Fonte: Elaborado pelo autor a partir de entrevistas e Saída de Campo: 6/06/2012
Entre as empresas que entrevistadas ao longo do processo de campo, em São Ludgero, destaca-se as seguintes ordens para as determinadas empresas: 1 – Ciclo completo, inclusive canais de distribuição para o consumidor final (TerraPlast); 2 – Produção de Flakes, Grãos e Chapas (ArtPlast); 3 – Produção de Flakes (Recalplast)92; 4 – Empresa que utiliza apenas resina reciclável (BianPlast) e 5 – Empresa que intercala resina virgem com reciclada (AbUtilidades). Além destas empresas destacadas, existem outras recicladoras em São Ludgero que não foram possíveis entrevistar nesse estágio de pesquisa.
Como ponto de partida para o enquadramento das recicladoras com o diagrama 5 da CPPP – reciclados, destaca-se a Empresa ArtPlast que no seu processo produtivo está especializada nas resinas PET, PE e o PS, que adentram a empresa sobretudo nas formas de garrafas de refrigerantes e copos descartáveis. Ao longo do processo produtivo, ocorre a transformação em granulados, flakes ou chapas de PET, destinados para a indústria de transformação. Portanto a empresa “interrompe” o processo na sua 6ª etapa, não transformando a matéria.
No Brasil, segundo a ABIPLAST (2012) apenas 13% do material reciclado é retransformado em grãos via extrusão, em contrapartida 65%
geram apenas os flakes. A empresa Artplast utiliza o processo dos flakes para o PET e retransforma em grãos o PE e o PS. Destaca-se que determinadas empresas recicladoras progressistas de São Ludgero, estão migrando para a produção dos grãos, como maneira de agregar valor ao produto, entretanto noutro extremo, observa-se empresas copiadoras intensivas em trabalho que apenas lavam e moem sucata.
Por outro lado, no ramo de reciclagem dos PETs está se acenando para o processo de transformação dos flakes em bobinas (Chapas), que servem para rodar nas máquinas termoformadoras das indústrias de forminhas de morango, formas de gelo, potes, vasos, etc. Nesse caso a Artplast torna-se a empresa de reciclagem mais avançada de São Ludgero, na medida em que abriu em Janeiro de 2012 uma nova planta para a produção das bobinas. Nesse sentido a novíssima indústria de reciclagem no Município apresenta-se num processo de agregação de valor na mercadoria, tudo num movimento de interação com os clientes que se tornaram mais exigentes na medida em que os produtos gerados de matérias recicladas passaram a ser aceitos pelo mercado e autorizados pela Anvisa para embalar frutas, verduras e legumes.
Tendo em vista o processo produtivo, destaca-se que a matéria prima da ArtPlast é adquirida na forma de fardos de sucata, oriundos em pequena escala das relações diretas com as indústrias de Urussanga e em grande parte via relações com sucateiros (intermediários), que tem como função crucial a pré seleção das sucatas adquiridas dos catadores, sendo a pré seleção um dos fatores fundamentais para o tipo de empresa especializada em reciclar. Nesse sentido no Brasil, esses intermediários sucateiros apresentam-se como Cooperativas de Catadores, Prefeituras com Coleta Seletiva, ou até Empresas Sucateiras, que são responsáveis juntamente com os catadores p. ex., pela comercialização de 68% da sucata PET (ABIPLAST, 2012).
Atualmente os negócios dos catadores e sucateiros mostram-se promissores, entretanto, dada a limitação dos investimentos, apesar das expansões recentes. Segundo a ABDI (2009), é devido a isso que se tem limitada a reciclagem no país, ou seja, pela falta de sucata, de coleta e a baixa atuação dos intermediários, das prefeituras e das coletas seletivas.
Tais apontamentos gerais podem ser observados na fala do gerente de produção da ArtPlast, “(...) hoje a gente não ta tendo condições de achar matéria prima para trabalhar dois turnos”. A empresa transforma 10 toneladas dia de PET (300 ton. mês), e o processo encontra-se em ociosidade devido a falta de sucata, carência que reflete no encarecimento do PET, estimulado pela intensificação da procura por parte das empresas recicladoras, que imprimem relações concorrenciais abertas e intensa em busca de sucata. O sinal dessa procura está no preço que atingiu R$1,60 /
R$1,80 o kg do PET, relativamente elevado se se comparar com as latinhas de alumínio que não giram a cima dos R$2,50.
O encarecimento da sucata é resultado das relações antagônicas que se acirram entre os sucateiros na busca dos catadores, pois o acirramento concorrencial entre empresas na busca da sucata impulsiona a disputa entre intermediários pelo coletor urbano (Diagrama 7 abaixo): “Nós trabalhamos com diversos sucateiros que se chama né; são os caras que compram dos catadores e fecham a carga. Lá que é a briga. Vai um hoje oferece R$ 0,03 centavos a mais e já leva a carga. O mercado hoje mesmo, principalmente no PET é um absurdo” (Gerente de Produção – ArtPlast). Essa mesma tendência é observado também nas sucatas de PE e PS, principalmente porque não se tem copinhos suficientes nas mãos dos sucateiros para abastecer a indústria.
Interpretando o diagrama 7 abaixo, pode-se perceber o problema enfrentado pela ArtPlast, dada a concorrência que se abate pela sucata, nesse caso pré selecionada. Porém, é importante ressaltar, que o que é problema para as empresas, pode estar impulsionando a profissionalização e a melhoria na remuneração dos envolvidos com os processos a jusante dos negócios da reciclagem.
Nesse sentido, observa-se que os problemas das empresas estão localizados nos sucateiros que perceberam na seleção do lixo, a via para precificar a sucata, pois o PET é precificado em relação aos copos de PE e PS, que são mais elevados que sacolas, frascos de shampoo, ou demais plásticos de 2ª / 3ª linha. Por outro lado, nas mãos dos catadores encontram- se os trabalhos mais intensivos e aparentemente aqueles menos remunerados, sendo que esses catadores não descriminam nenhum tipo de sucata: Ferro, Madeira, Plástico, etc.
Diagrama 7: Demonstrativo das Relações e Funções dos Atuantes na