Iniciar a carreira docente, entremeio ao fazer pesquisa, demandou organização pessoal e profissional. Algumas escolhas tiveram que ser eleitas, tanto para dar início ao trabalho docente, quanto para balizar as ações da pesquisa, considerando que ser professora e dar início ao presente estudo foram situações que caminharam entrelaçadas. Escolher o portfólio como instrumento avaliativo contribuiu para a diversificação das atividades de ensino, tornando as aulas mais prazerosas, envolvendo os estudantes na construção e análise de seus próprios conhecimentos. Para a pesquisa, essa escolha permitiu inserir no trabalho docente o objeto a ser investigado. Destarte, ser professora e ser pesquisadora tornaram-se processos que, mesmo diferentes em suas funções e características, uniram-se e, de alguma forma, entrelaçaram-se.
As pastas, que logo se transformariam em portfólios, foram apresentadas às crianças no primeiro dia como regente da turma, dia 7 de outubro de 2013. Cada pasta foi entregue a um estudante para que fosse manipulada. Em todas as capas constavam os nomes das crianças, grafados integralmente em letras maiúsculas, sendo as letras iniciais de cada nome registradas na cor vermelha, pretendendo facilitar o reconhecimento das pastas pelas próprias crianças, principalmente pela identificação da letra inicial do nome.
Tendo por baliza o objeto de estudo e compreendendo que o conjunto de produções e documentos que integram o portfólio evidencia o processo de aprendizagem vivenciado pela criança no decorrer do processo de ensino, demandou relativizar postura centrada em transmissão, recepção, reprodução e obtenção de nota, pela priorização de postura preocupada com o desencadeamento de trabalho pedagógico favorável à participação, compromissada com o pleno desenvolvimento da criança. Subjacente residia a percepção de avaliação como um processo contínuo e cotidiano, marcado pelo interesse investigativo – de professora e estudantes – de formar uma ideia acerca do transcorrer dos processos de ensino e aprendizagem. Conforme a preocupação registrada por Hernández (2000, p. 164),
apropriar-se dos instrumentos. O caso do portfólio não teria porque ser diferente. Em relação a essa contribuição de propagação dessa modalidade de avaliação, queremos fazer notar que a utilização dessa estratégia requer ou se apoia numa concepção de ensino e de aprendizagem diferente da que costuma ser praticada habitualmente entre nós.
Por isso, o trabalho pedagógico carecia favorecer a reflexão, o comprometimento e a ação criticamente informada, integrando a avaliação aos processos de ensino e aprendizagem, abarcando professora e estudantes – crianças de tenra idade – em situações didáticas variadas que, embasando-se em conhecimentos prévios, possibilitassem avanços e superações a cada encontro. A opção foi pela elaboração de sequência de atividades (APÊNDICE C), constituindo em:
[...] uma série planejada e orientada de tarefas, com objetivo de promover uma aprendizagem específica e definida. São seqüências que podem fornecer desafios com diferentes graus de complexidade, auxiliando as crianças a resolverem problemas a partir de diferentes proposições. (BRASIL, 1998, v. 3, p. 108).
O tema norteador da sequência de atividades foi “seres vivos”. Outros assuntos como: “diversidade cultural” e “Natal”, previstos para o quarto bimestre, foram integrados à temática central. Os objetivos gerais estabelecidos para o período de trabalho, em torno de três meses, foram: (1) compreender características de seres vivos e de elementos não vivos, reconhecendo-os em diferentes ambientes; (2) diferenciar seres vivos de elementos não vivos, localizando-os no seu entorno; (3) ampliar o domínio da relação grafema e fonema, a partir dos nomes de seres vivos e de elementos não vivos; (4) compor narrativas orais, evidenciando aprendizagens acerca dos seres vivos e elementos não vivos; (5) proceder a registros quantitativos e efetivar operações matemáticas utilizando imagens de seres vivos e elementos não vivos; (6) compreender a importância dos seres vivos e dos elementos não vivos para o meio ambiente; e, (7) envolver-se na identificação das dificuldades de aprendizagem e na sua superação.
Como a última aula da professora anterior da turma pôde ser observada, utilizou-se a atividade, desenvolvida por ela e pelas crianças, como ponto de partida para a construção da sequência de atividades (Figura 1). A atividade pretendeu caracterizar seres vivos e consistiu-se por recorte e colagem de imagens, que foram coladas em um cartaz, intitulado “Seres Vivos”.
Figura 1 – Atividade construída pelas crianças juntamente com a professora anterior da turma
Fonte: Dados de pesquisa, 2013. Londrina-PR.
Antes de realizarem a atividade, a professora formou uma roda, com as crianças sentadas no chão da sala e explicou-lhes as características dos seres vivos. Após, solicitou-lhes que procurassem figuras de seres vivos em revistas e, ao localizá-las, as recortassem e colassem no cartaz coletivo fixado na parede da sala. Essa atividade foi o ponto de partida para a sequência de atividades, por se configurar desencadeadora de algumas dúvidas e indagações: Será que as crianças realmente haviam compreendido o que eram seres vivos? Será que sabiam diferenciar seres vivos de elementos não vivos? O que era, para elas, seres vivos? Como elas compreendiam os elementos não vivos? Essas indagações, e outras que a elas se somaram, levaram à primeira atividade da sequência de atividades, realizada no dia 07 de outubro de 2013 (Figura 2).
Figura 2 – Primeira atividade da sequência de atividades, realizada por C2
OBJETIVOS DA ATIVIDADE Identificar seres vivos e
elementos não vivos. Diferenciar seres vivos de
elementos não vivos.
Fonte: Dados de pesquisa, 2013. Londrina-PR.
Ao realizar a atividade, ficou claro que o conceito de ser vivo ainda não havia sido apreendido por todos. O participante C2 – e outros (30%) – não diferenciava ser vivo de elementos não vivos. A dificuldade é evidenciada quando, em sua atividade, cola figuras de osso e de pedra exemplificando seres vivos. Várias crianças pareciam não ter clareza do que era ser vivo, não sabendo diferenciá-lo de elementos não vivos. Portanto, as atividades subsequentes foram planejadas com a finalidade de atingir os objetivos gerais e específicos, estabelecidos na sequência de atividades.
A composição do portfólio se deu por diferentes tipos de atividades, previamente planificadas, tendo por referência os objetivos específicos elaborados em desdobramento dos objetivos gerais. Parcela delas era impressa e outras tinham um formato diversificado, como: recorte e colagem, brincadeiras em diferentes ambientes escolares, pinturas e desenhos – que ocorreram em papel, em panos, no chão da quadra esportiva, em modelagem, dentre outros suportes. Estas mereceram registro fotográfico ou filmográfico enquanto as crianças as realizavam. As atividades impressas e as folhas com fotografias das atividades diversificadas eram inseridas nas pastas pelas próprias crianças, orientadas pela professora.