4. MÉTODO
4.2 Etapa I: Delineamento quase experimental de controle não equivalente
4.2.2 Instrumentos e materiais
4.2.2.8 Programa “Cartas do Gervásio ao seu umbigo: comprometer-se com o estudar na
Esse programa foi a base para a manipulação da variável independente, já que objetiva proporcionar condições para que o estudante autorregule sua aprendizagem. A proposta foi elaborada por três pesquisadores europeus, tendo como referência os modelos teóricos da ARA de Rosário, Núñez e González-Pienda (2007); Rosário (2004) e Zimmerman (2001; 2000).
O programa é composto de 14 cartas, conforme já descrito neste trabalho, mas apenas seis delas foram selecionadas para serem utilizadas com os ingressantes a fim de promover a ARA (Quadro 4).
QUADRO 4 Descrição das cartas 0, 2, 3, 4, 6 e 13 do programa “Cartas do Gervásio ao seu umbigo” por encontros
Encontro Carta Título Conteúdo
1º 0 Se lerem as cartas com atenção, poderão entender os sinuosos contornos da minha experiência como calouro na universidade e testemunhar comigo o acontecido.
Justificativa do conteúdo das cartas.
2º 6 Quem governa a sua aprendizagem,
Gervásio? Você sabe como se distinguem os alunos que obtêm sucesso escolar?
Autorregulação segundo o modelo cíclico PLEA.
3º 2 Que objetivos tenho? O que é que
verdadeiramente guia o meu agir no meu estudo, na universidade, nos meus hobbies, na prática de esportes, nas relações com os outros, na minha preguiça...?
O estabelecimento de objetivos: a curto, a médio e a longo prazos.
4º 4 Você sabe como vencer a procrastinação, Gervásio?
Conscientização sobre o tempo gasto e do tempo perdido, reconhecimento de distratores internos e externos.
5º 3 Como posso realizar melhores anotações? Organização dos conteúdos e o material de aprendizagem (estratégias cognitivas).
6º 13 Como vai o seu estudo, Gervásio? Questionamento das implicações das aprendizagens para sua vida.
Tendo como referência esse propósito, a escolha das cartas foi norteada com base em dois critérios. O primeiro deles foi a literatura brasileira, em especial, os relatos de pesquisas que descreviam sobre as dificuldades de integração dos ingressantes ao ensino superior; e o segundo, o conhecimento específico sobre o processo da autorregulação da aprendizagem e a importância de certos processos e conteúdos envolvidos. O Quadro 4 apresenta quais cartas foram empregadas em cada encontro.
As cartas foram oferecidas de acordo com a importância dos temas a serem apresentados aos alunos e, por isso, sua sequência não foi seguida tal como adotada no programa original. Isso se deve, também, ao fato de os pesquisadores afirmarem que as cartas não precisam ser oferecidas aos alunos na sequência proposta, pela flexibilidade e independência que cada uma apresenta.
Os temas como: anotações, gerenciamento do tempo e estabelecimento de metas escolhidos também são focos de programas promovidos por Seco et al. (2008), Zimmerman, Bonner e Kovach (2008), Vanderstoep e Pintrich (2008) e Schloemer e Brenan (2006).
De maneira mais detalhada, no Quadro 5 está descrito como e o que foi realizado nos seis encontros.
QUADRO 5 Descrição dos encontros da oficina de acordo com seus objetivos, materiais e procedimentos
Encontro Objetivo Materiais Procedimento
1º Apresentar a proposta da oficina e estabelecer contrato com os participantes (dias e horários, permanência, faltas e entrega dos certificados). Termo de Consentimento Livre e Esclarecido e os Cadernos contendo os instrumentos (pré- teste). Carta 0, “Os
motivos que levaram o Gervásio a escrever as cartas”.
Folhas de papel sulfite e caneta para anotações.
1. Explicação do objetivo do encontro
2. Aplicação do termo de consentimento e dos instrumentos. 3. Dinâmica de apresentação.
4. Leitura individual da carta 0. 5. Discussão em subgrupos. 6. Socialização com todo o grupo. 7. Encerramento do encontro. 2º Discutir as implicações da autorregulação da aprendizagem - Planejamento, Execução e Avaliação (PLEA) para a rotina acadêmica. Carta 6, “Quem governa a tua aprendizagem, Gervásio?”. Folhas de papel sulfite e caneta para anotações.
