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O PROCESSO DE ENSINAR E APRENDER, VISUALIDADE E SUJEITOS SURDOS: QUESTÕES GERAIS

ASPECTOS DA VISUALIDADE E SUJEITOS SURDOS: SUGESTÕES E PARÂMETROS

4.1 O PROCESSO DE ENSINAR E APRENDER, VISUALIDADE E SUJEITOS SURDOS: QUESTÕES GERAIS

A necessidade de discutir sobre aspectos da visualidade na educação de Surdos se deu, entre outros motivos, pelo fato da criação dos Estudos Visuais e ou Cultura Visual e, mais especificamente, dos Estudos Surdos. Cultura Visual é um novo campo de estudo que inclui

alguns elementos de estudos culturais e, como no caso de Estudos Surdos, enfocando aspectos da cultura, língua e signos visuais que apóiam em imagens visuais e sua percepção. Isto se sobrepõe freqüentemente á filmologia, vídeo, internet, e qualquer outro meio que possua um componente visual.

Esses temas se interseccionam a alguns elementos da presente pesquisa da mesma forma, por exemplo, os de gênero e sexualidade, nacionalidade e identidade nacional, colonialismo e pró-colonialismo, raça e etnia, cultura popular e seus públicos, ciência e tecnologia, política de identidade, pedagogia, política da estética, instituições culturais, política da disciplinaridade, discurso e textualidade, história e cultura global (ELKINS, 2003). Segundo Cary Nelson, Paula A. Treichler e Lawrence Grossberg (2002) é importante assinalar seus territórios e paradigmas teóricos que mostram sua diferença, reivindicando um domínio particular do signo, como aspectos da visualidade na educação de Surdos; desenvolvendo um conjunto singular de práticas metodológicas para produzir novos conhecimentos exigidos pelo tema particular.

A terminologia “Cultura Visual” vem sendo utilizada desde 1972 por Michael Baxandall, tendo referências teóricas em Roland Barthes e Walter Benjamin. Mais tarde, George Roeder utilizou a terminologia como “Visual Culture is what is seen”76 e a sua definição é “it hints at the viewer´s share and the work that images do in culture”77. Em 1990, foi implantado na University of Rochester, um programa chamado de Visual and Cultural Studies e, em 1998, na Universidade da Califórnia com o mesmo destino. Aqui, no Brasil, em Goiânia, tem uma universidade voltada pelas artes visuais.

A abordagem da Cultura Visual reconhece a realidade de viver em um mundo de intermediação - culturalmente significativa da experiência visual, como no caso de sujeitos Surdos - e o conteúdo aparece em múltiplas formas, conteúdos e signos visuais e de “transferir” de uma forma para outra. Segundo MIRZOEFF (1999) define Cultura Visual como “uma tática para estudar as funções de um mundo abordadas através de fotos, imagens e visualizações, e não

76 A Cultura Visual é o que se vê.

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através de textos e palavras.”, portanto a imagem visual, no caso da língua de sinais, cuja imagem tem que ser estudada e interpretada culturalmente.

Minhas experiências empíricas contêm informações que podem se transformar em um material didático relacionado aos aspectos da visualidade na educação de Surdos. A língua de sinais, como se sabe, é um dos recursos viso gestual e espacial dos Surdos, onde se insere a sua cultura ao mesmo tempo que a produz e a reafirma. Relacionada a esta modalidade de comunicação há a necessidade de se desenvolver materiais educacionais específicos para que o processo de ensinar e aprender se realize satisfatoriamente. No Brasil, este conteúdo é pouco conhecido, mas o meu estágio como bolsa sanduíche possibilitou encontrar no exterior, Estados Unidos da América, inúmeros materiais.

No tocante dos aspectos da visualidade na educação de Surdos na escolarização dos Surdos com suas demandas de recursos gesto visual e espacial, aproxima-se, sobremaneira da mesma tendência da chamada Sociedade da Visualidade, a sociedade da imagem. Como diz JOBIM E SOUZA (2000), “vivemos na sociedade da visualidade, da esteticização da realidade, da transformação do real em imagens(...).”

