Esta etapa consiste no desenvolvimento de um processo de reflexão individual, concomitantemente com a construção de dados. Para Ibiapina a reflexão é:
(...) o processo de base material responsável pela recordação e o exame da realidade com o objetivo de transformá-la. Como movimento do pensamento, é atividade exclusiva da espécie humana que auxilia na formação da consciência e da autonomia e da autoconsciência, conferindo aos indivíduos maior autonomia para pensar, sentir, fazer opções e agir. (IBIAPINA, 2008, p. 71)
O processo de reflexão crítica individual será norteado por quatro ações em momentos distintos como sugere Smyth apud Ibiapina (2008) e apud Magalhães (2008): o descrever, o informar, o confrontar e o reconstruir. Os dispositivos mediadores utilizados, para a construção dos dados, desta etapa, foram as orientações para o processo reflexivo (anexo II) e o vídeo de uma aula9, com uma atividade experimental desenvolvida pelos professores.
A técnica de confrontação de imagens, possibilitada pelo vídeo, permite que os diversos sujeitos participantes da pesquisa contribuam para a reflexão crítica sobre as ações desenvolvidas em sala pelo professor, relacionando-as com as suas respostas aos questionários (anexo II), juntamente com a análise feita pelo pesquisador aportada nos referenciais teóricos definidos.
Desta forma, a pesquisa colaborativa associada ao processo de reflexão individual com o uso dessas ações formativas contribui para a reflexão crítica das ações dos diversos sujeitos, envolvidos nesta pesquisa, propiciando um meio fértil para a reconstrução da prática docente.
Logo, concordamos com Freire (2012), que o importante é oferecer condições aos professores para que reflitam criticamente sua práxis, em um contexto dialógico, pois, não podemos pensar por eles, ou mesmo pensar sem eles, mas, somente com eles em uma relação
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No mês de julho os professores P1 e P2 foram filmados em situação de aula. Para esta aula utilizaram o roteiro de uma aula experimental que elaboraram ao longo do curso de formação continuada. Como pesquisador acompanhei aproximadamente 5 aulas de cada um destes professores para o processo de adaptação em campo, somente após este tempo de acomodação é que filmamos a aula experimental destes professores. Este vídeo será utilizado por cada um destes professores auxiliando-os no processo de reflexão individual (IBIAPINA, 2008).
39 de confiança e amor, buscando pensar em alternativas para transformarmos nossa realidade, portanto:
O fundamental, realmente, na ação dialógico-libertadora, não é “desaderir” os oprimidos de uma realidade mitificada em que se acham divididos, para “aderi-los” a outra.
O objetivo da ação dialógica está, pelo contrário, em proporcionar que os oprimidos, reconhecendo o porquê e o como de sua “aderência”, exerçam um ato de aderência à práxis verdadeira de transformação da realidade injusta. (p.184)
Neste contexto, reafirmamos que o objetivo central desta etapa de pesquisa vai muito além da obtenção e construção dos dados da pesquisa, ou seja, nossa expectativa é a de estimular e favorecer uma reflexão intrapessoal e interpessoal10 dos diversos sujeitos participantes desta pesquisa.
O processo reflexivo se inicia, segundo Smyth (1992), no momento em que o professor descreve a sua prática educacional, respondendo a questão proposta pelo pesquisador: O que fiz? Entre outras questões, neste momento o professor é levado a um distanciamento de suas ações, sendo estimulado a refletir acerca das suas ações e dos motivos que contribuíram para as escolhas feitas no decorrer da atividade docente.
A próxima ação é a de informar quais são as implicações da sua prática educacional por meio das seguintes questões (anexo II): O que me leva a agir deste modo? O que agir deste modo significa? O que motiva a realizar estas ações? Estas questões abrem espaço para reflexões sobre sua formação, suas escolhas sobre práticas educacionais e se estas foram espontâneas, sistematizadas ou explícitas. Este momento propicia a reflexão sobre os referenciais que guiam a prática docente e abre a possibilidade de reflexão sobre a linguagem que se utilizou em sala de aula, os objetivos e razões de se agir assim.
A terceira ação é a de confrontar. As questões propostas nesta etapa são: Qual a função social dessa aula, neste contexto particular de ação? Que tipo de aluno está sendo
10 O desenvolvimento cognitivo, de acordo com Vygotscky (1996), não pode ser considerado como sendo uma
acumulação gradual de mudanças isoladas e sim um processo dialético complexo caracterizado por ações periódicas e por uma desigualdade no desenvolvimento de diferentes funções, ou transformações qualitativas de uma forma em outra, em uma conjunção de fatores internos (intrapessoal) e Externos (interpessoal) que comungam no desenvolvimento das funções psicológicas superiores como processos adaptativos que superam as dificuldades que o indivíduo encontra.
40 formado? O que limita as teorias utilizadas? Que conceitos são utilizados? Este momento permite identificar se o uso das ações promove aproximação entre prática observada e opção teórica declarada, além de interrogar as ações, os princípios e as teorias, situando-os num contexto: cultural, social e político (FERNANDEZ, LOPES e BONARDO, 2008).
A última ação é a busca da reconstrução da prática docente, que será estimulada com questões: Como posso agir diferente? O que considero pedagogicamente importante? Esta etapa permite ao professor a reflexão da manutenção ou a transformação de sua prática educacional. Este momento é crucial para a reflexão crítica de suas ações. Estas quatro ações abrem espaço para a reflexão-sobre-a-ação levando o professor a um processo de reflexão crítica.
Após este processo de discussão evidenciaremos os temas de respostas que surgirem com mais evidencia nas respostas dos professores e faremos uma discussão ampliada acerca de suas implicações comparando-os com os referenciais teóricos pertinentes.