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2 REVISÃO DA LITERATURA

2.3 O ESTUDANTE DE CONTABILIDADE NO CONTEXTO EDUCACIONAL

2.3.1 O Processo de Ensino em Contabilidade

No Brasil, além das exigências do mercado de trabalho, a formação do profissional em contabilidade é acompanhada por diversas regras normativas, dentre elas a Lei 9.394, de 20 de dezembro de 1996 - LDB, que estabelece as diretrizes e bases da educação nacional (BRASIL, 1996). Esta Lei também estabelece “os níveis escolares e as modalidades de educação e ensino, bem como suas respectivas finalidades” (SOARES, 2002, p. 43).

De acordo com ela, os níveis escolares dividem-se em: (a) educação básica, que tem por finalidades desenvolver o educando, assegurar-lhe a formação comum indispensável para o exercício da cidadania e fornecer-lhe meios para progredir no trabalho e em estudos posteriores; (b) educação superior, que se destina aos que concluíram o ensino médio ou equivalente, e que tenham sido aprovados em processos seletivos, sendo ministrada em instituições de ensino, públicas ou privadas, com graus variados de abrangência e especialização. (BRASIL, 1996;

SOARES, 2002; PIRES, 2008).

O art. 1º da LDB define que “a educação abrange os processos formativos que se desenvolvem na vida familiar, na convivência humana, no trabalho, nas instituições de ensino e pesquisa, nos movimentos sociais e organizações da sociedade civil e nas manifestações culturais”. A educação escolar se desenvolve ainda por meio de instituições próprias que deverão vincular a educação escolar ao mundo do trabalho e à prática social (BRASIL, 1996).

As regras estabelecidas contribuem para a formação de mão de obra qualificada, de profissionais adaptáveis a novas demandas e exigências, bem como

para a promoção de sólida formação profissional, iniciando-se por meio de projeto pedagógico nas universidades e por currículos flexíveis das instituições de ensino. O Art. 43 da LDB cita que a educação superior tem por finalidade:

(i) estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito científico e do pensamento reflexivo; (ii) formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento, aptos para a inserção em setores profissionais e para a participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e colaborar na sua formação contínua; (iii) incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica, visando ao desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o entendimento do homem e do meio em que vive; (iv) promover a divulgação de conhecimentos culturais, científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de outras formas de comunicação; (v) suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e profissional e possibilitar a correspondente concretização, integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada geração; (vi) estimular o conhecimento dos problemas do mundo presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços especializados à comunidade e estabelecer com esta uma relação de reciprocidade; (vii) promover a extensão, aberta à participação da população, visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na instituição (BRASIL, 1996).

A Resolução CNE/CES 10, de 16 de dezembro de 2004, instituiu as diretrizes curriculares dos cursos de graduação em Ciências Contábeis, em nível de bacharelado, como forma de atender às exigências do mercado de trabalho e às regras formais do ensino superior. Dentre as exigências dessa Resolução, as Instituições de Ensino Superior - IES devem organizar seu currículo voltadas para a formação de profissionais com perfis de competências e habilidades.

A Resolução trata ainda da concepção pedagógica do curso de graduação, que, levando em conta suas peculiaridades, deverá contemplar elementos estruturais, tais como: (i) o objetivo geral do curso, a inserção institucional, política, geográfica e social,(ii) proporcionar meios de integração ao estudante, como objetividade e vocação na oferta do curso, (iii) formas de integração ao curso por meio de realização interdisciplinar e da integração entre a teoria e a prática, (iv) avaliação do ensino e aprendizagem, (v) integração entre graduação e pós-graduação, quando houver, e incentivando a pesquisa como meio necessário de prolongamento das atividades de ensino e como instrumento de iniciação científica e de atividades complementares. (BRASIL CNE/CES 10/2004).

