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Depois de uma aproximação sobre as experiências sociais vividas por professores e estudantes da Escola Estadual de Uberlândia durante o processo de expansão da rede pública estadual pela Lei 5.692 de 1971, observamos que estudantes-trabalhadores e filhos de trabalhadores passaram a estar em maior número nesta escola. Frente à consolidação dessas mudanças, outro processo ganhou forma nas relações vividas por professores e estudantes: o embate pela valorização da Escola Estadual de Uberlândia enquanto uma instituição pública da cidade que agora atendia, em sua maioria, filhos de trabalhadores.

A partir dessa consideração, procuro nesse capítulo compreender a multiplicidade dos sentidos elaborados por professores e estudantes da Escola Estadual de Uberlândia após o processo de expansão da rede pública.

Entre as muitas memórias existentes sobre a escola na sociedade, apontadas ao longo dessa discussão, a memória que caracteriza essa instituição como “a melhor da cidade”, por oferecer um bom ensino, os melhores professores e por ser onde estudavam os alunos mais dedicados, tornou-se importante na valorização da Escola Estadual de Uberlândia nas relações sociais construídas na cidade. Essa memória, que está nas narrativas de professores e estudantes, foi denominada aqui “memória de excelência”.

Para nos aprofundarmos na problematização proposta neste capítulo, o cruzamento de alguns registros permite-nos pontos de reflexão importantes.

A escola tem um número grande de fotografias, muitas delas organizadas em álbuns. A fotografia foi e é um recurso muito utilizado pela escola como registro de diferentes atividades, mas a circulação desse material restringe-se em grande parte à própria escola. Entre os álbuns existe um que me chamou a atenção por estar muito bem organizado, encadernado e guardado; ele retrata várias festividades de comemoração ao aniversário de 60 anos da Escola Estadual de Uberlândia, que aconteceu em 1989.

Esse álbum, e outras fotografias isoladas, foram levados para as entrevistas que realizei com professores, com o objetivo de auxiliar no processo de elaboração das memórias. Uma das professoras que entrevistei aparece em algumas das festividades retratadas nesse álbum e para a nossa entrevista entendi ser interessante levá-lo para que ela abordasse algo sobre aquela comemoração. Dona Jerônima esteve envolvida nas comemorações dos 60 anos

da escola, inclusive aparecendo em algumas fotografias realizando a leitura de um histórico sobre a Escola Estadual de Uberlândia. Durante nossa entrevista, ela avaliou e sentiu necessidade de justificar sua participação:

Janaina: E o quê que você lembra desse histórico do Museu? Acho que tem uma foto sua aqui lendo...

Jerônima: Olha todos professores tinham assim, um amor muito grande pelo Museu, todo mundo se envolvia muito. Em 80, a nossa diretora.... Era a Arlete que inclusive já faleceu, uma pessoa assim fantástica, a Arlete. Eu tenho assim uma admiração imensa pela Arlete, sabe? Então, ela procurou envolver todo mundo no aniversário, sabe? E foi muito bom! Muito bom mesmo! Janaina: E que você se lembra desse histórico? Que você queria passar?

Jerônima: Aí contando a história do Museu. Veja bem, a gente tava passando..., eu lembro que foi, uma passagem mais do Museu, dentro de uma visão muito tradicionalista, sabe? Colocando só do sucesso, colocou muito sucesso dos alunos do Museu (...) 249

Ao mencionar que o teor da leitura relacionava o histórico da Escola Estadual de Uberlândia com “sucesso dos alunos”, há possibilidades de que tenha se fundamentado no “Escorço Histórico”, discutido no primeiro capítulo, redigido pelo professor Eurico Silva em 1954 para a comemoração dos 25 anos da escola. Isso se torna ainda mais provável por uma cópia desse documento estar, até hoje, no acervo da escola. 250

A professora aposentada Jerônima reconhece em sua narrativa a relação do “sucesso” com a história do “Museu” e explicita desconfiança em sua narrativa, entendendo que a Escola Estadual de Uberlândia não é feita somente da excelência de seus estudantes e professores. Porém, afirma que em alguns momentos tornou-se preciso destacá-los nas relações vividas em sociedade, como foi nos anos de 1980, na ocasião do aniversário da escola. Ao fazê-lo, Dona Jerônima valorizava a instituição, mas não eliminava as contradições de significados elaborados sobre esse espaço social da cidade.

