• Nenhum resultado encontrado

2.2 Avaliação do ciclo de vida

2.2.1 Programa Brasileiro de ACV

O Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida foi lançado em 2010 com o intuito de “apoiar o desenvolvimento sustentável e a competitividade ambiental da produção industrial brasileira e a promover o acesso aos mercados interno e externo” (CONMETRO, 2010b, p. 3). Na época da criação do programa,

5 Exemplo disponível no endereço https://goo.gl/5JFfAM, acesso em 04/04/2018. 6 Sistema de produto é conjunto de processos elementares que são conectados material e energeticamente pelos fluxos elementares, intermediários e de produto, que modela o ciclo de vida de um produto. (http://ontologia.acv.ibict.br).

existia um movimento natural de organizar as ações em ACV diante do histórico que o país possuía no fomento à técnica, movimento que era consequência dos esforços empreendidos por diversos pesquisadores e organizações. No entanto, para entender o contexto em que se lança o PBACV, é preciso compreender como se deu o início da discussão sobre ACV no Brasil.

2.2.1.1 Histórico da ACV no Brasil até o lançamento do PBACV

A primeira ação nacional voltada para ACV aconteceu como resultado de um subcomitê específico para o tema criado em 1993 dentro do Grupo de Apoio à Normatização (GANA). O trabalho realizado no subcomitê originou, em 1998, a primeira publicação específica sobre o tema no país, intitulada Análise de Ciclo de Vida de Produtos: Ferramenta Gerencial da ISO 14000, de autoria de José Ribamar Chehebe (SEO e KULAY, 2006). Em 1999 o GANA foi substituído pelo CB-38, que mantinha estrutura similar à proposta pelaInternational Organization for Standardization (ISO) com vistas a discutir as normas internacionais referentes ao tema, e o CB-38 continuou a fomentar a ACV no país (LIMA, 2007). A partir de então a técnica começou a ser difundida no Brasil.

Pode-se dizer que a criação em 2002 da Associação Brasileira de Ciclo de Vida (ABCV) é fruto também do CB-38, uma vez que foi idealizada sob a liderança do subcomitê (ABCV, 2016). A criação da associação permitiu que os avanços referentes à ACV começassem a ocorrer de maneira orgânica, tendo em vista que seus objetivos definidos à época eram: “construção do banco de dados nacional para realização de estudos de ACV, a formação de massa crítica capacitada à sua prática e a manutenção dos vínculos com a comunidade internacional envolvida com o tema” (SEO e KULAY, 2006, p. 9).

Já em 2003 o primeiro portal de conteúdo especificamente voltado à ACV foi lançado pelo Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia (IBICT). O portal ACV7 foi concebido para ser uma fonte de informações sobre a temática, reunindo conteúdo técnico e científico voltado para o público acadêmico, empresarial e governamental. Assim como o IBICT, também o Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) institucionalizou a ACV como instrumento para validar a conformidade através

BRAGA, T. Modelo conceitual para gestão da informação tecnológica no Programa Brasileiro 43

do Programa Brasileiro de Avaliação da Conformidade (PBAC). Portanto, em 2004 a técnica passou a ser considerada como critério para avaliar o desempenho ambiental de um produto ou processo (CHERUBINI e RIBEIRO, 2015).

No ano de 2004, registrou-se uma série de eventos importantes para o desenvolvimento da ACV e o fortalecimento das relações que seriam suporte para a posterior criação do PBACV. Dentre eles, cita-se o workshop promovido pela ABCV em parceria com o IBICT, Instituto Ekos Brasil e Swiss Federal Laboratories for Materials Science and Technology (EMPA), que tinha como público-alvo representantes da academia, governo e indústria. Tal evento visava definir as bases para o estabelecimento de cooperação internacional entre o Brasil e a Suíça, a fim de possibilitar a transferência tecnológica dos avanços obtidos pelo ecoinvent Centre para o Brasil (HISCHIER, 2007). No mesmo ano foi assinado o acordo entre IBICT e EMPA, e embora a intenção inicial fosse permitir integração sistêmica entre as iniciativas brasileira e suíça de ACV, limitações financeiras acabaram por diminuir o escopo inicial do projeto, e o acordo focou na realização de capacitações através de oficinas. O objetivo acordado era possibilitar que o Brasil tivesse condições de estabelecer sua própria base de dados nacional de inventários do ciclo de vida (HISCHIER, 2007).