1. Explicação do objetivo do encontro 2. Leitura da Carta 6 em subgrupos.
3. Requisição da atividade: selecionar um ditado popular ou uma frase da carta que representasse cada fase do processo da autorregulação da aprendizagem e discussão.
4. Sumário dos aspectos apontados. 5. Encerramento do encontro. 3º Trabalhar a importância dos objetivos na trajetória acadêmica e suas implicações. Carta 2, “Que objetivos tenho?”. Folhas de papel sulfite e caneta para anotações e folhas coloridas para a dinâmica.
1. Explicação do objetivo do encontro
2. Dinâmica em grupo para dividir os alunos em subgrupos. 3. Leitura individual da Carta 2.
4. Requisição da atividade: a) selecionar, individualmente, algumas justificativas para a importância do estabelecimento de metas; e b) anotar quatro objetivos que desejavam alcançar na vida/na Universidade.
5. Solicitação da principal mensagem do encontro. 6. Sumário dos aspectos apontados.
Encontro Objetivo Materiais Procedimento 4º Levantar ações de enfrentamento e consequências do comportamento de procrastinar. Carta 4, “Você sabe como vencer a procrastinação, Gervásio?”.
Folhas de papel sulfite e caneta para anotações.
1. Explicação do objetivo do encontro
2. Requisição das atividades: listar três atividades em que gastavam mais tempo (excluir a ação de dormir) e três atividades com as quais perdiam mais tempo.
3. Leitura em grupo e dinamizada (cada aluno foi encorajado a ler um parágrafo).
4. Requisição da atividade em subgrupo: discutir a moral do tigre e da tartaruga.
5. Socialização com o grupo.
6. Requisição da atividade: em subgrupos, discutir e emitir opinião(ões) acerca da frase “Procrastinar significa o adiamento sucessivo das tarefas. Podemos evitar as tarefas porque suspeitamos que podemos falhar, porque somos perfeccionistas e nunca estamos satisfeitos com o que fazemos, por falta de hábitos de trabalho, por desorganização, porque, porque, porque...” (ROSÁRIO; NÚÑEZ; GONZÁLEZ-PIENDA, 2012a, p. 62).
7. Sumário dos aspectos apontados. 8. Encerramento do encontro. 5º Levantar ações para planejar e executar a estratégia de aprendizagem anotações Carta 3, “Como posso realizar melhores anotações?”. Folhas de papel sulfite e caneta para anotações.
1. Explicação do objetivo do encontro
2. Solicitação de que o grupo fosse subdividido em subgrupos a partir da área de conhecimento.
3. Leitura individual da Carta 6.
4. Requisição da atividade: em subgrupo, responder às seguintes perguntas: “Devo gravar as aulas e depois transcrever os conteúdos?”; “Como posso realizar melhores anotações?” (ROSÁRIO; NÚÑEZ; GONZÁLEZ-PIENDA, 2012a, p. 161).
5. Sumário dos aspectos apontados.
6. Discussão em grupo: “Explicaram-nos que anotar nos empurra a assistir às aulas com mais atenção fazendo um esforço para compreender o fio condutor da exposição e, também contribui para armazenar a informação para as provas” (ROSÁRIO; NÚÑEZ; GONZÁLEZ-PIENDA, 2012a, p. 53).
7. Sumário dos aspectos apontados. 8. Encerramento do encontro.
Encontro Objetivo Materiais Procedimento
6º
Promover a
autoavaliação Avaliar como vai o estudo e finalizar a oficina
Carta 13, “Como vai o seu estudo Gervásio?”.
Folhas de papel sulfite e caneta para anotações.
Cartolinas, cola, giz de cera e folhas coloridas.
1. Explicação do objetivo do encontro 2. Leitura individual da Carta 13.
3. Requisição da atividade: descrever “os aspectos em que já melhorei...” (ROSÁRIO, NÚÑEZ, GONZÁLEZ-PIENDA, 2012, p. 183) e “quais gostaria de melhorar”. Discussão em grupo.
4. Aplicação dos instrumentos pós-teste e Avaliação da Oficina.
5. Requisição da atividade: registrar o impacto que a oficina possibilitou na sua rotina acadêmica (estudo e aprendizagem) por meio de uma “marca”,.
6. Entrega dos certificados. 7. Encerramento do encontro.