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3 NÚCLEO TEÓRICO-CONCEITUAL

3.3 Processo decisório

É comum encontrar na literatura, autores que afirmam que o ato de tomar decisão é inerente ao ser humano (FREITAS; GLADIS, 1995). De fato, na lida diária, o ser humano vê- se frente a problemas que carecem de uma decisão, a qual para ser tomada requer avaliação, análise dos recursos disponíveis e formulação de alternativas. Contudo, não só o ser humano carece de decisão, as organizações são grandes espaços que sobrevivem com base nas decisões que seus decisores tomam.

De modo genérico, Souza (2002) descreve a decisão como uma sequência lógica para a escolha daquilo que se quer, o que implica dizer que busca-se o entendimento das preferências de um decisor sobre as várias consequências inerentes a uma decisão, a partir das dimensões envolvidas no processo e das relações entre elas, considerando as circunstâncias em que a decisão está sendo tomada.

A decisão está intimamente atrelada às ações das organizações, posto que serve a enfrentar as ameaças que carecem de uma reação eficaz ou a apresentar oportunidades que levem a alcançar os objetivos propostos (JONES; GEORGE, 2012). Assim, compreende-se que a tomada de decisão refere-se ao ato de agir a partir da análise de uma situação contingente do desempenho organizacional.

Para Simon (1974), a tomada decisão está além de fatos: seria uma forma de representar o futuro das coisas. Daí seu formato geral ser apresentado em etapas iniciando-se com a preparação da situação, a visualização dos objetivos, a busca por alternativas, a avaliação, a escolha e a implementação. Seu aspecto grupal é inerentemente sequencial como mostra a figura 13, que amplia a fase de modelagem de Simon (1974).

Figura 13 (3): Modelo racional de tomada de decisão.

Fonte: Baseado em Gomes e Gomes (2007).

A modelagem exibida na figura 13 mostra um processo não estático que se estendia ao longo do tempo, fazendo com que o decisor planejasse os cursos de ações a fim de escolher a melhor alternativa. Mesmo assim, a escolha de uma alternativa não se faz de forma simples, posto que há muitas variáveis envolvidas.

Desta forma, tomando por base as colocações prévias, entende-se que decisão envolve uma escolha, a fim de atingir um objetivo pretendido, ou seja, a decisão acontece quando todos os recursos que foram obtidos são alocados para alcançar o fim almejado desde o início do processo, levando em consideração as discussões dos responsáveis pela tomada de decisão e a existência de alternativas de escolha (SKINNER, 1999; GOMES; GOMES, 2012).

Nesse sentido, a partir do momento em que ocorre um problema, os tomadores de decisão pensam as estratégias de ação para que o problema seja resolvido, considerando a sequência que deve ser seguida para tomada de decisão (HAMPTON, 1990), pois como afirmam Clegg, Kornenberger e Pitsis (2011), a tomada de decisão constitui-se por excelência a tarefa mor da administração. Porém, os gestores e outros tomadores de decisão necessitam de acesso rápido a dados completos, corretos e consistentes, a fim de melhorarem seu desempenho e de seus processos de negócios (TURBAN; VOLONINO, 2013).

Decorrente dessa necessidade, conforme sua sistematização, as decisões podem ser identificadas como estruturadas e não estruturadas. Nas decisões estruturadas, os problemas são corriqueiros e as informações, em geral, já estão disponíveis para suas resoluções (SIMON, 1965; DAFT, 2008). Parte-se do princípio que em decisões deste tipo há um nível de certeza do resultado esperado. Contudo, há situações em que a probabilidade de se encontrar um modelo é incerta. Essa condição muda a maneira pela qual um decisor descobre o caminho para alcançar o objetivo final (ROBBINS; DECENZO, 2004).

Nestas condições, surgem decisões não estruturadas, as quais se referem a casos em que a probabilidade de existência de alternativas para resolver um problema é incerta e não se tem as ferramentas necessárias para solucioná-lo, ou seja, as informações precisam ser coletadas para direcionar as ações para esse tipo de decisão, levando em conta o critério da atualidade (MAXIMIANO, 2010). Nesse caso, afirma-se que há incerteza quanto ao caminho que deve ser seguido para alcançar uma solução que resolva um problema não programado (PEREIRA; FONSECA, 1997; GOMES; GOMES, 2012).

