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4.5 Processos do Ciclo de Vida de um Módulo Educacional

4.5.2 Processos de Apoio

Os processos de apoio são responsáveis por estabelecer as atividades e tarefas de suporte aos ou- tros processos do ciclo de vida do módulo educacional, contribuindo para o sucesso e a qualidade do projeto. Dez processos de apoio foram definidos no contexto de produção de módulos educaci- onais: (1) Processo de Documentação; (2) Processo de Publicação de Resultados; (3) Processo de Gerência de Configuração; (4) Processo de Gerência do Conhecimento; (5) Processo de Garantia da Qualidade; (6) Processo de Verificação; (7) Processo de Validação; (8) Processo de Revisão Conjunta; (9) Processo de Auditoria; e (10) Processo de Resolução de Problemas.

Processo de Documentação

No Processo de Documentação são estabelecidas as atividades necessárias para o registro das in- formações produzidas ao longo do ciclo de vida do módulo educacional. Tais atividades são res- ponsáveis por planejar, produzir e manter os documentos necessários aos profissionais de desen- volvimento e demais interessados no módulo.

As atividades associadas ao Processo de Documentação são: (1) implantação do processo; (2) projeto e desenvolvimento; (3) produção; e (4) manutenção. A título de ilustração, considere a im-

plantação do processo. Nessa atividade cria-se um plano de documentação que identifica todos

os documentos a serem produzidos durante o ciclo de vida do módulo. Tanto documentos voltados à equipe de desenvolvimento (gerentes, especialistas do domínio, projetistas instrucionais, imple- mentadores web, entre outros) como aos usuários do módulo (instrutores/mediadores, aprendizes) devem ser especificados. Documentos pertinentes à especificação e definição dos metadados as- sociados ao módulo educacional devem ser considerados. Especificam-se ainda os documentos para registro das evoluções decorrentes da utilização do módulo. A forma como um documento se relaciona com os demais bem como os termos para sua referência/indexação também devem ser explicitadas.

No contexto de desenvolvimento de módulos educacionais livres, mesmo que os documentos existentes sejam simplificados e pouco formais, sua utilização nos projetos pode facilitar o en- tendimento das características fundamentais do módulo, apoiando ainda o compartilhamento de informações relevantes sobre o desenvolvimento.

Além disso, no caso de equipes de trabalho distribuídas (tanto no desenvolvimento livre como no desenvolvimento tradicional), o Processo de Documentação deve ser apoiado por mecanismos de comunicação, integrando recursos e ferramentas para controle de versões e concorrência. Su- porte ao desenvolvimento colaborativo dos documentos também deve ser fornecido.

Processo de Publicação dos Resultados

Esse processo é responsável pela publicação dos resultados decorrentes das atividades do ciclo de vida do módulo, planejando, projetando e distribuindo informações sobre sub-produtos relaciona- dos e sobre o estado do projeto.

Como atividades pertinentes ao Processo de Publicação de Resultados têm-se: (1) implanta- ção do processo; (2) projeto; e (3) distribuição. Na implantação do processo define-se um plano para publicação dos resultados, identificando quais informações sobre serão publicadas (decisões e restrições de projeto, modelos de desenvolvimento, dicionário de termos, modificações/evoluções). Determina-se ainda em que etapas do ciclo de vida tais informações serão disponibilizadas às equi- pes de desenvolvimento. Na atividade de projeto são identificadas as ferramentas de comunicação a serem utilizadas na publicação dos resultados. Na atividade de distribuição, os resultados são publicados por meio das ferramentas definidas.

O Processo de Publicação de Resultados foi originalmente definido por Maidantchik (1999) no contexto de desenvolvimento colaborativo e distribuído de produtos de software. É importante observar que o processo também desempenha um papel relevante no desenvolvimento de produ- tos livres, uma vez que estabelece mecanismos e recursos visando a facilitar a comunicação e a colaboração entre os diversos participantes do projeto. Neste caso, ênfase é dada às atividades de projeto e distribuição, não sendo necessária a elaboração de um plano formal para publicação de resultados durante a atividade de implantação do processo.

