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6 O SER PROFESSOR

6.3 Professor e professora: quais as diferenças?

Como já comentado anteriormente, uma questão bastante frequente ao professor na educação infantil é a ideia de um homem agressivo, que não teria o “tato” necessário para o cuidado com as crianças. Jaeger e Jacques (2017, p. 546 e 547) apontam que a Educação Infantil se mantém como uma profissão feminina, justificando a aptidão das mulheres na profissão por serem “mais delicadas, dóceis e aptas ao cuidado de crianças do que os homens”, já estes, por sua vez, teriam qualidades biológicas opostas e desnecessárias nessa etapa de educação e no cuidado com as crianças, como a força e a coragem. Rodrigo relata um episódio onde sua interação com alguns de seus alunos foi vista fora do contexto e interpretada como agressiva pela mãe de uma criança. O docente avalia que o acontecimento se deu pelo fato de ser um homem no espaço escolar, acreditando que essa mãe não teria a mesma reação caso o mesmo acontecesse com uma professora.

Professor Rodrigo: E uma vez eu chamei atenção dos meus meninos, na hora da saída, eles estavam sentados, mas alguns não saíram do tanque de areia, eu já tinha chamado pra lavar as mãos e nós íamos sentar pra esperar abrir o portão. E aí quando eles não vieram eu chamei eles um pouco mais bravo, né? Porque se eu chamasse eles muito bonzinho eles também não viriam. Daí quando eu chamei atenção mais firme com eles, uma mãe do berçário foi reclamar de mim pra diretora. [...] ela chegou e falou “Nossa se meu filho do berçário tiver que estudar com aquele professor homem lá eu não vou querer. Porque ele estava chamando as crianças dele do parque e ele falou bravo com as crianças, porque elas estavam só brincando no parque”. Mas a mãe não entendeu que aquele era o momento delas lavarem as mãos, quer dizer, ela pegou uma parte do contexto, né?

O professor destaca também que a referida mulher não era mãe de nenhuma das crianças de sua turma, analisando que a crítica dela seria proveniente de uma única situação presenciada fora de contexto, julgada sem conhecer a fundo a relação do professor com os seus alunos.

O mesmo professor comenta essa diferenciação que se faz entre homens e mulheres, observando a necessidade de se atentar a forma como a pessoa trabalha e lida com as crianças e não focando em seu gênero como determinante de sua

capacidade, uma vez que homens e mulheres teriam as mesmas competências para desempenhar esse trabalho. Silva e Veloso (2018) assinalam que o imaginário social vê o homem como alguém que não dispõe das mesmas características femininas, sendo visto com alguém de aspectos brutais. Sobre o mesmo assunto, Silva (2012) expõe que é fundamental desconstruir essa ideia de que o lugar do homem não é na educação infantil pois ele “não tem carinho” para atuar com crianças.

Professor Rodrigo: O homem pode amar a criança, gostar de criança, ter esse vínculo de afetividade e amor tão quanto a mulher, por que não? Qual é a diferença? É só a ‘figura homem’, quer dizer, um pai não pode amar um filho na mesma intensidade que uma mãe? Então eu acho que a gente tem que valorizar a pessoa, independente do gênero dela né? A gente tem que valorizar ela pelas ações. Como é o comportamento dessa pessoa dentro da escola, enquanto profissional, enquanto pessoa? Como que essa pessoa trabalha com os demais colegas, né? Em todos os sentidos. Como trabalha com essas crianças? Acho que isso é o que importa, acho que as características das pessoas, as ações das pessoas é o que importa, independente do sexo.

Em sua fala, o professor Rodrigo também questiona essa diferenciação que se tem entre homens e mulheres no campo afetivo e sentimental, trazendo a discussão de que um pai pode amar um filho tanto quanto a mãe, não sendo a diferença de gênero um empecilho para o sentimento. Sobre este ponto, é interessante frisar que o entendimento de que o homem não teria a mesma capacidade de demonstrar afeto começa dentro das próprias famílias, como já apontado com mais destaque na seção 2.1 deste estudo, onde comentamos que os aspectos sentimentais não são com frequência associadas ao pai, mas sim as cobranças relativas ao sustento da criança. Por este motivo, podemos perceber como a presença do homem na sala de aula do ensino infantil é tão importante, uma vez que contribui para que as crianças sejam apresentadas a um modelo de homem cuidador desde pequenas, modelo este de masculinidade que muitas vezes não terão dentro de suas famílias. Segundo Lyra, Medrado e Lopes (2007, p. 10), “É fundamental que os meninos tenham a oportunidade de viver outras experiências, especialmente as que envolvam formas de cuidado, de si e dos outros”.

