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3 A Indústria da Madeira de Serração

3.2 Caracterização do sector

3.2.4 Processos da cadeia de valor

Este subcapítulo pretende detalhar os macro processos do Sector Florestal (Extracção da matéria-prima; Processo Produtivo; Distribuição e Consumo; e Reciclagem / Recuperação) na Indústria da Madeira de Serração, de forma a constituir-se a base para a definição posterior de uma arquitectura de processos para a Indústria das Serrações de Madeiras em Portugal.

A Figura 15 é uma tentativa de fazer um mapeamento entre os macro processos do Sector Florestal e os processos específicos da Indústria da Madeira de Serração. A cor azul estão representados os macro processos do Sector Florestal, e a verde estão os processos da Indústria da Madeira de Serração. Nesta figura também se destaca a presença de um quadrado amarelo, que pretende representar o processo de recolha, processo este que não se encontra implementado na maioria das Serrações de Madeiras em Portugal (nas oito Serrações de Madeiras visitadas no estudo nenhuma tinha este processo) e que pode ser uma mais-valia para esta Indústria, conforme já referido anteriormente na apresentação do conceito de Logística Reversa.

Sector Florestal

Indústria de Madeira de Serração Indústria da Cortiça Indústria da Pasta e Papel Energia (Biomassa) Extracção da Matéria Prima Processo Produtivo Distribuição e Consumo Reciclagem / Recuperação

Figura 15 - Mapeamento entre os macro processos do Sector Florestal e os processos específicos da Indústria da Madeira de Serração Para uma percepção mais clara dos processos da cadeia de valor da fileira de Indústria da Madeira de Serração, é preciso compreender que dentro desta mesma cadeia existem duas sub- cadeias de valor, a 1ª Transformação e a 2ª Transformação.

Na sub-cadeia da 1ª Transformação reside o início da cadeia de valor da fileira da Indústria da Madeira de Serração, uma vez que é nesta que se utiliza pela primeira vez a matéria-prima principal no seu estado mais bruto. A Indústria das Serrações de Madeiras em Portugal situa-se nesta sub-cadeia, sendo, como conforme já referido, o pinheiro bravo a sua principal matéria- prima. O produto final vendido nesta sub-cadeia será na maioria das vezes a matéria-prima principal da sub-cadeia da 2ª transformação. Nalguns casos, existem empresas nesta fileira que têm ambas as sub-cadeias no seu negócio (nas visitas efectuadas não foi constatada nenhuma Serração de Madeiras com a sub-cadeia da 2ª transformação).

Conforme é possível visualizar na Figura 15, esta cadeia inicia com o processo de Aquisição de Matéria-Prima. Este processo pode ser despoletado de duas formas, isto é, dependendo da gestão da Serração de Madeiras relativamente aos seus stocks. Nesse sentido, o processo pode iniciar-se devido à não existência de stock para responder a uma encomenda de um cliente de um determinado produto (stock zero) ou devido ao stock da Serração de Madeiras ter atingido o stock mínimo tendo necessidade de reabastecer-se. A aquisição de matéria-prima pode ser

Extracção da Matéria Prima Processo Produtivo Distribuição e Consumo Reciclagem / Recuperação Aquisição de Matéria Prima 1ª Transformação 2ª Transformação Venda Fluxo Principal Fluxo Alternativo Recolha Legenda:

realizada de três formas: em pé; cortada na floresta; e à porta da fábrica. A primeira situação, em pé, ocorre em empresas que possuem uma equipa de recursos humanos para intervir na exploração florestal (ou têm este serviço subcontratado), sendo que o comprador da Serração de Madeiras (Aprovisionamento) adquire um conjunto de árvores por um determinado valor (este valor pode ser fixo – é realizada uma oferta global pelo conjunto de árvores, ou o valor é variável consoante o peso das árvores ou a sua quantidade), a equipa procede ao abate das árvores (ou a empresa contratada), e finaliza com o transporte das árvores para as instalações da empresa (o transporte pode ser subcontratado ou realizado por recursos internos). Na segunda situação, cortada na floresta, a Serração de Madeiras não necessita de ter recursos humanos para intervir na exploração florestal, tendo apenas de tratar do processo logístico de transporte das árvores para a Serração de Madeiras (esta pode subcontratar este sub-processo ou ter os meios necessário para a realização desta operação, conforme já enunciado na forma de aquisição anterior). Por último, à porta da fábrica, a Serração de Madeiras compra a matéria-prima e esta é disponibilizada directamente nas instalações da empresa, sendo que o preço da matéria-prima geralmente é realizado através do cálculo do peso e da multiplicação por um determinado factor que tem em consideração a qualidade da matéria-prima.

