CAPÍTULO I – PROBLEMÁTICA DA INVESTIGAÇÃO
1.1 Contextualização da investigação
1.1.2 Processo de Recrutamento de Professores Timorenses
Em qualquer instituição, seja pública ou privada, os recursos humanos devem ser qualificados para se conseguir ter qualidade de trabalho, de modo a alcançar os objetivos institucionais. Para tal, é indispensável escolher os seus profissionais através de concurso público, ou seja, proceder a um recrutamento com critérios rigorosos, conforme a necessidade da instituição, uma vez que assim há a possibilidade de se selecionar os profissionais mais qualificados, mais competentes. É, ainda, importante ter em conta o recrutamento dos recursos humanos mais qualificados de acordo com a especialidade dos professores, para que estes implementem os diversos programas ou disciplinas no contexto curricular.
Para imprimir qualidade à educação é obrigatório ter quadros mais qualificados, ter profissionais com a melhor formação para que possam desenvolver conhecimento e competências que lhes possibilitem responder às necessidades dos estudantes no processo de aprendizagem. A reforçar esta perspetiva Delors (1996, p. 153) refere:
Para melhorar a qualidade da educação é preciso, antes de mais nada, melhorar o recrutamento, a formação, o estatuto social e as condições de trabalho dos professores, pois estes só poderão responder ao que deles se espera se possuírem os conhecimentos e as competências, as qualidades pessoais, as possibilidades profissionais e a motivação requeridas.
O crescimento da taxa de estudantes nas escolas, devido à escolaridade obrigatória, requer que se recrutem mais professores para atender às necessidades da escola. Este recrutamento significa maior financiamento no setor da educação, sendo que, as possíveis insuficiências de investimento, pode comprometer o recrutamento de professores em número necessário e em condições de responder às suas necessidades de formação. Esta ideia é salientada por Delors (1996, p. 175), quando refere que “(…) o rápido aumento da população escolar no mundo trouxe consigo um recrutamento em massa de professores. Este recrutamento, muitas vezes, teve de fazer-se com recursos financeiros limitados e nem sempre foi possível encontrar candidatos qualificados”.
Com base neste entendimento, parece-nos poder dizer que a política de implementação da escola obrigatória e universal é desfavorável também no processo de recrutamento de professores, uma vez que são necessários mais professores e não se exigem critérios rigorosos na sua seleção. Deste modo, podemos dizer que, quanto mais elevado for
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o número de docentes necessários, menos exigência se coloca no seu processo de recrutamento.
O aumento da escolaridade tem o propósito de melhorar a qualidade da educação, mas nem sempre se alcança, pois, percebe-se que, cada vez mais, os professores não têm condições para acompanharem, de forma adequada, o processo do ensino e aprendizagem. Assim, refere Delors (1996, p. 53):
(...) o prolongamento da escolaridade, paradoxalmente, em vez de melhorar, agrava muitas vezes a situação dos jovens mais desfavorecidos socialmente e/ou em situação de insucesso escolar. Dividem os jovens em duas categorias, situação tanto mais grave quanto se prolonga pelo mundo do trabalho. Os não diplomados se apresentam aos recrutadores das empresas com uma desvantagem quase insuperável. Alguns deles, considerados pelas empresas sem capacidades para o emprego, ficam definitivamente excluídos do mundo do trabalho e privados de qualquer possibilidade de inserção social.
Neste cenário, é indispensável que o governo faça um grande investimento financeiro para criar as condições necessárias e auxiliar os professores, de forma a que estes possam elevar a qualidade da sua produção e possam preparar os jovens para melhor competir no acesso ao mercado de trabalho.
O recrutamento de professores deve ser um caminho transparente e justo e capaz de identificar os professores com qualificação e competência, de forma a garantir a qualidade do ensino. Porém, nem sempre se consegue um bom recrutamento, uma vez que algumas disciplinas estão integradas em diferentes domínios.
