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3. MÉTODOS E PROCEDIMENTOS

3.3. Processo e coleta de dados

As fontes de coletas foram os prontuários médicos de atendimento ambulatorial, fornecido pelo Serviço de Atendimento Médico e Estatística (SAME), os relatórios de resultado de exames de CD4 e Carga Viral obtidos através do Sistema de Controle de Exames laboratoriais da Rede Nacional de Contagem de Linfócitos CD4+/CD8 e Carga Viral (SISCEL) e as informações de dispensação de medicamentos encontrados no Sistema de Controle Logístico de Medicamento (SICLOM), todos ligados ao Serviço de Atendimento Especializado do Hospital Giselda Trigueiro. Os custos dos procedimentos foram obtidos a partir do estudo de Carvalho (2010). O processo de coleta de dados se procedeu de forma documental. Não houve contato pessoal com nenhuma pessoa vivendo com HIV/Aids.

Como todos os exames laboratoriais de Contagem de Linfócitos CD4+/CD8 e Carga Viral são realizados nos laboratórios de referência devidamente credenciados e registrados no SISCEL e todo o medicamento ARV é distribuído por farmácias vinculadas ao sistema do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais com as devidas anotações no SICLOM, os referidos sistemas foram considerados importantes fontes de coleta de dados.

Os prontuários dos pacientes eram armazenados em envelopes e numerados sequencialmente por ordem de abertura na unidade, mas não seguiam uma padronização quanto às anotações dos dados necessários à pesquisa. As informações dos pacientes quanto aos aspectos sociodemográficos, em geral, não estavam completas. Também foram insuficientes as informações relativas ao diagnóstico inicial da doença, aos registros de co- infecção e de infecções oportunistas, ao tipo de exposição ao HIV, à ocorrência de dependência química e aos demais dados das características clínicas (Critério Rio de Janeiro/Caracas).

O Ministério da Saúde utiliza o Critério Rio de Janeiro/Caracas como um dos meios para considerar casos clínicos de Aids. Esse critério define como caso de Aids, para fins de vigilância epidemiológica, todo indivíduo com 13 anos de idade ou mais que apresentar evidência laboratorial de infecção pelo HIV e, pelo menos, um somatório de 10 pontos, de acordo com a escala de sinais, sintomas ou doenças, apresentado no Quadro 4 (MINISTÉRIO DA SAÚDE, 1998).

Os prontuários eram compostos de formulários datados e preenchidos com os dados do atendimento ao paciente realizado pelo profissional de saúde. Quando completados todos os campos, novo formulário era incorporado ao prontuário. Muitos estavam presos por grampos, mas outros ficavam soltos, o que, em alguns casos, resultava em dificuldades no acompanhamento cronológico dos procedimentos.

O processo de coleta de dados por meio dos prontuários médicos dos pacientes foi dificultoso e demorado. Foi necessário, em muitos casos, consultar profissionais do SAE, como médicos, enfermeiros, farmacêuticos e faturistas de contas hospitalares, para poder desvendar determinados procedimentos.

Sendo o prontuário uma das principais fontes de coleta de dados para as observações das variáveis que impactariam nos custos do tratamento ambulatorial de pessoas vivendo com HIV/Aids, e devido à situação relatada acima, optou-se por desconsiderar a observação de algumas variáveis que se esperava utilizar no início do estudo por não proporcionar mensurações estatísticas ao serem feitas relações com outras variáveis. Se fossem consideradas, faria com que houvesse redução no número de amostras.

SINAIS/SINTOMAS/DOENÇAS PONTOS

Sarcoma de Kaposi 10

Tuberculose disseminada/extrapulmonar/pulmonar não cavitária 10

Candidíase oral ou leucoplasia pilosa 5

Tuberculose pulmonar cavitária ou não especificada 5 Herpes zoster em indivíduo com até 60 anos de idade 5

Disfunção do sistema nervoso central 5

Diarreia por um período igual ou superior a 1 mês 2 Febre igual ou superior a 38º C, por um período igual ou superior a 1 mês 2 Caquexia ou perda de peso corporal superior a 10% 2

Continuação

Astenia por um período igual ou superior a 1 mês 2

Dermatite persistente 2

Anemia e/ou linfopenia e/ou trombocitopenia 2

Tosse persistente ou qualquer pneumonia 2

Linfadenopatia maior ou igual a 1 cm, maior ou igual a 2 sítios extrainguinais, por um período igual ou superior a 1 mês

2

Quadro 4: Critérios para definição de casos de Aids Rio de Janeiro/Caracas Fonte: Adaptado de Ministério da Saúde (1998)

Conforme já relatado, as informações coletadas sobre os exames laboratoriais de Contagem de Linfócitos CD4+/CD8 e Carga Viral que foram realizados no ano de 2009 foram extraídos dos prontuários dos pacientes. Entretanto, nem todas as pessoas cadastradas no SISCEL tinham acompanhamento ambulatorial na unidade referência de tratamento, ou ainda, iniciado o tratamento com ARV, não havendo, portanto, prontuário dessas pessoas. Nesses casos, as informações foram obtidas diretamente no SISCEL.

A dispensação de medicamentos é realizada mensalmente aos pacientes pela farmácia da unidade de referência. Seguindo orientações protocolares, o registro discriminado do medicamento contendo denominação, quantidade distribuída, dosagem e data é registrado no SICLOM. A coleta desses dados foi realizada na farmácia do Hospital-Dia da referida unidade, sendo registrados os medicamentos disponibilizados mensalmente para cada integrante da amostra no período da pesquisa.

Para realizar o procedimento de coleta de dados, foi utilizado o formulário (Anexo) denominado Coleta de informações sobre atendimento ambulatorial e tratamento

antirretroviral (TARV), elaborado por Silva e Tannuri-Pianto (2009), e doravante chamado

Formulário Anexo. Para o registro dos dados em campo, fez-se necessário contratar os serviços de um especialista para desenvolver um software que viabilizasse a coleta, o armazenamento e a emissão dos relatórios referentes aos dados captados para a construção de um banco de dados. Com o andamento da coleta, foi necessário fazer acertos no software para atender as necessidades de ajustes que se apresentaram no decorrer do trabalho.

Os dados coletados das amostras da pesquisa encontram-se no Apêndice A. Cada integrante da amostra recebeu um número sequencial, e os dados colhidos foram registrados em quadros ordenados de forma que permitisse seu processamento. Os

referidos quadros foram elaborados com base no Formulário Anexo, aproveitando os campos que apresentaram informações suficientes para responder ao problema da pesquisa. Para o trabalho de coleta em campo, foi utilizado o software desenvolvido para este fim, denominado CATI HIV BR 1.0, cujas telas são apresentadas no Apêndice E. Os campos que tinham registrados dados de um número pequeno da amostra não foram utilizados devido ao risco de se reduzir o tamanho da amostra.

Da amostra inicial de 250 pessoas, passaram para a fase de análise 219. Foram descartadas 31 amostras por não conterem informações mínimas necessárias em seus prontuários para responder aos questionamentos da pesquisa.

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