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PROCESSOS DE CONSULTA AO NÍVEL SECTORIAL

V PROCESSO DE CONSULTAS

PROCESSOS DE CONSULTA AO NÍVEL SECTORIAL

281. As consultas no âmbito do PARPA39 começaram a ser realizadas a nível sectorial em coordenação com o nível provincial e nacional (central). A maior parte dos sectores não possuem um modelo de consulta padronizado e permanente. Porém, esforços estão sendo envidados com o objectivo de tornar o processo de consultas mais sistemático e permanente.

282. As consultas realizadas a nível sectorial inscrevem-se no processo normal de elaboração dos planos estratégicos de desenvolvimento dos sectores. Os sectores realizaram consultas a vários níveis envolvendo técnicos dos respectivos sectores, doadores, e sociedade civil em geral com o objectivo de criar consensos sobre os objectivos, prioridades, metas específicas e estratégias sectoriais de combate a pobreza, tendo em conta que cada plano sectorial é consistente com os objectivos globais da Política do Governo, em particular com o crescimento económico sustentável e a redução da pobreza. Os consensos criados a nível sectorial foram levados à discussão à nível central e provincial através de reuniões de concertação e seminários envolvendo técnicos dos diferentes sectores, doadores e sociedade civil. Aqui, foram definidos os grandes objectivos, prioridades e metas específicas de combate à pobreza. Dos sectores tidos como prioritários, a Educação e Saúde aparecem como aqueles que mais consultas realizam no processo de elaboração dos seus programas de desenvolvimento.

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Pessoas, grupos ou instituições que têm um interesse, responsabilidade, compromisso sobre um determinado assunto o programa de acções, como intervenientes, implementadores, beneficiários/afectados, financiadores ou simples auscultadores.

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97 Diferentemente da maior parte dos sectores, estes aparecem com uma maior rede de agentes a nível nacional (animadores comunitários) que promovem a auscultação a nível de base.

283. O sector da Educação realizou consultas no âmbito da elaboração do Plano Estratégico da Educação e no âmbito da reforma curricular (ainda em curso), para vários tipo de ensino, especialmente para a EP1, a EP2, e o ensino técnico. Neste sector, o processo de planificação começa ao nível da base (escolas) envolvendo as direcções das respectivas escolas e pessoal administrativo. As propostas de planos daí surgidas são apresentadas às respectivas direcções distritais de educação que fazem a globalização da informação e análise da sua consistência com as políticas e prioridades do sector a nível distrital. Os planos distritais daí surgidos são submetidos às direcções provinciais de educação que por sua vez fazem a globalização da informação e análise da sua consistência de acordo com as políticas e prioridades provinciais. As propostas de planos provinciais submetidas ao nível central (MINED) dão origem ao plano nacional depois de amplas discussões com os técnicos do sector, doadores e intervenientes com vista a criar consenso sobre os objectivos, metas, prioridades e estratégia a seguir para o desenvolvimento da educação no país. Destaca-se o facto de a cada nível de elaboração do plano de desenvolvimento do sector envolver consultas a diferentes níveis e instituições. Por exemplo, o envolvimento das comunidades (através dos Conselhos de Escola) ao nível da planificação na escola.

284. O sector da Saúde, por sua vez, realizou consultas para a elaboração dos respectivos planos de desenvolvimento do sector: Plano Nacional Integrado para a Saúde da Comunidade, Plano Estratégico Nacional de Combate às DTS/SIDA, Plano Nacional sobre Alimentação e Nutrição e Plano Nacional Integrado da Direcção Nacional da Saúde. Os sub-sectores da Saúde realizaram consultas a todos níveis junto à sociedade civil, sector privado, ouvindo igualmente os doadores. A metodologia de consultas obedeceu a grupos de trabalho a nível sectorial, com os intervenientes relevantes, os técnicos e especialistas em cada área de acção, para desembocar na posterior globalização dos consensos a nível central.

285. No sector da Agricultura e Desenvolvimento Rural as consultas são feitas de acordo com um conjunto de métodos adequados aos grupos alvo e ao nível das discussões. Estas podem tomar a forma de seminários, reuniões nacionais ou encontros mais informais com os beneficiários dos programas. Por exemplo, realizam-se várias consultas usando a rede de extensionistas que se encontram espalhados por todo o país. A elaboração do PROAGRI, programa de investimento público para o sector da agricultura, foi um processo participativo, sobretudo na componente extensão, tendo envolvido a sociedade civil, sector privado e doadores. Por outro lado, os Planos Anuais de Actividade e Orçamento (PAAO) do sector da agricultura a nível provincial são igualmente elaborados com a participação dos beneficiários dos programas de desenvolvimento da agricultura. A consulta aos parceiros de cooperação são realizadas a nível central, e geralmente concentram-se mais na disponibilização e gestão dos fundos. Tem também lugar um processo de consultas contínuo concernente a segurança alimentar, para o qual foi criado o SETESAN, órgão de caracter intersectorial. Para além das consultas sobre estratégias globais, gestão de recursos (PROAGRI) e as de carácter intersectorial, organizam-se encontros para a discussão das prioridades de sub- sectores específicos, nomeadamente o caju, o algodão e o açúcar.

286. O sector das Infra-estruturas (obras públicas e habitação), dada a sua natureza específica, realiza consultas em intervalos de tempo mais espaçados. Na área de

estradas a priorização de acções envolve critérios como: viabilidade segundo critérios de retorno, distritos prioritários, potencial económico, decisões dos governadores provinciais e opções técnicas viáveis. Sem esquecer os critérios básicos de retorno social e económico, calculados para cada projecto, existe um trabalho de base na apresentação de potenciais projectos de construção e reabilitação de estradas, pontes, poços, etc. para o qual são convidados diversos representantes das comunidades afectadas para a auscultação sobre a relevância social de ditos projectos e as possíveis alternativas, sempre tendo em conta a viabilidade técnica e económica. Para este propósito são formados os Conselhos Locais que, de facto, avaliam as prioridades e necessidades dos projectos de acção, tendo em conta a voz dos afectados e os benefícios potenciais das alternativas apresentadas.

287. Para além das questões especificamente sectoriais, o processo também considerou questões mais amplas como, por exemplo, boa governação, tributação, financiamento do desenvolvimento rural, código comercial, ensino superior.