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4 Métodos da Pesquisa

10. Processos de localizar

Processos de apontar ou localizar espacialmente

elementos do mundo concreto ou não, visíveis ou não, que já estão postos no discurso público. Exemplo de verbos associados: “Aqui está”; “É esse”.

E .S . de G es tã o da R ep re se nt aç ão

11.

Processos de gestão da observação

Processos de apontar ou localizar espacialmente aspectos da realidade diretamente observável, que assim são

trazidos para o discurso público. Exemplo de verbos associados: “Observem”; “Vejam”.

Buscamos, aqui, estabelecer o máximo de categorias que fossem comparáveis com as que Márquez adotou em seu trabalho, para permitir uma comparação entre nossos resultados com os que ela obteve em situação de sala de aula. No entanto, alguns dos fenômenos presentes na atividade de campo não cabem nas mesmas categorias que cabem os fenômenos da sala de aula, o que exigiu uma certa reorganização das categorias para esta situação: mantivemos a mesma divisão básica de tipos de processos, mas criamos algumas sub-divisões.

Os tipos de processos 10 e 11, do âmbito da gestão da representação são um bom exemplo do refinamento que fizemos: os processos de localizar e os processos de gestão da observação são aparentemente muito semelhantes, pois são expressos por gestos e formas verbais semelhantes quando observados fora do contexto da atividade conjunta.

Para Márquez (2002), o gesto de apontar é identificado pelos verbos “mostrar” ou “localizar”1, sendo incluído no espaço semiótico da gestão da representação,

entre os processos relacionados com a gestão da representação, junto com outras estratégias que auxiliam na construção da explicação, como as analogias, por exemplo.

Nas aulas de campo, em relação a tais gestos, há uma complexidade que parece não ser tão relevante na situação de sala de aula: o gesto de apontar tanto pode servir para a mesma função de “localizar”, como pode estar sendo usado para estimular ou regular a atividade de observação dos alunos, sendo traduzido pelo verbo “observar”.

Optamos por separar esses tipos de processos, denominando-os, respectivamente, processos de localizar (10) e processos de gestão da observação

(11). Feito isso, havíamos desmembrado a categoria dos tipos de processo da gestão da representação que Márquez estabeleceu em seu trabalho, que reorganizamos com a criação da categoria processos de referência e contextualização (9) situada também no âmbito da gestão da representação.

Outra particularidade da atividade de campo surgiu em relação aos processos de gestão da aula. Tal como na sala de aula, comunicam-se processos ligados ao controle da participação (5), mas, nas atividades de campo, em que os participantes movimentam-se através do espaço em que ocorre a interação, a gestão da distribuição espacial dos participantes assume novas funções: a de controlar constantemente a configuração do grupo, e a de regular seu deslocamento ao longo do espaço da aula, que foram agrupadas na categoria processos de gestão do espaço (6).

Uma vez definidas as categorias de análise, passamos à interpretação das mensagens e à identificação, na linguagem, dos processos correspondentes.

A partir dos mapas de interatividade construídos com as transcrições da fala e do gestual (conforme o exemplo da figura 4.1, na p. 119), os verbos, que haviam sido destacados (ou atribuídos, no caso dos gestos e das elipses da fala), foram interpretados com base nos contextos das mensagens, ainda com o auxílio do material bruto registrado em vídeo, e classificados segundo os tipos de processos que expressam.

A Figura 4.4, a seguir, baseada no mesmo fragmento que usamos como exemplo do procedimento de identificação das mensagens, traz as marcações que fizemos ao classificar as mensagens nas categorias de análise relativas aos processos comunicados.

Mapa de Interatividade: Sessão de Trabalho # 3 - Costão Rochoso (fragmento) EP=RR EP=UR EQ=RR [- " E] [% E 0 ] [ E ] [ ( E 0 $] [9 0:G% \] [+ ( EE $] [)( G\] [. 0U \ ]%5 G 0 \ ] [9/:U- $] [9 ( :U- $] [- /U ] [ / E]$ [% E 0 $] [ / U $$$ ] [. ( L \] [9 ( L: \] [! ( $$$( H ] [ H $] [9 0:G% \] [+ ( E 0 $] [+ U\] [+ F ( $] [ 5 EE $] [- EE ] [9 :EE ][ 0 ER / 0 $] [ U ] [ ( L 0 $] [ ](borrifar)1 [

! ](observem essa faixa)11

[ ] (borrifar)1 [" # ](são dois) 8 [ ] (borrifar)1 [

! ] (observem essa faixa) 11

[$ % & ](é essa forma)9

[' ](olhem aqui) 11

[' (! ] (olhem aquela pedra)11

[) ]( venham aqui) 6 [ ] (é esta pedra) 10

Tabela 4.4 - Exemplo de procedimento de análise dos processos. As cores representam os espaços semióticos: verde = ES temático; vermelho = ES gestão da aula; e azul = ES gestão da representação. Os números representam os tipos de processo comunicados em cada mensagem, conforme a Tabela 4.3 na pág.130

A classificação foi feita com uma aproximação inicial que determinava o espaço semiótico ao qual as mensagens pertenciam, que era registrado por um código de cores, marcado no próprio mapa: verde, para o ES temático; vermelho, para o ES de gestão da aula; e azul para o ES de gestão da representação.

Essa primeira aproximação foi seguida por um refinamento para a identificação dos tipos de processos que as mensagens expressavam, registrada no mapa por um código numérico: ao lado de cada verbo destacado nas mensagens, registramos o número correspondente ao processo, conforme a Tabela 4.3 (p.130).

Depois da classificação de todas as mensagens em seus espaços semióticos e tipos de processos, nas quatro sessões de trabalhos, o mapa foi revisado verticalmente, tipo de processo por tipo de processo, para verificar a coerência das escolhas, contrastando-as com os critérios utilizados.

Concordando com o comentário de Coll et al. já citado, esta parte do método é bastante complexa e delicada, envolvendo uma boa dose de subjetividade na percepção do contexto e na atribuição de significados aos enunciados registrados.

No entanto, apesar da subjetividade envolvida, o método nos parece fino o bastante para revelar padrões de discurso e também para, assim como ocorre com a soma dos pixel de uma imagem digital, compor uma imagem final compreensível que não depende tanto da acuidade de cada um dos pontos, mas sim da coerência geral que uma aproximação cuidadosa confere ao conjunto de dados.

Em resumo, as categorias de análise buscam dar conta de quem fala (os atores); e da relação entre o que falam e como falam (os modos comunicativos articulados com as funções das mensagens, ou seja, com os tipos de processos).