Acerca da possível existência de diferenças na forma de se trabalhar entre a professora e o professor, os docentes entrevistados divergem em seus pensamentos sobre o assunto. O professor Rodrigo, que como suas falas evidenciam, frisa bastante a capacidade do homem demonstrar afeto de forma igual as mulheres, acredita que não haveria diferenças entre as práticas do professor e da professora, sendo que as únicas diferenças se dariam a partir de sua experiencia na função, de forma que, de acordo com o professor, todos podem desenvolver um trabalho de forma igual ou até mesmo melhor, bastando querer. No entanto, Rodrigo frisa que há diferença em relação a sobrecarga feminina, que os professores do sexo masculino não vivenciam, mas as professoras do sexo feminino sim, uma vez que, além do trabalho na escola, elas ainda são as principais responsáveis pelo trabalho doméstico e o cuidado dos filhos, o que faz com que tenham uma carga a mais de trabalho. Pela invisibilidade do trabalho feminino no âmbito doméstico (FIORIN, OLIVEIRA e DIAS, 2014) muitas mulheres acabam realizando uma jornada dupla ou tripla de trabalho, exigindo ainda mais de sua saúde física e mental.

Nosso outro entrevistado, o professor José, acredita que existiriam sim diferenças, porém não tem certeza de que elas são de fato originadas pelo fato de ser um homem ou apenas pelo seu modo de lecionar, pois preza pela disciplina e pelo silencio nos momentos de atividade e diz conhecer professoras que agem de forma parecida.

Professor José: Então eu prezo muito por isso e acaba sendo tipo assim, as vezes algumas crianças ficam olhando assim né? Ficam até meio imóveis, acho que com receio de eu falar alguma coisa, de chama atenção, de falar o nome da criança alto. Então existe uma diferença sim, mas eu não sei se essa diferença é simplesmente por eu ser um professor.

O professor salienta que as diferenças no modo de lecionar sempre existem, sejam entre duas professoras, entre dois professores ou entre um professor e uma professora. No entanto, ele analisa que a maior diferença é a referência que os pais e as crianças têm sobre o professor, comentando situações onde o relacionamento dele com os familiares de alunos se daria de modo diferente do relacionamento dos mesmos com as professoras, de modo que algumas mães consideradas “problema” entre as docentes da escola e que com frequência procuravam a professora da classe para reclamar de situações ocorridas, já não o fazem com o professor. José

completa que não sabe se essa situação é causada pelo fato de realmente não haver reclamações ou se essas mães não se sentiriam confortáveis em conversar com ele dos problemas, porém salienta que em outros assuntos que não envolveriam críticas, como avisar e explicar motivos de falta dos filhos, as mães o procuram normalmente. Em relação a visão das crianças, ele aponta que essa diferença no relacionamento com relação às professoras e ao professor seria algo reforçado pelas próprias professoras, que imbuiriam nas crianças o entendimento de um homem severo em tom de ameaça diante de mau comportamento das mesmas (como já explorado na subseção 6.1).

Na visão do professor Daniel, as diferenças existiriam, mas seriam mais relacionadas ao fato de ser um professor menos preocupado com as ações exploratórias das crianças no ambiente escolar. Para elucidar seu pensamento, ele exemplifica algumas de suas práticas, as quais seriam vistas com espanto pelas professoras, como deixar as crianças brincarem livremente no brinquedo conhecido como gaiola ou explorarem o escorregador pelo lado “errado”.