Conforme a formação especializada, de acordo com Formosinho (2009, p. 79):
(…) o recrutamento dos docentes para os cursos de formação de professores generalista, pressupondo que a formação deste não tem nenhuma especialidade (nem na componente dos conteúdos a ensinar, nem na componente pedagógica), colocamos natural(izada)mente a lecionação das diferentes disciplinas aos departamentos e grupos disciplinares já existentes.
Timor-Leste está a encaminhar este processo, que após reforma curricular, agrupa todas as disciplinas das ciências naturais numa área de conhecimento, isto é, Ciências Físico- Naturais, e também implementa o sistema educativo obrigatório e universal, conforme mencionado na Introdução deste trabalho. Deste modo, é necessário preparar e qualificar os professores para ensinar. Não houve recrutamento oficial para os professores porque o país mergulhou numa crise, após a independência de Timor-Leste, ano 1999, tendo que reconstruir os edifícios públicos e privados, sobretudo no setor da educação, basicamente, no período do governo transitório, sendo as dificuldades no âmbito dos recursos humanos e financeiros.
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Conforme o regulamento, n.º 2000/3 do artigo n.º 1, sobre a Comissão do Serviço Público da línea 2, da United Nations Transitional Administration in East Timor- UNTAET, que a Comissão criou três pilares impotentes no atendimento público:
(a) Formula as políticas privadas e as linhas de orientação, incluindo as que estão relacionadas com o recrutamento, nomeações e promoções; salários, benefícios, pensões e outros termos de funcionalismo; procedimento e sanções disciplinares; e os direitos e os deveres dos funcionários públicos e outros funcionários dos agentes públicos, para serem incorporados num futuro estatuto do funcionário do serviço publico; (b) Pendendo o estabelecimento dos procedimentos judiciais para ouvir casos sobre trabalho e administração, a Comissão terá que ser arbitraria em tais disputas; (c) Uma vez que os serviços públicos de Timor Leste forem plenamente operacionadas, ela supervisionara a implementação dos procedimentos já em acordo, despachos administrativos e as linhas de orientação; promover um ambiente ético no serviço da administração; e controlar todo o arranjo dos departamentos e agentes públicos.
Este artigo afirma que foram criadas políticas específicas no âmbito dos requisitos de recrutamento, nomeação e promoção dos salários, benefícios, pensões como o seu grau ou escalão, com os procedimentos e sanções disciplinares que regulam e garantem os direitos e os deveres do agente público, para serem admitidos ao estatuto de funcionário público. Estabeleceu as regras que permitam, se for o caso relacionado ao trabalho de administração, a comissão tem dever para intervir.
No artigo n.º 6, do mesmo regulamento, o administrador do Governo transitório deve dar apoio financeiro e técnico, necessários à comissão para remunerar os funcionários públicos e os membros da comissão, segundo o grau atribuído, na forma de gratificação, “(…) o Administrador do Governo Transitório deve proporcionar apoios de fundo técnico necessários para a Comissão. Os membros da Comissão devem receber remunerações em forma de gratificação, num grau a ser estabelecido pelo Administrador do Governo Transitório”. Sendo, para facilitar o processo da remuneração, o administrador do Governo transitório estabeleceu o Gabinete Central de Pagamentos de Timor-Leste, definido no Regulamento n.º 2000/6 da UNTAET. Porém, não havia nenhuns documentos inscritos relativamente aos requisitos sobre recrutamento de professores e nem o número de professores que foi recrutado na época referida.
Depois que terminou o governo transitório, em 2002, o país restaurou a sua independência no dia 20 de maio de 2002, o I governo constitucional como a conformidade do regulamento da UNTAET n.º 2000/3 do artigo supramencionado criou uma lei para a definição do recrutamento público para todos cidadãos, conforme as necessidades públicas que está estipulada na instrução da Lei nº 1/ GVM / MAI / 2003, que servem os
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“procedimentos a serem observados para os Concursos de Ingresso na Administração Pública de Timor-Leste”.
