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Processo de resposta e condicionamento do tempo de incidente

A ocorrência de um incidente é sempre um fenómeno inesperado e extrínseco à nossa vontade e, por maior que seja o empenho em dar uma resposta rápida e satisfatória, a verdade é que por vezes nos deparamos com situações adversas ou desfavoráveis. Assim, cada um dos estados de incidente exige um tempo específico, próprio. Muito desse tempo é gasto em processos de análise, estudo ou procura da melhor solução e, por isso, não nos parece “tempo útil” na verdadeira aceção do termo. De facto, é um tempo durante o qual não se verificam avanços práticos na resolução da ocorrência. Todavia, quer seja tempo útil ou não, trata-se sempre de tempo que inflaciona a duração de incidente, tempo este que por vezes é de difícil melhoria devido a estar relacionado com a questão de imprevisibilidade de situações ou de condições adversas.

2.5.1 Equipas de piquetes

O número de equipas de piquetes, bem como a disponibilidade destes vai influenciar diretamente a duração do incidente. Caso o número de ocorrências exceda o número de piquetes em serviço, estes vão acumular tarefas havendo assim um tempo extra na duração total do incidente.

2.5.2 Dificuldade na localização do incidente

A localização do incidente pode ser uma tarefa demorada por parte dos piquetes. Na ocorrência de um incidente nem sempre é evidente ou de fácil perceção a área abrangida por este. Por vezes esta área pode ser de grandes dimensões, e a avaliação desta, associada a inúmeras possibilidades de tipos de incidentes e equipamentos afetados, pode ser demorada.

2.5.3 Impossibilidade de chegar ao local do incidente

A ocorrência de um incidente em local de difícil acesso ou sem acesso, influenciará a duração do incidente. Primeiramente, influenciará na identificação da localização do incidente e posteriormente nos trabalhos de reparação.

2.5.4 Falta de recursos pratica e ou técnicos

Com a identificação da causa e ou equipamentos afetados, os piquetes podem não ser a equipa mais apta tecnicamente para a resolução do incidente. Pode suceder também que a equipa destacada não possua os recursos práticos e equipamentos exigidos para resolver o problema de imediato. A deslocação de pessoal técnico bem como o equipamento para resolver o incidente vai, desta forma, influenciar a duração total do incidente.

2.5.5 Impossibilidade por condições meteorológicas adversa

A presença de condições meteorológicas adversas tais como, neve/gelo, neve/gelo de intensidade excecional, chuva, vento, vento de intensidade excecional, nevoeiro, trovoada, impossibilitam a deslocação e atuação por partes das equipas de piquetes. Estes são obrigados a aguardar a melhoria de tais situações, ou a avançar com mais precaução que o normal o que influenciará a duração de incidente.

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2.5.6 Outros fatores

Para além dos fatores anteriormente identificados e descriminados, existem ainda uma quantidade de fatores que podem influenciar a duração do incidente. Fatores como trabalhos extra por causa de quedas de árvores, deslizamentos de terras, incêndios, a má comunicação entre os operadores de sistema e piquetes, entre outros, estão na origem de tempos adicionais à duração total do incidente.

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Capítulo 3

Modelização do Tempo de Reposição

3.1. Introdução

O principal objetivo da presente dissertação é a construção de um modelo de previsão de tempos de reposição de serviço em redes elétricas de MT. Para o desenvolvimento do trabalho, é fundamental possuir uma boa base de registos de ocorrências. Os registos devem conter informações pormenorizadas dos incidentes como o início da ocorrência, duração total do incidente, clientes e potência afetados, causa do incidente e equipamentos afetados.

Quanto maior o número de ocorrências dos registos, melhor será a parametrização do modelo. A EDP forneceu registos de todas as interrupções acidentais ocorridas durante os anos de 2010 e 2011 na rede elétrica de MT, contabilizando um total de 14302 incidentes.

Atualmente, na ocorrência de um incidente, o valor de tempo de reposição do serviço previsto pela EDP corresponde ao valor médio do registo dos históricos. A criação do modelo, propõe que haja uma distribuição linear que faça corresponder o tempo real de incidente ao tempo estimado pelo modelo, tal como representa a Figura 3.1. Nesta, está presente uma série de valor constante, barra a azul, que representa o valor médio do registo de ocorrências analisado. Na ocorrência de qualquer incidente, o valor de tempo para reposição do serviço apresentado é de 142 minutos. O que se pretende com a criação do modelo, é o desenvolvimento de parametrizações de todas as variáveis causais, de forma a realizar-se uma aproximação linear entre o valor de tempo estimado e o tempo real de incidente, ou seja, pretende-se a deslocação da previsão de tempos estimados de forma a fazê-los coincidirem com o tempo real de incidente.

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Figura 3.1 - Aproximação linear de tempo estimado ao tempo real

Neste capítulo opera-se a construção do modelo de previsão de tempo de reposição. Previamente à construção do modelo e de forma a possibilita-la, procedeu-se ao tratamento de dados. Depois do tratamento de dados, são vários os procedimentos levados a cabo. Começa-se pela desagregação das séries de dados caracterizando as variáveis influenciadoras de duração de incidente. De seguida, é feita a parametrização para cada variável e posteriormente para multivariáveis. Após a parametrização de todas as variáveis, dá-se a construção do modelo de previsão final. Por fim, será explicado todo o modelo de previsão recorrendo a um exemplo, mostrando a evolução da previsão de tempo em função das informações que chegam ao operador do sistema.

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