enfermagem de outras ciências, pelo modo de pensar sistemático sobre a prática profissional. Seu uso pode oferecer estrutura e organização ao conhecimento de enfermagem, e proporcionar um meio sistemático de coleta de dados, descrição, explicação e previsão da prática, culminando em cuidado coordenado e menos fragmentado, conferindo maior qualidade à assistência (MCEWEN; WILLS, 2016). Na Enfermagem, Florence Nightingale é considerada a primeira teorista da área. Ela delineou o que considerava como meta de enfermagem e o “ser enfermeiro” que significava possuir o encargo da saúde pessoal de alguém. No livro “Notes on Nursing”, de 1859, Nightingale propôs premissas básicas para a prática profissional, na qual os enfermeiros deveriam se atentar aos pacientes e ao ambiente, registrar o cuidado realizado e desenvolver conhecimento a partir dessas observações (MCEWEN; WILLS, 2016).
A interpretação do processo de enfermagem (FIGURA 3) do NANDA-I, reforça que o conhecimento de teorias e conhecimentos subjacentes de enfermagem também façam parte das etapas, com sua devida importância no processo (HERDMAN, 2018).
FIGURA 3 - PROCESSO DE ENFERMAGEM SEGUNDO NANDA-I
FONTE: HERDMAN (2018) adaptado de HERDMAN (2013).
O uso do processo de enfermagem é fundamental para o raciocínio clínico, pois colabora com o pensamento, organizado e sistemático, sobre a assistência ao paciente. Esse é considerado um modelo de pensar, criticamente ideal, para a promoção de assistência de qualidade, por abranger todas as ações realizadas por enfermeiros, e ser a base para a tomada de decisões (ALFARO-LEFEVRE, 2014).