Professor Daniel: Uma coisa que elas ficavam preocupadas, [...] nas creches tinham aquelas gaiolas de ferro. Então ensinava a criança a pendurar, a virar, a cair pro outro lado, tudo e elas falavam “nossa Daniel, cuidado, você vai machucar as crianças”, aquela questão do cuidado, preocupação com a criança. [...] Então a diferença era essa, as vezes elas ficam muito preocupadas com essa questão do cuidado que ainda tem muito aí.

[...]

Sabe outra coisa, assim, uma colega falou: “Daniel, olha a criança subindo no escorregador pelo lado contrário”, eu falei: “Mas qual que é o lado certo? Ela tem que aprender a subir pela escadinha e pelo outro lado da rampinha também. Qual o problema nisso?”, “Ah mas e se ela cair?”, eu falei: “Ué, pode cair subindo de um lado ou de outro, mas eu já conversei, já ensinei”, eu estava perto, ela aprendeu a segurar do ladinho a subir, então não tem problema, ela explorou o brinquedo, as outras possibilidades do brinquedo.

O professor exemplifica também que não vê sentido em reproduzir algumas práticas tão presentes na escola e também reproduzidas pelas professoras, como o costume de fazer os seus alunos andarem em fila, apesar de salientar que seus

educandos sabem forma-la, caso haja necessidade. Através de suas práticas como professor, é possível perceber que Daniel se assemelha ao estereótipo do “homem/pai que cuida”, ou seja, aquele homem mais despreocupado e mais liberal na relação com as crianças. Essa diferença entre a forma masculina e feminina de cuidado é bastante explorada de forma cômica na internet, sempre apontando que com as mulheres as crianças estariam mais seguras, protegidas e limpas. A figura abaixo é uma das várias que podem ser encontradas representando esse entendimento. É importante refletir que tais associações fomentam a ideia de naturalização do trabalho feminino no âmbito doméstico, uma vez que, mesmo que realizadas de forma irônica, representam que a mulher/mãe seria a figura mais adequada a cuidar das crianças.

Figura 6 -Diferença entre o cuidado feminino e masculino

Fonte: Google Imagens. Acesso em 05 nov. 2019.

A partir desse entendimento dos entrevistados sobre a diferenciação entre a forma de trabalho dos professores e das professoras, procuramos frisar no ato de cuidar, buscando compreender se eles percebiam alguma diferença nas habilidades femininas e masculinas relacionados especificamente aos cuidados físicos que devem ser proporcionados às crianças na educação infantil. Sobre tal questão, o professor José conclui que não consegue perceber nenhuma diferença entre as habilidades femininas e masculinas, destacando que ambos, homens e mulheres devem realizar aquelas funções que são necessárias às crianças. O professor Daniel também não considera que exista diferenciação quanto à capacidade de

homens e mulheres desempenharem ações de cuidado, porém destaca que existe a diferença de que os homens realizam tais ações de forma mais cuidadosa, por estarem sob a constante vigia, já destacada anteriormente, que a mulher acaba não sofrendo.

Professor Daniel: Então, a diferença existe por disso, por mais que a gente não queira, a gente sofre influência do meio, da questão de preconceito, tudo. Acaba se vigiando para não tomar... Por exemplo assim, vou dar um exemplo prático: você pegar uma mulher seria super normal pegar uma criança pequena, colocar no colo, sentar na perna, tudo... O homem tem que pensar duzentas vezes antes de fazer isso porque o receio vai ser maior. Com ela vai ser uma coisa natural dentro da família, tudo, mas com ele ali, com que olhos vão olhar?

Corroborando com o pensamento dos colegas, o professor Rodrigo também aponta que em seu entendimento não existe uma melhor ou pior habilidade no cuidar relacionada ao gênero. No entanto, ele observa que em geral as mulheres teriam mais facilidade em desempenhar tais funções, pelo cuidado ser algo socialmente e culturalmente atrelado ao universo feminino e elas já realizarem tais atividades no âmbito familiar, frisando, porém, que a capacidade é uma questão de “vontade de aprender” da pessoa, estando igualmente ao alcance de homens e mulheres. É possível perceber que professor vincula essa maior facilidade feminina no cuidar, às questões sociais e culturais que mantem tal função aliada ao feminino. De forma que ele não parece acreditar que tal habilidade seria uma característica inata feminina, mas sim construída a partir dos papéis de gênero aos quais as mulheres estão submetidas, já que frisa que qualquer pessoa pode aprender a cuidar, independente do seu sexo biológico.

