4.2 DEFINIÇÃO DE PATOLOGIAS EM PAVIMENTOS ASFÁLTICOS
4.2.2 Processo de reparo adequado em pequenas áreas
Referente a escolha do método de reparo, Augusto Jr. et al. (1992) apontam os seguintes fatores a serem considerados:
a) O tempo de execução do reparo deve ser o mais rápido possível, pois toda interrupção significa risco para o usuário;
b) Os trechos a serem reparados devem ser os mais curtos possíveis, para não causar transtorno aos que utilizam a via;
c) As mudanças frequentes na cor do pavimento, bem como o emprego de materiais diferentes do restante do revestimento, devem ser evitados (conforto visual);
d) A superfície do pavimento remanescente deve ter seu reparo nivelado, evitando, desse modo, superfícies irregulares (conforto auditivo).
5 ESTUDO DE CASO
Foi realizada uma análise da repavimentação asfáltica, efetuada após a implantação da rede de esgotamento sanitário no Município de Ijuí em execução por empresas contratadas através da CORSAN, sob o acompanhamento do DEMASI.
5.1 O MUNICÍPIO DE IJUÍ
O Munícipio de Ijuí/RS localiza-se na região noroeste do estado do Rio Grande do Sul, a 328 metros acima do nível do mar e distante 395 km da capital do Estado, Porto Alegre (MUNICÍPIO DE IJUÍ, 2017). Segundo o IBGE (2016), o município possui uma população estimada de aproximadamente 83.089 habitantes, distribuídos em uma área territorial de 689,387 km². Conta com infraestrutura e serviços para atender a população no que se refere à alimentação, ensino, transporte, saúde e lazer.
Quanto ao saneamento básico, o município foi executor dos serviços públicos de água e esgoto até a aprovação da Lei Municipal nº 1.082, de 25 de julho de 1968, quando foi firmado com a Companhia Riograndense de Saneamento – CORSAN, um contrato de concessão dos referidos serviços. A Lei Municipal nº 2.564, de 24 de outubro de 1990, autorizou o Município de Ijuí a celebrar novo contrato com a CORSAN, pelo prazo de 20 (vinte) anos, prorrogáveis por mais 20 (vinte). Esta modalidade de contrato tornou-se inexequível após a aprovação da Lei nº 11.445/2007 (PLAMSAB, 2011).
À luz da nova legislação, firmou-se em 2012 o Contrato de Programa 231, entre a CORSAN e Poder Executivo Municipal, o qual outorgou à Companhia os serviços de abastecimento de água e esgotamento sanitário do município.
A partir de então a CORSAN, com base no PLAMSAB, passou a investir na implantação de redes coletoras de esgoto, haja vista que até a data do contrato de programa, não havia infraestrutura de coleta de esgoto público em Ijuí.
A situação presumivelmente é semelhante à da maioria das cidades brasileiras, considerando a baixa cobertura de coleta e tratamento de esgoto sanitário existente no Brasil.
5.2 DEMASI
O Departamento Municipal de Águas e Saneamento de Ijuí (DEMASI) é uma autarquia municipal criada em 1º de dezembro de 2011, responsável pelos serviços de abastecimento de água potável, esgotamento sanitário, drenagem pluvial e resíduos sólidos, e pela fiscalização dos serviços. O DEMASI tem por prerrogativa acompanhar e fiscalizar a execução do PLAMSAB (MUNICÍPIO DE IJUÍ, 2017).
5.3 CORSAN
A Companhia Riograndense de Saneamento (CORSAN) foi criada em 21 de dezembro de 1965 e oficialmente instalada em 28 de março de 1966, sendo esta a data oficial de sua fundação. A sua finalidade é orientar, coordenar e fiscalizar a implantação de sistemas de água e esgotos pelos municípios. Atualmente, a CORSAN abastece cerca de 6 milhões de gaúchos, representando 2/3 da população do Estado do Rio Grande do Sul, distribuídos em 316 municípios. (CORSAN, 2017).
O serviço de Esgotamento Sanitário de Ijuí é outorgado para a Corsan, a qual contrata, através de licitações, as execuções das obras necessárias. Os editais são elaborados a partir de projetos básicos, nos quais constam as determinações sobre todo o processo executivo, bem como o material a ser utilizado, as espessuras das camadas, a compactação, constando, também, diretrizes para nortear as empresas vencedoras dos certames. Todas as informações sobre projeto e execução estão no caderno de encargos da CORSAN.
As contratações para implantação da rede coletora de esgoto ocorrem por bacias hidrossanitárias, sendo a ordem de prioridade definida através da CORSAN e entes fiscalizadores. 5.4 OBRA EM ESTUDO
A área do município foi dividida em dezoito bacias hidrossanitárias (Bacia 0 – Bacia 17) coletoras de esgoto sanitário. Cada bacia apresenta coletores principais e ramais, além de outras estruturas, como poços de visitas, terminais de limpeza e elementos característicos do sistema de esgotamento sanitário. Para o desenvolvimento deste trabalho, analisou-se a implantação de
segmentos da Bacia 8 (oito), localizada na porção central da zona urbana destacada com contorno em vermelho, conforme pode-se ver na Figura 14.
Figura 14 – Sistemas de Esgotamento Sanitário de Ijuí
Fonte: Adaptada de PLAMSAB Ijuí (2011)
As obras em execução para implantação da rede coletora referente à Bacia 8 foram acompanhadas com o objetivo de analisar todo o processo executivo e suas fases, em busca dos principais fatores que ocasionam as patologias nas valas da rede. Suas etapas são, portanto: a locação da obra, a sinalização, o corte e remoção do pavimento, a escavação, o escoramento da vala, esgotamento, assentamento da tubulação e principalmente o reaterro, a compactação e a repavimentação,
Foram analisados quatro (4) trechos, os quais pertencem às ruas Ernesto Alves, Sete de Setembro, Praça da República e Floriano Peixoto. Cada trecho possui em média 110 metros lineares de comprimento.
A obra a ser analisada foi contratada através da licitação ocorrida em 10/02/2014, sendo que a mesma já havia sido objeto de outros certames, todos fracassados em seu procedimento ou posteriormente à contratação. O prazo inicial para sua execução era de 540 (quinhentos e quarenta) dias corridos a partir do recebimento da ordem de serviço, porém, a obra ainda não foi entregue pela empresa contratada.
A obra é acompanhada por fiscais desginados pela CORSAN, para orientar todas as execuções em campo, bem como pelo engenheiro responsável pelo contrato, também funcionário da Companhia.
5.4.1 Locação
A locação foi realizada pela empresa contratada por marcações no meio-fio da calçada indicando cada poço de visita (PV) e pontos auxiliares existentes nos projetos. Segundo os fiscais, alguns pontos foram alterados por motivo de ajustes na topografia, pois como todo o sistema é gravitacional, é necessário o mínimo de 2 a 3% de inclinação para o perfeito escoamento do esgoto.