Processo de Gerência de Configuração

O Processo de Gerência de Configuração é responsável pela aplicação de procedimentos técni- cos e administrativos a fim de identificar e definir os itens de configuração do módulo4, controlar

modificações e versões dos itens, registrar e relatar o estado de cada item e solicitações de modi- ficação, garantir completitude, consistência e corretitude dos itens, e controlar o armazenamento, manipulação e entrega dos mesmos.

4Um item de configuração do módulo corresponde ao item produzido durante o processo de desenvolvimento do

módulo educacional para o qual é importante que seja realizado o controle de alterações. Um conjunto de itens de configuração constitui uma configuração do módulo.

144 4.5. Processos do Ciclo de Vida de um Módulo Educacional As atividades pertinentes ao Processo de Gerência de Configuração são: (1) implantação do processo; (2) identificação da configuração; (3) determinação de responsabilidades; (4) controle da configuração; (5) avaliação da configuração; e (6) entrega e gerência de configuração. A título de ilustração, considere a atividade de identificação da configuração. Nela definem-se os itens do módulo e suas versões a serem controlados durante o projeto. Devem sofrer gerenciamento de configuração os itens mais utilizados no ciclo de vida, os mais genéricos, os projetados para reutilização e os que podem ser alterados por vários desenvolvedores simultaneamente (da Rocha et al., 2001). Apenas os itens selecionados são controlados, sendo que os demais itens podem ser alterados livremente. O modo como os itens se relacionam também deve ser especificado. Definem-se ainda as regras para o armazenamento e a recuperação dos itens no repositório de itens de configuração (previamente especificado e implementado).

O gerenciamento de configuração é uma atividade relevante sob a perspectiva de desenvolvi- mento livre visto que os produtos construídos estão em contínua evolução. No caso de software livre, por exemplo, a grande maioria dos projetos emprega alguma forma de gerência de configu- ração (Asklund & Bendix, 2001; der Hoek, 2000), sendo a ferramenta CVS (Concurrent Versions

System) (Morse, 1996) uma das mais utilizadas.

Além disso, cabe ressaltar que, embora nos processos tradicionais de desenvolvimento a ge- rência de configuração exija rigor e formalização na execução das tarefas associadas, no caso de desenvolvimento de livre essa atividade pode ser conduzida de modo mais flexível, visando a pre- servar as características “livres” dos produtos desenvolvidos. Na verdade, a idéia é que sejam estabelecidos mecanismos e ferramentas que proporcionem um certo grau de controle sobre os itens de configuração, sem no entanto restringir as “liberdades” de desenvolvimento.

Caso existam várias equipes de desenvolvimento distribuídas, a gerência de configuração deve ser realizada em duas fases: uma referente aos itens criados por cada equipe de desenvolvimento; outra referente aos artefatos resultantes da integração dos itens.

Processo de Gerência do Conhecimento

O Processo de Gerência do Conhecimento foi definido no contexto de desenvolvimento de módulos educacionais e é responsável por tratar os aspectos pertinentes ao gerenciamento e controle do conhecimento sob o qual o módulo está fundamentado. De modo geral, as mudanças e evoluções ocorridas no conhecimento devem ser refletidas diretamente no conteúdo educacional, em termos dos itens de conhecimento5associados.

Como atividades pertinentes ao Processo de Gerência do Conhecimento foram estabelecidas: (1) implantação do processo; (2) identificação de itens de conhecimento; (3) determinação dos itens de configuração associados; (4) determinação de responsabilidades; (5) controle de itens de conhecimento; (6) avaliação de itens de conhecimento; e (7) entrega e gerência do conhecimento.

5No escopo das atividades e tarefas associadas ao Processo de Gerência do Conhecimento, itens de informação

(conceitos, fatos, princípios, procedimentos) e objetos instrucionais (exemplos, explicações complementares, exercí- cios, avaliações, entre outros) serão referenciados, de modo genérico, como itens de conhecimento.

Na atividade de implantação do processo é elaborado um plano para a gerência do conheci- mento, determinando as tarefas para gerenciar o domínio de conhecimento associado ao módulo bem como os procedimentos para sua realização, as responsabilidades das equipes e as relações com os processos de desenvolvimento, disponibilização e manutenção.

A atividade de identificação de itens de conhecimento consiste na determinação dos itens de informação e objetos instrucionais a serem controlados. Tais elementos podem ser agrupados em função das partes específicas do domínio de conhecimento a que estão relacionados. Esta atividade deve ser conduzida em paralelo à atividade de determinação dos itens de configuração associa-

dos, responsável por determinar quais itens de configuração deverão ser alterados em função das

modificações ocorridas nos itens de conhecimento.

