5.2 Análise do segundo momento da pesquisa qualitativa
5.2.2 Processos internos - integração de recursos internos
Na meta categoria integração de recursos internos, emergiram duas categorias principais. A primeira delas foi a categoria voltada à aprendizagem organizacional e geração de novos conhecimentos. Durante o processo interpretativo das entrevistas, esta categoria abarcou as seguintes subcategorias: (i) desenvolvimento e treinamento de pessoal especializado em produção de orgânicos; (ii) intercâmbio do conhecimento intraorganizacional.
Sobre a subcategoria desenvolvimento e treinamento de pessoal especializado em produção de orgânicos, os sujeitos pontuaram que é papel da certificadora atestar se os
produtos atendem aos requisitos para serem considerados orgânicos. Então, cabe ao produtor
confiar e “apostar” na capacidade das pessoas que estão envolvidas no processo de certificação e realizar todas as ações que são previstas pela norma que rege a produção de
orgânicos.Vale ressaltar que as certificadoras não focam apenas no sistema de produção para
conceder a certificação, mas também nas etapas pós-colheita. E2 pontua:
O pós-colheita para nós é se o produto está atendendo ao padrão estabelecido por nós para a compra. E como eu te falei, o mais longe que a gente vai na produção, é entender se ele tem produtividade média suficiente para estar negociando conosco, no caso de um produtor. No caso do distribuidor, aí já é meio só em cima da competitividade e da qualidade e da competitividade de entrega. Então, é simples como. A gente não tem uma distinção: ‘olha, esse aqui é um produtor orgânico e precisamos ter tais e tais critérios nas rotinas diferentes do que a gente tem no
convencional’, até porque não faria sentido isso também. (Trecho da entrevista com E2).
Ainda sobre o treinamentos especializados, são várias associações e empresas que procuram treinar funcionários das empresas que precisam desenvolver determinados setores e que internamente tendem a valorizar o funcionário da organização. E4 ainda ressalta que: “[...] então, são trabalhos de consultoria externa para treinar funcionários das empresas. E depois, claro que quando uma empresa começa a vender na França, na Inglaterra etc. Irão aprender muitas coisas no campo. Falo assim, não entendo como campo agricultura, entendo como setor”.
Sobre a subcategoria intercâmbio do conhecimento intraorganizacional, os sujeitos revelaram que no Brasil este fenômeno está acontecendo vagarosamente. Algumas empresas
possuem funcionários com know-how técnico no segmento e nos processos pertinentes à
internacionalização, o que permite uma experiência maior no comércio exterior. O Entrevistado 4 da Empresa WBM reforça que “Também no Brasil existe algum cara expert técnico que são agrônomos, engenheiro agrônomo especializado no campo? Existe. Mas em minha opinião o aumento muito rápido que está acontecendo no Brasil está muito atrasado”. O sujeito ainda pontua a carência na formação universitária, o que dificulta a troca de conhecimentos e o desenvolvimento de pesquisas aplicadas no segmento. E4 ainda complementa que: “Depois começaram também curso de faculdade, da universidade, da faculdade sobre agricultura orgânica e marketing orgânico. Então hoje depois de 25 anos nós temos experts de orgânico. E também é o expert no campo, eu sou do campo significa que eu fiz há 25 anos”.
Na meta categoria integração de recursos internos, a segunda categoria emergida foi a
categoria relacionada à Colaboração entre as unidades organizacionais. Durante a análise
das entrevistas, esta categoria contemplou as seguintes subcategorias: (i) avaliação conjunta
de desempenho; (ii) confiança, comprometimento e trabalho em equipe nas unidades
organizacionais.
Em relação à subcategoria avaliação conjunta de desempenho, os sujeitos revelaram que buscam visualizar a prática com as ações estratégicas e operacionais que foram definidas no planejamento das áreas funcionais das organizações. E1 realça: “Então de repente, essa área de sustentabilidade é apenas uma área como se fosse uma área de relacionamento de
consumidor. Enquanto que ela deveria estar no cerne de tudo, desde do suprimento até chegar no consumidor”.
Fornecedores de insumos da cadeia de produtos orgânicos têm passado por grandes mudanças, originárias da desregulamentação da comercialização, aumento de exigências referentes à qualidade dos produtos, escala de produção, comercialização, atendimento às necessidades do consumidor, competição entre cadeias e preocupação com a segurança
alimentar. Essas modificações têm tornado o acesso de pequenos produtores aos tradicionais
canais de comercialização cada vez mais difícil. Como processo de avaliação, a empresa
compradora pode determinar se a base de fornecimento é capaz de atender às necessidades de negócio atuais e futuros. As organizações compradoras precisam quantificar e comunicar as medidas e objetivos para o fornecedor, de modo que ele fique consciente da discrepância entre seu atual desempenho e as expectativas da empresa compradora. E2 salienta:
Então tem o scorecard do fornecedor, assim que ele é aprovado. E então você começa a medir a eficiência dele em termos de qualidade, em termos de rotinas de entrega, a competitividade que ele te oferece é à parte porque a gente olha primeiro a questão de qualidade e depois a questão de competitividade, mas de qualquer forma, das empresas organizadas, isso já tem até como se fosse um workflow, o que resulta no scorecard de pontuação, assim você acompanha. (Trecho da entrevista com E2). Quanto à subcategoria confiança, comprometimento e trabalho em equipe nas unidades organizacionais, os sujeitos revelaram que uma vez que se integram as habilidades dos diversos componentes do grupo e o trabalho em equipe, os resultados se mostram mais eficientes do que as atividades realizadas individualmente. Por conta disso, estimular a união deve ser uma estratégia a ser aprimorada para a efetividade do trabalho, aumentando, desta
forma, a satisfação dos colaboradores. Entretanto, não é incomum o comprometimento da
produção quando ocorre uma mudança de cultura nas organizações, decorrentes, por exemplo,
dos processos de fusões ou aquisições.E1 pontua:
Mudou a cultura porque acho que um ano depois que eles... compraram, eu fui convidado lá para conversar com o pessoal de sustentabilidade lá do pessoal de orgânicos para falar um pouco do mercado de orgânicos porque eles não estavam entendendo, porque estavam... acho que assim, o faturamento de orgânicos caiu e eu estive naquela ocasião em uma reunião com os gerentes aí do escritório lá perto do Parque do Ibirapuera a questão é a seguinte: olha gente, o nosso faturamento cai. (Trecho da entrevista com E1).
O Quadro 11 apresenta uma síntese, cujo objetivo é trazer o relacionamento derivado do processo de interpretação das entrevistas realizadas nesta tese, entre as metacategorias, categorias e subcategorias envolvendo o construto capacidades dinâmicas - processos internos na dimensão integração de recursos internos.
Quadro 11. Categorização de integração de recursos internos.
Metacategoria Categorias Subcategorias
Integração de recursos internos
Aprendizagem organizacional e geração de novos conhecimentos
Desenvolvimento e treinamento de pessoal especializado em produção de orgânicos
Intercâmbio do conhecimento intraorganizacional Colaboração entre as unidades
organizacionais
Avaliação conjunta de desempenho Confiança, comprometimento e trabalho em
equipe nas unidades organizacionais Fonte: elaborado pelo autor.