Para atender à demanda do mercado de trabalho e da formação em Ciências Contábeis, isto é, às demandas institucionais e sociais, as instituições

poderão admitir linhas específicas entre os diversos ramos da contabilidade (BRASIL CNE/CES 10/2004).

Quanto à capacitação do futuro contador, o art. 3º da Resolução CNE/CES Nº 10/2004 estabelece que o curso de graduação em Ciências Contábeis deve proporcionar meios para que ele possa:

(i) compreender as questões científicas, técnicas, sociais, econômicas e financeiras, em âmbito nacional e internacional e nos diferentes modelos de organização; (ii) apresentar pleno domínio das responsabilidades funcionais envolvendo apurações, auditorias, perícias, arbitragens, noções de atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, com a plena utilização de inovações tecnológicas; (iii) revelar capacidade crítico-analítico de avaliação, quanto às implicações organizacionais com o advento da tecnologia da informação (BRASIL, CNE/CES 10/04).

O art. 4º da Resolução CNE/CES 10/04 define as condições mínimas para que os cursos de graduação possibilitem a formação profissional do graduado, cumprindo os requisitos de competências e habilidades necessárias para o mercado de trabalho, tais como:

(i) utilizar adequadamente a terminologia e a linguagem das Ciências Contábeis e Atuariais; (ii) demonstrar visão sistêmica e interdisciplinar da atividade contábil; (iii) elaborar pareceres e relatórios que contribuam para o desempenho eficiente e eficaz de seus usuários, quaisquer que sejam os modelos organizacionais; (iv) aplicar adequadamente a legislação inerente às funções contábeis; (v) desenvolver, com motivação e através de permanente articulação, a liderança entre equipes multidisciplinares para a captação de insumos necessários aos controles técnicos, à geração e disseminação de informações contábeis, com reconhecido nível de precisão; (vi) exercer suas responsabilidades com o expressivo domínio das funções contábeis, incluindo noções de atividades atuariais e de quantificações de informações financeiras, patrimoniais e governamentais, que viabilizem aos agentes econômicos e aos administradores de qualquer segmento produtivo ou institucional o pleno cumprimento de seus encargos quanto ao gerenciamento, aos controles e à prestação de contas de sua gestão perante à sociedade, gerando também informações para a tomada de decisão, organização de atitudes e construção de valores orientados para a cidadania; (vii) desenvolver, analisar e implantar sistemas de informação contábil e de controle gerencial, revelando capacidade crítico analítica para avaliar as implicações organizacionais com a tecnologia da informação; (viii) exercer com ética e proficiência as atribuições e prerrogativas que lhe são prescritas através da legislação específica, revelando domínios adequados aos diferentes modelos organizacionais (BRASIL, CNE/CES 10/2004).

Tal Resolução contempla e contextualiza a formação, as habilidades requeridas e o campo de atuação profissional. Portanto, cabe aos agentes de ensino promover meios para atender às necessidades do aluno e da comunidade, adaptando suas grades curriculares e métodos de abordagem em sala de aula na

formação do profissional capaz de cumprir as exigências do mercado e suas próprias perspectivas. Sobre o que se ensina ao aluno, Laffin (2002, p. 29) cita que

“o professor de contabilidade deverá conceber que suas ações devem ultrapassar os limites da transmissão de conteúdos contábeis e a sua relação com outras áreas do saber”. Para Marion e Marion (1998), a metodologia para se transmitir aos alunos os conhecimentos devem estar constantemente em avaliação pelo professor.

No desenvolvimento do conteúdo aos alunos e da grade curricular adotada pelas instituições, Laffin (2002, p. 23) menciona que, tanto quanto à instituição,

“cabe ao professor de contabilidade, através do registro do que ocorreu em sua aula, refletir [...], não como um projeto rígido, mas como uma construção capaz de comportar a sensibilidade e a reflexão sobre as ações dele decorrentes”. Ou seja, o professor é elemento de fundamental importância no ensino do conteúdo ministrado.