Nesse contexto as questões da Surdez relacionadas à comunicação com base em signos visuais se destacam e se coadunam com as características do tempo contemporâneo: a visualidade acima citada. Assim, a Surdez passa a ser considerada e reconhecida por parâmetros diferentes dos tradicionais. Apresenta-se, abaixo, o pensamento de alguns autores sobre tais questões e que já foram ressaltadas por SKLIAR (1998):

- WRIGLEY (1996) afirma que é preciso compreender “a surdez não como uma questão de audiologia, mas a um nível epistemólogico” (apud SKLIAR, 1998, p.10).

- SKLIAR (1998) destaca, por sua vez, que “A surdez constitui uma diferença a ser politicamente reconhecida; a surdez é uma experiência visual;” (p.11). A surdez não é mais considerada como patologia clínica terapêutica e sim como uma “experiência visual”.

- SKLIAR (1995, p.13) lembra que a Surdez está “ancorada em práticas de significação e de representações compartilhadas entre os Surdos”. Os signos visuais e suas interpretações variam de acordo com a subjetividade visual, representatividade visual e pensamento visual dos sujeitos Surdos.

- LUKLIAN (1998) diz que “O conhecimento dos códigos do ver e do olhar de uma cultura visual, possibilita outras interpretações e favorece os “estrangeiros” que se aproximam da comunidade de pessoas Surdas” (idem, p.44), favorecendo o conhecimento pela visualidade e com os signos visuais.

- LANE (1999) aponta que é “mencionada muita coisa sobre as perdas auditivas e nada sobre o aumento da percepção visual e raciocínio.”78.

O tema Aspectos da Visualidade na Educação de Surdos relacionado ao processo de ensinar e aprender os e com os Surdos é pouco pesquisado, estudado e trabalhado aqui no Brasil, por vários fatores:

- ausência de uma política educacional específica para a educação dos Surdos;

- exigência de integração dos componentes curriculares aos aspectos da visualidade na educação de Surdos.

- número mínimo de Surdos/as com formação em Ensino Superior: cerca de 344 formados/as (sem especificar os números de pedagogos/as), segundo os dados do censo escolar de 2003, da Secretaria de Educação Especial – SEE – MEC;

- a política da inclusão, através da Constituição Federal (1988, cap. II, art. 208, inciso III) e da Declaração da Salamanca, bastante atrelada ainda à oralização;

- a área é ainda destinada a poucos, pois os estudos da imagem visual, da semiótica imagética e mesmo da língua de sinais estão presentes como disciplina em raros cursos secundários ou superiores.

- inexistência da formação específica na área de aspectos da visualidade na educação de Surdos.

Esses pontos acima descritos são alguns dos principais obstáculos à escolarização plena do sujeito Surdo e que denunciam a pouca importância aos estudos dos aspectos da visualidade na educação de Surdos ou pedagogia para escolarização de sujeitos Surdos, fato registrado no Brasil e também em outros países. Aspectos da visualidade na educação de Surdos, ou pedagogia surda é assim denominada considerando-se que a mesma pode ser compreendida como aquela que se ergue sobre os pilares da visualidade, ou seja, que tem no signo visual seu maior aliado no processo de ensinar e aprender.

Para deixar mais claro o peso da inserção dos aspectos da visualidade na educação de Surdos em situações do cotidiano escolar, cito abaixo apontamentos de campo de algumas observações realizadas no estágio Gallaudet University (durante minha bolsa sanduíche - 2006), onde eu assisti às aulas da disciplina de Matemática ministradas a alunos Surdos estrangeiros. O meu intuito era de inteirar-me das questões relacionadas aos aspectos da visualidade na educação de Surdos em situações de escolarização de alunos de outros países. O professor da disciplina era um Surdo oriundo da cidade de Nepal que estava ensinando e aprendendo ao mesmo tempo a lógica da equação matemática da divisão, pois nunca tinha percebido a diferença cultural na matemática no caso da divisão. O símbolo da divisão de lá é de ⌐, que é diferente da divisão em outros países. É sabido que alguns sujeitos Surdos têm facilidade na percepção lógica de números, entretanto começaram a aparecer problemas. O professor estava se orientando por um livro didático de matemática e encontrou aí, o motivo do “problema”: a linguagem contida no livro era dirigida aos não-surdos.