Os workshops resultantes desse acordo não cumpriram o objetivo inicial de estabelecer a base brasileira de inventários do ciclo de vida, uma vez que o país acabou optando posteriormente por outro escopo tecnológico diferente do proposto pelo ecoinvent Centre. Todavia, o processo permitiu que a comunidade nacional atingisse novo nível de maturidade relacionado à ACV, possibilitando o estabelecimento de estratégias para a consolidação da técnica no Brasil. Assim, em 2006, o governo brasileiro, através do então Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), atualmente Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC), oficializou o denominado Projeto Brasileiro de Inventário de Ciclo de Vida para a Competitividade Ambiental da Indústria Brasileira, coordenado pelo IBICT (CHERUBINI e RIBEIRO, 2015; THIERMANN, 2012) e apoiado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Tal projeto tinha como meta desenvolver um “sistema de informação para gestão de inventários de ciclo de vida brasileiros, guia metodológico para elaboração de

ICV, terminologia brasileira (Ontologia em ACV), a realização de três estudos de inventários pilotos (Diesel, Energia Elétrica e Transporte), portal de ACV e capacitação de profissionais” (CHERUBINI e RIBEIRO, 2015, p. 101). O projeto capitaneado pelo IBICT tinha enorme potencial de impulsão da ACV, uma vez que dispunha de recursos financeiros para realizar ações básicas necessárias à consolidação da técnica no país e conseguiu atingir tal potencial à medida que as ações propostas foram sendo concluídas.

Os eventos científicos promovidos nos anos seguintes, ao reunir grande número de pesquisadores vinculados ao tema, possibilitaram a troca de informações entre as partes interessadas, tiveram papel fundamental no envolvimento da comunidade acadêmica brasileira com a ACV. A Conferência Internacional sobre Avaliação do Ciclo de Vida (CILCA) promovida e organizada pela ABCV em 2007, e a Conferência Brasileira de Gestão do Ciclo de Vida (CBGCV), promovida pela ABCV e organizada pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR), em 2008, foram os eventos pioneiros e possibilitaram aprofundamentos na discussão sobre ACV no Brasil, ao estabelecer um espaço para discussões científicas acerca do tema. Os eventos continuaram nos anos seguintes. No Quadro 1, a seguir, são relacionados os encontros realizados no Brasil com foco na discussão sobre ACV.

Quadro 1 - Lista de eventos de ACV no Brasil Ano Evento Promoção Organização Cidade

2007 CILCA ABCV ABCV São Paulo

2008 CBGCV ABCV UTFPR Curitiba

2010 CBGCV ABCV UFSC/Ciclog Florianópolis

2012 CBGCV ABCV UEM Maringá

2014 CBGCV ABCV ABCV São Bernardo do Campo

2015 BRACV Coppe/IBICT Coppe / IBICT Rio de Janeiro 2016 CBGCV ABCV Embrapa / UTFPR / IBICT Fortaleza 2017 BRACV IBICT IBICT / Embrapa / FEE Jaguariúna

2018 CBGCV ABCV IBICT / ABCV Brasília

Fonte: Elaboração própria

Em seus esforços contínuos para a criação do banco de dados brasileiro de inventários do ciclo de vida, o IBICT definiu em 2009 o International Reference Life Cycle Data System (ILCD) como formato a ser adotado pelo sistema brasileiro (THIERMANN, 2012). A opção por tal formato é importante por colocar o Brasil em sintonia com avanços alcançados por outros governos, especialmente da União Europeia (UE). Além disso estabelecia as condições

BRAGA, T. Modelo conceitual para gestão da informação tecnológica no Programa Brasileiro 45

tecnológicas sobre as quais os esforços brasileiros seriam direcionados na construção do banco de dados de estudos de ACV.

Essa série de ações realizadas na temática de ACV no Brasil propiciou que em 2010 fosse lançado o PBACV pelo Conselho Nacional de Metrologia, Normalização e Qualidade Industrial (Conmetro). A oficialização do programa ocorreu através da publicação de duas resoluções que tratam do tema. A resolução 03/2010 dispôs “sobre a aprovação do termo de referência do Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida” (CONMETRO, 2010a, p. 1), bem como estabeleceu as diretrizes para o programa que seria criado. A elaboração do documento contou com apoio de diversas entidades representantes de governo, academia e sociedade civil, conforme pontuado por Cherubini e Ribeiro (2015). Além disso, a resolução definiu que Inmetro e IBICT seriam as instituições responsáveis por elaborar a proposta do PBACV. Ainda em 2010 foi publicada a resolução 04/2010 do Conmetro, que dispôs “sobre a aprovação do Programa Brasileiro de Avaliação do Ciclo de Vida” (CONMETRO, 2010b, p. 1). Com a publicação dessa resolução, o PBACV foi lançado oficialmente e seus objetivos estratégicos definidos.