Concluído o primeiro processo, a aquisição da matéria-prima, a matéria-prima sofre uma triagem, podendo ser separada pelo seu diâmetro, e/ou comprimento, e/ou forma. Esta separação permite à empresa fazer uma valorização diferente da matéria-prima que dispõe consoante os parâmetros anteriores (diâmetro, comprimento e forma). Em algumas Serrações de Madeiras estas vendem directamente a matéria-prima adquirida, sem sofrer alterações. Esta matéria-prima pode ser vendida principalmente por duas razões: por ser matéria-prima que não é adequada para os produtos que a Serração de Madeiras produz (árvores de diâmetro inferior ao que utilizam; outro exemplo é a aquisição de eucaliptos, em que esta matéria-prima é vendida directamente à Indústria da Pasta e Papel) ou porque é um negócio da própria Serração de Madeiras, em que para além da sua actividade principal, transformação da madeira, vende a outras Serrações de Madeiras a matéria-prima.

Com a matéria-prima nas instalações da empresa, esta irá sofrer determinados processos de transformação, sendo estes processos iniciais designados por processos de 1ª transformação. Assim, o processo inicial será o descasque do fuste da árvore (Figura 16). Embora a árvore já possa ter sido previamente descascada na exploração florestal, geralmente em todas as

Serrações de Madeiras existe uma máquina em que o tronco da árvore (toro) irá passar para ser descascado. Neste processo é gerado um toro limpo e casca. Este processo é muito importante nas Serrações de Madeiras, uma vez que a casca muitas vezes contem areia e pregos, o que irá condicionar as operações posteriores de serragem, danificando as lâminas de corte. A casca produzida é considerada um subproduto, sendo posteriormente vendida (destacando-se a exportação para jardins) ou aproveitada pela Serração de Madeiras como combustível para as suas caldeiras.

Figura 16 - Descasque do fuste da árvore

Após o descasque, o toro limpo está pronto para sofrer um novo processo, o corte (Figura 17), isto é, a serragem do toro para a produção de tábuas (ou pranchas) com determinada espessura.

Máquina fixa

de descascar

Toros

descascados

Casca

Entrada do toro

Figura 17 - Serragem do toro (corte) - imagens recolhidas das visitas efectuadas e do website da empresa fornecedora de ferramentas de corte para trabalhar madeira J.F.J.

O corte é a principal operação de uma Serração de Madeiras, sendo que este condiciona o rendimento que a Serração de Madeiras irá conseguir da matéria-prima adquirida (este rendimento é geralmente calculado pela relação entre as toneladas de matéria-prima necessária para a produção de um metro cúbico de madeira serrada). Devido às irregularidades existentes no toro, a posição em que este é colocado na máquina de serragem é determinante para o seu rendimento. Este corte do toro limpo gera as tábuas com determinada espessura e com determinada qualidade (a qualidade não está subjacente ao processo de corte, mas sim ao toro, uma vez que este poderá ter galhos ou gerar uma tábua sem irregularidades). Na Figura 18, estão presentes as nomenclaturas das peças serradas. A Serração de Madeiras considera as peças 1, 2 e 3 como costaneiras, sendo que estas poderão ter um maior aproveitamento como será explicado posteriormente, e a peça 4 como tábua ou prancha. As costaneiras são consideradas pelas Serrações de Madeiras como subprodutos, bem como a serradura que é gerada no processo de serragem.

