2 ARCABOUÇO TEÓRICO E LEGAL/INSTITUCIONAL
4.4 Produtividade do Gasto Público dos Municípios
D -0.018 *** -0.0213 *** -0.000923 -0.00528 (-3.23) (-3.06) (-0.21) (-0.90) Munic. 1544 519 673 576 Obs. 6176 2076 2692 2304 R2 Aj. 0.2024 0.2319 0.1992 0.1649 F 148.38 77.92 85.54 55.46 Prob>F 0.00 0.00 0.00 0.00
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Resultados das estimações do modelo 4 (pág. 59): 𝐶𝑖𝑡= α + 𝛽𝑅 𝑖𝑡+ 𝜃𝐷𝑖𝑡+ ∑𝑗𝑗=1𝛿𝑗𝑍𝑍𝑗,𝑖 𝑡+ 𝜀𝑖𝑡. Variável
dependente é o crescimento econômico. Modelos estimados por LSDV com efeitos fixos de tempo e erros- padrão robustos agrupados por municípios. ***, ** e * referem-se à significância dos coeficientes a 1%, 5% e 10%, respectivamente. Entre parênteses, a estatística t dos coeficientes. Resultados das variáveis de controle, efeitos fixos de tempo e testes de qualidade dos ajustes estão nos apêndices F e G. Legenda das variáveis: D – dummy para os municípios mais abundantes em recursos naturais; drn – dummy para os municípios mais abundantes em recursos naturais totais; drh – para os municípios mais abundantes em recursos hídricos; drm – dummy para os municípios mais abundantes em recursos minerais; drn – dummy para os municípios mais abundantes em recursos do petróleo; Rnpc – abundância em recursos naturais total em milhares de reais; Rhpc – abundância em recursos hídricos em milhares de reais; Rmpc – abundância em recursos minerais em milhares de reais; Rppc – abundância em recursos do petróleo em milhares de reais.
No modelo 4d, estimado com 576 municípios com receitas advindas dos recursos do petróleo em todos os anos, observa-se que a variável de abundância em recursos do petróleo foi negativa e significativa, como no modelo 1b. A variável binária para os municípios com maior volume de receitas com recursos do petróleo também foi negativa, porém não estatisticamente significativa, indicando que não existe diferença no impacto destas receitas no crescimento econômico dos municípios mais/menos abundantes em recursos do petróleo.
4.4 Produtividade do Gasto Público dos Municípios
Os resultados das estimações do modelo empírico 2 (página 57) são apresentados na tabela 4.4 para o teste da contribuição dos gastos por categoria econômica e pela natureza da despesa para o crescimento econômico dos municípios. Enquanto, no modelo estimado 2.1, o gasto corrente aparenta ser produtivo para o crescimento dos municípios (gcor > 0), não se verifica o mesmo para o gasto de capital (gcap < 0) na estimação 2.2, o que indica que os municípios com maior composição do gasto total referente a gasto de capital tiveram
crescimento econômico menor no período de 2003 a 2012. Ambos os gastos tiveram relação estatisticamente significativa a 1% com o crescimento dos municípios.
Tabela 4.4 – Gastos públicos e crescimento econômico
2.1 2.2 2.4 2.5 gcor 0,104 *** (12,87) gcap -0,104 *** (-12,87) gpes 0,097 *** (9,61) gocr 0,11 *** (13,57) ginv -0,102 *** (-12,59) Munic. 4573 4573 4573 4573 Obs. 22865 22865 22865 22865 R2 Aj. 0,2703 0,2703 0,2705 0,2696 F 488,91 488,91 440,85 489 Prob>F 0,00 0,00 0,00 0,00
Controles Sim Sim Sim Sim
Efeitos tempo Sim Sim Sim Sim
Resultados das estimações do modelo 2 (pág. 57) para o gasto público por categoria econômica e pela natureza da despesa: 𝐶𝑖𝑡= α + ∑𝑘 𝛾𝑘𝐺
𝑘=1 𝐺𝑘,𝑖 𝑡+ ∑𝑗𝑗=1𝛿𝑗𝑍𝑍𝑗,𝑖 𝑡+ 𝜀𝑖𝑡. Variável dependente é o crescimento
econômico. Modelos estimados por LSDV com efeitos fixos de tempo e erros-padrão robustos agrupados por municípios. ***, ** e * referem-se à significância dos coeficientes a 1%, 5% e 10%, respectivamente. Entre parênteses, a estatística t dos coeficientes. Resultados das variáveis de controle, efeitos fixos de tempo e testes de qualidade dos ajustes estão nos apêndices F e G. Legenda das variáveis: gcor – gasto corrente; gcap – gasto de capital; gpes – gasto com pessoal; gocr – outros gastos correntes; ginv – gasto em investimentos. Modelo 2.3 não apresentado devido ao risco de multicolinearidade.
Segundo Devarajan, Swaroop e Zou (1996), o fato de o gasto de capital não ser produtivo pode estar relacionado com distorções que fazem com que o nível desejado dos bens públicos seja menor; logo, gastos adicionais referentes a esses bens públicos podem, de fato, ser improdutivos. Os autores apontam que esse resultado pode ser condizente com os interesses dos governantes na escolha do nível e da composição do gasto, por exemplo: os governantes podem estar empenhados com gasto de capital em obras públicas sem utilidade (“elefantes brancos”), o que tornaria o gasto improdutivo.