2.2.1.2 Objetivos do PBACV e principais ações do programa

O lançamento do PBACV permitiu ao Brasil a definição de um programa para fomento da ACV em nível nacional, ao estabelecer objetivos e metas a serem alcançados. O objetivo geral do programa é “apoiar o desenvolvimento sustentável e a competitividade ambiental da produção industrial brasileira e promover o acesso aos mercados interno e externo” (CONMETRO, 2010b, p. 1). O próprio programa estabelece quais são as metas a serem atingidas para que se cumpra tal objetivo:

(a) implantar no País um sistema reconhecido em âmbito internacional, capaz de organizar, armazenar e disseminar informações padronizadas sobre inventários do Ciclo de Vida da produção industrial brasileira; (b) disponibilizar e disseminar a metodologia de elaboração de inventários brasileiros; (c) elaborar os inventários base da indústria brasileira; (d) apoiar o desenvolvimento de massa crítica em ACV; (e) disseminar e apoiar mecanismos de disseminação de informações sobre o pensamento do ciclo de vida; (f) intervir e influenciar nos trabalhos de normalização internacional e nacional afetos ao tema; (g) identificar as principais categorias de impactos ambientais para o Brasil. (CONMETRO, 2010b, p. 3)

As metas estabelecidas abordam diversos aspectos importantes da ACV, no entanto duas estão direcionadas especificamente para a gestão da informação. A primeira aponta a necessidade de criação de um sistema informacional capaz de organizar, armazenar e disseminar conjuntos de dados denominados inventários do ciclo de vida. Para que isso ocorra, o sistema teria de adotar padrões aceitos internacionalmente a fim de suportar a interoperabilidade junto a outros sistemas. A segunda é relacionada ao Pensamento do Ciclo de Vida (PCV) e à necessidade de disseminação de seus conceitos através da popularização de informações específicas sobre o tema.

A iniciativa do PBACV contempla diversos atores de governo, academia e iniciativa privada, e seus encontros contam com participação de representantes de diferentes setores, conforme observado por Miller et al. (MILLER et al., 2013). Esse fato permite que o programa contemple a diversidade em suas ações, uma vez que os itens de pauta são discutidos em plenária. Atualmente são membros efetivos do programa as seguintes instituições:

• Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações; • Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços;

• Ministério do Meio Ambiente; • Ministério de Minas e Energia;

• Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; • Ministério das Cidades;

• Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia; • Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia;

• Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis;

• Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial;

• Agência Nacional de Água; Agência Nacional de Energia Elétrica; • Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis; • Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico; • Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social;

• Confederação Nacional da Indústria;

BRAGA, T. Modelo conceitual para gestão da informação tecnológica no Programa Brasileiro 47

• Confederação Nacional de Serviços;

• Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas; • Associação Brasileira de Normas Técnicas;

• Associação Brasileira do Ciclo de Vida;

• Rede Empresarial Brasileira de Avaliação do Ciclo de Vida; • Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária;

• Comitê Brasileiro de Avaliação da Conformidade (CBAC); • Comitê Brasileiro de Normalização (CBN);

• Comitê Brasileiro de Metrologia (CBM);

• Comitê Brasileiro de Regulamentação (CBR); e

• Dois especialistas em Avaliação do Ciclo de Vida atuantes no meio acadêmico (PBACV, 2016).

A diversidade de instituições representadas faz com que o PBACV conte com atores de diferentes perfis, seja acadêmicos, representantes de governo ou sociedade civil (SOUZA e colab., 2017). Desde o lançamento do programa, diversas ações foram concretizadas visando o alcance das metas estipuladas. Um dos primeiros passos foi a aprovação, em 2011, do regimento interno que previa, dentre outras iniciativas, a criação de cinco comissões técnicas: captação de recursos; inventários; avaliação de impactos; difusão, implementação e comunicação da ACV e, por fim, a de formação e capacitação (CONMETRO, 2011). As comissões técnicas podem ser consideradas o braço executor do PBACV, uma vez que são as responsáveis “pela implementação das ações dos planos quadrienais” (PBACV, 2016, p. 5). Durante os anos de atuação do PBACV, a organização das comissões técnicas foi alterada para comportar de modo mais sistêmico a necessidade de gestão do Banco Nacional de Inventários do Ciclo de Vida (SICV Brasil), bem como redistribuir a função de captação de recursos, que caberia à comissão de coordenação (PBACV, 2016). A Figura 7 representa a organização atual da comissão de coordenação do PBACV.

