• Nenhum resultado encontrado

PROGRAMA 1: “DARWIN: DA TEORIA DA EVOLUÇÃO ÀS CÉLULAS TRONCO” O programa do sábado 16 de maio de 2009 não contou com nenhum acontecimento

5 ASPECTOS METODOLÓGICOS DA PESQUISA E ANÁLISE DA PRODUÇÃO DO APROVADO

5.4 PROGRAMA 1: “DARWIN: DA TEORIA DA EVOLUÇÃO ÀS CÉLULAS TRONCO” O programa do sábado 16 de maio de 2009 não contou com nenhum acontecimento

especial que pudesse alterar a programação convencional. Com duração aproximada de 50 minutos, excluindo os intervalos comerciais, Aprovado exibiu o poema Poética de Manuel Bandeira dramatizado por Urias Lima, a cantora Margareth Menezes além dos quadros Ralando na área, 2030 Discutindo o futuro e Fato Comentado. O programa foi composto por quatro blocos e teve como convidado e tema principais Charbel Niño El-Hani, professor do Instituto de Biologia da Universidade Federal da Bahia, e Darwin: da teoria da evolução às células tronco, respectivamente.

Na tabela a seguir é demonstrado a organização do Aprovado no dia 16/05/09, o tempo e a localização de cada quadro.

Tabela 4 – ESTRUTURA DO PROGRAMA 1

Matéria/Quadro Tempo* Localização

Fique por dentro 01' 35'' 99 1º bloco

Música – 1ª parte 46'' 94 1º bloco

Fato Comentado 03' 39'' 88 1º bloco

2030 Discutindo o futuro 05' 20'' 97 2º bloco

Poesia 01' 42'' 66 2º bloco

Música – 2ª parte 51' 90 3º bloco

Matéria extra 02' 13'' 10 4º bloco

Música – 3ª parte 01' 14'' 41 4º bloco

Fonte: A autora

*Uma aspas representa os minutos, duas aspas representam os segundos e o número seguinte são os centésimos

O tema escolhido neste programa foi em decorrência da comemoração dos 200 anos do nascimento de Charles Darwin (1809-1882) e dos 150 anos da publicação de A origem da espécies (1859). El-Hani provavelmente foi escolhido como convidado principal porque o mesmo é o coordenador científico do Ano Darwin na Bahia e ministrou diversas palestras sobre a teoria da evolução.

Durante a exibição há comentários sobre a agenda de eventos relacionada às comemorações, a relação da teoria da evolução com as concepções propostas por Mendel assim como a importância da passagem de Darwin pela Bahia.

Para El-Hani, organizar uma agenda de eventos comemorativos é uma contribuição para a melhoria da educação científica, tanto formal quanto não-formal, no que diz repeito ao pensamento evolutivo. De fato, o conjunto de palestras, feiras, congressos, exposições, seminários e simpósios variados que foram realizados ao longo do ano é uma forma de popularização da ciência dirigida para o público escolar (professores e alunos) e geral do estado da Bahia.

Uma das considerações que El-Hani enfatizou foi a importância da passagem de Darwin pela Bahia (em 1832 por Salvador e Abrolhos e, em 1836, apenas por Salvador) para sua formação como naturalista, seu processo de transição para uma visão evolucionista e até mesmo para a concepção da teoria da seleção natural. Salvador foi o único local da América do Sul onde ele veio e voltou tendo seu primeiro contato com a biodiversidade característica dos ecossistemas tropicais:

A gente vê nos livros didáticos, nas aulas de aula de biologia essa ênfase enorme da passagem do Darwin pelas Galápagos e se esquece que ele passou aqui pelo Brasil:2 vezes em Salvador, 1 por Recife, por Abrólhos, Fernão de Noronha, Rio de Janeiro e Salvador foi o único lugar na viagem que ele passou 2 vezes e no Brasil, certamente, foi o local que deixou melhores impressões no Darwin. Em particular, ele teve uma experiência cultural muito interessante aqui porque ele era um antiescravagista e ele aqui ficou muito

bem impressionado com a população negra de Salvador – naquela época a população de escravos; e escravos da cidade. E foi aqui o primeiro local que ele entrou na floresta tropical. Primeira vez que ele viu um ecossistema tropical e sempre pra quem vem da área temperada dá uma experiência não só cognitiva, mas afetiva impressionante. A gente precisa valorizar a passagem dele aqui por Salvador. A meninada ta aí na sala de aula precisa saber que o Darwin teve aqui na Cidade da Bahia como se chamava na época. (Charbel El-Hani)

Essa resposta contraria a crença comum e historicamente equivocada de que ele desenvolveu sua teoria durante os 36 dias que passou nas Ilhas Galápagos. Durante a resposta foram exibidas imagens dos locais citados assim como pinturas sobre a escravidão do artista Jean Baptiste Debret.