Comemorar os 60 anos permite-nos inferir que havia uma proposta política por parte de alguns componentes do corpo docente da escola e nela, os estudantes foram os principais envolvidos, como conta com detalhes a professora Jerônima: “(...) Agora de 80, de 89, foi melhor, foi assim teve uma maior participação, eu li, a questão, um histórico sobre o Museu,

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Professora de história aposentada Jerônima Augusta de Paula Menezes. Realizada no dia 23 de outubro de 2013. Ela começou a trabalhar na Escola Estadual de Uberlândia no ano de 1976 e aposentou-se em fevereiro de 2013. No momento da entrevista ela trabalhava na assessoria da Secretaria Municipal de Educação.

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SILVA, Eurico. Escorço Histórico do Colégio Estadual de Uberlândia. 1954. Acervo Prof. Jerônimo Arantes. Arquivo Público Municipal de Uberlândia.

teve um série de celebrações durante todo o dia, teve uma missa muito bonita na Catedral Santa Terezinha, depois a festa foi no Uberlândia Clube ...” 251

A narrativa nos induz a levantar algumas questões, que podem ser esclarecidas quando observamos a elaboração de Dona Jerônima para sua trajetória. A professora, ao longo de sua vida profissional, conviveu e trabalhou com agentes que representavam os interesses dominantes, como sua ex-diretora Dona Gláucia Santos Monteiro, irmã do Deputado Estadual pelo PDS Homero Santos, que foi indicada para a direção da Escola Estadual de Uberlândia de 1972 a 1980.

A Dona Glaucia me conhecia assim, en passant, não tinha muito contato, mas 1976, embora não tivesse sindicato nem nada, eu já nasci de oposição! Então agente tinha assim uma série de discussões a respeito de partido, de posição política, nós estávamos em plena ditadura militar, a dona Glaucia era irmã do Homero Santos, então quer dizer que as nossas discussões se travavam a nível político, ideológico nada de pessoal, mas ela assim tinha algumas diferenças em relação a mim e eu em relação a ela. 252

Identifica-se como “nascida de oposição” significa ali colocar-se como uma professora que questionava a ordem da ditadura militar, mas, por isso, professora Jerônima precisa construir uma justificativa ao se recordar do aniversário de 60 anos da escola, quando realizou a leitura de um histórico da instituição: “(...) Olha todos professores tinham assim, um amor muito grande pelo Museu, todo mundo se envolvia muito. (...) Aí contando a história do Museu. Veja bem, a gente tava passando..., eu lembro que foi, uma passagem mais do Museu, dentro de uma visão muito tradicionalista, sabe?(...)” 253

Ao construirmos essa entrevista, Jerônima sabia da minha formação e me dizia o que representava para um professor de história ler sobre algo de uma visão tradicionalista nos finais dos anos 80, elegendo ações de alguns agentes no passado, transformando-os em “heróis”. Entretanto, firmar ter realizado tal ação, mesmo tendo conhecimento das críticas que poderia ter sofrido enquanto uma professora de história “que nasceu de oposição”. Assim, sentiu-se compelida a justificar-se através do amor que todos os professores tinham pelo “Museu”.

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Professora de história aposentada Jerônima Augusta de Paula Menezes. Realizada no dia 23 de outubro de 2013. Ela começou a trabalhar na Escola Estadual de Uberlândia no ano de 1976 e aposentou-se em fevereiro de 2013. No momento da entrevista ela trabalhava na assessoria da Secretaria Municipal de Educação

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Professora de história aposentada Jerônima Augusta de Paula Menezes. Realizada no dia 23 de outubro de 2013.

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Professora de história aposentada Jerônima Augusta de Paula Menezes. Realizada no dia 23 de outubro de 2013.

Era preciso, na ocasião do evento, reafirmar a importância social da escola pública e a maneira possível naquela conjuntura – nas relações de conflito vivenciadas por ela – era colocar que aquela escola ainda tinha muito de suas origens, que ainda deveria ser considerada um lugar de excelência.

