3 MÉTODO E MATERIAL
3.2 Processo de produção e tratamento dos dados
Foi elaborado um protocolo (Apêndice A) a fim de direcionar a coleta dos dados, mantendo assim o rigor metodológico necessário. Esse instrumento de coleta de dados é composto pelos seguintes elementos:
* Figura elaborada por SARAT, Caroline Neris Ferreira. Rio de Janeiro, novembro de 2007.
Bireme PeriEnf Cochrane
AC 24.602 AC 147 AC 02 Orem 244 Orem 29 Orem 0 47 68 02 117 referências 75 artigos completos Amostra do estudo Inclusão de 4 artigos encontrados na busca manual. As referências foram cruzadas para excluir duplicidade. Exclusão de 6 resumos
identificação do artigo: título, periódico, ano de publicação, ano de realização da pesquisa, palavras-chave e origem (recorte/ derivação);
identificação do(s) autor(es): profissão/ ocupação, titulação e cidade de origem; características do artigo: delineamento, característica dos clientes, cenário, patologia associada e a teoria de Orem utilizada, objetivos e as formas de aplicação da teoria.
A análise das publicações, fundamentou-se em conceitos de abordagens de pesquisa qualitativa. Os elementos que compõem o instrumento de coleta de dados (ICD) visando caracterizar os artigos analisados e seus autores foram submetidos à quantificação sendo os dados obtidos analisados segundo sua freqüência absoluta e percentual. As modalidades de aplicação da teoria de Orem, foi analisada descritivamente seguindo-se um critério de categorização estabelecido a posteriori, conforme já descrito nas fases de revisão sistemática.
Releva-se que conhecer a abordagem metodológica na qual a pesquisa está inserida consiste no elemento fundamental para a utilização dos seus resultados na prática profissional. Foi realizada uma síntese dos dados resultantes de cada estudo incluído por meio de uma análise descritiva inspirada nas concepções de Bardin (2000) e Santos (1994).
Bardin (2000) conceitua a análise de conteúdo como um conjunto de técnicas de análise das comunicações, sendo adaptável a um campo de aplicação muito vasto. Assim, por se tratar de uma pesquisa que aborda a comunicação científica, aplicamos essa concepção para identificar as modalidades de aplicação da teoria de Orem. Justifica-se a escolha a partir da pertinência do seu rigor, campo e conceito como método de análise. Assevera a autora que, qualquer comunicação de um emissor para um receptor, controlado ou não por este, pode ser decifrado pelas técnicas de análise de conteúdo (BARDIN, 1977).
No caso deste trabalho, trata-se de comunicações científicas e, por conseguinte, contém um transporte de significados próprios, qual seja os elementos indispensáveis à aplicação do método científico, bem como à compreensão destes por seu receptor, qual seja, o leitor/pesquisador, conforme já foi demonstrado por Santos (1994) na tese “Qualidade dos resumos de comunicação científica em Enfermagem.” Portanto, os artigos foram submetidos à análise definindo-se como elementos para categorização dos dados, no Quadro 2: unidade de contexto, unidade de registro e elementos constitutivos ou essenciais.
Quadro 2. Definição dos elementos para a categorização dos dados. Rio de Janeiro, novembro de 2007.
Unidade de contexto – Trabalhos científicos publicados no período de 1985 a 2006, utilizando a teoria de Orem.
Unidade de registro – Títulos dos trabalhos e seus elementos constitutivos ou essenciais.
Elementos constitutivos ou essenciais – Os trabalhos propriamente ditos e analisados e os seus resumos, ambos considerados como comunicações científicas.
Desde os elementos constitutivos foram delimitadas categorias temáticas e categorias denominadas como essenciais (Quadro 3).
Quadro 3. Categorização dos dados. Rio de Janeiro, novembro de 2007.
Categorias temáticas - segundo o desenvolvimento dos temas / assuntos dos trabalhos reveladores de aderência aos sistemas da teoria geral de Enfermagem de Orem.
Categorias essenciais - considerando a composição do trabalho seguindo o método científico de resolução de problemas, conforme recomenda Santos (1994): objetivo, metodologia, resultados e conclusão.
Neste trabalho, seguindo o referencial de Santos (1994), a seleção das categorias considerou os critérios de exclusão mútua, homogeneidade, pertinência e objetividade, como se explicita no Quadro 4:
Quadro 4. Referencial para orientar o rigor metodológico na seleção de categorias. Rio de Janeiro, novembro de 2007.
Exclusão mútua – a categoria OBJETIVO refere-se ao propósito do (s) autor (es) para realizar a pesquisa; representa sua decisão/ação para desenvolver o trabalho. Na METODOLOGIA, encontram-se descritos o método e técnica de pesquisa, sujeitos de pesquisa, local (referência espacial da realização da pesquisa), área-geográfica de procedência do (s) autor (es), período (referência temporal) de realização da pesquisa. A categoria RESULTADOS demonstrará a obtenção dos resultados significativos para resolução do problema proposto pelo autor do trabalho, bem como o alcance dos objetivos formulados. As categorias CONCLUSÃO E SUGESTÕES descrevem a relação da conseqüência dos resultados diante dos objetivos propostos; indicando aplicações para novos estudos e também novas proposições. Ressalta-se, que tais categorias são exclusivas porque possuem aspectos de análise diferentes entre si. Portanto, não podem ser incluídas simultaneamente em mais de um elemento constitutivo ou essencial.
Homogeneidade – o princípio de classificação utilizado para todas as categorias refere-se à aplicação de elementos essenciais do método científico para resolução de problemas, conforme já anunciado.
Pertinência – todas as categorias adaptam-se ao material de análise, qual seja, os trabalhos científicos publicados. Portanto, possuem a mesma estrutura de comunicação científica, atendendo assim, aos propósitos desta investigação.
Objetividade – as diferentes categorias de um mesmo material podem ser codificadas da mesma forma quando submetidas a várias análises e/ou analisadores, devendo chegar a resultados iguais. Para o organizador de análise, a definição dos elementos essenciais ao trabalho científico conferiu precisão aos índices de entrada de cada elemento numa determinada categoria.