Figura 7 - Comissão de coordenação do PBACV

Fonte: IBICT (2017a)

A cronologia do PBACV elaborada a seguir foi construída utilizando-se informações coletadas em notícias publicadas no site do projeto de ACV do IBICT8.

2.2.1.3 PBACV 2012 e 2013

Entre os anos de 2012 e 2013, um conjunto de ações relacionadas à difusão de informações de ACV foram patrocinadas pelo programa, dentre elas o lançamento em 2012 do livro O Pensamento do Ciclo de Vida: uma história de descobertas, que recebeu a segunda edição em 2016 e conta com ilustrações do Maurício de Souza, criador dos personagens da Turma da Mônica. Esse livro visou ampliar o conhecimento sobre a técnica de ACV e do Pensamento do Ciclo de Vida para o público infantil. Em 2013, o IBICT, em parceria com o professor da Universidade de São Paulo (USP) Gil Anderi, lançou o primeiro curso a distância em ACV do Brasil através da plataforma EAD9. O curso tinha como foco a apresentação do tema de ACV para profissionais da área de sustentabilidade.

8 Disponível em http://acv.ibict.br, acesso em 17/11/2017. 9 Disponível em http://ead.ibict.br/, acesso em 15/06/2016.

BRAGA, T. Modelo conceitual para gestão da informação tecnológica no Programa Brasileiro 49 2.2.1.4 PBACV 2014

No ano de 2014, o IBICT, em parceria com a Confederação Nacional das Indústrias (CNI), lança a cartilha Desenvolvimento sustentável e avaliação do ciclo de vida, com o objetivo de divulgar os conceitos de ACV para pequenos e médios empresários. Essas ações focavam na apresentação da ACV, a fim de tornar a técnica mais conhecida entre o público empresarial. Outras ações realizadas no ano de 2014 tiveram destaque, como a participação no fórum global de interoperabilidade de bases de dados de ACV promovido pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (UNEP, na sigla em inglês), ocorrido em Washington. No evento, o IBICT expôs seu projeto de ontologia para a temática, que foi a primeira específica para ACV desenvolvida em nível mundial. Já em novembro daquele ano foram realizados o seminário Diálogos Setoriais e o CBGCV. Promovido pelo IBICT com apoio do Ministério do Planejamento (MP), o seminário contou com a presença de pesquisadores da Joint Research Center (JRC), unidade de pesquisa da União Europeia (UE), e teve como foco a gestão de dados de ACV. O IV CBGCV também trouxe alguns especialistas internacionais que promoveram cursos de integração em bases de dados de ACV, realizado pela ABCV na cidade de São José dos Campos.

Essa série de eventos com participação de outros países indicava um movimento de internacionalização das atividades de ACV no Brasil, o que permitiria forte avanço nos anos seguintes. Uma das últimas ações promovidas pelo PBACV em 2014 foi a sua associação, através do IBICT, ao Life Cycle Initiative, que passou a contar com duas instituições brasileiras em seu comitê, uma vez que a ABCV também era associada. A iniciativa do ciclo de vida é liderada pela ONU Meio Ambiente e possui como objetivo difundir o pensamento e a técnica de ACV (LCI, 2012).