Fotografia 4: Professora Jerônima em discurso durante a festa de 60 anos da E.E de Uberlândia (1989)

Fotografia 5: Alunos e professores no pátio da escola durante a comemoração de 60 anos da E.E de Uberlândia (1989)

Fonte: Álbum de Fotografias de 60 anos da Escola Estadual de Uberlândia. Acervo da Escola Estadual de Uberlândia. Quando realizei a entrevista com Jerônima, em outubro de 2013, mostrei algumas outras fotografias que faziam parte do acervo da escola e que eu havia digitalizado, como as duas reproduzidas acima. Entretanto, só é possível perceber os significados de sua produção e manutenção no acervo da escola quando tomamos conhecimento dos outros álbuns que também fazem parte desse mesmo acervo.254

254O contato com essa documentação da escola aconteceu quando ainda era professora. Na ocasião em que elaborava o projeto de pesquisa, solicitei a diretora da escola para que conhecesse o acervo de fotos. Com uma quantidade expressiva de fotografias, tentei em um primeiro momento localizar as mais antigas, imaginando que encontraria registros de momentos primeiros da escola, já que a instituição hoje soma mais de 80 anos de funcionamento. Para a minha surpresa as mais antigas eram as que faziam parte do Álbum de comemorações da inauguração da reforma de 1973, quando foram registradas solenidades, principalmente com autoridades políticas da cidade e do governo do Estado, e depois organizadas em um álbum com 50 fotografias. A reforma de 1973 aparece nas falas de alguns professores como uma grande intervenção no prédio e é lembrada pelo momento em que houve a troca do piso da escola, que era em madeira, pelo atual, de concreto. Ao folhear esse álbum, que traz em sua contracapa informações em papel de A4 datilografada sobre o ano, os nomes das autoridades, como o governador, secretário de educação, prefeito da cidade e direção da escola. Perguntei a diretora onde poderiam estar outras fotografias mais antigas. Ela não soube confirmar se havia outras além daquelas e se existiram, possivelmente haviam sido levadas pelos diretores anteriores, que não entendiam as fotos como um patrimônio da escola, mas como propriedades particulares. Ações como essas vêm a demonstrar um descaso e falta de cuidado com materiais da instituição o que, de alguma forma, traz elementos do passado e são potencialmente fontes históricas que poderiam interessar pesquisas e demais estudos sobre a cidade. Apesar disso, o acervo de fotos ainda é grande, sem haver um controle da quantidade ou preocupação com identificação. As fotografias mais recentes estão organizadas por ano, não compondo álbuns e registram uma variedade muito grande de circunstâncias como feira de ciências, apresentações artísticas de alunos, reuniões de professores e outros. Tudo indica que essas fotografias foram realizadas pelos próprios funcionários da escola, devido à qualidade das fotografias e os ângulos escolhidos, que não demonstram uma profissionalização como aparenta as fotografias da década anterior. Os álbuns da década de 70 mostram que havia por parte da direção da escola uma maior preocupação com organização das fotos, aparentemente realizadas por fotógrafos profissionais, sendo

Ao conhecer esse acervo, percebo elementos conflitantes ao analisar fotografias anteriores a esse álbum de registro dos 60 anos da Escola Estadual de Uberlândia. Existe nos arquivos da escola registros fotográfico também das comemorações de 50 anos da escola e outro álbum que retratou a inauguração da escola após a reforma de 1973.

O álbum de 1973 ocupa-se principalmente do registro da presença de agentes representantes do governo em visita à escola. Já o álbum da comemoração de 60 anos mostra uma escola com professores em relação muito próxima aos estudantes, como nos indicou, de certa forma, as fotografias acima. Este ato indica que a festa só faria sentido se ocorresse junto aos alunos. A professora Jerônima fez sua leitura em uma festividade que era voltada aos seus estudantes e não a agentes externos à escola. Pelo menos em seus registros, o destaque dessa festa não foram as figuras de autoridade, como aconteceu em fotografias de anos anteriores.

