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4 CAPÍTULO II: COLETAS SUCESSIVAS DE MINIESTACAS EM MINICEPAS DE

4.3 RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.3.1 Produtividade e sobrevivência de minicepas

A sobrevivência de minicepas (SM) mostrou tendência decrescente ao longo das 32 coletas, iniciando a mortalidade a partir da 6ª coleta e alcançando 68% aos 24 meses (Figura 2.1 A). Este resultado é considerado adequado, levando-se em consideração o longo período de coleta de brotações nas minicepas e a ausência de replantio no decorrer do experimento. A produtividade de miniestacas mostrou-se, de acordo com a literatura, variando de 4,5 (inverno/2013) a 12,1 (verão/2013) miniestacas minicepa-1. Em condições semelhantes, a produtividade de Piptocarpha angustifolia alcançou 6,7 miniestacas minicepa-1 em intervalos médios de 30 dias na primavera (FERRIANI et al., 2011).

FIGURA 2.1 (A) SOBREVIVÊNCIA DE MINICEPAS EM MINIJARDIM CLONAL DE Piptocarpha angustifolia, EM FUNÇÃO DAS COLETAS SUCESSIVAS; (B) RELAÇÃO ENTRE MORTALIDADE DE MINICEPAS (MM) E INTERVALOS ENTRE COLETAS (IC), EM FUNÇÃO DAS MÉDIAS DAS ESTAÇÕES ENTRE 2013 E 2015. COLETAS 1-4 (INVERNO/2013); COLETAS 5-8 (PRIMAVERA/2013); COLETAS 9-12 (VERÃO/2013-14); COLETAS 13-16 (OUTONO/2014);

COLETAS 17-20 (INVERNO/2014); COLETAS 21-24 (PRIMAVERA/2014); COLETAS 25-28 (VERÃO/2014-15); COLETAS 29-32 (OUTONO/2015) (A); MÉDIAS DAS ESTAÇÕES CLIMÁTICAS NOS DOIS ANOS (B).

O efeito das estações do ano na mortalidade de minicepas torna-se evidente, com forte influência das condições elevadas de temperatura nos meses de verão e primavera (Figura 2.1 B). Além disso, sua relação com o intervalo médio entre coletas (IC) deixa clara a sensibilidade das minicepas à condição de manejo adotada, evidenciando o efeito das temperaturas mínimas, máximas e médias sobre o intervalo entre as coletas, comprovado pela correlação negativa entre estas variáveis (Tabela 2.1).

TABELA 2.1 CORRELAÇÕES ENTRE AS TEMPERATURAS MÍNIMAS, MÁXIMAS E MÉDIAS E AS VARIÁVEIS DE PRODUTIVIDADE AVALIADAS EM MINIJARDIM CLONAL (A) E ENTRE AS VARIÁVEIS BIOMÉTRICAS (B) EM MINIESTACAS DE Piptocarpha angustifolia APÓS SEU ENRAIZAMENTO.

Minijardim clonal (A) Variáveis biométricas (B)

IC SM PMQ ME NR CMR S C MF

T Mín -0,88 ** -0,45ns 0,85** 0,48ns 0,71ns 0,98** -0,90** -0,41ns -0,84**

T Máx -0,91** -0,59ns 0,85** 0,49ns 0,85** 0,84** -0,86** -0,73 * -0,83**

T Méd -0,91** -0,53ns 0,87** 0,50ns 0,80* 0,95** -0,91** -0,58ns -0,87**

** significativo ao nível de 1% de probabilidade; * significativo ao nível de 5% de probabilidade; ns não significativo. T Mín - Temperatura mínima; T Máx - Temperatura máxima; T Méd - Temperatura média;

IC - Intervalo entre coletas; SM - Sobrevivência de minicepas; PMQ - Produção de miniestacas por metro quadrado; ME - Miniestacas enraizadas; NR - Número de raízes; CMR - Comprimento médio de raízes; S - Miniestacas vivas; C - Miniestacas com calos; MF - Miniestacas com manutenção de folhas.

O menor intervalo entre coletas no verão favoreceu a mortalidade de minicepas, efeito possivelmente relacionado ao maior estresse gerado naquele período, limitando a recuperação entre as coletas sucessivas. As brotações de Piptocarpha angustifolia apresentam característica herbácea, propiciando o início de necroses nas minicepas no local de corte dos brotos. Esta necrose, na maioria dos casos, cessava à medida que as novas brotações eram emitidas; mas, em alguns casos extremos, tendia a ampliar resultando em mortalidade da minicepa.