Serra de Fita vertical que irá efectuar a Serragem do toro

Toro descascado que irá ser serrado

Serra de Fita vertical que irá efectuar a Serragem do toro

Figura 18 - Peças serradas (Graça, 2007)

Nesta fase, estes três produtos, tábuas, serradura e costaneiras, já podem ser comercializados. A serradura, devido a ser altamente inflamável, pode ser vendida para empresas que necessitam deste produto para as suas caldeiras, e também utilizada pela própria Serração de Madeiras para a sua caldeira. As Serrações de Madeiras usam nas suas caldeiras serradura ou casca (gerada no processo de descasque), sendo que as que usam serradura indicam que preferem este subproduto em detrimento da casca devido à casca conter areia e pregos, podendo trazer problemas futuros às suas caldeiras. As caldeiras existentes nas Serrações de Madeiras são geralmente utilizadas para o processo de Secagem, que será posteriormente explicado com um maior pormenor. Além desta utilização directa da serradura, este subproduto pode ser alvo de novas transformações, quer na própria Serração de Madeiras, quer para clientes deste tipo de produtos, sendo de destacar o seu uso para produção de celulose (indústria da pasta e papel), produção de pellets (combustível de granulado de serradura de madeira prensada), e produção de aglomerado (chapa prensada, formada pela concentração de serradura, geralmente de pinheiro ou eucalipto, unida por resina sintética). As costaneiras são o subproduto gerado pela separação da madeira útil do toro original, existindo geralmente a produção de quatro unidades por cada toro (embora dependendo da forma de serragem da Serração de Madeiras). Estas costaneiras podem ser posteriormente aproveitadas, conforme referenciado, sendo desdobradas em tábuas de menores dimensões e gerando um subproduto a que se dá o nome de aparas. Finalizando, as tábuas, produto principal das Serrações de Madeiras, geralmente continuam em processos de valorização, não sendo imediatamente vendidas.

Para a preservação deste material, as tábuas, este pode ser alvo de diversos tratamentos, sendo o mais comum o tratamento anti-azulamento (o azulamento caracteriza-se pela alteração de cor da madeira, podendo produzir perdas económicas consideráveis, sobretudo em aplicações de carácter decorativo). O tratamento pode ser efectuado por secagem da madeira em estufa (teor de humidade abaixo dos 18-20%), no entanto sendo este processo lento e caro (muitas Serrações de Madeiras não têm estufas secando a sua madeira “ao tempo”) e existindo risco da ocorrência deste problema até ser atingido o teor de humidade necessário, geralmente é aplicado um tratamento químico, sendo este realizado através da imersão da madeira numa solução (contendo produto protector) durante alguns minutos.

O tratamento por choque térmico, é outro processo que tem vindo a ganhar cada vez mais preponderância nesta fileira, derivado do problema do nemátodo da madeira do pinheiro (verme microscópico do grupo das lombrigas que ataca preferencialmente pinheiros e outras árvores resinosas). Este tratamento é exigido por lei para ser possível exportar esta madeira, mesmo que não esteja contaminada com esta praga. O tratamento por choque térmico consiste no tratamento térmico da madeira a 56º C durante 30 minutos, tratamento este que muitas Serrações de Madeiras não possuem nem têm capacidade financeira para adquirirem. Em alternativa, era possível anteriormente efectuar o tratamento por fumigação com brometo de metilo, no entanto, este tratamento é agora proibido. Finalizando os processos de valorização comummente existentes na 1ª transformação, falta referir o processo de Secagem. A Secagem consiste em eliminar a água existente na madeira, a fim de evitar variação da dimensão (a madeira contrai-se conforme vai secando e expande-se conforme absorve humidade – sendo que a secagem diminui a variação da dimensão evitando futuros empenos e rachadelas), obter maior resistência (melhora as propriedades mecânicas, sendo de destacar a flexão estática, a compressão, a dureza, entre outras, e as propriedades de isolamento) e evitar a putrefacção (redução dos riscos de ataque de fungos). A Secagem pode ser efectuada por dois processos: secagem em estufa e secagem ao ar livre. Profissionais do sector indicaram, através das entrevistas, que a secagem ao ar livre é a melhor para a qualidade do produto final, uma vez que é um processo mais lento, logo menos agressivo. No entanto a secagem em estufa tem enormes vantagens relativamente ao processo homólogo: o tempo de secagem é menor proporcionando um retorno mais rápido do capital investido, reduz a área destinada ao armazenamento da madeira, pode atingir teores de humidade mais baixos, e combate mais eficazmente fungos e/ou insectos presentes na madeira. A Secagem de madeira em estufa, apesar de apresentar

diversas vantagens, é um processo que não existe em diversas Serrações de Madeiras, uma vez que o investimento é avultado.

