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Processo 6

No documento Relatório de estágio (páginas 113-118)

Anexo VII - Processo 6

Identificação:

Amélia, do sexo feminino, tem 74 anos, é solteira e tem 3 filhos. Estudou até à 4ª classe. É natural de Barcelos e está no Lar Nossa Senhora da Misericórdia da SCMB há 7 anos.

Encaminhamento/Tipo de Porblema:

A Sra. Amélia foi encaminhada para os serviços de Psicologia por ter o diagnóstico de Deficiência Mental e por precisar de cuidados continuados, e também por viver sozinha.

Problema:

No encaminhamento para atendimento da estagiária de psicologia, foi dito pelas enfermeiras e funcionárias que a Sra. Amélia tinha comportamentos agressivos e que, às vezes, se tornava intolerante com algumas situações, mas que o acompanhamento era necessário para que começasse a manter um comportamento adequado e estabilizasse o humor que variava muito. Foi esclarecido que o diagnóstico principal da utente era o de Deficiência Mental.

A Sra. Amélia refere, logo nas primeiras consultas, que teve um acidente em que foi atropelada em idade jovem e ficou com uma pequena cicatriz na cabeça. Desde então, foi-lhe diagnosticado Deficiência Mental e começou a frequentar consultas de Psiquiatria.

Os problemas que apresenta, em consulta, são relativos ao contato social que tem no lar. Refere estar isolada a maior parte do tempo, no entanto, gosta muito de trabalhar na lavandaria do lar.

Outra das razões que preocupam a utente é a dentição. A Sra. Amélia tem problemas graves de dentição, acompanhados por um hálito desagradável que a inibe socialmente.

O diagnóstico de Deficiência Mental não a incapacita de forma severa. Sendo que esta pratica as atividades diárias e de arranjo pessoal, assim como mostra facilidade em falar dos assuntos; mostra-se capacitante em tudo o que faz, e diz fazer, fora da hora de consultas.

Tem diabettes mellitus.

Estado Mental e Observação:

A Sra. Amélia esteve disponível desde o início das consultas para o acompanhamento psicológico: “fico contente por saber que me vai ouvir, por favor venha mais vezes”.... (sic). Mostra atenção ao que lhe é dito, mantém o contato ocular e revela bom humor. Ao nível do

pensamento, há uma certa perseveração relativamente a algumas histórias passadas na infância e na idade adulta. Tem má articulação de palavras (às vezes não se percebe o que diz) e o discurso é confuso, lento, com paragens e flashbacks, mas não mostra problemas de memória, pois lembra-se de muitas coisas que lhe foram contadas (no passado e no presente). Além disso, mostra orientação alopsíquica. A indumentária é adequada, e a idade aparente é coerente com a idade real.

O mau comportamento, descrito inicialmente pela parte da enfermagem, relativo às problemáticas principais da utente, não foi percebido durante o acompanhamento psicológico. É provável que esse acontecesse noutras situações que não em consulta e, por esse motivo, o mesmo não pôde ser observado pela estagiária. Posteriormente, fez-se uma intervenção para que o comportamente agressivo se modificasse e se tornasse num comportamento mais adequado. Relativamente ao humor, a maior parte das vezes apresentou bom humor nas sessões, salvo exceções em que se queixou de não conseguir fazer amizades no lar e de se isolar dos restantes colegas, apresentando por isso um humor depressivo.

Breve descrição da História do Desenvolvimento Psicossocial e Institucional

A Sra. Amélia sente tristeza ao contar o acidente que teve na infância e que a deixou com uma cicatriz na cabeça e com o diagnóstico de deficiência mental.

Relativamente à rede de suporte, esta namorou 5 anos com um senhor que conheceu, mas com quem não casou e, dessa relação, teve 3 filhos. Um dos filhos está a viver no Brasil, outro na Venezuela e outro em Barcelos, mas tem poucas visitas destes no lar. O pai e a mãe já morreram e a utente conta que a mãe morreu quando ela tinha 13 anos; diz que foi marcante e muito triste. Tem nove irmãos mas, atualmente, não tem proximidade e grande relação com nenhum em especial.