FIGURA 2.2 CARACTERIZAÇÃO GERAL DO EXPERIMENTO COM MINIESTACAS DE Piptocarpha angustifolia: A - MINICEPA EM PONTO DE COLETA; B - SISTEMA RADICIAL DA MINICEPA APÓS 24 MESES EM SISTEMA SEMI-HIDROPÔNICO; C - MINIESTACA;

D - EMBALAGEM UTILIZADA E ACONDICIONAMENTO DAS MINIESTACAS; E - MINIESTACA COM CALO; F - MINIESTACA COM A PARTE APICAL NECROSADA; G - MINIESTACA ENRAIZADA.

A reduzida produtividade inicial é comumente encontrada na miniestaquia de espécies florestais (WENDLING et al., 2007; STUEPP et al., 2015a), podendo estar relacionada a adaptação das minicepas ao sistema semi-hidropônico e aos efeitos sazonais, principalmente da temperatura (CUNHA et al., 2009;

WENDLING et al., 2015). A elevação da temperatura média no verão favoreceu a produção de miniestacas por metro quadrado (PMQ) (Figura 2.3), com correlação positiva entre estes dois fatores (Tabela 2.1 A) e a redução nos intervalos entre coletas (Figura 2.1 B).

FIGURA 2.3 PRODUÇÃO DE MINIESTACAS DE Piptocarpha angustifolia POR METRO QUADRADO (PMQ) EM FUNÇÃO DAS ESTAÇÕES DO ANO ENTRE O INVERNO/2013 E OUTONO/2015.

MÉDIAS SEGUIDAS POR MESMA LETRA NÃO DIFEREM ENTRE SI PELO TESTE DE TUKEY A 5% DE PROBABILIDADE.

A produtividade das minicepas é reflexo do sistema de manejo e nutrição adotados, neste caso, semi-hidropônico em leito de areia, já avaliado em estudos anteriores, com bons resultados para Piptocarpha angustifolia (FERRIANI et al., 2011) e para diversas espécies do gênero Eucalyptus L'Her.

(WENDLING et al., 2007; CUNHA et al., 2009; BRONDANI et al., 2012a, c).

A metodologia de coleta seletiva e manejo nutricional das minicepas mostrou-se eficaz, com variação na produção de brotos entre as coletas em uma mesma estação. Esta variação é comum na miniestaquia (BRONDANI et al., 2012c) e tem sido associada ao vigor fisiológico das minicepas, indicando uma maior ou menor

capacidade de restabelecimento sob efeito de coletas sucessivas (BRONDANI et al., 2012a).

A produção de miniestacas superior no período de 2013-14 é evidente, principalmente no verão (20,9%) e primavera (4,2%), maiores em relação ao período de 2014-15. Esse efeito não foi verificado no outono e inverno, com um aumento no período de 2014-15 de aproximadamente 12,9% e 8,6%, respectivamente, em relação ao período 2013-14. Estes resultados indicam o efeito da ampliação da superfície radicial e aérea das minicepas, uma vez que o manejo nutricional mostrou-se equilibrado e a variação nas temperaturas médias não foram significativamente diferentes entre os dois períodos, capazes de influenciar a produtividade.

O aumento da produtividade no verão e primavera em relação as demais estações é consequência da maior temperatura média nestas estações do ano, efeito comum na miniestaquia de espécies florestais (PEÑA PEÑA et al., 2015).

A temperatura é preponderante na produção de miniestacas, exercendo influência na absorção de nutrientes e no metabolismo das minicepas, com consequente aumento da divisão celular nos vegetais (HARTMANN et al., 2011;

RASMUSSEN et al., 2015).

Estudos procurando avaliar os efeitos gerados por sucessivas coletas em minicepas de espécies florestais são ainda escassos (MCMAHON et al., 2013; 2014;

WENDLING et al., 2015), assim como sua eficiência na manutenção da juvenilidade das mesmas, variando de acordo com a espécie e metodologia de manejo adotada (HAMANN, 1998; AIMERS-HALLIDAY et al., 2003; WENDLING et al., 2015).

A manutenção do vigor juvenil destes propágulos é de suma importância para o processo de enraizamento, uma vez que este vigor pode estar diretamente relacionado às concentrações endógenas de auxinas e cofatores, sendo estes essenciais ao processo de rizogênese (ŠTEFANČIČ et al., 2005;

LUDWIG-MÜLLER, 2009; KAZAN, 2013; STUEPP et al., 2017). Após 32 coletas, as minicepas sobreviventes apresentavam boas condições fitossanitárias e fisiológicas em termos de sistema radicial e parte aérea, não demonstrando, portanto, a exaustão das mesmas (Figura 2.2 B).