De salientar ainda importância de outro processo existente, o tratamento por autoclave, embora este não exista na maior parte das Serrações de Madeiras (nas Serrações de Madeiras visitadas nenhuma dispunha deste tratamento). Existem quatro classes de risco consoante a utilização final das Madeiras (http://www.ctmt.pt/tratamentos.html):

CLASSE 1 – Madeiras no interior em ambientes secos e desempenhando funções essencialmente de revestimento ou de remate;

CLASSE 2 – Madeiras no interior em ambientes secos e desempenhando funções essencialmente estruturais;

CLASSE 3 – Madeiras no exterior sem contacto com o solo e em condições de humidade elevada, sazonal ou acidental;

CLASSE 4 – Madeiras no exterior e em contacto com o solo; no interior em contacto com paredes húmidas ou em ambientes mal ventilados.

Para as duas primeiras Classes de Madeiras (Classe 1 e Classe 2) os tratamentos já referidos anteriormente (tratamento anti-azulamento e a Secagem) permitem responder aos riscos associados. Para a Classe 3, as Serrações de Madeiras também conseguem prevenir os riscos através dos tratamentos já referidos e posteriormente protegendo através da aplicação de uma velatura, tinta ou verniz. No entanto, para proteger os riscos associados à Classe 4, só é possível através do tratamento por autoclave, sendo que este tratamento permite adicionalmente que a madeira possa ser colorada, acrescentando inegavelmente valor ao produto.

Estes processos, Secagem da Madeira ou Tratamento por autoclave, terminam o ciclo possível da 1ª transformação. Conforme referido, as tábuas poderão ser vendidas em qualquer momento, sendo que o seu valor irá variar conforme a sua qualidade e os processos de 1ª transformação que foram alvo.

Terminado este ciclo, as tábuas de madeira originadas pelos processos de 1ª transformação poderão ser vendidas para a indústria da 2ª transformação (paletes e embalagens, mobiliário, carpintaria, construção civil), constituindo a sua matéria-prima conforme já salientado pela explicação da existência de duas sub-cadeias, para o consumidor final, ou incorporadas na

própria Serração de Madeiras que poderá dispor de processos de 2ª transformação. Estes processos sendo demasiado específicos (os processos existentes na Indústria de paletes e embalagens são muito diferentes dos processos de mobiliário) e sendo processos que a maior parte das Serrações de Madeiras não incorporam na sua actividade (as que incorporam geralmente focam-se na 2ª transformação, sendo a 1ª transformação muito residual), conforme constatado nas visitas efectuadas, não serão alvo de detalhe neste trabalho. A Tabela 14 indica os processos de 1ª transformação que foram encontrados nas Serrações de Madeiras visitadas.

Principais processos Serrações visitadas

Triagem Matéria-Prima 8 (100%)

Maquinação 8 (100%)

Tratamento por banho Anti-Fungos 5 (62,5%) Tratamento por choque térmico 3 (37,5%)

Secagem de madeira 8 (100%)

Tratamento por autoclave 0 (0%)

Tabela 14 - Processos da 1ª transformação existentes nas Serrações de Madeiras visitadas

A Tabela anterior confirma o já descrito, todas as Serrações de Madeiras realizam a triagem de matéria-prima quando esta chega às suas instalações, efectuando posteriormente operações de 1ª transformação, sendo que todas elas têm processos de maquinação, que incluem o descasque do fuste da árvore e o corte/serragem. Após estas primeiras transformações, existem algumas Serrações de Madeiras que têm processos que acrescentam valor ao seu produto principal como o tratamento por banho Anti-Fungos (ou Anti-Azulamento), o tratamento por choque térmico e a secagem da madeira. De salientar que as Serrações de Madeiras visitadas indicaram todas ter a Secagem de Madeira, no entanto à data de recolha desta informação não foi apurado que método era o utilizado. Por último, de referir que, conforme já era esperado, as Serrações de Madeiras visitadas não possuem o processo de autoclave, uma vez que este exige elevados investimentos.

Tentando decompor os macro processos da Indústria das Serrações de Madeiras nos processos existentes, e enquadrando-os nos macro processos do Sector Florestal, obtém-se a Figura 19.

Figura 19 - Mapeamento entre os processos da Serração de Madeiras e os macro-processos do seu sub-sector e sector

De salientar que a figura anterior não indica nenhum processo associado à Recolha, que se deve ao facto de não se ter identificado nenhuma Serração de Madeiras que o efectuasse, devendo ser alvo de uma maior análise. No entanto, deve-se terminar explicando com um maior detalhe o que poderá consistir o macro processo da Recolha nesta Indústria.