É valido ressaltar que o tema do programa previa abordagem de assuntos relacionados à teoria da evolução e relacionados às células tronco. Entretanto a discussão sobre o segundo assunto ficou a cargo do quadro 2030 Discutindo o futuro que exibiu o tema Terapia Celular. Apesar de ser assunto do tema principal o VT durou apenas cinco minutos. O quadro foi apresentado por Ronald Pallotta (professor da Escola Bahiana de Medicina e coordenador do Centro de Oncologia e Hematologia do Hospital Salvador). Pallotta já foi convidado principal dos programa Célula tronco: medicina do futuro, exibido em 14/01/06.

Ciência como verdade

Neste programa não foi identificada uma mistificação da ciência na fala do convidado. Ao contrário, há explicações no intuito de desfazer esse tipo de percepção na platéia. Na primeira pergunta feita por Portugal “se eu fosse uma pessoa cética em relação a teoria da evolução que argumentos você me daria pra que eu rompesse com este circulo de equívocos?”, El-Hani responde que apesar da comprovações científicas que revelam a veracidade da teoria, “o conhecimento científico é um modo de explicação do mundo” e que portanto a teoria da evolução é uma visão:

Primeiro eu diria que pra a gente compreender a teoria da evolução é preciso compreender a natureza do conhecimento científico. Por que que eu digo isso? Porque existem problemas relativos a conflitos entre as idéias evolutivas e idéias que vem de tradições culturais outras como por exemplos as

tradições cristãs e outras tradições religiosas. E aí a gente tem que dar um passo atrás e entender que conhecimento científico é um modo de explicação do mundo que se ampara em explicar fenômenos naturais que é a única coisa que a ciência pretende explicar com base em outros fenômenos, também, naturais.(...) A ciência não se pronuncia sobre entidades que não sejam naturais. Ela não diz nem que Deus existe e nem que e Deus não existe. A ciência é agnóstica em relação a isso. Ser agnóstico que dizer que suspende o juízo. Não emite juízo sobre isso. (Charbel El-Hani)

Através dessa fala é possível perceber que a ciência não é explanada como algo irrefutável e infalível. Ao não se pronunciar sobre a existência, ou não, de Deus e por conseguinte, sobre a origem divina da humanidade, o pesquisador deixa claro que há diversas leituras para a criação da humanidade inclusive a leitura científica. Não há imposição de uma teoria (científica) sobre a outra (religiosa).

Em outro trecho do programa observa-se as mesmas características no discurso de Charbel. Quando a cantora Margareth questiona-o sobre a aproximação da ciência e da fé relatada no livro34 de Francis S. Collin, o convidado responde que a crença em divindades é “no

fundo, no fundo é uma questão de fórum íntimo, de crença de cada um” e que as crenças pessoais “são absolutamente legítimas”. Depois completa:

Por isso que eu fui claro em dizer assim que a ciência não desautoriza essas visões e a explicação científica tem limites. Porque qualquer explicação sobre o mundo tem limites. Então de fato que há coisas que a gente não explica cientificamente, claro que há. A ciência explica apenas fenômenos naturais. Qualquer visão de mundo que postula a existência, ou de entidades sobrenaturais, ou a relação de entidades sobrenaturais com o mundo natural, está falando de assuntos que escapam ao domínio da ciência mas que demanda explicação e que são explicadas por outras tradições culturais. Ainda bem, porque a gente tem essa diversidade de cultura pra puder explicar de diversas perspectivas. (Charbel El-Hani)

Novamente, o pesquisador revela que a ciência é uma percepção da realidade baseada na razão. A partir disso, afirma que as explicações científicas (assim como as demais) possuem limitações e coexistem com as outras interpretações da realidade.

34 COLLINS, Francis S. (2007) A linguagem de Deus: um cientista apresenta evidências de que Ele existe. São