As equipes responsáveis pelo controle de cada grupo de itens de conhecimento são definidas na atividade de determinação de responsabilidades.

A atividade de controle de itens de conhecimento é responsável por gerenciar e registrar as mudanças ocorridas nos itens de informação e objetos conceituais, determinando ainda as versões a eles associadas. Observa-se que esta atividade implica em que o controle dos itens de configuração pertinentes também seja realizado pelo Processo de Gerência de Configuração.

Na atividade de avaliação de itens de conhecimento verificam-se se as mudanças solicitadas foram respeitadas e se a nova “versão do conhecimento” (conteúdo) está em conformidade com os requisitos definidos anteriormente.

A atividade de entrega e gerência do conhecimento consiste na entrega controlada dos itens de conhecimento, verificando se os mesmos foram armazenados segundo o que foi planejado.

Por fim, ressalta-se que assim como os repositórios de itens de configuração, relevantes no con- texto de gerenciamento de configuração, repositórios de itens de conhecimento também podem ser construídos como apoio à gerência de conhecimento. Uma série de mecanismos de controle pode ser especificada a fim de estabelecer um repositório de itens de conhecimento. Tais mecanismos vão desde formatos simplificados, como dicionários de termos, até construções mais elaboradas, como bases conceituais e ontologias.

Observa-se que as atividades do Processo de Gerência de Configuração são bastante seme- lhantes às definidas pelo Processo de Gerência do Conhecimento. A diferença está no fato de que aquelas são estabelecidas em um contexto mais abrangente, associado ao projeto do módulo educacional como um todo, enquanto estas são definidas em um nível mais específico, em termos do domínio de conhecimento. Além disso, é interessante observar que as alterações ocorridas no nível de conhecimento devem ser propagadas para o nível de projeto. Nesse sentido, a realização de atividades de gerência de conhecimento implicam na condução de atividades de gerenciamento de configuração.

Observa-se que as mesmas considerações sobre o estabelecimento de mecanismos de controle flexíveis no gerenciamento de configuração de produtos livres são válidas no escopo do Processo de Gerência de Conhecimento.

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Processo de Garantia da Qualidade

O Processo de Garantia da Qualidade é responsável pelas atividades conduzidas a fim de garantir que os processos e produtos do módulo estejam em conformidade com os requisitos especificados e com os planos estabelecidos.

Como atividades associadas ao processo têm-se: (1) implantação do processo; (2) determina- ção de responsabilidades; (3) projeto; (4) garantia de produtos; (5) garantia de processos. Consi- dere a implantação do processo como exemplo. Nessa atividade são identificados os objetivos do processo de qualidade e determinadas as relações com os processos de Verificação, Validação e Re- visão. Define-se um plano de garantia da qualidade incluindo padrões de qualidade, metodologias, procedimentos e ferramentas para a execução das atividades de garantia da qualidade.

Tanto no desenvolvimento tradicional como no desenvolvimento de módulos livres, requisitos e aspectos mínimos de qualidade devem ser especificados e gerenciados, com maior ou menor rigor, por meio de atividades de controle de qualidade. Neste último, tais atividades podem ser condu- zidas de maneira integrada, considerando o projeto como um todo, ou localmente, no contexto de desenvolvimento de cada interessado (ou grupo de interessados) no módulo educacional.

Além disso, no caso de equipes de desenvolvimento distribuídas (tanto em projetos tradicionais como livres), para que a garantia da qualidade seja efetiva é fundamental que todas as equipes tenham acesso aos requisitos e planos de qualidade especificados.

Processo de Verificação

O Processo de Verificação é responsável por estabelecer as atividades para verificação do mó- dulo educacional, sendo utilizado para determinar se os sub-produtos de uma atividade atendem completamente aos requisitos ou às condições impostas em atividades anteriores. Inclui análises, revisões e testes.