Embora o macro processo de Reciclagem/Recolha seja mais facilmente identificável noutras Indústrias do sector Florestal que não a Indústria de Madeira de Serração, este processo traz diversas oportunidades económicas para esta Indústria. Dentro desta Indústria consegue-se encontrar com mais frequência os processos de Reciclagem/Recolha na subcadeia de valor da 2ª transformação, sendo exemplos a recolha de móveis antigos para restauro (mobiliário), a transformação de móveis (carpintarias), a reparação e manutenção de paletes (paletes e embalagens), entre outros exemplos. Estes processos ao adquirirem produtos da 2ª transformação inutilizados e ao conferirem novos usos ou a colocá-los novamente operacionais estão a permitir novos ganhos económicos para a empresa e a contribuir para o desenvolvimento sustentável, aumentando assim o seu capital social no meio em que se

Extracção da Matéria Prima Processo Produtivo Distribuição e Consumo Reciclagem / Recuperação Aquisição de Matéria Prima 1ª Transformação Venda Recolha Aquisição de Matéria- Prima Triagem da Matéria-Prima Descasque Corte / Serragem Desdobramento Alinhamento Anti- Azulamento Secagem da Madeira Tratamento por autoclave Venda de produtos, subprodutos ou matéria-prima Choque térmico

inserem. Relativamente à sub-cadeia de valor da 1ª transformação, este processo tem sido negligenciado. As Serrações de Madeiras poderão ter diversos benefícios caso implementem processos deste tipo. A recolha de produtos para esta Indústria poderia ser de dois tipos: produtos da 2ª transformação que não poderão ter nova valorização económica pela sub-cadeia da 2ª transformação (por exemplo móveis antigos sem poderem ser recuperados, paletes sem conserto ou sem possível utilização, entre outros); e produtos da 1ª transformação (por exemplo tábuas que foram utilizadas na construção civil mas que já não têm utilização). Em termos destes produtos que não poderão ter nova valorização, em vez de serem encaminhados para aterros sanitários, estes poderão ser, à semelhança da serradura e da casca, utilizados para a produção de energia, sendo que as Serrações de Madeiras poderão utilizar estes produtos para consumo energético interno ou para produção energética externa.

Para uma Serração de Madeiras estar capacitada a executar os processos referidos tem de dispor de meios humanos. Na Figura 20 apresenta-se um organograma com os perfis existentes nas Serrações de Madeiras visitadas.

Figura 20 - Organograma com os perfis existentes nas Serrações de Madeiras visitadas

O organograma apresentado foi elaborado tendo como base o Contracto Colectivo de Trabalho das Indústrias de Madeira e as entrevistas realizadas às Serrações de Madeiras. Através das entrevistas realizadas foi possível perceber que existem nas Serrações de Madeiras duas grandes

Direcção / Administração Produção Encarregado Geral Encarregado Secção / Turno Operador de equipamento Preparador de lâminas e ferramentas Moto-serrista Condutor de empilhador, grua, tractor Operário indiferenciado Apoio Aprovisionamento Comercial / Marketing Engenharia e Manutenção Administrativa / Financeira Logística Gerente

áreas, a área da Produção e a área do Apoio, bem como o tipo de recursos que trabalham em cada uma das áreas e as funções que exercem. O Contracto Colectivo de Trabalho permitiu assinalar no organograma a nomenclatura das funções existentes.

Na área da Produção são executados todos os processos da 1ª transformação que irão permitir à Serração de Madeiras produzir os produtos que disponibiliza ao mercado. Geralmente, nesta área, existe uma pessoa responsável por todo o processo de produção, o Encarregado Geral, sendo que dependendo das dimensões das Serrações de Madeiras poderão haver Encarregados de Turno/Secção. Para executar cada um dos processos da Serração de Madeiras identificou-se cinco funções diferentes:

• Operador de equipamento – pessoa responsável por manobrar um equipamento específico como o secador, o charriot, a desdobradora, entre outros equipamentos; • Preparador de lâminas e ferramentas – pessoa responsável por proceder à preparação,

afiação e manutenção das ferramentas de corte utilizadas;

• Moto-serrista – pessoa responsável por efectuar o abate de árvores;

• Condutor de empilhador, grua ou tractor – pessoa responsável por efectuar