No ponto 4, a lei referida, definiu três princípios gerais do concurso, a saber:
1. A abertura de concurso de ingresso é feita mediante autorização de cada Ministro de Tutela; 2. A Direção de Administração de cada Ministério é responsável pela realização de todo o processo do concurso, devendo prestar o apoio administrativo ao júri em todas as fases da realização dos concursos de ingresso, de acordo com a presente Instrução; 3. No processo de recrutamento, seleção, classificação ou graduação de candidatos, devem ser observados os seguintes princípios: a) Liberdade de candidatura no caso dos concursos de ingresso; b) Divulgação prévia de todos os atos relacionados com o concurso; c) Objetividade no método e critérios de avaliação; d) Garantia de condições e oportunidades iguais para todos os candidatos; e) Neutralidade na composição do Júri; f) Direito de recurso; g) Transparência.
Nesta perspetiva, cada Ministério possui a competência para fazer o recrutamento conforme as necessidades e a Direção da Administração de cada Ministério tem a responsabilidade pela realização do concurso e todo o seu processo, de acordo com a presente instrução em vigor. No concurso, todos os cidadãos têm igualdade de oportunidades e condições, direito ao recurso e transparência em todo o processo, segundo os princípios em vigor.
Porém, efetivamente, o governo não criou um concurso público para os professores. Sendo que, alguns professores continuam a ensinar voluntariamente na escola, durante três a quatro anos, sem remuneração, só depois o diretor da escola aconselha o Ministério da Educação para contratar conforme as necessidades da escola. Neste sentido, o Ministério da Educação do I Governo até ao IV Governo Constitucional fez o concurso interno de ingresso limitado, que fixou no ponto n.º 5, alínea 2c), na mesma, da qual apresentada os seguintes tipos de concurso:
1. Os concursos classificam-se em: a) Concursos de ingresso; b) Concursos de promoção (sujeito a regulamento a aprovar). 2. Quanto à origem dos candidatos, o concurso de ingresso pode classificar-se em: a) Concurso de ingresso aberto- todos os cidadãos vinculados ou não aos órgãos da Função pública podem concorrer; b) Concurso interno de ingresso - quando seja aberto apenas a funcionários da administração pública. c) Concurso interno de ingresso limitado- quando seja aberto apenas para funcionários de um determinado Ministério.
Com o espírito e a vontade do governo para fomentar a qualidade e a eficiência dos funcionários públicos, estabeleceu uma Direção Nacional da Função Pública, que está consagrada no Decreto Lei n. º 34/2008, e que foi aprovado pelo concelho de Ministros. No artigo n.º 11, a línea 1, que “(…) o processo de recrutamento para o concurso público pode ser centralizado na Direção Nacional da Função Pública”. Deste modo, só a
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direção referida, é que possui a competência para fazer o recrutamento a todos funcionários do território do país, salvo as instituições privadas.
Ainda, no presente Decreto Lei, no artigo 18, fixaram-se quatro normas de concurso primordiais:
1. Nos concursos devem ser utilizados, com carácter eliminatório, os seguintes métodos: a) Provas de conhecimentos; b) Entrevista profissional de seleção; c) Avaliação curricular;
2. 2. Os concursos internos exigem ainda o uso da classificação de serviço resultante da avaliação de desempenho;
3. 3. Pode ainda ser utilizado, com carácter complementar, o exame médico de seleção; 4. 4. A ponderação entre os métodos deve constar do aviso de abertura.
Neste sentido, os concursos seguem 4 normas de seriação dos candidatos: a primeira serve-se das provas de conhecimento, da entrevista profissional e da avaliação curricular para métodos eliminatórios; a segunda norma, como concurso interno, serve-se da avaliação de desempenho para a classificação do candidato; a terceira norma, com carácter complementar, serve-se do exame médico e como quarta norma a ponderação entre os métodos deve constar no aviso de abertura.
Portanto, com base nesta normativa, em 2008, o IV Governo Constitucional fez um concurso público para a contratação dos professores do ensino Pré-Secundário e distribuiu os mesmos docentes por todas as escolas do território, segundo as necessidades de cada escola.
