Groundwater Availability and Suitability Map
3.3 Procura de água
Procura de água para abastecimento
A actual procura de água do sistema de abastecimento de água da Beira/Dondo, que inclui as áreas de Mutua e Mafambisse, estima-se em 25 339 m3/dia, esperando-se que aumente para 74 640 m3/dia em 2023.
A cidade de Mutare localiza-se fora da bacia do Pungoé, na bacia do Odzi, mas é abastecida pela água do Rio Pungoé através de um sistema de transferência de água entre bacias. As quantidades de água transferidas estão limitadas a um máximo de 0,7 m3/s, estabelecido pela actual licença de água e pela própria concepção do sistema. Além disso, a 27 de Setembro de 1995 foi acordado, num encontro entre os ministros de Moçambique e do Zimbabwe responsáveis por questões da água, que podia ser extraída água até limite máximo de 1 m3/s, no Rio Pungoé para abastecer a cidade de Mutare (localizada fora da bacia do Pungoé). Além disso, a cidade de Mutare tem uma segunda origem de água na Barragem de Odzani, na bacia do Odzi.
Consequentemente, foi adoptada uma extracção fixa de água do Rio Pungoé de 60 480 m3/dia de água para a cidade de Mutare. O distrito rural de Mutasa também retira água da conduta do Pungoé para abastecer aldeias ao longo do seu trajecto.
Procura de abastecimento de água 2003:
Urbana: Beira /Dondo 25 339 m3/dia Mutare 60 480 m3/dia Rural: Moçambique 10 306 m3/dia Zimbabwe 1 962 m3/dia Total 98 087 m3/dia ou 35,8 milhões m3/ano
O abastecimento de água às áreas rurais da bacia compreende pequenos sistemas canalizados e bombas manuais que servem pequenas vilas, pólos de desenvolvimento, plantações comerciais, centros de serviços e algumas aldeias, assim como extracções directamente dos rios feitas pelas comunidades ribeirinhas não ligadas a sistemas desenvolvidos.
A bacia do Pungoé em Moçambique contém seis pequenos sistemas canalizados em Nhamatanda, Muanza, Gorongosa, Gondola, Macossa e Barué. Os sistemas canalizados na Gorongosa, em Gondola e Catandica são abastecidos a partir de águas superficiais, sendo os restantes dependentes de águas subterrâneas. A maior parte destes sistemas de abastecimento de água estão em más condições. Alguns não estão mesmo a funcionar ou
A percentagem de habitantes da bacia em Moçambique abastecidos por sistemas canalizados ou qualquer outro sistema de água formal é muito pequena. A procura de água actual de sistemas canalizados foi estimada partindo-se do princípio de que 40% da população está servida por sistemas canalizados, no que respeita a vilas, e fontanários em áreas rurais. Isto dá uma procura de água actual estimada de 10 306 m3/dia em Moçambique, incluindo a extracção directa informal (2 022 m3/dia).
Quanto à bacia do Pungoé nas áreas rurais de Moçambique, estimativas preliminares indicam uma procura de água de aproximadamente 24 049 m3/dia em 2023.
A bacia do Pungoé no Zimbabwe tem um total de sete pequenos a médios sistemas de água canalizados em Hauna, Sachisuko, Honde Army, Zindi, Samanga, Mpotedzi e Sahumani. Além disso, há sistemas de abastecimento de água mais pequenos sem medição que servem várias aldeias e escolas.
A procura de água actualmente estimada em pequenos sistemas canalizados e abastecimento não convencional na bacia do Pungoé no Zimbabwe é de aproximadamente 1 962 m3/dia, dos quais 428 m3/dia são de extracções canalizadas e 1 534 m3/dia de extracções mais directas e informais. Os números excluem desvio para a cidade de Mutare.
Como conclusão, a actual procura de água urbana e rural na bacia do Pungoé está estimada em 98 086 m3/dia. A situação poderá mudar futuramente com a reabilitação dos sistemas de abastecimento de água existentes e o desenvolvimento de novos pequenos sistemas canalizados em Moçambique, assim como com o possível desenvolvimento de novas indústrias, tanto no Zimbabwe como em Moçambique.
Abastecimento de água para indústria e minas
O desenvolvimento industrial e mineiro na bacia do Pungoé é, em geral, muito baixo. A actividade económica primária é a agricultura. A actividade industrial na bacia está concentrada na Beira. A cidade de Mutare, que se situa fora da bacia e retira água da bacia do Pungoé, tem um próspero sector industrial. A procura de água para estes centros foi incluída no abastecimento de água urbano.