Por este ângulo, em razão das mudanças do ambiente, cada vez mais, as decisões tendem a ser não estruturadas, o quê cria a necessidade da instituição de novos processos de tomada de decisão, como exibido na figura 14, levando em conta dados estruturados e não estruturados disponíveis (DAFT, 2008).

Figura 14 (3): Decisões em ambiente em constante mudança.

Fonte: Baseado em Daft (2008).

Constata-se ainda que os dados podem auxiliar na ampliação da visão das organizações sobre os problemas não-programados no ambiente em constante mudança e podem influir no processo decisório não estruturado (TURBAN, 2004; MAXIMIANO, 2010).

3.4 Informação

A informação é o recurso que sustenta a decisão (FREITAS, 2000), sendo seu valor estratégico (REZENDE; ROSADO, 2002) identificado a partir da análise da importância da sua aplicação no processo decisório (DAVENPORT; PRUSSAK, 1998).

Classicamente, a informação é definida como o resultado do tratamento dos dados, configurando-se como um dos principais fatores de diferenciação para consolidar a promoção de mudanças nas organizações (RODRIGUEZ; FERRANTE, 2000; LAUDON; LAUDON, 2011). As organizações também utilizam a informação para melhorarem seu processo de gestão, a fim de dar mais consistência ao processo decisório (FOINA, 2013).

Certo (2003) discorre sobre como as organizações movem-se em direção à consecução dos seus objetivos, evidenciando a importância que a informação tem para o processo decisório. Nesse sentido, os decisores recebem a informação e a direcionam a determinadas atividades a fim de obterem sucesso. Em outras palavras, a informação constitui uma fonte vital para as organizações, tanto que o sucesso destas resulta do processo de conversão de informação em ações, traduzido no processo de tomada de decisão (GURGEL; RODRIGUE, 2014).

A seu turno, o valor da informação é medido pelo benefício que esta pode adicionar à organização quando for utilizada nos seus processos, a fim de solucionar problemas (FREITAS, 2000). Esse autor, em seguida, aponta os principais fatores para a identificação do valor da informação, que também podem ser visualizados na figura 15:

 Relevância da informação: infere-se que quanto mais relevante uma informação for para a organização, melhor será o resultado da tomada de decisão;

 Qualidade da informação: infere-se que quanto maior a qualidade da informação, maior o seu valor;

 Oportunidade da informação: infere-se que quanto mais rápido a informação for disponibilizada para a tomada de decisão, mais benefícios as organizações terão em seu processo;

 Quantidade da informação: infere-se que esta deve ser suficiente para atender a necessidade de resolução do problema a ser tratado.

Figura 15 (3): Fatores para identificação do valor da informação.

Fonte: Baseado em Freitas (2000).

Porém, um ponto importante a ser considerado refere-se à avaliação da informação ou trato com a informação. Nesse sentido, para avaliar a qualidade da informação se faz mister olhar os seus atributos, os quais, conforme O’Brien (2010), classificam-se em dimensões de conteúdo, forma e tempo.

Assim, pode-se dizer que a informação é utilizada na resolução de problemas encontrados no ambiente organizacional, bem como fora dele, representando subsídio para confrontar as deficiências e angariar oportunidades para a melhoria do desempenho. O desafio subjacente, que aqui se mostra, está em utilizar um mecanismo efetivo de soluções de problemas que, por sua vez, depende da informação correta e da disponibilidade desta para o tomador de decisão (SCHERMERHORN, 2007).

Por fim, Davenport, Marchand e Dickson (2004) chegaram à conclusão de que a informação constitui uma fonte de valor na medida em que os dados armazenados oferecem uma visão sobre o mundo, enquanto que a extração de informação, a partir da análise dos dados armazenados dirigida pela TI, oferece um propósito para a consecução de estratégias organizacionais.

No entanto, considerando a avalanche de dados do presente momento, para adquirir informações, se faz necessário, conforme Laudon e Laudon (2011), o uso de sistemas de informações, baseado em tecnologia de informação.