Relativamente à história educacional e profissional, tem a 4ª classe e foi doméstica a vida toda.

No que concerne à história institucional, a utente está no lar há 7 anos, diz que gosta muito e que prefere a vida que tem desde a entrada no lar à vida anterior. Diz que esteve muito tempo internada e que passava muito tempo sózinha em casa, sem cuidados e sem companhia. Por estas razões, explica que a instituição foi a melhor oportunidade que teve para viver com harmonia e para se sentir segura. Tem um gosto especial por estar na lavandaria do lar a trabalhar com as funcionárias, passando lá grande parte do tempo, onde trabalha e convive. A relação que tem com os outros utentes do lar é boa, mas podia ser melhorada, pois

esta isola-se muitas vezes.

A Sra. Amélia veste-se sozinha e pratica a higiene pessoal sózinha. Refere que adora comer mas que tem de ter cuidado com o peso e com a dentição. Tem boa actividade psicomotora mas ao nível da visão parece ter estrabismo.

Avaliação Psicológica/ Resultados

Na avaliação psicológica da utente foi utilizada a entrevista de Anamnese – Idoso. De seguida para perceber melhor os sintomas apresentados foi utilizado o MME e a EDG.

No MME, esta apresentou uma nota T de 30, o que com o seu grau de escolaridade (4º ano) e sendo doméstica, não indica défice cognitivo.

Na EDG, a Sra. Amélia, apresentou depressão ligeira com uma nota T de 16 pontos. Desta forma foi proposto na intervenção, trabalhar os sintomas depressivos e o mau comportamento, assim como o isolamento descrito ao longo da Anamnese pela própria utente.

Diagnóstico Multiaxial (DSM-IV-TR, 2006)

Eixo I: Sem diagnóstico

Eixo II: 319 Deficiência Mental, Gravidade Não Especificada [F79.9] Eixo III: Diabetes Mellitus

Eixo IV: Problemas com o Grupo Primário: Os filhos vivem longe e falam-lhe poucas vezes

Eixo V: AGF = 40

Diagnóstico Diferencial

Uma vez que o diagnóstico da Sra. Amélia é o de Deficiência Mental de Gravidade Não Especificada, diferencia-se de:

Perturbações da Aprendizagem ou Perturbações da Comunicação, que não estejam associadas com a Deficiência Mental, uma vez que no caso destas, o desenvolvimento numa área específica está alterado, mas não há um défice generalizado do desenvolvimento intelectual e do funcionamento adaptativo.

Perturbações Globais do Desenvolvimento, uma vez que nestas, existe um défice qualitativo no desenvolvimento da interacção social e um desenvolvimento das aptidões de comunicação social verbal e não-verbal. No entanto a Deficiência Mental acompanha muitas vezes estas Perturbações.

Demência, pois este diagnóstico requer que a incapacidade da memória e outros défices cognitivos representem um declínio significativo em relação a um nível de funcionamento anteriormente mais elevado.

Funcionamento Intelectual Estado Limite, esta categoria é usada quando o foco de atenção médica é um comportamento anti-social do adulto, que não se deve a Perturbação Mental e descreve um QI superior ao exigido para a Deficiência Mental.

Objetivos Estratégias Terapêuticas e Principais Resultados

Alguns sujeitos com Deficiência Mental são passivos, calmos e dependentes, outros, no entanto, podem ser agressivos e impulsivos; a falta de comunicação pode predispor a condutas disruptas e agressivas que substituem a comunicação verbal.

Desta forma, e porque a Sra. Amélia se isolava muito, foi feito um Treino de habilidades sociais. Posteriormente a isto, foi realizado o Registo diário de alimentação para que a utente conseguisse perder peso. A meio das sessões foi feito um Treino de estimulação cognitiva com a identificação de objetos. Por último, tendo em vista a melhoria do comportamento e o humor depressivo, foi realizado nas últimas sessões um registo diário do humor.

No final das sessões foi realizada, uma nova avaliação, em que se realizou a EDG, que indicou que o humor se tinha alterado de depressivo para normal. Relativamente ao MMSE, os resultados foram idênticos.

No documento Relatório de estágio (páginas 113-118)

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