Mais tarde, no dia 15 de julho de 2009, o governo alterou a Direção Nacional da Função Pública para “A Comissão da Função Pública”, de acordo com a Lei do n.º 7/2009. Esta comissão como um “Órgão da administração Pública” tem plena competência de agir em todas as entidades da administração direta ou indireta do estado, relativamente a todos os funcionários abrangidos pelo estatuto da Função pública, de acordo como artigo n.º 2, alínea a), na presente lei. Porém, depois desta comissão ser estabelecida pelo referido decreto, os professores continuaram a ensinar em regime de voluntariado e não remunerado nas escolas, até 2015.
No entanto, em 2010, o governo aprovou o Decreto Lei n.º 23/2010, que definiu o estatuto de carreira docente.
No artigo 31º, acima referido, definiram-se as regras gerais de recrutamento dos novos docentes que passa mediante o processo de recrutamento e da seleção (n.º 1 do artigo 31.º). Sendo que este processo de recrutamento incumbe tudo na competência do Ministério da Educação como definido no n.º 2 do mesmo artigo. E cabe ao Ministério determinar a marcha
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procedimental para o processo de recrutamento em regulamento próprio. Neste caso, pode ser mediante um Diploma Ministerial.
O regime de concurso, o n.º 3 do artigo 31.º, manda aplicar os princípios norteadores dos concursos na Administração Pública e adapta-se ao estatuto de carreira docente. Isto é, os princípios gerais no processo de recrutamento da Função Pública são aplicáveis em relação ao recrutamento dos docentes com devida adaptação.
É de realçar que a lei também determina quais são os requisitos gerais para que um indivíduo possa concorrer. Estes requisitos são aqueles que estão elencados no n.º 4 do artigo 31.º do Estatuto enunciado. Assim, constitui os requisitos gerais, designadamente, que o candidato possui as habilitações profissionais adequadas e exigidas para a docência ao nível de ensino e grupo de recrutamento a que se candidata; não estar impedido pela qualquer razão que seja para exercer a função pública; que tenha uma boa condição saúde física e psíquica que deve ser comprovada por exemplo, mediante atestado médico e declaração de compromisso; e por último, obtenha aprovação em prova de avaliação de conhecimentos e competências. Sendo certo que, nos termos do diploma aqui enunciado, o exame para obter aprovação de conhecimentos é objeto de Diploma Ministerial próprio.
Portanto, o recrutamento visa preencher a vaga existente de forma permanente. Embora, há situações provisórias que o recrutamento desta natureza não é o caminho viável. Refira-se às situações esporádicas ou situação que não perdura no tempo. Por exemplo, na ausência temporária de um professor por razão de saúde.
Nestas situações, a lei admite nos termos do artigo 29.º do mesmo estatuto, o contrato a termo certo. E, o Ministério da Educação tem a competência para celebrar este tipo de contrato com o docente que não esteja integrado na carreira.
Para que celebre este contrato a termo certo, deve preencher imperativamente uma das condições determinadas nos termos do n.º 2 do artigo citado. Primeiro, que esteja perante uma necessidade não permanente no Estabelecimento de Educação e Ensino. Esta necessidade não permanente se caracteriza numa situação esporádica e deve ser objeto de avaliação autónoma e subjetiva. Isto é, desde que a situação em causa diz respeito a certas disciplinas no estabelecimento de Educação e Ensino, além disso, que haja a impossibilidade de preencher pelo docente dos Quadros de Pessoal. Segundo, que esteja perante uma situação temporária resultante de ausência temporária de um determinado docente. Ausência desta pode ser justificada pelas várias razões, v.g., licença de maternidade ou paternidade
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ou por motivo de saúde. Terceiro, desde que o contrato a termo certo é única condição para atender o desenvolvimento de projetos não inseridos nas atividades normais dos serviços. Ou, quando haja conveniência em confiar a técnicos especializados o ensino de disciplinas tecnológicas, artísticas, vocacionais, linguísticas, de educação especial ou que constituam inovação ou necessidades de coordenação curricular ou pedagógica. Refira-se, neste caso, nos projetos ocasionais que ajudem o desenvolvimento de conhecimento dos alunos, tal como a criação de atividade lúdica. Ora, na verdade a aplicação deste contrato não tem um caráter provisório, mas é continuadamente renovado.