3. AS RELAÇÕES DE CONSUMO E SUA CARACTERIZAÇÃO
3.3 Elementos da Relação de Consumo
3.3.3 Produtos e Serviços
Após serem Analisados os elementos subjetivos constitutivos da relação jurídica de consumo, sendo o consumidor e o fornecedor, cabe agora caracterizar o objeto da prestação que une ambos os elementos que concretizam o vínculo jurídico obrigacional de uma relação de consumo, consubstanciado no fornecimento de um produto ou na prestação de um serviço, conforme prescreve os parágrafos 1º e 2º, do art. 3º, da lei consumerista:
§ 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial.
§ 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Nunes (2001, p. 135) descreve que o conceito de produto “é universal nos dias atuais e está estreitamente ligado à ideia do bem, resultado da produção no mercado de consumo das sociedades capitalistas contemporâneas”.
Com relação a produto, percebe-se pelo termo “qualquer” um caráter amplo, que abrange todos aqueles bens que, pela ação do homem, são postos à disposição no comércio a fim de satisfazer uma necessidade do consumidor como destinatário final.
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O legislador na lei consumerista definiu que produto seria “qualquer bem”, sendo este “móvel ou imóvel”, e ainda “material ou imaterial”. A característica que trata do bem como sendo “móvel ou imóvel”, nos remete ao conceito tradicional advindo do Código Civil de 2002, in verbis:
Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou artificialmente.
Art. 80. Consideram-se imóveis para os efeitos legais:
I - os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram; II - o direito à sucessão aberta.
Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:
I - as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem removidas para outro local;
II - os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se reempregarem.
Art. 82. São móveis os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social.
Art. 83. Consideram-se móveis para os efeitos legais: I - as energias que tenham valor econômico;
II - os direitos reais sobre objetos móveis e as ações correspondentes; III - os direitos pessoais de caráter patrimonial e respectivas ações.
Art. 84. Os materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem empregados, conservam sua qualidade de móveis; readquirem essa qualidade os provenientes da demolição de algum prédio.
Em se tratando de bens materiais, não existem problemas de conceituação, pois são coisas corpóreas, palpáveis, que ocupam espaço no mundo físico. Em uma definição simples, bens materiais são aqueles que nós podemos ver e tocar, como por exemplo, uma caneta, um livro, ou um sapato.
Já os bens imateriais são as coisas incorpóreas, sendo consideradas aquelas que o ser humano não pode sentir fisicamente. Os bens imateriais não ocupam lugar no meio físico, sendo, desse modo, produtos abstratos, a exemplo, os vários produtos oferecidos pelas instituições bancárias, como aplicação de renda física, mútuo e caução, ou mesmo produtos oferecidos por outras instituições, como a energia elétrica.
A partir da definição de produto, ocorre a necessidade de fazer uma interpretação sistemática do CDC, que, deste modo, faz surgir “[...] também a hipótese de fixação do produto como durável e não durável, por previsão no art. 26 (acontecerá o mesmo no que tange aos serviços)”. (NUNES, 2011, p. 136)
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Art. 26. O direito de reclamar pelos vícios aparentes ou de fácil constatação caduca em:
I - trinta dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos não duráveis;
II - noventa dias, tratando-se de fornecimento de serviço e de produtos duráveis.
O dispositivo trata do direito de um consumidor reclamar por vícios aparentes ou de fácil constatação de produtos adquiridos em uma relação jurídica de consumo, demonstrando indiretamente uma previsão do tempo de durabilidade desses produtos, ou seja, estipulando um prazo de validade para esses produtos.
Contudo, no texto normativo não está especificado uma relação de produtos que são agraciadas com o prazo de validade, apenas especifica os prazos determinados para qualquer tipo de produto, seja ele o durável e o não durável.
O produto não durável é aquele que após o seu uso, deixa de existir, esgotando assim a sua substância. Durável é aquele produto que leva um determinado tempo para se desgastar. No entanto, Nunes (2011, p. 137) adverte descrevendo que “nenhum produto é eterno”.
Deste modo, entende-se que todo produto durável, tende-se a se acabar um dia, perdendo assim a sua finalidade para a qual se destinou, ou até mesmo, com o desgaste natural venha a ocorrer a diminuição da sua capacidade de funcionamento, sua eficiência. Esse desgaste natural não pode ser considerado como vício do produto, pois não existe previsão legal para essa alegação.
Já o produto não durável é aquele que se acaba com o seu uso. É aquele bem que se extingue ou vai se esgotando com a sua utilização.
Com relação aos serviços, em poucas palavras, Nunes (2011, p. 140) explica sucintamente que serviço é “qualquer atividade fornecida ou, melhor dizendo, prestada no mercado de consumo”.
Essa atividade pode ser entendida como àquela atividade fornecida no mercado de consumo, mediante uma remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.
Já Cavaliere Filho (2010, p. 70) descreve que os serviços “podem ser de natureza material, financeira ou intelectual, podendo ser prestados por entidades públicas ou privadas, desde que remunerados, seja de forma direta ou indireta”.
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Nesse sentido, percebe-se que o conceito de serviço é entendido como toda atividade remunerada colocada à disposição do público no mercado de consumo, com a finalidade de satisfazer uma necessidade humana, desde que esta finalidade não constitua relação trabalhista.