AVALIAÇÃO – PROCESSO DE TRANSFORMAÇÃO
2. Professor orientador da aprendizagem
Intervir e coordenar é esforçar-se para orientar o aluno na aprendizagem.
Não podemos esquecer que é papel do professor ser o interventor da regulação.
Perrenoud ( 1999,P.78) diz que:
“Devemos considerar como formativa toda a prática de avaliação contínua que pretenda contribuir para melhorar as aprendizagens em curso,
qualquer que seja o quadro e qualquer que seja a extensão concreta da diferenciação de ensino.”
Devemos acreditar nas competências e investir qualitativamente na aprendizagem do aluno, no que ele é capaz de produzir junto e com a interferência do professor.
Segundo Vygotsky (2002) o desenvolvimento do indivíduo deve ser olhado de modo prospectivo, acreditando e intervindo sempre sobre ele e para ele. O importante é o percurso e não somente aquilo que está pronto.
Diante desses pensamentos fica evidente que o professor deve intervir regulando a aprendizagem propiciando uma avaliação contínua estabelecendo as competências que se pretende atingir para o desenvolvimento do aluno.
Muito se discute em avaliação sobre como se faz uma avaliação eficaz.
Notas ou conceitos expressam os resultados que o professor chegou em relação ao aprendizado do aluno. Registrar os resultados é necessário, porque reter tantos dados observados e coletados sobre o aluno pode sofrer distorções na avaliação.
Os registros devem ter como objetivo anotações de observações feitas em dias diferentes, momentos diferentes para que estes sejam subsídios para o professor reorientar sua prática pedagógica. Os instrumentos de coletas de dados ampliam a capacidade de observação. Testes, questionários, redações, participação em debates ou seminários são estratégias que permitem ao professor avaliar a competência do aluno. O importante é usar as estratégias de avaliação com objetivos traçados e apresentados aos alunos previamente.
Um professor, realmente, comprometido com o que acredita em educação evita a subjetividade, para ser claro e objetivo com o aluno para que este saiba onde o professor deseja chegar com o seu questionamento. Desse modo facilita a relação do professor com o aluno como do aluno com o conteúdo que está sendo avaliado.
Planejar a avaliação requer conhecer o currículo educacional e a partir daí direcionar a ação pedagógica através da elaboração de instrumentos para um planejamento didático consciente e correções que vão orientando o aprendizado.
Nesse sentido é necessário que o professor saiba o que o aluno já sabe para que ele possa ser apresentado ao conteúdo novo, já que o conhecimento é construído por ele.
A avaliação diagnóstica deve começar do momento inicial da atuação do professor. Ele observa a ação do aluno o tempo todo e a continuidade dessa ação favorecerá a avaliação final da aprendizagem do aluno.
A ação pedagógica do professor dentro do processo avaliativo propiciará uma noção concreta do que foi construído durante o processo. Por isso a avaliação não pode deixar de ocorrer em tempo algum, todo o momento de atuação deve ser avaliativo. Nesse sentido, o professor pode reorganizar a ação que por qualquer motivo não tenha sido positiva.
É sabido que a educação não é, e não pode ser fechada a análise do professor apenas por um ângulo de avaliação, pois a diversidade interfere no processo de aprendizagem.
O sistema educacional, hoje propõe uma escola aberta à diversidade e, por isso em todos os níveis educacionais a diversidade cultural e social deve ser considerada. Ou seja, o aprender para cada um difere do outro no processo de construção do conhecimento, que não é igual.
A igualdade defendida por educadores não se refere ao processo de aprendizagem, mas às condições oferecidas para favorecer a um processo singular e que abrange a todos.
O professor com uma visão cara do seu compromisso com o sucesso de seus alunos deve ter atenção voltada para ad diversidades e assim transformar o indivíduo durante o processo de aprendizagem.
O aluno estigmatizado como “fraco” deve receber ajuda extra: apoios individualizados, trabalhos e atividades de reforço que cooperem com a avaliação do professor, e também, elevem a auto-estima do aluno, que muitas vezes pela certeza do fracasso já não acredita mais em sue potencial.
Uma avaliação diagnóstica, elaborada junto ao aluno, proposta pelo professor fará com que o aluno sinta que seu saber está sendo considerado e a
avaliação contínua com a participação do aluno permitirá a ele interagir no processo, assim se transformará em agente da aprendizagem.
A avaliação deve estar sempre a serviço dos alunos. Acompanhar o que ele faz, descobrir suas necessidades e alterar rumos, se preciso.
Trabalhar com questionamentos constantes em sala de aula para uma avaliação mais interativa onde exista o diálogo, a troca entre os alunos, a participação e a cooperação.
Todo o processo deve ser registrado, pois isso torna o instrumento válido.
Na avaliação formativa, com seu caráter regulador, manifestado ao longo do processo educativo, permite modificá-lo. Além disso, proporciona informações constantes sobre a adaptação do processo de ensino e aprendizagem às necessidades e possibilidades do aluno.
A avaliação formativa é um dos componentes básicos do processo de aprendizagem e da integração pedagógica, toda vez que compre a função de feedback oferecendo a precisão necessária para conseguir aprendizagens significativas.
Dessa forma, a avaliação formativa acompanha a aprendizagem para melhorar o processo e para tomar medidas que corrijam falhas observadas imediatamente.
Nesse sentido, para discutir mudanças no que se refere a avaliação antes é preciso propor métodos e alterações políticas, é preciso pensar no papel social da instituição educacional e do professor.
Muitos autores já conceituaram esse tipo de avaliação – formativa.
Na prática, avaliação formativa é aquela em que o professor está atento aos processos de aprendizagem. Onde o professor não deve avaliar com o propósito de dar nota. Ela acontece durante o percurso da aprendizagem, fazendo parte do cotidiano. Sendo assim, avaliação formativa é aquela que
orienta o aluno, ajudando a detectar dificuldades e desenvolvendo potencialidades.
Perrenoud (1999, p. 143),define a avaliação formativa como aquela que ajuda o educando a aprender e ao professor ensina. Considerando o desenvolvimento da autonomia, parte inerente ao processo de aprendizagem, portanto transformado pela prática avaliativa, promovendo a inclusão e a continuidade do processo que move a ação educativa.
A avaliação deve ser entendida como uma prática investigativa e não uma sentença, deve ser mediadora, enfatizando o que o aluno sabe sem padronizar comportamentos, constatar as capacidades e competências de cada um, valorizando conquistas que favorecerão o desenvolvimento e a ampliação do conhecimento.
A partir dessas reflexões a avaliação deixa de ser seletiva, classificatória e exclusiva e passa a ter uma função social.
A avaliação num sentido mais profundo, repensa não só métodos e práticas pedagógicas mas, também, a valorização de aprendizagem individualizada, o currículo oculto, o desenvolvimento de autonomia e preservação da auto-estima do aluno.
Essas mudanças levam à práticas mais democráticas de avaliação, que proporcionarão mudanças profundas e a reflexão sobre a ação pedagógica que vai embasar o projeto político-pedagógico no que se refere aos critérios de avaliação que serão inseridos na instituições educacionais.
A clareza e a retidão de princípios deverão nortear uma prática coerente e a própria instituição democrática compromissada com o crescimento, a transformação e a valorização de todos os envolvidos no contexto educacional.