A indústria têxtil-confecção constitui um ramo tradicional da indústria de transformação que se caracteriza pela mudança de matérias-primas e insumos em produtos – fios e tecidos – que serão utilizados na produção de outros produtos melhor definidos. Por se tratar de um segmento de bens de consumo não duráveis é demandada por toda sociedade. O complexo têxtil-confecção é caracterizado pela descontinuidade das operações, ou seja, por uma cadeia produtiva linear onde os produtos finais de cada etapa são os principais insumos das etapas seguintes.
Por trabalhar tanto com fibras químicas quanto naturais, a cadeia têxtil faz parte de um complexo de setores de atividades tendo sua base na agricultura (com a produção de fibras naturais de algodão, linho e juta) e na pecuária (na produção de lã), passando pela indústria química produtora de fibras sintéticas e artificiais além de tintas e agentes químicos, pela indústria de bens de capital que contribui com o fornecimento de máquinas, equipamentos e
transporte, e também pelo setor terciário que é responsável pela comercialização dos produtos finais.
Algumas características do setor têxtil permitem que quase todos os países sejam produtores desses artigos. A divisão do trabalho fortemente presente no segmento se apresenta como facilitadora do acesso às matérias-primas, produtos intermediários e outros insumos. A tecnologia básica dos processos produtivos aparece incorporada nas máquinas e equipamentos que também não apresenta dificuldades de acesso. Em razão das descontinuidades operacionais existe a possibilidade da flexibilidade na organização da produção e a existência de empresas com diferentes escalas de produção.
Segundo Prochnick (2002) a cadeia têxtil-confecção é formada por seis elos principais:
beneficiamento de fibras têxteis naturais, fiação e tecelagem de têxteis naturais, fiação e tecelagem de têxteis químicos, outras indústrias de tecelagem, malharia e vestuário. A estes se devem adicionar as etapas de acabamento de produtos e o elo do comércio final. A Figura 03 apresenta esquematicamente como estão dispostas as atividades produtivas da cadeia têxtil-confecção segundo a perspectiva do autor.
A primeira etapa da cadeia produtiva é o beneficiamento das fibras naturais, que são provenientes de animais e plantas que podem posteriormente serem misturadas às fibras químicas que podem ser artificiais ou sintéticas. As fibras artificiais são obtidas a partir da fibras artificiais ocorre pela transformação de substâncias químicas pastosas em filamentos endurecidos por meio de operações de solidificação (Mezzari, 2001). A produção de fibras químicas envolve um aprimorado processo de desenvolvimento tecnológico o que as torna o ponto tecnológico principal desta cadeia, seja por suas características estéticas, por sua praticidade ou por sua maior produtividade no processo de tecelagem.
O segmento da tecelagem configura o elo mais importante da cadeia têxtil. É na tecelagem que o fio é transformado em tecido através da atividade dos teares que entrelaçam conjuntos de fios em ângulos retos que resultam em tecidos planos. Nesta etapa do processo destacam-se o desenvolvimento de algumas tecnologias importantes ao longo do tempo como a utilização de softwares como o CAD/CAM e a mudança dos teares com lançadeiras para os sem
lançadeiras que garantem mais agilidade na produção, além de oferecer maior diferenciação ao produto.
Figura 03 – Processo produtivo na cadeia têxtil-confecção Fonte: Prochnik (2002).
A malharia é a etapa seguinte onde os tecidos de malha resultam de processos técnicos de laçadas de fios incompletas que se interpenetram (Mezzari, 2001). Conforme for o processamento do fio, o processo de fabricação de malhas pode se dar por trama ou urdume utilizando-se teares circulares ou retilíneos. Os chamados não-tecidos são produzidos através do processo de agrupamento de fibras unidas por fricção, costura ou colagem que saem diretamente da indústria (química) para a confecção e geralmente são produtos descartáveis como fraldas e absorventes.
A etapa de acabamento ou beneficiamento do tecido é especificada por Mezzari (2001) a partir de três fases distintas. Num primeiro momento são realizados procedimentos, como a flambagem, para a remoção de impurezas ocasionadas pelo processo de fabricação. Na fase seguinte ocorrem as atividades de tingimento e estampagem que proporcionam cores e desenhos ao produto têxtil. Na etapa final, por meio de tecnologias específicas, procura-se agregar ao produto têxtil estabilidade dimensional e algumas características específicas como brilho e suavidade ao tato.
Por fim, a etapa de confecção é composta por ramificações que variam conforme a matéria-prima empregada, o tipo de artigo confeccionado e sua utilização. O ciclo de produção nesta etapa é composto por diferentes fases: design, confecção dos moldes, gradeamento, elaboração do encaixe, corte e costura. A indústria da confecção apresenta grande heterogeneidade em seus produtos incluindo artigos de cama, mesa e banho, variados tipos de roupas e acessórios, produtos industriais como feltros para limpeza, filtros industriais, revestimento para móveis e veículos, entre outros. Porém, o segmento mais representativo deste elo é o do vestuário, que agrega um grande número de produtores, possui processo de produção dinâmico em função das mudanças da moda e está em constante desenvolvimento, principalmente no que tange ao design.
Ao longo da cadeia, as etapas são independentes, porém, guardam entre si uma lógica de produção que as tornam conexas, já que o tecido a ser fabricado requer determinado tipo de fio e condiciona as possibilidades de acabamento e confecção. Ressalta-se, neste contexto, o papel exercido pelo mercado final devido à incerteza relacionada às rápidas alterações nas preferências dos consumidores e aos custos de manutenção de estoques.