Para além da Beira, a Açucareira de Mafambisse é a única grande indústria na bacia directamente abastecida pelo Rio Pungoé. Quanto ao resto da bacia, a actividade industrial limita-se a indústrias de pequena escala nas pequenas vilas e pólos desenvolvimento que não tem qualquer impacto na procura de água. São abastecidos a partir de sistemas canalizados existentes ou furos. A sua procura de água está incluída no consumo doméstico para cada centro.
Garimpeiros informais de ouro no rio Nhamucuarara realizam actividades mineiras. Em Moçambique, uma empresa malaio-australiana está a fazer prospecção de ouro utilizando técnicas modernas e métodos de gravidade. A procura actual de água para as actividades mineiras é insignificante dado que quase toda a água volta para o canal principal.
Irrigação e consumo florestal
Em Moçambique, plantações de árvores não indígenas cobrem uma área de aproximadamente 2 496 perto da cidade de Gondola, no distrito de Gondola.
Estima-se que a utilização indirecta de água seja na ordem de aproximadamente 7,5 a 10 milhões de m3/ano. No Zimbabwe, plantações de árvores não indígenas cobrem uma área de aproximadamente 5 254 ha, o que resulta numa extracção indirecta de 15,8 a 21 milhões de m3/ano.
Em 1975, a população pecuária foi estimada em 45 190 cabeças de gado bovino, 46 194 pequenos ruminantes e 19 559 porcos, do que resulta uma extracção de água estimada em aproximadamente 0,7 Mm3 por ano. Até ao ano 2000, a população animal tinha diminuído para 23 515 cabeças de gado bovino, 45 769 pequenos ruminantes, 11 990 porcos e 507 523 aves, com a respectiva redução do consumo de água para 0,5 Mm3/ano.
Procura de água para irrigação e florestas em 2003:
Florestas: Moçambique 7,5 - 10 milhões de m3/ano Mutare 16 - 21 milhões de m3/ano Criação animal: Moçambique 0,5 milhões de m3/ano
Zimbabwe -
Irrigação: Moçambique 80 - 190 milhões de m3/ano Zimbabwe 38 milhões de m3/ano Total 146 - 260 milhões de m3/ano
Uma área de 8 798 ha está actualmente equipada com infra-estruturas de rega, a partir das quais estão a ser irrigados 8 310 hectares. De longe a maior parte da terra irrigada, com 8 133 ha, é a plantação de cana-de-açúcar de Mafambisse, no distrito do Dondo, província de Sofala. O sector de irrigação tem um consumo anual que varia entre 189,5 Mm3 nos anos mais secos e 84 Mm3 nos anos mais húmidos. O consumo médio anual de água relativo ao sector de irrigação é de aproximadamente 120 Mm3 .
A agricultura de regadio no Zimbabwe, com uma área estimada em 2 120 ha resulta num máximo de extracção de água anual de aproximadamente 37,8
Na sequência das tendências de desenvolvimento actuais em Moçambique, espera-se um futuro crescimento nos três sectores. Para o sector pecuário, espera-se crescimento da população animal até ao ano 2025, resultando em consumo de água de cerca de seis milhões de m3/ano.
É difícil estimar-se o crescimento quer para o sector da agricultura quer para o sector de florestas. Em termos de potencial, há um total de 244 000 hectares de solos agrícolas para agricultura de regadio. Se toda a área fosse usada, o resultado seria uma extracção média anual na ordem dos 3 400 milhões de m3. Se as mesmas tendências fossem adoptadas para sector de florestas, isto é, um desenvolvimento na ordem dos 200 000 ha, o resultado seria uma extracção anual indirecta na ordem dos 800 milhões de m3.
O montante total para todos os três sectores montaria a um número na ordem de 4 200 milhões de m3, o que fica ligeiramente acima de toda a água disponível na bacia. No entanto, esta situação não é realmente crítica porque as estimativas correspondem ao pleno desenvolvimento do potencial existente e não a propostas de desenvolvimento efectivo.
Recursos hídricos totais vs procura no Rio Pungoé:
Disponibilidade de águas superficiais
no longo prazo: 3 600–4 000 milhões de m3/ano
Procura total de abastecimento
de água 2003: 36 milhões de m3/ano
Procura total de abastecimento
de água 2023: 60 milhões de m3/ano
Procura total de irrigação 2003 : 146 - 260 milhões de m3/ano
Procura total de irrigação se todas
as áreas potenciais forem irrigadas: 4 200 milhões m3/ano