Como desejava que o livro didático de matemática fosse transformado contendo nele uma didática para Surdos que facilitasse o entendimento com enunciados mais claros possíveis, empenhou-se, juntamente com seus alunos, na produção de uma didática baseada nos aspectos da visualidade na educação de Surdos. Nos contatos mantidos duas vezes por semana entre os alunos Surdos e o professor Surdo, os mesmos aprenderam juntos muitas questões importantes da visualidade e, entre elas, a mais significativo a ser destacada é a de que as consignas e explicações elaboradas pelo raciocínio dos não-surdos diferem grandemente daquelas

orientadas pelo pensamento visual dos Surdos ao ponto de trazer problemas ao ensino de uma equação que em princípio é simples. Do trabalho dos mesmos resultou também um laço de afetividade muito forte e no final do semestre o professor da cidade de Nepal ganhou, merecidamente, um prêmio como o melhor professor de ELISO da Gallaudet University.

Igualmente acontece com o ensino da língua inglesa como segunda língua aos Surdos estrangeiros. O professor Surdo, Jimmy Challis Gore, norte-americano e nativo da língua de sinais americana por ser um dos membros da terceira geração da comunidade Surda, pesquisador, mestrado e trabalha juntamente com o pesquisador Robert C. Gilles em 1989, desenvolveram uma teoria chamada de Manipulative Visual Language79, que é um recurso básico que incorpora todas as regras básicas da gramática com símbolos específicos que proporcionam aos alunos Surdos as capacidades para construir frases coerentes em Inglês. Manipulative Visual Language pode ser usado como um sistema suplementar no ensino de Inglês, como segunda língua, as gramáticas ou para analisar as regras do Inglês. O resultado tem sido satisfatório para alguns, daqueles que apresentaram dificuldade de compreender a língua inglesa por dominar outra língua distinta do inglês, especialmente, dos Surdos oriundos dos países da China e do Japão, devido às grafias da língua escrita. Para outros, têm sido um ótimo exercício visual e compreensão da infinita possibilidade da existência da universalidade da gramática que a maioria dos Surdos desconhecia. Acabaram aprendendo através as regras da língua inglesa e não das regras das línguas de seus próprios países.

Devido a sua notoriedade na educação dos Surdos, a Gallaudet University, a única faculdade de e para Surdos do mundo, oferece condições de aprendizagem e consulta ao acervo de materiais específicos aí desenvolvidos na perspectiva da cultura e educação por meio da visualidade. Está em andamento a construção de um prédio para o mês de maio de 2008 denominado de James Lee Sorenson Language and Communication Center – SLCC. O novo departamento vai centralizar pesquisas na área de Estudos Visuais.

Esse exemplo inaugura o capítulo quarto desta tese por evidenciar de forma clara os prejuízos para o processo de ensinar e aprender quando a proposta pedagógica que o embasa não respeita as especificidades das comunicações próprias dos sujeitos Surdos, ou seja: no caso o processo se baseou na pedagogia da fala e não nos aspectos da visualidade na educação de Surdos. Tem-se aí uma primeira sugestão: a de que o respeito ao processamento cognitivo da visualidade seja condição essencial à escolarização dos sujeitos Surdos. Quando os professores possuem pouco contato com os Surdos e desconhecem os aspectos da visualidade na educação de Surdos que se estrutura fundamentalmente com signos imagéticos, a importância da percepção visual passa despercebida e provoca conseqüências negativas na comunicação visual e apropriação dos conhecimentos.

Para caracterizar melhor o papel da visualidade na constituição dos sujeitos Surdos, vale lembrar que os próprios Surdos que foram oralizados podem evidenciar dificuldade para ampliar a sua visão de 180 graus em dois lados porque foram treinados com a percepção baseada na cultura fonocêntrica, com ênfase na fala. Isto dificulta o desenvolvimento de uma capacidade visual importante na adequação dos sujeitos Surdos para responderam às demandas do meio ambiente em que se encontram.