Fotografia 6: Baile de estudantes durante a festa de 60 anos da E.E de Uberlândia (1989)

Fonte: Álbum de Fotografias de 60 anos da Escola Estadual de Uberlândia. Acervo da Escola Estadual de Uberlândia

então um serviço contratado. Esses álbuns trazem registros de comemorações em geral como: formaturas, desfiles de sete de setembro, aniversários da escola e em meio a eles há o de Inauguração das Novas Instalações da Escola Estadual de Uberlândia de 1º e 2º graus.

Fotografia 7: Baile de estudantes durante a festa de 60 anos da E.E de Uberlândia (1989)

Fonte: Álbum de Fotografias de 60 anos da Escola Estadual de Uberlândia. Acervo da Escola Estadual de Uberlândia

Fotografia 8: Estudantes em dança durante a festa de 60 anos da E.E de Uberlândia (1989)

Era com estudantes e para estudantes, seja através de apresentações de bandas ou concurso de dança, que o aniversário da escola se constituiu como um espaço de comemorar a existência dessa escola pública. Era para pessoas da escola, estudantes e funcionários, que a festa parece acontecer; com isso conseguiu marcar suas vidas, suas memórias, de estar em uma escola pública.

A narrativa da professora Jerônima nos indica que a Escola Estadual de Uberlândia naquela conjuntura precisava ser “amada”, sobretudo por seus professores. Os conflitos em torno das escolas públicas na cidade de Uberlândia imprimiam sobre ela outros valores e significados que colocavam em dúvida sua qualidade, exatamente por ser um espaço público.

São com essas condições que a professora aposentada afirma que as pessoas se “envolviam” muito quando o assunto era a escola, envolvimento que não podiam deixar de agregar a presença dos seus estudantes. Percebe-se essa necessidade através das fotografias pela presença significativa de alunos.

A professora Jerônima, na elaboração da sua narrativa, faz ainda uma observação que não deixa de ser importante ao se referir ao “Museu”. Ela destaca que ao citar a escola tornou- se comum vinculá-la ao sucesso de seus estudantes, entretanto a própria professora observa essa prática com crítica. Isso pode ser percebido no trecho da narrativa citada anteriormente:

Jerônima: Colocando só do sucesso, colocou muito sucesso dos alunos do Museu. Nós... colocamos sempre só o sucesso... O Museu sempre pecou por isso, eu sempre tentei colocar, assim nós não falamos do fracasso dos alunos, sabe? Então por exemplo, nós só falamos do sucesso dos alunos, nós não falamos do fracasso... nós só falamos do, pra você ver a própria Gercina que tem uma visão assim, não é tão assim tradicional, não é nada tradicional, ela falou do Dr. Domingos Pimentel, quantos alunos nossos nunca, muitos muitíssimos deram muito bem na vida são médicos de sucesso, políticos de sucesso. E as pessoas que não deram nada? Sabe? Aqueles que não conseguiram estudar? E aqueles que tem profissões subalternas ?

Janaina: Tinha alunos assim?

Jerônima: Tinha! Mas só que eles, Então assim, tinha! Sempre teve! Sempre teve, mas isso, nunca foi, e é falado. Entendeu? É muito mais melhor você lembra, falar do sucesso, do que dos fracassos, dos que saíram bem, e os que saíram mal. Eu falo assim a melhor coisa ser pai e mãe do Neymar! Que tem o sucesso fabuloso! Agora um jogador que nunca saiu de timinho pequeno? Não é a mesma coisa, não é?

Janaina: É verdade! 255

São contradições sobre os sentidos dessa escola que a professora aposentada elaborou através de sua experiência ao observar a ação da memória de excelência na sociedade.

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Professora de história aposentada Jerônima Augusta de Paula Menezes. Realizada no dia 23 de outubro de 2013. Ela começou a trabalhar na Escola Estadual de Uberlândia no ano de 1976 e aposentou-se em fevereiro de 2013. No momento da entrevista ela trabalhava na assessoria da Secretaria Municipal de Educação.

Os conflitos sobre a escola estão presentes na própria narrativa da professora aposentada: como não valorizar o próprio trabalho e a escola em que se trabalha? Mas como, ao mesmo tempo, reconhecer ou compreender as histórias que não conjugam a noção de excelência da escola? De alguma maneira, esta memória poderia agir a favor de reformulações e de avaliações positivas sobre a escola e o trabalho nela desenvolvido.