Acerca desta questão, Sayão (2005) salienta que os homens podem sim aprender a cuidar, frisando para que isso aconteça é necessário que tal ação seja permitida a eles. A mesma autora (2005) destaca ainda que o gênero não seria o único demarcador de práticas pedagógicas, tanto de educar como cuidar, bem como que seja possível pensar, no lugar da existência de práticas pedagógicas masculinas e femininas, em práticas pedagógicas, da qual as crianças vivenciam modelos masculinos e femininos. Nas palavras de Sayão,

É insuficiente supor que a liberdade de se movimentar e brincar permitida pelo professor se concretiza dessa forma porque advém da intencionalidade educativa de um homem, senão que esse “homem-professor de crianças pequenas” permite que meninos e meninas vivenciem aspectos mais próximos do modelo de masculinidade contribuindo para a construção das suas identidades (SAYÃO, 2005, p. 182).

Como já abarcado com ênfase na seção 1, a sociedade influencia nosso modo de agir e pensar, classificando nossos comportamentos dentro de dois polos opostos, feminino e masculino (LOURO, 2003), e, dessa forma, condicionando nosso comportamento desde antes do nosso nascimento (BENTO, 2011). Isto posto, torna-se comum em nossa sociedade que homens e mulheres realizem ações de formas diferentes, como andar, falar, agir e em relação a forma de cuidar e educar não seria diferente. Sendo assim, consideramos normal que possam existir diferenças entre homens e mulheres relacionados a forma como exercem a profissão de educador infantil, porém não significando que um é mais ou menos apto que o outro e nem melhor ou pior nesta função apenas de acordo com o seu gênero e sexo biológico. A partir disto, é importante reiterar que nesta dissertação não entendemos tais distinções que possam existir como biológicas, mas sim como culturais.

Neste interim, se faz presente a afirmação de Silva (2014, p. 40) acerca dos profissionais da educação infantil.

Ele/ela é alguém que exerce uma profissão. Recebeu formação para isso. Foi aprovado num concurso público ou passou por uma entrevista que o habilita a exercer uma função: a função de ensinar na primeira infância. Referimo-nos, portanto, a uma pessoa que trabalha. Está envolvida em práticas de ensino e aprendizagem, cuidado e desenvolvimento humano (SILVA, 2014, p.40).

Um ponto bastante interessante a se destacar é em relação às faixas etárias com que cada um dos nossos entrevistados prefere trabalhar. O professor Rodrigo destaca ter preferência pela 5ª etapa, que são as crianças de 5 anos de idade, por entender que as crianças já estão mais “maduras” e tem um poder de concentração maior no professor e nas atividades. O professor José comenta que prefere trabalhar com a Classe Intermediária (C.I), que seriam as crianças de 2 anos e meio até 3 anos e meio, por ser uma classe com um menor número de crianças (cerca de 22 alunos), além de contar com a presença do Agente Educacional, dessa forma conseguindo desenvolver um trabalho melhor. Já o professor Daniel ressalta que

gostou muito de trabalhar com as crianças de 3 anos, porém que gostaria de ter a oportunidade de trabalhar com o berçário, pois nos últimos anos teve uma maior oportunidade de estudar o desenvolvimento de crianças dessa faixa etária e acredita possuir diversos conhecimentos que seriam úteis nessa etapa da educação infantil. A partir dessa discrepância de preferencias, concluímos que não existiu entre nossos entrevistados uma faixa etária específica para o trabalho do professor do sexo masculino, evidenciando que a docência masculina na educação infantil pode ser desempenhada com eficiência em todas as faixas etárias, não sendo uma condição relativa ao sexo biológico do educador.