Como atividades pertinentes ao Processo de Verificação têm-se: (1) implantação do processo; (2) determinação de responsabilidades; (3) projeto; e (4) verificação. A atividade de verificação, por exemplo, reúne as tarefas para verificar os módulos e os processos. Na verificação de módulos são inspecionados o projeto, os modelos pertinentes ao domínio de conhecimento (conceitual, ins- trucional e didático), os requisitos, os objetivos e as metas de aprendizado, o conteúdo, a interface, a integração entre sub-módulos, a integração com ambientes e ferramentas educacionais, e a docu- mentação. Na verificação dos processos, inspecionam-se os planos, a implantação dos processos, padrões e equipes de desenvolvimento.

Assim como as atividades de garantia de qualidade, atividades de verificação são relevantes tanto no desenvolvimento tradicional como no desenvolvimento de produtos livres. No desen- volvimento de módulos educacionais livres, a verificação pode ser conduzida de modo integrado, envolvendo todas as equipes desenvolvedoras, ou isoladamente, envolvendo apenas os interessa-

dos no módulo, os quais verificam aspectos específicos ao seu contexto particular de utilização do mesmo.

No caso de equipes de desenvolvimento distribuídas, a verificação deve ser estruturada em dois níveis, conforme ressaltado por Maidantchik (1999): um referente à verificação dos sub- produtos elaborados por cada equipe e outro referente à verificação dos sub-produtos resultantes da integração de resultados parciais.

Processo de Validação

O Processo de Validação é responsável por estabelecer as atividades para validação do módulo educacional, sendo utilizado para determinar se produto final atingiu os requisitos especificados.

O processo consiste nas seguintes atividades: (1) implantação do processo; (2) determinação de responsabilidades; (3) projeto; e (4) validação. A atividade de validação, por exemplo, é res- ponsável pela análise dos resultados obtidos em relação a um objetivo (ou conjunto de objetivos) específico(s) de aprendizado. Cursos-piloto podem ser conduzidos a fim de apoiar o processo.

As considerações sobre desenvolvimento de produtos livres e equipes distribuídas, discutidas no escopo das atividades do Processo de Verificação, são igualmente válidas no contexto das ati- vidades estabelecidas pelo Processo de Validação.

Processo de Revisão Conjunta

O Processo de Revisão Conjunta é responsável por avaliar o estado e os sub-produtos de uma atividade de projeto, envolvendo tanto aspectos técnicos como gerenciais.

O processo consiste nas atividades de: (1) implementação do processo; (2) determinação de responsabilidades; (3) projeto; (4) revisões gerenciais; e (5) revisões técnicas.

Na atividade de revisões gerenciais avalia-se o estado do projeto segundo o que foi estabele- cido nos planos. Já na atividade de revisões técnicas são avaliados os sub-produtos e serviços, verificando-se se estão completos, se respeitam os padrões e especificações e se estão prontos para que se possa executar a próxima atividade.

De modo geral, as revisões técnicas são importantes tanto no desenvolvimento tradicional como no desenvolvimento de módulos livres. Revisões gerenciais, por sua vez, mostram-se mais ade- quadas ao processo tradicional de desenvolvimento.

Processo de Auditoria

No Processo de Auditoria são definidas as atividades para determinar a adequação do módulo aos requisitos, aos planos e ao contrato, quando apropriado. O processo consiste nas atividades de (1) implantação do processo; e (2) auditoria.

Auditorias são adequadas apenas no contexto de desenvolvimento tradicional, podendo ser desconsideradas no caso de projetos envolvendo o desenvolvimento de produtos livres.

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Processo de Resolução de Problemas

O Processo de Resolução de Problemas estabelece um processo para analisar e resolver os pro- blemas encontrados durante a execução dos outros processos, identificando-se ainda tendências de novas ocorrências.

Como atividades pertinentes ao processo têm-se: (1) implantação do processo; (2) determina- ção de responsabilidades; e (3) resolução de problemas. A título de ilustração, considere a ativi- dade de resolução de problemas. Quando um problema é identificado, um relatório contendo sua descrição é preparado. O documento é atualizado durante as tarefas de investigação do problema, análise e resolução.

As atividades estabelecidas pelo Processo de Resolução de Problemas podem ser exploradas no contexto de desenvolvimento de módulos educacionais livres, fornecendo meios que garantam, em tempo adequado, a análise e a resolução dos problemas identificados. Ressalta-se, entretanto, que os aspectos pertinentes à documentação produzida durante o processo devem ser flexibilizados.