São sentimentos paradoxais que fazem parte do trabalho de professores, mas que na Escola Estadual de Uberlândia era vivido com certa pressão ao lidar com aqueles estudantes que não eram considerados “brilhantes”. Por outro lado, Dona Jerônima mostra que ao lembrar o “sucesso” dessa escola pública na conjuntura vivida nos anos 80, significava dar uma referência de qualidade a um lugar social que agora tinha como estudantes, em sua maioria, pessoas pertencentes à população trabalhadora.

A realidade social se mostra contraditória, principalmente, quando lidamos com as narrativas orais. A entrevista da professora aposentada Sônia Oliveira nos permite refletir sobre elaborações a respeito da comemoração dos 60 anos da escola, que divergem dos significados sociais representados aqui pela experiência da professora Jerônima.

A professora de Língua Portuguesa Sônia Oliveira, que trabalhava no mesmo momento que a professora Jerônima, se recorda de vários detalhes das comemorações de 50 anos da Escola Estadual de Uberlândia, em 1979. Ela, por sua vez, não se refere aos 60 anos, comemorados em 1989.

Sônia de Oliveira começou a trabalhar na escola quando ela ainda era chamada de Colégio Estadual de Uberlândia, em 1964. Aposentou-se como professora da rede pública na própria escola em 1992. Durante todos esses anos na escola lecionou em dois cargos, quer dizer, trabalhava como professora em dois turnos. Após sua aposentadoria, continuou a lecionar em escolas particulares da cidade, finalizando definitivamente sua relação com a sala de aula em 2007. No momento da entrevista, em novembro de 2013, ela ainda trabalhava, mas em sua própria casa com aulas particulares.

Interessante apontar que a professora Sônia, assim como Jerônima, e outros que entrevistei, se formaram como professores na cidade de Uberlândia no “Colégio das Irmãs”, o Colégio Nossa Senhora das Lágrimas, que coordenou e dirigiu a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Uberlândia, fundada nas dependências do Colégio em 1960.256

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Segundo informações do Jornal Fundinho Cultural, a faculdade particular de Filosofia, Ciências e Letras iniciou as suas atividades primeiramente ofertando o curso de Letras Neo-Latinas, Letras Anglo-Germânicas e Pedagogia. Em seguida passaram a ser oferecidos o curso de História em 1964, geografia em 1971, Estudos Sociais em 1972, Matemática em 1972, Ciências Biológicas em 1973, Química em 1974 e Psicologia em 1975. Ver maiores detalhes: MOREIRA, Eduardo Henrique Rodrigues da Cunha. 2010: comemoração dos 50 anos de

A professora Sônia também teve contato com as fotografias durante a realização da entrevista e, concomitantemente a sua fala, buscava entre as fotografias uma que houvesse registrado um desfile pelas ruas da cidade, realizado pelos professores em comemoração aos 50 anos da escola. Esta fotografia, no entanto, não estava no conjunto e eu não me recordo de tê-la visto no acervo da instituição:

(...) Isso aí pode ser os 50 anos viu, isso aí deve ser o desfile de 50 anos (...) Tem um grupo de professores desfilando aí, tem um grupo só de professores, um conjunto só de professores. Foi um desfile lindo! Teve jantar, depois teve muitas festas neste dia, foi uma festa muito bonita dos 50 anos, foi na rua.(...) Assim detalhes do desfile eu não lembro. Mas lembro da festa, era a Gláucia que já estava na direção, tem um grupo aí que são todos os professores que estão desfilando e depois teve muita festa (...)257

A colocação de Dona Sônia nos aponta posições diferentes dos professores nas relações com a escola ao dar destaque aos 50 anos, em 1979, e não aos 60 anos, de 1989. A professora não mostrou marcas em sua memória sobre 1989; para ela a escola já não tinha muito que comemorar, mesmo que para outros professores, sim.

São valores distintos sobre a escola, que se relacionam a períodos históricos diferentes e que culminam em modos diferentes de construir a memória. A professora Jerônima afirmara

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