5. GEOLOGIA LOCAL 36
5.3 ANÁLISE MICROSCÓPICA 42
5.3.1 Petrografia 43
5.3.1.2 Processos diagenéticos e tectônicos 47
As seções delgadas apresentam diversas feições indicativas de processos diagenéticos e tectônicos, como estilólitos, dolomitização, silicificação, limonitização, microfraturas preen- chidas por veios, veios dobrados, textura de subgrãos e extinção ondulante. Os grãos são afeta- dos pela entrada de fluido hidrotermal, provocando alterações como ankeritização, silicificação,
Os estilólitos ocorrem nos carbonatos entre as laminações observadas por ação do au- mento da compactação físico-química durante a diagênese, na maioria das vezes dobrados pela ação da tectônica nos carbonatos.
A dolomitização ocorre como recristalização, por substituição de íons de cálcio por íons de magnésio, nos grãos de calcita, processo esse que ocorre em estágios metassomáticos diage- néticos a pós-diagenéticos.
A silicificação ocorre com a entrada de microcristais de sílica substituindo os carbona- tos, utilizando com meio de chegada a presença de fluido silicoso decorrente de processos hi- drotermais.
A limonitização ocorre na maioria das seções delgadas, como produto da meteorização de minerais ricos, trazendo uma coloração marrom-alaranjada aos outros minerais.
A ação de fluidos hidrotermais associados a processos tectônicos é responsável pela formação de microfraturas presentes nas amostras, devido à sobrecarga que a pressão de fluido provoca nos grãos. As fraturas são preenchidas por veios de composição quartzosa e pelas mi- neralizações de galena, esfalerita e zincita. Apesar da assembleia mineral característica de veios hidrotermais com os respectivos minerais supracitados conter barita, microcristais foram obser- vados, mas a confirmação do mineral não foi possível por microscopia ótica.
As fraturas preenchidas por veios podem ser descritas em pelo menos dois pulsos dis- tintos, o primeiro com preenchimento por cristais de calcita espática (até 1 mm) e megacristais de quartzo (até 3 mm), indicativos de um intervalo de tempo espaçado entre pulsos para que os cristais crescessem consideravelmente. O segundo pulso também gera a mesma mineralogia, entretanto com tamanho consideravelmente menor, chegando a microcristais. Essas caracterís- ticas relativas ao preenchimento dos veios indicam fluido rico em sílica e CO2 (Figura 26).
Figura 26 - Fotomicrografias referentes às amostras Ver 03 e MAM 01, a primeira com aumento de 100x, a nicóis paralelos (em A) e a nicóis cruzados (em B), e a segunda com aumento de 40x, a nicóis cruzados (em C) e nicóis paralelos (em D). Ambas as fotografias apresentam intenso fraturamento dos carbonatos em pelo menos dois pul- sos distintos, o primeiro formando um veio de 4 mm cristais de calcita (Cal) bem desenvolvidos bordejado por microcristais de quartzo (em A e B) e o segundo composto por venulações de microcristais de quartzo (Qtz). Nas figuras C e D, são observados dois eventos de fraturamentos preenchidos por microcristais de quartzo cortando o carbonato composto por cristais de dolomita ankeritizados (Dol/Ank).
5.4 ANÁLISE DOS MÉTODOS ANALÍTICOS
A Difração de raios X foi utilizada como método de identificação de fases minerais, complementando a identificação mineralógica realizada pelos outros métodos. Os resultados foram divididos em três grupos: o primeiro com cinco amostras da Fazenda Melancias com nome FAZMEL_X, o segundo com dez amostras da Fazenda Mamonas com a simbologia MAM_X e o terceiro com cinco amostras também da Fazenda Mamonas com a simbologia VER_X.
Para cada difratograma foi associada uma tabela com os seguintes dados: Nº (número de picos identificados), ângulo 2θ, d(A) (distância entre os planos paralelos sucessivos na es- trutura cristalina) e I/Io (Intensidade relativa), assim como a identificação das fases minerais presentes.
A mineralogia identificada nos exemplares é composta por: quartzo (Qtz), galena (Gn), feldspato (Fsp), dolomita (Dol), ankerita (Ank), cerussita (Crs), anglesita (Ags), calcita (Cal) e magnesita (Mgs). Na maioria das análises, os picos de intensidade mais relevantes foram atri- buídos ao mineral quartzo, apresentando com frequência os três picos de intensidade que auxi- liam na identificação do mineral. Assim como, os picos de calcita e dolomita, essa que por sua vez apresentou sobreposição de pico com o mineral ankerita.
Minerais como a anglesita, foram identificados apenas nesta análise, através de picos menos relevantes, em relação aos demais, porém auxiliando na descrição do contexto minera- lógico em que as litologias se encontram.
A amostra selecionada FazMel_02 (Figura 27) corresponde a fragmentação do carbo- nato cristalino, indicando que sua composição tem como predominância dolomita e ankerita, com ocorrências de picos menos expressivos de quartzo e calcita, possivelmente justificados pela presença de veios com estas composições ou pelo processo de silicificação que ocorre nos carbonatos.
As análises relativas aos exemplares MAM_05 (Figura 28) e VERh (Figura 29) são res- pectivas aos veios encontrados cortando os carbonatos e fazendo parte da composição das bre- chas. Os veios possuem significante intensidade de picos para o mineral quartzo, representando a principal composição dos veios, seguido da presença de minerais como galena, cerussita e anglesita, corroborando para descrição mineralógica das seções delgadas respectivas e apon- tando processos de alteração do mineral galena. Como mineralogia secundária, minerais como magnesita e calcita podem ocorrer como presença de veios secundários de mesma composição.
Figura 27 - Difratograma da Amostra FazMel02, com o indicativo de minerais como quartzo (Qtz1), dolomita
(Dol2), ankerita (Ank3) e calcita (Cal4). 1 - Glinnemann J. et al.,1992. Levien L. et al., 1980. Ikuta et al., 2007. 2 -
Figura 28 - Difratograma da Amostra MAM05, com o indicativo de minerais como galena (Gn1), quartzo (Qtz2),
calcita (Cal3) e cerussita (Crs4), magnesita (Mgs5) e anglesita (Ags6). 1. Noda et al., 1987; Ramsdell, 1925; Wckoff
R. W. G., 1963. 2. Henry Paul, et al., 2008; Levien et al., 1980; Ikuta et al., 2007. 3. Antao & Hassan, 2010; Graf, 1961; Althoff, 1977. 4. Antao & Hassan, 2009; Ye et al., 2012; Chevrier et al., 1992. 5 - Maslen, et al., 1995; Oh
Figura 29 - Difratograma da Amostra VERh, com o indicativo de minerais como galena (Gn1), quartzo (Qtz2),
calcita (Cal3) e cerussita (Crs4), magnesita (Mgs5) e anglesita (Ags6). 1. Noda et al., 1987; Ramsdell, 1925; Wckoff,
1963. 2. Machatschki, 1936.; Levien et al., 1980; Ikuta et al., 2007. 3. Antao & Hassan, 2010; Graf, 1961. 4. Chevrier et al., 1992; Ye et al., 2012; Antao & Hassan, 2009. 5. Markgraf & Reeder, 1985; Graf, 1961. 6. James, 1961; Antao, 2012; Jacobsen et al., 1998.