Sobre essa mesma questão, durante esse mesmo estágio na Gallaudet University há uma experiência surpreendente com um Surdo oralizado, de origem chilena, residente nos Estados Unidos, estudante de Administração, que foi aos Estados Unidos atrás do “sonho americano” de vencer já que em sua cidade, Santiago no Chile, pouco oferecia oportunidade para “ser alguém”. Na minha concepção Surdista, pensei que todos os Surdos tivessem uma visualidade de 180 graus, independentemente da “surdez” patológica, que é estranhável para mim. Por ser criada na movimentada cidade do Rio de Janeiro e a vivência no mundo dos Surdos, a minha acuidade visual é muito grande assim como é a dos outros sujeitos Surdos, em geral. Nessa ocasião, tentei chamar esse rapaz chileno, a todo custo, para o lado, mas ele continuava não percebendo ou não sentindo ser chamado a uma distância de 3 metros, aproximadamente. Andei mais um pouco para ficar mais perto e chamei de novo, nada aconteceu. Andei até 1 metro e meio e nada acontecia. Andei até chegar perto para poder chamar, tocando no ombro dele. Só assim ele me viu e começamos a conversar. No momento, pensei que fosse o

problema da “visão” ou da síndrome de Usher80. Mas não era nada disso. Percebi que o processo da “oralização” dominou todo o território da visualidade e foi substituído pelo território da “fala”. Ele cresceu oralizado e tinha dificuldade de se comunicar com a família e até com os amigos. Era um rapaz híbrido em busca da sua identidade, cujo território foi desmantelado. Pensei que fosse um caso isolado, mas depois encontrei vários casos semelhantes aqui no Brasil, especialmente, junto aos estudantes de pós-graduação que foram e estão estudando na UFSC como mestrandos/as e doutorandos/as.

ARNHEIM (2004, p.37,) deixou claro que isso também pode acontecer com determinadas pessoas quando apresentam dificuldade de olhar e identificar as imagens de uma fotografia:

Os antropólogos ficaram surpreendidos ao descobrir que, em grupos não familiarizados com a fotografia, as pessoas têm dificuldade em identificar as figuras humanas em tipo de imagens que nos parecem tão “realísticas” pelo fato de termos aprendido a decifrar suas formas divergentes.

Essa “incapacidade” é produto cultural relacionada ao desenvolvimento da percepção. Essas nuances culturais próprias de uma comunidade como a dos sujeitos Surdos podem constituírem-se em entraves ao processo de ensinar e aprender, provocando interpretações equivocadas quanto ao que se chama de dificuldade de aprendizagem. A responsabilidade da não apropriação do conhecimento nos diferentes níveis de escolaridade muitas vezes é atribuída ao aluno e não ao desrespeito das propostas pedagógicas que negam a importância da visualidade.

A não utilização da Língua de Sinais nos contextos de escolarização de Surdos pode trazer grande dificuldade ou até impedir a apropriação dos conteúdos acadêmicos. Não se trata aqui de associar determinados sinais à oralização, mas de sinalizar considerando que a comunicação com signo imagético ou sinal, necessita de certos parâmetros próprios da Língua de Sinais (QUADROS, 2004): Configuração de Mão, Orientação da Mão, Movimento, Locação e Expressões Não-Manuais. Cada parâmetro tem seus signos que precisam estar ligados uns aos

80 A síndrome de Usher é uma doença genética que causa surdez e cegueira. É basicamente uma retinite pigmentosa

de caráter progressivo combinada com deficiências auditivas graves de natureza congênita. É normalmente uma doença autossómica recessiva, afetando uma em cada dez mil pessoas.

outros, e que sem eles, há um desequilibrado no processamento visual e perceptivo, como mostra o exemplo descrito a seguir.

É notório e sabido que a língua de sinais utilizada pela comunidade Surda não é uma língua escrita. Narrativas, literatura, piadas, valores, dicas, sabedorias, metáforas, normas, histórias de pessoas Surdas famosas, fatos corriqueiros, política passam de geração à geração, reforçando os laços que as unem através da língua de sinais, fundamentalmente. A comunicação por meio da modalidade viso-gestual é muito importante e seus signos são elemento de fortalecimento da cultura dos sujeitos Surdos. LANE (1999, p.45) diz que “a língua de sinais não é apenas um meio de comunicação; é também um repositório de conhecimentos culturais e um símbolo de identidade social”. O fato dos Surdos serem ágrafos81, acarreta desvantagem em relação ao povo que possui língua oral82, o mesmo acontecendo com os índios e outros povos que não possuem a escrita. A ausência de escrita contribuiu para que a cultura das tribos fosse praticamente dizimada.83 É como se não houvesse possibilidade de atestar a autenticidade da língua nativa dos índios, como produto simbólico de seus conhecimentos. A preservação da cultura Surda continuava e ainda continua em grande parte, persistindo por causa dos signos imagético-visuais, em memória, que perpetuam e embasam a constituição dos sujeitos Surdos. Do mesmo modo que os signos da narrativa oral dos índios que, mesmo sem a língua escrita, perpetuava, e ainda perpetua, a cultura dos mesmos por milhares de anos, mesmo com as guerras com os brancos, doenças adquiridas e escravidão.

