1.7 Marketing e Marketing Verde
1.7.1 Produto Verde
Estes produtos podem ser definidos como aqueles que não vão poluir a terra ou os recursos naturais e podem ser reciclados ou conservados. Muitas vezes, os denominados eco- friendly, ambientalmente seguros, recicláveis, biodegradáveis e ozônio friendly, são as atribuições mencionadas pelas publicidades comumente utilizadas pelas empresas na promoção dos produtos verdes. Alguns exemplos destes produtos são: utensílios domésticos fabricados com plásticos pós-consumo ou de papel, embalagens recicláveis, lâmpadas energeticamente eficientes e detergentes que contêm ingredientes biodegradáveis (Chai, 2011).
Criar produtos e embalá-los, segundo Ottman (2012), para que tenham um impacto ambiental mínimo, não é algo fácil. O que parece ser um benefício ecológico pode, na verdade, resultar em pouco ou nenhum valor ambiental. No intuito de evitar o retrocesso de consumidores, ambientalistas ou outros interessados formadores de opinião que detectam rapidamente problemas em produtos ou em embalagens divulgadas como verdes, é necessário que se aborde, de modo detalhado, a melhoria do perfil ambiental dos produtos e processos de uma empresa. Uma ferramenta de avaliação denominada “ciclo de vida” (LCA) pode ajudar examinando todas as questões ambientais diretamente relacionadas na produção de um produto mais verde:
1. Aquisição e processamento de matéria-prima; 2. Fabricação e distribuição;
3. Uso e embalagen de produtos; 4. Pós-uso e descarte.
Autores como MacDaniel e Rylander (1993) reforçam a afirmação, alegando que para os produtos se tornarem menos nocivos ao ambiente, as áreas operacionais devem considerar todo o impacto ambiental da atividade empresarial. E Cuperschmid e Tavares (2002) distinguem dois tipos de produtos verdes:
1. Os absolutamente verdes: vendidos por empresas especialistas no desenvolvimento deles, criados para ser ecologicamente corretos;
2. Os atualmente verdes: antes, vendidos como produtos comuns, e em seguida modificados para produtos verdes.
Lages e Neto (2002) definem produtos verdes ou ecológicos como aqueles ambientalmente corretos, que não agridem o meio ambiente e a saúde humana.
Dias (2007) considera produtos verdes como aqueles que podem ser produzidos com base em bens reciclados, ser reutilizados economizando água e energia, com embalagens ambientalmente responsáveis, e são os produtos orgânicos, produtos certificados, entre outros. Esses produtos devem cumprir as mesmas funções dos produtos equivalentes, porém causando o menor dano possível ao meio ambiente ao longo do seu ciclo de vida, desde a produção, o consumo, até o descarte.
Os atributos dos produtos verdes, para Peattie e Charter (2005), se enquadram em duas categorias:
1. Relativos aos impactos sociais e ambientais do produto tangível; 2. Relacionados com os processos nos quais os produtos são criados.
ecológica ao comportamento funcional por um preço competitivo, e a partir disto é que as empresas poderão incorporar as inovações tecnológicas (Wong; Turner & Stoneman, 1996).
Motta (2002) e Motta e Mattar (2011), partindo da revisão de diferentes pesquisadores a respeito das características de produtos verdes, indicam que produtos ecologicamente corretos são caracterizados pelos seguintes atributos:
1. Que sejam fabricados com matérias-primas renováveis, recicláveis, e quando extraídos conservem os produtos naturais com quantidade mínima de matérias- primas, com eficácia energética e de utilização de água, com o mínimo despejo de efluentes e resíduos;
2. Colocados em embalagens mais leves, mais volumosas, com rótulos acompanhados de informações sobre o produto, e que os materiais sejam renováveis e recicláveis;
3. Duráveis, pois servem para variados propósitos; que sejam facilmente consertados e desmontados com mais segurança, mais eficiência energética e que conservem os recursos naturais quando são utilizados;
4. Reutilizáveis, refabricados e atualizados;
5. Biodegradáveis e podem ser substituídos por refil; 6. Favoráveis ao descarte seguro;
7. Decompostos, incineráveis ou recicláveis;
8. Transportados com o menor impacto possível ao ambiente; 9. Fabricados de forma sustentável.
Johr (1994) propõe um possível roteiro e alguns pontos para serem analisados e considerados em novos produtos:
1. Que seja analisado a composição do produto, a matéria-prima e eficiência, quanto à toxicidade, efeitos colaterais negativos, reciclagem, volume de detritos ou resíduos na emissão.
2. Que o produto final seja analisado em todas as suas características de conservação, na facilidade de manutenção e de conserto, ser reciclável e com economia de matéria-prima;
3. Verificar na vida útil do produto se a administração do lixo ou do detrito é fácil, se existe a possibilidade de reutilizar o produto, se é degradável, se sua decomposição não agride o meio ambiente, ou ainda se é passível de ser devolvido e reaproveitado na fabricação de um novo produto;
recicláveis.
O produto, para evitar a miopia do marketing verde e dos comerciantes, deve atender às necessidades e interesses dos consumidores, além do que deve ser bom para o meio ambiente. Embora nenhum produto de consumo tenha um impacto zero sobre o meio ambiente, no mundo dos negócios os termos "produtos verdes" e "produto ambiental" são comumente usados para descrever aqueles que se esforçam para proteger ou melhorar o ambiente natural, através da conservação de energia e/ou de recursos, reduzindo ou eliminando o uso de agentes tóxicos, poluição, etc. (Ottman, 2012).
Após dissertar sobre os levantamentos bibliográficos essenciais ao desenvolvimento deste estudo, os quais serviram de apoio e sustentação para consolidar a questão de pesquisa e os objetivos geral e específicos, no capítulo seguinte estão dispostos os procedimentos metodológicos que elucidaram o objetivo da tese.
2 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A qualificação dos conceitos por meio da pesquisa bibliográfica consolida a fundamentação teórico-metodológica do trabalho, realizando uma investigação sobre os preceitos teóricos de comportamento do consumidor, marketing verde e práticas ambientais (Cooper & Schindler, 2003). Esta primeira etapa, a pesquisa bibliográfica, criou sustentação e validação para o que se pretendeu demonstrar com a pesquisa de campo.