2.2.1.5 PBACV 2015

O ano de 2015 foi marcado pela intensificação das atividades de ACV promovidas pelo PBACV. Dentre elas é possível citar a realização em janeiro do I workshop de adaptação de inventários para o contexto brasileiro, em parceria com a UNEP, o lançamento de três ações: o Manual do ILCD, a primeira tradução do padrão internacional para outro idioma que não o inglês; o livro Ontologia Terminológica; e a interface pública do SICV Brasil, resultado de

quase dez anos de pesquisa do IBICT em armazenamento e disseminação de dados de ACV. Em março de 2015 o IBICT representou o Brasil no fórum global de interoperabilidade de bases de dados de ACV, no qual registrou-se a presença de representantes da ABCV e da Rede Empresarial Brasileira de ACV (REBACV). Durante o encontro foi proposta e aprovada a criação de uma rede global de bases de dados de ACV, que viria a se chamar Global LCA Data Access. Também nesse encontro ficou definido que o Brasil seria o próximo país a promover o fórum. Ainda em março foi lançado o livro Diálogos Setoriais Brasil e União Europeia: desafios e soluções para o fortalecimento da ACV no Brasil, com foco na discussão dos avanços da temática, traçando paralelos entre o Brasil e a Europa. Embora o PBACV continuasse atuando, suas reuniões estavam suspensas desde 2012 por falta de recursos próprios. No entanto, em abril de 2015 houve esforço dos participantes para retomada dos encontros, que passaram a ter frequência bimestral para a comissão de coordenação e semestral para o comitê gestor.

Em junho, através de eleição promovida pelos países representantes da GLAD, o Brasil passou a exercer a presidência da rede, sendo o responsável por estruturar seu funcionamento. No mês de outubro de 2015 realizou-se a primeira edição do Fórum Brasileiro de ACV (BRACV), no Rio de Janeiro, uma parceria do IBICT com o Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia (COPPE). Os grupos de trabalho surgidos durante o fórum foram posteriormente associados a comissões técnicas do PBACV. Em novembro houve o segundo workshop de adaptação de inventários para o contexto brasileiro, dessa vez em parceria com a ecoinvent. O último evento do ano de 2015 ocorreu também em novembro, em Brasília. O seminário O Programa Brasileiro de ACV e as Políticas Públicas Nacionais buscou o aprofundamento de como a temática poderia contribuir para a formulação de políticas nacionais. 2.2.1.6 PBACV 2016

Em 2016, pode-se destacar como principais ações do PBACV a realização, em março, do Fórum Global de Interoperabilidade de Bases de Dados de ACV e do seminário LCA in Policy, ambos organizados pelo IBICT com apoio da UNEP, e do seminário Diálogos Setoriais, organizado pelo IBICT com apoio do Ministério do Planejamento. Também naquele mês houve o lançamento

BRAGA, T. Modelo conceitual para gestão da informação tecnológica no Programa Brasileiro 51

de relevantes serviços promovidos pelo PBACV: o Programa Brasileiro de Rotulagem Ambiental, por parte do Inmetro; o SICV Brasil; e a Revista Latino Americana de Avaliação do Ciclo de Vida (LALCA), ambos por parte do IBICT. Os lançamentos significavam a concretização de algumas importantes metas do PBACV, materializando o esforço realizado pelo programa nos últimos anos. O SICV Brasil foi lançado com 15 inventários de processo construídos pela equipe de participantes do workshop de adaptação promovido ainda no ano de 201510. Em julho de 2016 foi lançado o livro Diálogos Setoriais Brasil e União Europeia: análise crítica das principais políticas de gestão, manutenção e uso de bancos de dados internacionais de inventários do ciclo de vida de produto, cujo foco era avaliar os avanços dos bancos de dados nacionais de outros países e compará-los com propostas para o SICV Brasil. Por fim, no mês de setembro daquele ano ocorreu em Fortaleza o V CBGCV, dessa vez organizado pela Embrapa, UTFPR e IBICT.

2.2.1.7 PBACV 2017

As atividades relacionadas ao PBACV continuaram sendo executadas em 2017. Dentre elas a publicação em fevereiro do Guia QualiData, esforço que uniu várias instituições na tentativa de estabelecer critérios para a definição de qualidade dos inventários a serem incorporados pelo banco nacional. Também em fevereiro o SICV Brasil passou a fazer parte da Life Cycle Data Network, uma rede de bancos de dados gerenciada pela JRC e baseada no software Soda4LCA, o mesmo do SICV Brasil. Em maio ocorreu a segunda edição do BRACV, quando novamente representantes da indústria, governo e academia se reuniram para discutir estratégias para a popularização da ACV no país. Também neste ano foi publicada a primeira edição regular da LALCA. Por fim, no final do ano de 2017 o SICV Brasil se integrou oficialmente à rede GLAD, que será detalhada posteriormente. Ao final daquele ano o Brasil foi eleito para fazer parte do comitê gestor da LCI, juntamente com outros dois representantes de governo em nível mundial.