Nesse sentido, Bayraktar e Moreno-Dodson (2010) e Moreno-Dodson e Bayraktar (2011) verificaram que a produtividade do gasto público era diferente entre países em desenvolvimento com maiores e menores taxa de crescimento. Assim, quando analisados em conjunto, o comportamento do gasto público e seus componentes tendiam a diminuir. Para os autores, essa discrepância poderia estar associada às diferenças na eficácia do governo e na qualidade da governança, relacionada principalmente à burocracia.
Nos modelos 2.4 e 2.5, foram estimadas a contribuição dos gastos por grupo de natureza da despesa no crescimento econômico. Os gastos com pessoal e os outros gastos correntes apresentaram comportamento positivo e estatisticamente significante a 1%, sugerindo que estes gastos contribuíram para o crescimento econômico dos municípios no período. Ao contrário, o comportamento do gasto em investimentos foi negativo e significativo, indicando a não produtividade desse gasto, tal como observado para o gasto de capital.
Diante disso, deve-se considerar que o efeito do gasto em investimentos no crescimento econômico pode levar algum tempo para ocorrer, tendo em vista a necessidade de tempo para a execução e disponibilização da obra para o público, que pode ainda prolongar-se por conta de atrasos devidos a aditivos de contrato ou disputas judiciais. Dessa forma, municípios que priorizaram o gasto em investimentos em detrimento aos demais gastos tiveram crescimento, em média, menor do que aqueles no período compreendido no estudo.
A administração pública pode ser considerada uma importante fonte de renda para os municípios, fazendo com que o gasto público tenha peso maior na promoção do crescimento econômico, principalmente nas localidades mais pobres, pelo pagamento de salários aos servidores públicos e pela demanda por bens e serviços produzidos pelo setor privado (DIVINO; SILVA Jr, 2012), o que poderia explicar a maior produtividade do gasto corrente e seus componentes no primeiro momento
O resultado da estimação do modelo 2 (página 57) para a produtividade dos gastos por função (estimação 2.6) mostram, na tabela 4.5, que o gasto com o Legislativo teve relação negativa e significativa com a taxa de variação do PIB dos municípios no período, ou seja, os municípios que mais gastaram na função legislativa tiveram crescimento econômico menor. O gasto na função administração esteve associado positiva e significativamente com o crescimento dos municípios, indicando que o gasto com a administração foi produtivo no período.
Os gastos em assistência social e em saúde também apresentaram relação positiva com a variação do PIB, entretanto essa relação foi significativa a 10% para o primeiro gasto e a 1% para o segundo. Isso mostra que os gastos em assistência social e em saúde foram produtivos para os municípios com maior proporção desses na composição do gasto total. O gasto em gestão ambiental, embora se relacionasse positivamente com o crescimento per capita dos municípios, não foi estatisticamente significativo.
Tabela 4.5 – Gastos por função e crescimento econômico 2.6 glegis -0,0697 *** (-3,27) gadm 0,0335 *** (4,07) gassist 0,0365 * (1,80) gsaude 0,0304 *** (2,95) geduc 0,0805 *** (6,92) gurban -0,0442 *** (-4,20) ghabit -0,0796 *** (-3,61) gsanea -0,0486 *** (-3,23) ggeamb 0,0521 (1,14) Munic. 4573 Obs. 22865 R2 Aj. 0,2648 F 249,93 Prob>F 0,00 Controles Sim
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Resultados da estimação do modelo 2 (pág. 57) para o gasto público por função. Variável dependente é o crescimento econômico. Modelos estimados por LSDV com efeitos fixos de tempo e erros-padrão robustos agrupados por municípios. ***, ** e * referem-se à significância dos coeficientes a 1%, 5% e 10%, respectivamente. Entre parênteses, a estatística t dos coeficientes. Resultados das variáveis de controle, efeitos fixos de tempo e testes de qualidade dos ajustes estão nos apêndices F e G. Legenda das variáveis:
glegis - gasto com o Legislativo; gadm - gasto com a administração; geduc -
gasto em educação; gassist - gasto em assistência social; gsaude - gasto em saúde; gurban - gasto em urbanismo; ghabit - gasto em habitação; gsanea - gasto em saneamento; ggeamb - gasto em gestão ambiental.
O gasto em educação também se associou positivamente com a variação do PIB, ou seja, nos municípios onde esse gasto representava maior porção na composição dos gastos públicos, o crescimento econômico foi maior. Ainda, o gasto em educação foi o que mais contribuiu para o crescimento dentre os tipos de gastos analisados, indicando que, para cada 1% de aumento na composição dos gastos direcionados para a função educação, o crescimento econômico era 8 pontos percentuais em média maior nos municípios.
Os gastos em urbanismo, em habitação e em saneamento foram negativos e estatisticamente significantes a 1% associados com a variação do PIB per capita dos munícipios no período analisado, o que sugere que, nos municípios com maiores gastos nessas funções, o crescimento econômico foi menor do que nos demais municípios.