Por fim, é necessário e importante chamar a atenção para o Projeto de Lei n° 1.174, de 201917 (PL 1174|2019) apresentado na Assembleia Legislativa de São

Paulo pelas deputadas estaduais Janaina Paschoal, Leticia Aguiar e Valéria Bolsonaro, todas do Partido Social Liberal (PSL). A proposta busca garantir que apenas as mulheres possam realizar o cuidado íntimo com crianças nas escolas do estado de São Paulo. Além de ser discriminatória, tal medida fomenta a divisão sexual do trabalho e ainda fere o direito dos educadores habilitados, de desempenharem seu trabalho de forma integral. Ademais se torna prejudicial às crianças, uma vez que limita o contato que elas terão com cuidadores do sexo masculino, ampliando sua percepção de que o gênero masculino não é apto para o cuidado, bem como de que o gênero pode ser um impeditivo para o desempenho de algumas atividades.

Na seção a seguir, daremos sequência a este estudo, mas agora focando no professor além de sua vida profissional. Dessa forma, conheceremos alguns aspectos da vida pessoal desses homens de forma a entender como suas ações e seus comportamentos refletem na sua profissão.

7 O NÃO SER SOMENTE PROFESSOR

Fonte: Facebook When’s it hometime? Acesso em 15 de set. 2019.

Neste momento da pesquisa, de posse do conhecimento que a pesquisa recolheu, sobre a trajetória desses homens na docência, além de suas práticas e desafios enfrentados e alegrias vivenciadas na profissão, buscaremos compreender agora um pouco de quem são esses homens por trás do título de professor do ensino infantil, buscando perceber como suas vidas pessoais se entrelaçam à profissão e modificam suas práticas docentes.

Iniciamos destacando que apesar de toda a formação e conhecimentos exigidos nessa profissão, ela ainda permanece muito associada à ideia de um trabalho por amor, vocação, abnegação e sacrifícios, de forma que tais pensamentos acabam sendo normalizados até mesmo pelos próprios profissionais da educação, contribuindo para uma piora no quadro de saúde mental dos docentes e afetando diretamente sua vida pessoal, como ressaltam Vieira, Gonçalves e Martins (2016).

O poema “Mandamento II”, escrito por Cecília Meireles, é uma demonstração dessa representação do professor que, apesar de figurar em um poema publicado no livro “Criança meu amor”, de 1924, ainda se mantém contemporâneo no imaginário popular, para representar o esperado de uma vida de professor. Desataca-se ainda a ordem para que a criança associe a visão da professora à de sua mãe, amando-as de forma similar.

Mandamento II: Devo amar e respeitar a professora como se fosse minha mãe.

Durante o dia todo, a professora pensa em mim, pensa no que sou, pensa no que hei de ser.

Ela deseja ver-me instruído e bom, e para isso trabalha. Não conhece cansaços, porque não tem tempo de descansar.

Não conhece doenças, porque não pode adoecer. Quem zelaria por nós? Não conhece diversões. Onde o tempo de se divertir, se ela vive pensando em nós, se ela vive para nós, unicamente para nós!

A professora é a minha proteção e o meu guia!

Devo ama-la e respeita-la como se fosse também minha mãe. (MEIRELES, 1977, p. 35, grifos nossos)

A partir do poema, compreende-se a imagem de uma vida sofrida, cuja única motivação é a instrução das crianças, sem tempo para lazer e nem mesmo para ficar doente, já que as crianças estariam desamparadas sem a sua presença. Corroborando essa compreensão, Oliveira e Sá (2002, p. 108) apontam que muitas

vezes os professores acabam relegando seus momentos de prazer em nome desse entendimento da profissão como “missão, vocação e sacrifício”.

E, talvez por esses motivos, muitos professores não brinquem, não joguem, não descansem, não encontrem encanto no lazer. Alimentam-se da gratidão e do amor dos alunos e de uma expectativa de uma futura – embora tardia e nunca alcançada – valorização social (OLIVEIRA e SÁ (2002, p. 108, grifos nossos).

Por este motivo, a partir desse entendimento e aliando a necessidade do lazer para a manutenção da saúde mental dos docentes, buscamos compreender se nossos entrevistados aproveitam seus horários fora da escola e como o fazem.

Rodrigo comenta que aproveitar as horas livres é muito necessário, sendo

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