Esses pontos acima comentados têm como objetivo chamar a atenção a uma outra questão importante relacionada ao processo de ensinar e aprender: o registro escrito dos conteúdos “ensinados”. Os signos da língua dos sujeitos Surdos possuem um caráter visual, independentemente da escrita e da oralidade. Esses possuem um “outro” modo de olhar, com percepções do mundo pautadas nesse caráter visual que difere do caráter da fala tendo a palavra

81 Segundo o dicionário Houaiss quer dizer que: “ 1 - que não apresenta sinais gráficos; 2 - que não foi ou não está

escrito; 3 - (1949)Rubrica: lingüística. que não tem escrita Ex.: povos a. 3.1 Rubrica: antropologia. diz-se de cultura, povo e língua que não têm registro escrito.

82 No caso da modalidade oral-auditiva

83Eram 5 milhões e agora calcula-se que apenas 400 mil índios ocupam o território brasileiro, principalmente em

reservas indígenas demarcadas e protegidas pelo governo. São cerca de 200 etnias indígenas e 170 línguas. Porém, muitas delas não vivem mais como antes da chegada dos portugueses. O contato com o homem branco fez com que muitas tribos perdessem sua identidade cultural. (fonte: http://www.suapesquisa.com/indios/)

como signo. O registro por e com a escrita do português pode ser realizada de forma mecânica sem “nada dizer” ao aluno Surdo, mesmo que as anotações sejam feitas por ele. É sabido que muitos alunos não-surdos são exímios copistas sem que compreendam nada do que escrevem. As palavras para eles não possuem valor de signo.

Outra sugestão se relaciona à constituição do sujeito Surdo como ponto pedagógico essencial nos aspectos da visualidade na educação de Surdos. É conteúdo pedagógico de civismo à consciência e instrumentação para a luta pelo respeito à diferença no processo de transformação daquilo que está generalizado acerca da surdez. A busca de uma “política unitária e nacional” como acontece em outros países com independência e quebra dos jugos da visão de “dominância” das resoluções do Congresso de Milão, onde a pedagogia e o seu papel foram submetidos à uma regulagem social baseada numa dada visão sobre a surdez. A partir de então, foram afetadas a Identidade, a Subjetividade, a Cultura, os Currículos, e especialmente, a Pedagogia voltada pela educação dos sujeitos Surdos, um dos aspectos da visualidade na educação de Surdos.

Os aspectos da visualidade na educação de Surdos na escolarização dos Surdos é um tema novo carregado de novos conceitos que se relacionam ao uso da língua de sinais constituída por signos visuais. Sugere a volta da pedagogia que foi usurpada desta comunidade. Os aspectos da visualidade na educação de Surdos na escolarização dos sujeitos Surdos foi praticamente anulada na perspectiva da formação dos mesmos, devido a visão “oralista” e a ausência de currículos especificados na formação dos professores universitários. A crítica da professora Perlin (2008), no texto Teoria da Educação e Estudos Surdos (no prelo) enfatiza que: “(...) mesmo o discurso curricular referente aos Surdos, ou seja, o currículo surdo estava completamente impedido de exercer qualquer influência sobre a educação dos Surdos.”. Os aspectos da visualidade na educação de Surdos na escolarização dos Surdos é, e continua sendo, pouco discutida e pesquisada no meio acadêmico e universitário. Este des”conhecimento” se deve as mesmas concepções “ouvintista” e “dominante” nas esferas acadêmicas e nas instituições envolvidas, com o pensamento único de que a educação dos sujeitos Surdos deve ser tratada no contexto da educação especial ou de que a surdez é uma incapacidade.

SÁNCHEZ (1988), SKLIAR (1998) e outros, procuraram desviar os pensamentos retóricos e teóricos da “incapacidade” dos sujeitos Surdos, no segmento da